14.1.05

Hoje no comboio até tive medo de respirar. Novos, velhos, brancos, pretos, roxos. Tudo carregado de tosse, a arfar e com os olhos inchados. Na Croácia e na França a Gripe também tem feito estragos. Tipo A, para que conste. E emergem cinco novos casos de gripe aviária na Tailândia, onde agora tudo pega.

Amanhã não posso ir à horta... vou ficar a curar este enxerto de porrada que o meu corpo levou nos últimos dias.

Chá de limão e bolachitas.

13.1.05

Excelente discussão sobre a existência de Deus, deuses, e a sentiência do Homem
"Os russos andam estupefactos. Em pleno Inverno, vêem-se rodeados de lama, resultado de um degelo antecipado. Pelas ruas, a neve derrete meses mais cedo do que o habitual e os cientistas já estão a dizer que as temperaturas podem estar perto de bater recordes. Até os ursos já estão a acordar da hibernação."

Nature getting ready for payback.
Momento geek, também os tenho.



The Agrianians were a Paeonian related tribe that had a close relationship with Alexander. They were mountain men, noted for their ferocity in hand to hand combat, as well as their javelin throwing. They were able to tackle any terrain obstacle in their way. 1000 picked Agrianians were attached to the hypaspists and they were the elite light infantry in Alexander's army. They were the first foreign contingent to be incorporated into, and accepted by the army. Some few were armed with slings, this might have been the younger tribesmen. The slingers and javelin men seemed to operate together at a number of actions..notably Issus (which is the inspiration for the set-up above) where a detachment of Agrianes with some Companion squadrons in support drove back thousands of Persian threatening Alexander' right flank at the start of the action.

12.1.05

A propósito de sons. Celtas, sami, de qualquer fonte enraizados na Terra.

SEE YOU IN HELL
(Sullivan/Heaton) 1995

As we touched down on the tarmac, they strode out to greet us
It was under a blue snake-skin sky
With a handshake of welcome, they set their agenda
With their smiles never touching their eyes
We've been here before on the edge of a promise
Surrender is all that remains
But we'll see them in hell, we'll see them in hell
We'll see them in hell before then

You made me a coward - I can't stand what I've become
What I most of all regret is not what I did
But all the things that I left undone
Like nobody learns, and nothing is changed
You ask me to follow again
But I'll see you in hell, see you in hell
I'll see you in hell before then
A Lady red -- amid the Hill
Her annual secret keeps!
A Lady white, within the Field
In placid Lily sleeps!

The tidy Breezes, with their Brooms --
Sweep vale -- and hill -- and tree!
Prithee, My pretty Housewives!
Who may expected be?

The Neighbors do not yet suspect!
The Woods exchange a smile!
Orchard, and Buttercup, and Bird --
In such a little while!

And yet, how still the Landscape stands!
How nonchalant the Hedge!
As if the "Resurrection"
Were nothing very strange!

- Emily Dickinson
Light-winged Smoke, Icarian bird,
Melting thy pinions in thy upward flight,
Lark without song, and messenger of dawn,
Circling above the hamlets as thy nest;
Or else, departing dream, and shadowy form
Of midnight vision, gathering up thy skirts;
By night star-veiling, and by day
Darkening the light and blotting out the sun;
Go thou my incense upward from this hearth,
And ask the gods to pardon this clear flame.

- Henry David Thoreau
(once like a spark)

if strangers meet
life begins-
not poor not rich
(only aware)
kind neither
nor cruel
(only complete)
i not not you
not possible;
only truthful
-truthfully,once
if strangers(who
deep our most are
selves)touch:
forever

(and so to dark)

- e.e. cummings
Apontamentos rápidos:

- tou doente; passei a noite à rasca de um joelho, positivamente à rasca, e a sinusite carregou sobre mim como a horda sequiosa de Kublai Khan. Tenho um fácies contorcido e, mais grave, ainda não comi nada

