Arlindo e a poeira
O escarro atingiu o asfalto com a precisão assustadora de um míssil de cruzeiro. A estalada sonora espantou alguns pardais que se coçavam ali perto, o ar quente e seco de Agosto a fazê-la ecoar por entre os prédios. Castanha com o café matinal, a coloidal descarga borbulhou durante dois segundos a fritar ao sol, e depois desapareceu deixando para trás alguns montículos mais espessos.
Ao passar pela igreja, viu uns vinte metros mais abaixo a Bina que se passeava, já a esta hora, a tresandar queca por todos os poros, os olhos raiados de sémen. Cabrona. Também tu hás-de roê-lo, pensou.
Raspou a unha crescida do mindinho por trás da orelha esquerda, arrancando milhares de células epiteliais há muito tempo mortas e esquecidas. Arreganhou o maxilar inferior, e com as presas afiadas libertou a unha do seu fardo.
Puxou de um cigarro. A chama do isqueiro bruxuleava à frente dos seus olhos, hipnotizando-o e levando a sua mente simples até outras paragens. Quem faria arder a chama? Não queria acreditar nos jeovás, nem nessa corja de manás e universais dum cabrão, que passavam a vida a besuntar-se com óleo de fritar e a mugir como se tivessem os pelos do cu a arder. Mas quem faria arder a chama, e onde iriam buscar tanta gaja boa a falar inglês tão bem para fazer as Marés Vivas? Doía-lhe a cabeça, fechou o isqueiro, deu uma passa que o encheu até à bexiga e continuou o seu caminho.
Abriu a porta da oficina com uma patada seca no sítio secreto que só ele e o Canina conheciam. Depois tropeçou na lata dos pregos, caíu em cima de uma cavilha e morreu. Sic transit gloria mundi.
When I hear music, I fear no danger. I am invulnerable. I see no foe. I am related to the earliest times, and to the latest.
- Henry David Thoreau -
Condensing fact from the vapor of nuance since 2003
30.10.03
Ed è subito sera
Ognuno sta solo sul cuor della terra
trafitto da un raggio di sole:
ed è subito sera.
Salvatore Quasimodo
[ref. Ana]
Ognuno sta solo sul cuor della terra
trafitto da un raggio di sole:
ed è subito sera.
Salvatore Quasimodo
[ref. Ana]
Na encosta suave, virada a nascente, a casa erguia-se rasteira. A rua, estreita, ladeava os muros caiados, rasteiros, enfeitada com portas pequenas de madeira antiga. Folhas e ramos com folhas exploravam, espreitando, a rua e as portas por cima do muro.
Era a terra molhada de orvalho e a alvorada seca, era a família albergada entre quartos a dormir os pratos da véspera.
Uma janela branca, portadas assim, e a luz indirecta aos pés do colchão. O quarto tranquilo da noite tranquila, o ar tépido e limpo. O cheiro do café quente mais forte que as paredes da casa.
A porta branca, descendo a escada de madeira antiga, não fria, forte, pelo corredor comprido passando por portas e uma lâmpada vigil.
Os pés, em meias, os olhos dispostos a saber o que um dia traz consigo, eram as mãos que coçavam o corpo estremunhado ao passar por água fresca o rosto contente. As gotas brilhavam como estrelas cadentes no perlimpimpim matinal, como fadas num céu branco e radioso.
O pão, quente e estaladiço, os copos e tudo na mesa comprida, o pão.
Hoje eu sei que tu estás aí, e sei tão bem como tu sabes que todas as noites são tranquilas, mesmo as que, por princípio, não o deveriam ser. É tão suave falar em nós, tão suave como a encosta por onde aquela alvorada rolou em gotas de orvalho. Ainda tenho as mãos firmes, hoje sou mais forte que as paredes da casa, embora talvez por princípio não devesse sê-lo.
É hoje e nestes dias que a vida me ensina que nunca deixamos realmente de ser crianças.
Era a terra molhada de orvalho e a alvorada seca, era a família albergada entre quartos a dormir os pratos da véspera.
