13.11.04

Este ano disseram-me que procurasse o que está mal, que actuasse, fora do meu âmbito funcional, que interviesse, criticando. Creio que terão escrito que foi um ano bom. No ano passado, repreenderam-me severamente por ter feito justamente o que me disseram para fazer este ano, e cortaram-me o prémio. Quanto mais depressa viver do pomar, melhor.
Come with me
Into the trees
We'll lay on the grass
And let the hours pass

Take my hand
Come back to the land
Let's get away
Just for one day

Let me see you
Stripped

Metropolis
Has nothing on this
You're breathing in fumes
I taste when we kiss

Take my hand
Come back to the land
Where everything's ours
For a few hours

Let me see you
Stripped

Let me hear you
Make decisions
Without your television
Let me hear you speaking
Just for me

Let me see you
Stripped

Let me hear you
Make decisions
Without your television
Let me hear you speaking
Just for me

Let me see you
Stripped


Entao hoje q cavei. Q brandi a enxada cm alabarda da cura, do sol q nos banhava, ego et fratres, de volta aos ciclos da vida. Fora da morte cinzenta, livres da canga ferrea que come os ignaros. Nao serei um cidadao, recuso, declino. Dai-me o troar da lamina tosca contra os torroes amigos. Dai-me a face deles ilha d suor, dai-me estas maos q elevam vitoriosa a bandeira da terra. Nao serei vazio ainda que vazio me rodeie nos limites do medo. E estes q aqui cavam, ombro a bravo ombro, eu garanto q comerao o pao da liberdade q hoje parimos.
A roçar o limiar da abjecção, as luzes de Natal este ano começaram a aparecer a 20 e poucos de OUTUBRO. Pergunta o meu filhote: "oh pai, este ano o natal eh em novembro para as pessoas comprarem coisas mais cedo?" Escaqueirei-me todo a rir, ali no banco do jardim, torci-me como um huno bêbado a fazer a dança de S. Vito \=^)

11.11.04

Eu conduzo muito. Faço mesmo muitos quilómetros. Em trabalho e não só. A pior aconteceu-me ao pé de casa. Ora foi assim.

Vinha eu do IC19 com o meu filhote no banco de trás, onde sempre se senta, pondo o cinto sozinho, e verificando sempre se as portas se encontram fechadas e a cadeirinha elevatória devidamente acondicionada. Ele, não eu. Ele é que está educado para verificar isto tudo. Passamos por um Renault 9 a cair de podre, condutor com muito mau aspecto, não daquele que sai com sabão, mas do tipo entranhado na alma, feroz, aguerrido, belicoso. Atrás uma criança, hmmm 4 anos, solta, vidro aberto, quarto superior do corpo pendurado de fora a rir alegre.

Faço sinais de luzes. Nada. Apito. Nada. Acelero e meto-me ao lado do destroço. Apito e faço um gesto com o polegar.

O energúmeno abre o vidro e grunhe: "Hã?!" e eu "O puto vai de fora..." e ele "E depois oh caralho, é meu filho, não é teu, puta que te pariu, vê lá se paro já o carro oh cabrão".

Pronto, nessa noite jantámos sopinha e uma pizza caseira para os dois, que o papá sabe cozinhar e sai tudo melhor quando tento tirar a carola da realidade.

Porto de Abrigo -> Saving private ryan

Muhahahaaa... Reductio ad absurdum, porra.
Hoje sim, hoje pude verificar o verdadeiro sentido da estupefacção.

Então não é que a incúria dos incompetentes e dúcteis mentais também afecta os que defendem a tolerância incondicional? Era uma vez alguém que acreditava nas instituições, por sua definição, e ainda que um lugar é sempre ocupado por capacidade e mérito. Bom, não sei se acreditava ou, por ser pessoa humana e de boa índole, tentava apenas escamotear a desgraça terrena a fim de passar a idéia de um mundo melhor e com isso fomentar a crença e o ânimo nas hostes plebeias.