- a lucidez, senhores, a lucidez, mehr licht já dizia o outro, que mais pode esperar a espécie senão o estertor final, the fat lady singing, quando a anestesia da mole humana (não te esquecerei gabriel alves), a meias com a crendice exacerbada, é a única resposta às atrocidades do dia a dia? caso um, meia dúzia de gajos do Aparelho de Estado foram à China, ninguém se insurge, porque é normal, e mantiveram um certo low-profile; outro punhado de cepos vai a S. Tomé, todos berram, não por surpresa, choque ou espanto, mas porque acham descarado. Meaning, mantenha-se o pântano, continue-se a fazer fé cega numa democracia em que o demos se está nas tintas para o kratos, e haja panem et circenses

- eu até nem discuto política, sociedade, eventos menos cataclísmicos... ok, admito, irrita-me e tira-me do sério ver meio mundo comportar-se como se tivesse mil anos de esperança de vida, e como se fôssemos todos apologistas do Pai Natal e da paralisia instituída. Enerva-me, e lá está, não é isto que eu quero.

Voltamos à quintarola, com árvores, bichos e uma grande caverna com archotes nas paredes com entrada pela sala de jantar.

11.1.05

A próxima mente iluminada que me vier dizer que o Islão actual não é obscurantista, vá ver a letra do hino da Líbia. Todas as religiões actuais são obscurantistas. O Budismo não é uma religião no sentido corrente do termo. É-o no sentido etimológico da palavra.
O mapa não é o território.
Hoje tenho o veneno à flor da pele.

"Ah nasceste em finais de Abril? Tens mesmo cara de Touro"
"Então tu és Capricórnio, né?"
No céu cinzento Sob o astro mudo
Batendo as asas Pela noite calada
Vêm em bandos Com pés de veludo
Chupar o sangue Fresco da manada

Se alguém se engana Com seu ar sisudo
E lhes franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [Bis]

A toda a parte Chegam os vampiros
Poisam nos prédios Poisam nas calçadas
Trazem no ventre Despojos antigos
Mas nada os prende Às vidas acabadas

São os mordomos Do universo todo
Senhores à força Mandadores sem lei
Enchem as tulhas Bebem vinho novo
Dançam a ronda No pinhal do rei

Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada

No chão do medo Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos Na noite abafada
Jazem nos fossos Vítimas dum credo
E não se esgota O sangue da manada

Se alguém se engana Com seu ar sisudo
E lhe franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada

Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada
Xiça! O timestamp tá marado! Trompas de Nhorc!
Hoje li "Obrigado Estrelinha*". Note to self: não me esquecer da tríplice mensagem nesta frase: ficar contente por ter o que tenho em vez de mandar vir pelo que não tenho; aperceber-me da natureza extraordinária da fonte da minha ventura; e não tentar descrever o indescritível por palavras, quando a simbologia da alma serve muito melhor. Fico a dever uma a quem escreveu isto. Duas, se me trouxerem a tal garrafa \=^)
Querem ver que perdi dois posts?
345
to ðam ælmihtigan; huru æt þam ende ne tweode
þæs leanes þe heo lange gyrnde. ðæs sy ðam leofan drihtne
wuldor to widan aldre, þe gesceop wind ond lyfte,
roderas ond rume grundas, swylce eac reðe streamas
ond swegles dreamas, ðurh his sylfes miltse.

Soap Days from Hell, versão Qué me Pongo

(nunca publiquei este, não acho que valha a pena, mas não sou capaz de o deixar por ver a luz do dia, pronto, neguei três vezes, acho que é seguro fazer paste, and now for something completely different)