Uma janela branca, portadas assim, e a luz indirecta aos pés do colchão. O quarto tranquilo da noite tranquila, o ar tépido e limpo. O cheiro do café quente mais forte que as paredes da casa.
A porta branca, descendo a escada de madeira antiga, não fria, forte, pelo corredor comprido passando por portas e uma lâmpada vigil.
Os pés, em meias, os olhos dispostos a saber o que um dia traz consigo, eram as mãos que coçavam o corpo estremunhado ao passar por água fresca o rosto contente. As gotas brilhavam como estrelas cadentes no perlimpimpim matinal, como fadas num céu branco e radioso.
O pão, quente e estaladiço, os copos e tudo na mesa comprida, o pão.
Hoje eu sei que tu estás aí, e sei tão bem como tu sabes que todas as noites são tranquilas, mesmo as que, por princípio, não o deveriam ser. É tão suave falar em nós, tão suave como a encosta por onde aquela alvorada rolou em gotas de orvalho. Ainda tenho as mãos firmes, hoje sou mais forte que as paredes da casa, embora talvez por princípio não devesse sê-lo.
É hoje e nestes dias que a vida me ensina que nunca deixamos realmente de ser crianças.
Gosto de climas extremos. É por ter feito tudo cedo na vida, por não ter havido internet quando tinha quatro anos. Assim é normal passar-me com as nuvens carregadas, electricamente definidas, com a promessa de ventos e furor aberto.
Lembro-me da tua lareira, e das peles afins que em vinte e dois anos de amizade nunca se haviam descoberto, lembro-me dos troncos que trouxe da cave para juntos sabermos o segredo do chá, os receios da noite, o abraço dos amantes contra a certeza da morte.
Hoje tenho palavras próprias, não é um dia como ontem, decididamente não é um dia como ontem e tenho saudades da tua lareira.
Lembro-me da tua lareira, e das peles afins que em vinte e dois anos de amizade nunca se haviam descoberto, lembro-me dos troncos que trouxe da cave para juntos sabermos o segredo do chá, os receios da noite, o abraço dos amantes contra a certeza da morte.
Hoje tenho palavras próprias, não é um dia como ontem, decididamente não é um dia como ontem e tenho saudades da tua lareira.
O cumcaraças
«O clínico, que distribuiu cartões de visita aos jornalistas em que aparece identificado como "médico psiquiatra", "conselheiro económico honorário da Embaixada do Panamá" e "Aero Medical Examiner", não é reconhecido pela Ordem dos Médicos como psiquiatra.»
Estranhamente, hoje os tipos do Diário Digital soam-me a moderado, a amorfo. O País vê agora as entranhas da mecânica do Estado? Porra, o País está farto de ver, é por isso que se abstém em massa trocando as urnas por areia e sal, só que ai de nós, o País vive varado pelas dívidas, pelo deslumbramento, pela anestesia, pela ilusão chavaleca de liberdade na sua pior definição (fazer o que se quer, e não o que se deve) e à quinta geração no futuro, se não estivermos a discutir a paridade do crioulo como língua oficial nas escolas, estaremos decerto a remoer os restos das leis de 1955, no tocante à plantação do tremoço em terras de xisto.
O Blogger está em baixo due to planned maintenance. Não domino o impulso, e com a mente ligada ao hiperespaço deixo sair a coisa.
Os artifícios do chico-esperto que advoga a causa do condenado Bibi transportam-me inevitavel e sardonicamente de volta a episódios vividos em primeira, segunda e terceira mão.
Seja o dia em que certo elemento, parado num semáforo, foi abalroado por um Mazda RX7, pilotado por elemento natural de Cabo Verde, de 17 anos, sem documentos pessoais, sem seguro, com registo de propriedade em nome de terceiro elemento, este residente na Pedreira dos Húngaros, dando origem a cinco semanas e meia de demanda entre as seguradoras, o ISP, o FGA, a oficina, o rent-a-car e a esquadra da Pontinha, onde o evento ficou reduzido a escrito embora só para arquivo, já que a autoridade não apura culpados, não assume a defesa dos lesados, não acompanha a punição e demais medidas de restrição dos culpados (a menina anda por aí) ficando limitada a esboçar croquis, como se empenhada em fazer dos nossos dias um mapa do Inferno.
