11.1.05

Querem ver que perdi dois posts?
345
to ðam ælmihtigan; huru æt þam ende ne tweode
þæs leanes þe heo lange gyrnde. ðæs sy ðam leofan drihtne
wuldor to widan aldre, þe gesceop wind ond lyfte,
roderas ond rume grundas, swylce eac reðe streamas
ond swegles dreamas, ðurh his sylfes miltse.

Soap Days from Hell, versão Qué me Pongo

(nunca publiquei este, não acho que valha a pena, mas não sou capaz de o deixar por ver a luz do dia, pronto, neguei três vezes, acho que é seguro fazer paste, and now for something completely different)


Amor Bastardo

Nascia o Sol sobre o pequeno aglomerado de barracas na encosta do monte. Onde as auto-estradas se entrecruzavam, carregadas de pólen gasocarbónico, ali se despertava para mais um dia de labuta e competição agreste.
Nacho recostou-se no colchão azul, seminu no calor latino, a marca do corpo estampada na espuma descoberta, fios de saúde a olear-lhe o corpo após mais uma noite estremunhada. Movimentou as gengivas em círculos apertados, reunindo as secreções nocturnas num escarro maciço que projectou, ousado, de chapa contra a parede da frente, remendada o mês passado com as tábuas que tinham sobrado do caixão do avô. A coberto do estalido aquoso, soltou o ar acumulado no tripame onde ainda dormiam os restos da mariscada da noite anterior, bem regada com a aguardente de batata que a mãe fazia tão boa. Os vapores fétidos pairaram durante fracções de segundo na sua vizinhança, depois deslocaram-se, como que animados de vida própria, na direcção da janela, passando ao largo das narinas do irmão Angel, que jazia rotundo numa lagoa de bílis e camarão mal digerido. Levantou-se e raspou as virilhas, em sincronia perfeita com o escarro que acabara de chegar ao chão de terra batida.
Bailou até à cozinha improvisada, mirando a prima Rocío, pubescente, ali espraiada a exalar um convite ao tabu. As cuecas manchadas de castanho afundavam-se entre as suas nádegas, fazendo-as sobressair à luz da alvorada. “Qué coño, putanita, um destes dias vais acordar con esa cosa hecha en dos gomos, ah si lo vas, coño, hombre, joder que lo digo, hija de puta madre”, entre dois goles de vinho branco que verteu dum jarro após coar a horda de mosquitos que ali se instalara durante a noite. “Cojones, hombre, parecem perros, animais de cabrón, bêbados do mi sangrito, e agora queriam el viño, eh hombre puta vida”. Arrotou virilmente, benzendo-se em frente ao crucifixo pendurado no frigorífico em sinal de respeito. Lá em casa eram todos bons católicos, pensou, “todos menos esse porco do Sebi que nem à missa é capaz de ir, drogado de mierda, cerdo, que só aqui vem quando a fome aperta”.
Estava a falar em voz alta, sem se aperceber, e acordou a prima Rocío, que se aproximava da cozinha com passos curtos, sonolenta e cambaleante.
Tudo aconteceu de repente. O ímpeto gitano que herdara dos seus ancestrais ferveu-lhe o sangue de um momento para o outro, alterando-o de gentil calceteiro em macho de cobrição transfigurado, um caldeirão de suor e sémen. Esgazeado, agarrou Rocío pelas ancas, erguendo-a vários metros no ar, não lhe dando tempo sequer para esboçar uma reacção. Tomado pela luxúria, entalou a jovem entre o seu corpo e o lava-louça, enquanto se debatia desajeitadamente com a sua genitália entumescida. Cascas de camarão e tremoços entupiam a respiração de Rocío, que asfixiava, apavorada, encomendando a virtude ao Criador. Nacho ofegava, “cariño, cariño meu, no tenhas medo, que te quiero, poner-me en tu coñito como tu queres, putanita, fica tudo en familia, es la vontade dos céus”.
Antes, porém, que Nacho pudesse consumar o pecado, um urro selvagem dominou a manhã quente de Agosto. Apavorante e hirsuto, Angel assomava simiescamente à porta da cozinha, manchas de vómito na camisola de alças e fios de baba translúcida a escorrer pelo peito.
“CABRÓN!!!”, vociferou projectando a sua massa obesa na direcção do cenário de paixão maldita. O impacto levantou os pés de Nacho, que foi arremessado como um meteoro ao longo de três metros, batendo com as costas na janela e estilhaçando o vidro opaco de gordura e poeira. Rocío fugia desvairada, soluçando entre cuspidelas de restos de marisco. Nacho ouviu-a regurgitar em seco do outro lado da parede, enquanto fitava cautelosamente o irmão enfurecido.