Um dia por sei lá que norma espetaram-lhe com uma factura de umas centenas de contos. Com toda a certeza, terá sido um evento pontual, nada que leve a acreditar que a vida está cheia destas coisas e que realmente 99% da espécie humana não vale a ponta de um corno.

9.11.04

passa aqui o borges e inspecciona, com dedos e olhar sagaz, as prateleiras, o vidro, a alcatifa

o outro diz que eu tenho uma grande revolta interior e um comportamento instável

esta noite tive um pesadelo mas a cura veio logo, aquele cobertor é quentinho e eu pu-lo lá

gargalhada silenciosa no frio azul vespertino.

5.11.04

digo-mais, muito mais! ardo como uma paramecia cravejada de perlimpimpim so de pensar em erguer a cabaninha no epicentro do nosso regresso ah mae terra! uma lança em africa entre os coentros anais para quem nao achar isto a coroa de gloria do nosso empenho no eterno!

3.11.04

O sistema não existe. A rapariga que abortou, com relatório médico, testemunhas, e até admissão dos factos, foi absolvida. Embora seja pró-vida, eu não questiono se a lei está correcta ou não, mas é lei. Contudo a juíza absolveu-a. Logo não há sistema, há livre arbítrio por parte dos que ocupam posições decisionais. Parece-me um exemplo tão bom como outro qualquer. Por este caminho qualquer dia somos como os americanos que não acreditam na teoria da evolução e para quem ser liberal é professar o catolicismo e seguir doutrinas tecnocráticas de centro-direita.

2.11.04

There is a tribe in East Africa in which the art of true intimacy (I would call it bonding) is fostered even before birth. In this tribe, the birth date of a child is not counted from the day of its physical birth nor even the day of conception, as in other village cultures. For this tribe the birth date comes the first time the child is a thought in its mother's mind. Aware of her intention to conceive a child with a particular father, the mother then goes off to sit alone under a tree. There she sits and listens until she can hear the song of the child that she hopes to conceive. Once she has heard it, she returns to her village and teaches it to the father so that they can sing it together as they make love, inviting the child to join them. After the child is conceived, she sings it to the baby in her womb. Then she teaches it to the old women and midwives of the village, so that throughout the labor and at the miraculous moment of birth itself, the child is greeted with its song. After the birth, all the
villagers learn the song of their new member and sing it to the child when it falls or hurts itself. It is sung in times of triumph, or in rituals and initiations. The song becomes a part of the marriage ceremony when the child is grown, and at the end of life, his or her loved ones will gather around the deathbed and sing this song for the last time.

1.11.04

-click-
"...and since this could be the first senate with a simple majority
since the 50s..."
-click-
"...President Gore took time out from campaigning yesterday to award
Prime Minister Schwarzenegger of Austria-Hungary the Congressional..."
-click-
"...The Queen today visited the Houses of Parliament in Virginia to
formally commence the campaign season..."
-click-
"...Personally, Dave, I think that the Socialists should never have
picked Senator Rand to run for them. When her Bourgeois mother was
President, all..."
-click-
"...Both candidates are currently in the swing state of Sonora..."
-click-
"...The President lied to us! Rhodesia had no WMD, and he knew..."
-click-
"...The Southeast has consistently voted socialist ever since the D.C.
Wall came down in..."
-click-
"Janet Jackson's last album before her death in the Reliant Stadium
attack was released today to rave-"
-click-
"The Zombie Killers for Truth have released another ad claiming that
presidential canadidate George Romero-"
-click-
"...with riots over the Sharpton assassination spreading nationwide,
President McCain has declared martial law."
-click-
"John Kerry has been released from the hospital today following the
shooting that left his wife and his running mate, John Edwards, dead-"
-click-
"The bird flu has now spread to much of California, with over 100,000
dead-"
-click-
"It is with a heavy heart that I order nuclear weapons to be used on
the cities of Pittsburgh-
-click-
"The National Volunteers for Truth released another ad attacking Bill
Rodham-"
-click-
"Many pundits predict a win for Feingold over Democratic candidate
Bill Rodham-"
-click-
"Much of L.A. is in ruins today following the Big One, with hundreds
of thousands believed dead-"
-click-
"The Liquid Death epidemic has now claimed over 100 million lives
worldwide."
-click-
"I'm John Travolta, and I approve this message."