Ia narrar mais mas perdi a vontade.
Os artifícios do chico-esperto que advoga a causa do condenado Bibi transportam-me inevitavel e sardonicamente de volta a episódios vividos em primeira, segunda e terceira mão.
Seja o dia em que certo elemento, parado num semáforo, foi abalroado por um Mazda RX7, pilotado por elemento natural de Cabo Verde, de 17 anos, sem documentos pessoais, sem seguro, com registo de propriedade em nome de terceiro elemento, este residente na Pedreira dos Húngaros, dando origem a cinco semanas e meia de demanda entre as seguradoras, o ISP, o FGA, a oficina, o rent-a-car e a esquadra da Pontinha, onde o evento ficou reduzido a escrito embora só para arquivo, já que a autoridade não apura culpados, não assume a defesa dos lesados, não acompanha a punição e demais medidas de restrição dos culpados (a menina anda por aí) ficando limitada a esboçar croquis, como se empenhada em fazer dos nossos dias um mapa do Inferno.
Ia narrar mais mas perdi a vontade.
One is the loneliest number that you'll ever do
Two can be as bad as one, its the loneliest number since the number one
No is the saddest experience you'll ever know
Yes is the saddest experience you'll ever know
cause one is the loneliest number that you'll ever know
one is the loneliest number even worst then two
yeah
its just no good anymore since you went away
now I spend my time just making up rhymes of yesterday
one is the loneliest number
one is the loneliest number
one is the loneliest number
since you went away
since you went away
(one is the loneliest number since you've gone away)
one is the loneliest number
one is the loneliest number
one is the loneliest number
since you've gone away
Its just no good anymore since you went away
now I spend my time just making up rhymes of yesterday
one is the loneliest number
one is the loneliest number
one is the loneliest number
since you went away
since you went away
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Two can be as bad as one, its the loneliest number since the number one
No is the saddest experience you'll ever know
Yes is the saddest experience you'll ever know
cause one is the loneliest number that you'll ever know
one is the loneliest number even worst then two
yeah
its just no good anymore since you went away
now I spend my time just making up rhymes of yesterday
one is the loneliest number
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since you went away
since you went away
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one is the loneliest number
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one is the loneliest number
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since you went away
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Carmen 43
Salve, nec minimo puella naso
nec bello pede nec nigris ocellis
nec longis digitis nec ore sicco
nec sane nimis elegante lingua.
Decoctoris amica Formiani,
ten provincia narrat esse bellam?
Tecum Lesbia nostra comparatur?
O saeclum insapiens et infacetum!
nec bello pede nec nigris ocellis
nec longis digitis nec ore sicco
nec sane nimis elegante lingua.
Decoctoris amica Formiani,
ten provincia narrat esse bellam?
Tecum Lesbia nostra comparatur?
O saeclum insapiens et infacetum!
29.10.03
A verdade é que muitas pessoas são hoje crucificadas porque produzem mais, em meia hora de trabalho dedicado ou em oito horas de trabalho simultâneo com auto-aperfeiçoamento e dispersão lúdica, do que os seus supervisores (ad lib pela cadeia hierárquica acima) em muitas semanas de tromba-posta e saídas depois das 20 - nem que seja a encher chouriços...
From: rainbowman (rainbowman@ondeeutrabalho.com)
To: Dep. Op. Adm.
09:39 29/10/2003
Bom dia,
por favor dá-me a forma de movimentar a conta xxx
Thanks,
From: Dep. Op. Adm.
To: rainbowman (rainbowman@ondeeutrabalho.com)
15:39 29/10/2003
É com duas assinaturas.
From: rainbowman (rainbowman@ondeeutrabalho.com)
To: Dep. Op. Adm.
15:39 29/10/2003
Sim, mas quais, quem, como?
From: Dep. Op. Adm.