Continua. (15-11-2001)
Strawgirl

Eyes blindly starting skyward, gaze fixed on Eternity
What's that mark upon your shoulder, what's that scar on
your arm?
Did you come to see Jesus, do you walk with God?
Do you rest suspended, or tread the Underworld?

I will speak, for you can't, I will tell your story well
I'll reveal your yesterdays
STRAWGIRL lost in the Savage Garden,
Waiting somewhere for someone to call
STRAWGIRL is there a lover who's searching,
crying, no one to notice
you're gone ...

Cold stone supportws your Beauty, night falls anonymous
Shattered light defies the distance, illuminates your loneliness
Did you bear children, do they miss their ma?
Did the blind mask of forgiveness show a truer face by far?
I will speak, for you can't, I will tell your story well
I'll reveal your yesterdays

STRAWGIRL lost in the Savage Garden,
Waiting somewhere for someone to call
STRAWGIRL is there a lover who's searching,
crying somewhere
or is it just me ...

- David deFeis / Virgin Steele


(ando em fase hard outra vez, e esta é a mais consistente e precursora banda do género)(isto já passa)(hmm)
Statement:

Consciousness is a potential technology; we are exquisite machines, sentient patterns. As such, there's no convincing technical reason we can't eventually upload ourselves into matrices of our design and choosing. The phenomenon we call "intelligence" will cease to be strictly biological as we begin to merge with our machines more meaningfully and intimately. Philip K. Dick once wrote that "living and nonliving things are exchanging properties." In a few hundred years, separating the animate from the inanimate will probably be an exercise in futility. Ultimately, we have two options: self-mutate by venturing off-planet in minds and bodies of our own design, or go extinct.

- Mac Tonnies
Eu sou agnóstico. Não me vejo ateu, já tive provas suficientes dos furos na lei das probabilidades. E a massificação do "culto à medida do homem" é risível neste planeta, risível. Há escritos, contudo, que harmonizam a busca interior, independentemente do motivo ou origem que os tenham feito emergir.



Seacht Suáilcí na Maighdine Muire

An chéad suáilce fuair an Mhaighdean Bheannaithe
ba í sin an tsuáilce mhór
suáilce a fuair sí óna haonmhac uasal
go bhfuair sí a haon mhac beo.

An dara suáilce fuair an Mhaighdean Bheannaithe
ba í sin an tsuáilce mhór
suáilce a fuair sí óna haonmhac uasal
go deachaidh sé a léamh na leabhar.

An triú suáilce fuair an Mhaighdean Bheannaithe
ba í sin an tsuáilce mhór
suáilce a fuair sí óna haonmhac uasal
gur thug uirthi bláth na n-ord.

An ceathrú suáilce fuair an Mhaighdean Bheannaithe
ba í sin an tsuáilce mhór
suáilce a fuair sí óna haonmhac uasal
gurbh é fhéin an Slánaitheoir.

An cúigiú suáilce fuair an Mhaighdean Bheannaithe
ba í sin an tsuáilce mhór
suáilce a fuair sí óna haonmhac uasal
go ndearna sé na mairbh beo.

An séú suáilce fuair an Mhaighdean Bheannaithe
ba í sin an tsuáilce mhór
suáilce a fuair sí óna haonmhac uasal
gur thug sé fíon le hól.

An seachtú suáilce fuair an Mhaighdean Bheannaithe
ba í sin an tsuáilce mhór
suáilce a fuair sí óna haonmhac uasal
go dtabharfadh sé í suas ar neamh.

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The Seven Rejoices of Mary

The first rejoice Our Lady got,
It was the rejoice of one,
It was the rejoice of Her dear Son when He
was born young

The second rejoice Our Lady got,
It was the rejoice of two,
It was the rejoice of Her dear Son when He
was sent to school.