- Mads Jorgensen

29.10.04

Estamos perdidos. Como raça, como gente. Os comboios nao andam e na calada da noite os chacais regressam. Na carruagem, espremidos como porcos, os nacos de carne riem, gargalham, miseria da alma que se nutre deste nojo de poder ouvir. É deles a noite da ciência, a tarde outonal da minha esperança vulcanica. Tenho que te escrever isto. Marcha de novo a morte da luz com passos ousados. Ninguem por tal da. Ninguem tal atinge. Cantando e rindo, no vagao dos suinos, acolhem a anestesia entre as pernas horriveis, entre bocas hirsutas. O tempo do medo aí está, e somos menos que poucos. A eles.
A Caverna Obscura solidariza-se com António Balbino Caldeira e repete, e ecoa: existe uma rede pedófila, de proporções inimagináveis, de cariz entranhado nas próprias fundações da sociedade ocidental, que há mais de um século domina, através de diversos seus membros em posições de poder e influência, todo o establishment actual.

Portugal é a ponta do iceberg e a "tecnica da grande mentira" está em acção: ninguem acredita, porque a ser verdade, é de levar o mais lúcido à completa loucura.

A Verdade anda aí, e eu quero acreditar.
"É tempo de tornar arados em espadas."

28.10.04

Sun to-day and storm to-morrow
Never can we know
When is joy or when is sorrow
Happiness or woe...
The clock strikes. To-day is gone.
Man, proud man, oh think thereon!

From delight we pass to sadness
From a smile to tears
And the boldness of our gladness
Dies within our fears
The clock strikes. An hour is past.
Think, oh think, how all doth waste!

- Alexander Search

26.10.04

É curioso que hoje estive a perder 120 minutos numa "formação" sobre "deontologia" em que se dizia o óbvio, do tipo, "se forem a um cliente que vos diga que o dinheiro vem do terrorismo ou da droga, vejam lá, há um formulário para reportar essas situações". Medo: que os nossos putos cresçam a pensar que isto é normal, que ter um QI e um QE de 25 é normal, que não haja gente como nós para puxar o mundo para cima, que se passe a singrar nas pêras da atrofia e nos vales da enormidade mumificante. É tão estranho ver o tempo a avançar e o conhecimento acumulado a aninhar-se em recipientes mentalmente imberbes.
Vou escrever um conto algures entre este domingo e a noite do jantar. Tem que ser, as mangas da minha vertigem assomam à esquina da rebeldia como virgens samoanas à vista de um drakkar ousado.

19.10.04

Não entendo. A Opel quer fechar a fábrica de Bochum, mandando 12 mil gajos para o olho da rua. Por razões estratégicas da empresa. Eu sei o que isto é, trabalho num sítio onde a camisola manda mentir, fingir, e escamotear, pelas razões estratégicas da empresa. E se aqui formos todos para a rua, vamos.

Em Bochum não parece que seja assim. Parece que vieram os da Mercedes, da Porsche, da BMW, e de outras fábricas da Opel, todos, mas TODOS, com faixas, com sinos, com carros, protestar e defender os seus colegas.

Ninguém fala disto?

11.10.04

Sinto que me vêem em certas camadas como uma mistura estranha entre um perigoso subversivo e o louco da aldeia, por vezes sabe-me bem pensar nisso enquanto estou a beber vinho quente e a jogar Risco com o meu filho e ouvimos qualquer canção em que as letras não tenham a ver com lamechices, dor de corno ou ódio racial pintado de preto.