To: rainbowman (rainbowman@ondeeutrabalho.com)
16:28 29/10/2003
O titular A assina com todos excepto com o E
O B e o C podem assinar juntos
O titular D assina com o A, o B ou o E
To: Dep. Op. Adm.
09:39 29/10/2003
Bom dia,
por favor dá-me a forma de movimentar a conta xxx
Thanks,
From: Dep. Op. Adm.
To: rainbowman (rainbowman@ondeeutrabalho.com)
15:39 29/10/2003
É com duas assinaturas.
From: rainbowman (rainbowman@ondeeutrabalho.com)
To: Dep. Op. Adm.
15:39 29/10/2003
Sim, mas quais, quem, como?
From: Dep. Op. Adm.
To: rainbowman (rainbowman@ondeeutrabalho.com)
16:28 29/10/2003
O titular A assina com todos excepto com o E
O B e o C podem assinar juntos
O titular D assina com o A, o B ou o E
[reproduzido com permissão (ainda que passiva) dos intervenientes]
A ordem surge do caos...
[01:51] >rainbowman^> 99% of it is an approach to reality based on something you think you need.
[01:51] >zyphryus> paradox + rendezvous = coyote?
[01:51] >rainbowman^> only if morse code means that galaxies spin like anthills.
[01:53] >zyphryus> my hands crave the night, but my body seeks to soak the sun.
[01:54] >rainbowman^> yet you're thin like films of sand, like waves like grains like sponge and sword and mouths seek no stream.
[01:56] >zyphryus> free hand writes likt the flying wings of orage rays, but let me speak, and i shall tell you of the dioxazine purple winged creautres.
[01:56] >rainbowman^> yeah and typos too
[01:56] >zyphryus> exactly.
[01:57] >rainbowman^> but hell, twixt cans of gloom and shades of rock, earth cradles sunrise smiles and we handle the words like tasting the light.
[01:57] >rainbowman^> but wine is abroad
[01:58] >zyphryus> and the crow lies on its side, silently singing.
Trademark
[22:19] >rainbowman^> bem sei :)
[22:19] >IlhaCristina> credo homem... diz uma vez k seja na vida k nao sabes :)
Referências eternas
[23:51] >Elora> e o brotas claro
[23:51] >Elora> toda a gente conhecia o brotas
[23:51] >rainbowman^> yah a barba ambulante
[23:51] >rainbowman^> pullover roxo
[23:51] >Elora> :)
[23:51] >rainbowman^> passei por ele ha uns dias
[23:51] >Elora> esse mesmo
[23:51] >rainbowman^> ia cheio de fotocopias
[23:51] >rainbowman^> num saquinho de plastico
[23:51] >Elora> onde?
[23:51] >rainbowman^> na 5 de outubro
[23:51] >rainbowman^> ai ha 3 meses
[23:52] >Elora> q faz ele?
[23:52] >rainbowman^> anda no partido...
[23:52] >Elora> e fisica?
[23:52] >rainbowman^> ainda lhe faltam cadeiras
[23:52] >Elora> poiz
[23:52] >rainbowman^> incrivel para um gajo que com 16 anos demonstrava teoremas pa reinar com o pai
A ordem surge do caos...
[01:51] >rainbowman^> 99% of it is an approach to reality based on something you think you need.
[01:51] >zyphryus> paradox + rendezvous = coyote?
[01:51] >rainbowman^> only if morse code means that galaxies spin like anthills.
[01:53] >zyphryus> my hands crave the night, but my body seeks to soak the sun.
[01:54] >rainbowman^> yet you're thin like films of sand, like waves like grains like sponge and sword and mouths seek no stream.
[01:56] >zyphryus> free hand writes likt the flying wings of orage rays, but let me speak, and i shall tell you of the dioxazine purple winged creautres.
[01:56] >rainbowman^> yeah and typos too
[01:56] >zyphryus> exactly.
[01:57] >rainbowman^> but hell, twixt cans of gloom and shades of rock, earth cradles sunrise smiles and we handle the words like tasting the light.