The third rejoice Our Lady got,
It was the rejoice of three,
It was the rejoice of Her dear Son when He
led the blind to see.

The next rejoice Our Lady got,
It was the rejoice of four,
It was the rejoice of Her dear Son when He
read the Bible o’er.

The next rejoice Our Lady got,
It was the rejoice of five,
It was the rejoice of Her dear Son when He
raised the dead to life.

The next rejoice Our Lady got,
It was the rejoice of six,
It was the rejoice of Her dear Son when He
carried the crucifix.

The next rejoice Our Lady got,
It was the rejoice of seven,
It was the rejoice of Her dear Son when He
opened the gates of heaven.

A relação mais bonita que vivi até hoje, curiosamente, foi com uma amiga de infância. Conhecemo-nos quando tínhamos 11 anos, mantivemos contacto aqui e ali, pela faculdade, cornerstones of life etc etc e aos 31 encontrámo-nos e pronto. Até ter começado havia a idéia bem clara que não iria começar, porque reductio ad absurdum, se fosse para isso já deveria ter começado. A lógica nestas coisas é um naco de azevinho.
Hoje olhando para trás vejo que o que fez iniciar a relação foi a recepção, mútua, da idéia que transmitimos de cada um ao outro. Os princípios teóricos e as acções práticas.
Com a prova sucessiva que os princípios não correspondiam às acções, a coisa terminou.
Pretende-se com isto alvitrar a hipótese de que a mentira é o único ponto de confluência entre o homem e a mulher. Ambos mentem para ser, estar e dar melhor ao outro. As pessoas de quem vale a pena falar, isto é.

10.1.05

#29

The living rooms of my neighbors are like beauty parlors, like
night-club powder rooms, like international airport first-class
lounges. The bathrooms of my neigh bors are like love nests-
Dufy prints, black Kleenex, furry towels, toilets so highly
bred they fill and fall without a sigh (why is there no bidet
in so-clean America?). The kitchens of my neighbors are like
cars: what gleaming dials, what toothy enamels, engines that
click and purr, idling the hours away. The basements of my
neighbors are like kitchens; you could eat off the floor.
Look at the furnace, spotless as a breakfront, standing alone,
prize piece, the god of the household.

But I'm no different. I arrange my books with a view to their
appearance. Some highbrow titles are prominently displayed.
The desk in my study is carefully littered; after some thought
I hang a diploma on the wall only to take it down again.
I sit at the window where I can be seen. What do my neighbors
think of me - I hope they think of me. I fix the light to hit
the books. I lean some rows one way, some rows another.

A man's house is his stage. others walk on to play their bit
parts. Now and again a soliloquy, a birth, an adultery.
The bars of my neighbors are various, ranging from none at all
to the nearly professional, leather stools, automatic coolers,
a naked painting, a spittoon for show.

The businessman, the air-force captain, the professor with
tenure - it's a neighborhood with a sky.

- Karl Shapiro

7.1.05

Laphroaig. Yes, I forgot Laphroaig. Once copiously drank a whole bottle of it just to make sure my friends would see me happy. I'm agnostic too, but I refuse to polarize politics in two (or any given number under infinity) of doctrines... politics in itself is despicable, more even than economy or law, so much they depend on artificial and elusive constructs of men.
haiku of the moment

untidy lanes of the heart
sacrificial rooms, empty grey
a glimpse, life skips a beat.
A Caverna regressa.

31.12.04

12.

Há coisas que são certas. Uma delas é esta. É falso que não somos nada. O curso dos acontecimentos sai por entre o sono da consciência. É igualmente falso que sejamos muito. Somos à dimensão da nossa chama, e tão importantes no grande grão cósmico quão pura for essa pira que nos torna opção.
11.

It will not come by waiting for it. It will not be a matter of saying here it is or there it is. Rather, the Kingdom of the father is spread upon the earth and men do not see it.
10.

9.

Cansado, cansado, a terra, os frutos, hey, ho, sobe, respira, liberta, ombro com ombro, hey, ho, a minha amante ferve ansiosa os colchões da lascívia, hey, ho, quem lava esta lança, ombro com ombro, quem planta solene esta esperança, vida entre as sombras, hey, ho, covas e esperança, pranto e glória, hey, ho, hey, ho, hey, ho.