[01:57] >rainbowman^> but wine is abroad
[01:58] >zyphryus> and the crow lies on its side, silently singing.
Trademark
[22:19] >rainbowman^> bem sei :)
[22:19] >IlhaCristina> credo homem... diz uma vez k seja na vida k nao sabes :)
Referências eternas
[23:51] >Elora> e o brotas claro
[23:51] >Elora> toda a gente conhecia o brotas
[23:51] >rainbowman^> yah a barba ambulante
[23:51] >rainbowman^> pullover roxo
[23:51] >Elora> :)
[23:51] >rainbowman^> passei por ele ha uns dias
[23:51] >Elora> esse mesmo
[23:51] >rainbowman^> ia cheio de fotocopias
[23:51] >rainbowman^> num saquinho de plastico
[23:51] >Elora> onde?
[23:51] >rainbowman^> na 5 de outubro
[23:51] >rainbowman^> ai ha 3 meses
[23:52] >Elora> q faz ele?
[23:52] >rainbowman^> anda no partido...
[23:52] >Elora> e fisica?
[23:52] >rainbowman^> ainda lhe faltam cadeiras
[23:52] >Elora> poiz
[23:52] >rainbowman^> incrivel para um gajo que com 16 anos demonstrava teoremas pa reinar com o pai
Vinha no caminho a pensar em duas coisas (além da condução, do jantar, de preparar mentalmente as aulas que vou dar, e da forma mais expedita de perder os oito kg que faltam): no acto de blogar e na cultura da impunidade.
O acto de blogar pode ser
a) um revivalismo pueril
b) o exercício do apego à vida eterna, como plantar uma árvore, procriar ou executar uma obra de arte
c) uma forma de matar o tempo contornando a clausura instituída pelo corporativismo (ou pela simples necessidade de estar sentado numa cadeira oito horas por dia para receber o salário mínimo)
d) um mix completamente freestyle de todas as anteriores.
Quanto à cultura da impunidade lembrei-me de uma noite, há muitos anos, em que estava sentado à porta da casa onde morei durante 23 anos, e eram quatro da madrugada. Estávamos lá os cinco, a conversar depois de um copo. Duzentos metros mais abaixo, estavam três tipos a chutar qualquer coisa na veia. A GNR passou e mandou-nos ir para casa por causa do ruído de vizinhança, e ignorou os outros tipos. Seis meses antes, um sujeito foi espancado por um bando de feirantes (daqueles dos carrocéis e da sardinha a balde) e uma vizinha ligou para o posto da GNR de Loures, para receber, meia hora mais tarde, uma chamada em retorno, na qual uma voz tosca e hesitante perguntava "olhe, era para saber se já acabou ou se ainda há confusão". De manhã havia sangue pela rua toda. Claro que isto foi há treze anos e hoje os niveis de civilidade, literacia e segurança mudaram muito.
E com isto fiz os 9km até aqui.
O acto de blogar pode ser
a) um revivalismo pueril
b) o exercício do apego à vida eterna, como plantar uma árvore, procriar ou executar uma obra de arte
c) uma forma de matar o tempo contornando a clausura instituída pelo corporativismo (ou pela simples necessidade de estar sentado numa cadeira oito horas por dia para receber o salário mínimo)
d) um mix completamente freestyle de todas as anteriores.
Quanto à cultura da impunidade lembrei-me de uma noite, há muitos anos, em que estava sentado à porta da casa onde morei durante 23 anos, e eram quatro da madrugada. Estávamos lá os cinco, a conversar depois de um copo. Duzentos metros mais abaixo, estavam três tipos a chutar qualquer coisa na veia. A GNR passou e mandou-nos ir para casa por causa do ruído de vizinhança, e ignorou os outros tipos. Seis meses antes, um sujeito foi espancado por um bando de feirantes (daqueles dos carrocéis e da sardinha a balde) e uma vizinha ligou para o posto da GNR de Loures, para receber, meia hora mais tarde, uma chamada em retorno, na qual uma voz tosca e hesitante perguntava "olhe, era para saber se já acabou ou se ainda há confusão". De manhã havia sangue pela rua toda. Claro que isto foi há treze anos e hoje os niveis de civilidade, literacia e segurança mudaram muito.
E com isto fiz os 9km até aqui.
[cross-blogging: Albergue dos Danados]
A autoridade da república impõe-se pelo temor, não pela complacência. Por isso, aqui, regista-se a informação de alguns postos de vigilância do tráfego motorizado em Portugal.
A GNR adquiriu viatura novas, insistindo nos Subaru Impreza WRX. Os oito novos carros da GNR para controlar a velocidade na auto-estrada têm as seguintes matrículas: 01 - 63 – RZ; 01 - 64 - RZ; 01 - 65 - RZ; 01 - 66 - RZ; 01 - 67 - RZ; 01 - 68 - RZ; 01 - 69 - RZ; 01 - 70 - RZ. Claro está que os BMW 330d, com matrícula PE, continuam a oferecer suporte móvel a radares da GNR.
Outra informação relevante e a saber é que foram recentemente instalados ao longo do percurso da A1 radares electrónicos fixos para controlo da velocidade, com capacidade de registo em polaroid dos veículos cujos a pressa dos respectivos condutores ultrapasse os cento e quarenta quilómentos por hora. As localizações de tais equipamentos são as seguintes: entre o quilómetro zero vírgula cinco e o quilómetro dez, em ambos os sentidos; entre o quilómetro quarenta e cinco e o quilómetro cinquenta, em ambos os sentidos; entre o quilómetro oitenta e cinco e o quilómetro noventa e cinco, no sentido sul-norte; entre o quilómetro cento e vinte e o quilómetro cento e trinta, em ambos os sentidos; entre o quilómetro duzentos e quarenta e cinco e o quilómetro duzentos e cinquenta, em ambos os sentidos; entre o quilómetro duzentos e oitenta e o quilómetro duzentos e oitenta e sete, em ambos os sentidos.
Com a lavragem deste elenco de novidades, espera-se também que se tenham tornado mais transparentes o património e os activos da república. Que é de todos nós. Por todos nós a sermos.
[por gentileza e graça de Nicky Florentino]
A autoridade da república impõe-se pelo temor, não pela complacência. Por isso, aqui, regista-se a informação de alguns postos de vigilância do tráfego motorizado em Portugal.
A GNR adquiriu viatura novas, insistindo nos Subaru Impreza WRX. Os oito novos carros da GNR para controlar a velocidade na auto-estrada têm as seguintes matrículas: 01 - 63 – RZ; 01 - 64 - RZ; 01 - 65 - RZ; 01 - 66 - RZ; 01 - 67 - RZ; 01 - 68 - RZ; 01 - 69 - RZ; 01 - 70 - RZ. Claro está que os BMW 330d, com matrícula PE, continuam a oferecer suporte móvel a radares da GNR.
Outra informação relevante e a saber é que foram recentemente instalados ao longo do percurso da A1 radares electrónicos fixos para controlo da velocidade, com capacidade de registo em polaroid dos veículos cujos a pressa dos respectivos condutores ultrapasse os cento e quarenta quilómentos por hora. As localizações de tais equipamentos são as seguintes: entre o quilómetro zero vírgula cinco e o quilómetro dez, em ambos os sentidos; entre o quilómetro quarenta e cinco e o quilómetro cinquenta, em ambos os sentidos; entre o quilómetro oitenta e cinco e o quilómetro noventa e cinco, no sentido sul-norte; entre o quilómetro cento e vinte e o quilómetro cento e trinta, em ambos os sentidos; entre o quilómetro duzentos e quarenta e cinco e o quilómetro duzentos e cinquenta, em ambos os sentidos; entre o quilómetro duzentos e oitenta e o quilómetro duzentos e oitenta e sete, em ambos os sentidos.
Com a lavragem deste elenco de novidades, espera-se também que se tenham tornado mais transparentes o património e os activos da república. Que é de todos nós. Por todos nós a sermos.
[por gentileza e graça de Nicky Florentino]
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