Amor Bastardo

Nascia o Sol sobre o pequeno aglomerado de barracas na encosta do monte. Onde as auto-estradas se entrecruzavam, carregadas de pólen gasocarbónico, ali se despertava para mais um dia de labuta e competição agreste.
Nacho recostou-se no colchão azul, seminu no calor latino, a marca do corpo estampada na espuma descoberta, fios de saúde a olear-lhe o corpo após mais uma noite estremunhada. Movimentou as gengivas em círculos apertados, reunindo as secreções nocturnas num escarro maciço que projectou, ousado, de chapa contra a parede da frente, remendada o mês passado com as tábuas que tinham sobrado do caixão do avô. A coberto do estalido aquoso, soltou o ar acumulado no tripame onde ainda dormiam os restos da mariscada da noite anterior, bem regada com a aguardente de batata que a mãe fazia tão boa. Os vapores fétidos pairaram durante fracções de segundo na sua vizinhança, depois deslocaram-se, como que animados de vida própria, na direcção da janela, passando ao largo das narinas do irmão Angel, que jazia rotundo numa lagoa de bílis e camarão mal digerido. Levantou-se e raspou as virilhas, em sincronia perfeita com o escarro que acabara de chegar ao chão de terra batida.
Bailou até à cozinha improvisada, mirando a prima Rocío, pubescente, ali espraiada a exalar um convite ao tabu. As cuecas manchadas de castanho afundavam-se entre as suas nádegas, fazendo-as sobressair à luz da alvorada. “Qué coño, putanita, um destes dias vais acordar con esa cosa hecha en dos gomos, ah si lo vas, coño, hombre, joder que lo digo, hija de puta madre”, entre dois goles de vinho branco que verteu dum jarro após coar a horda de mosquitos que ali se instalara durante a noite. “Cojones, hombre, parecem perros, animais de cabrón, bêbados do mi sangrito, e agora queriam el viño, eh hombre puta vida”. Arrotou virilmente, benzendo-se em frente ao crucifixo pendurado no frigorífico em sinal de respeito. Lá em casa eram todos bons católicos, pensou, “todos menos esse porco do Sebi que nem à missa é capaz de ir, drogado de mierda, cerdo, que só aqui vem quando a fome aperta”.
Estava a falar em voz alta, sem se aperceber, e acordou a prima Rocío, que se aproximava da cozinha com passos curtos, sonolenta e cambaleante.
Tudo aconteceu de repente. O ímpeto gitano que herdara dos seus ancestrais ferveu-lhe o sangue de um momento para o outro, alterando-o de gentil calceteiro em macho de cobrição transfigurado, um caldeirão de suor e sémen. Esgazeado, agarrou Rocío pelas ancas, erguendo-a vários metros no ar, não lhe dando tempo sequer para esboçar uma reacção. Tomado pela luxúria, entalou a jovem entre o seu corpo e o lava-louça, enquanto se debatia desajeitadamente com a sua genitália entumescida. Cascas de camarão e tremoços entupiam a respiração de Rocío, que asfixiava, apavorada, encomendando a virtude ao Criador. Nacho ofegava, “cariño, cariño meu, no tenhas medo, que te quiero, poner-me en tu coñito como tu queres, putanita, fica tudo en familia, es la vontade dos céus”.
Antes, porém, que Nacho pudesse consumar o pecado, um urro selvagem dominou a manhã quente de Agosto. Apavorante e hirsuto, Angel assomava simiescamente à porta da cozinha, manchas de vómito na camisola de alças e fios de baba translúcida a escorrer pelo peito.
“CABRÓN!!!”, vociferou projectando a sua massa obesa na direcção do cenário de paixão maldita. O impacto levantou os pés de Nacho, que foi arremessado como um meteoro ao longo de três metros, batendo com as costas na janela e estilhaçando o vidro opaco de gordura e poeira. Rocío fugia desvairada, soluçando entre cuspidelas de restos de marisco. Nacho ouviu-a regurgitar em seco do outro lado da parede, enquanto fitava cautelosamente o irmão enfurecido.

Continua. (15-11-2001)
Strawgirl

Eyes blindly starting skyward, gaze fixed on Eternity
What's that mark upon your shoulder, what's that scar on
your arm?
Did you come to see Jesus, do you walk with God?
Do you rest suspended, or tread the Underworld?

I will speak, for you can't, I will tell your story well
I'll reveal your yesterdays
STRAWGIRL lost in the Savage Garden,
Waiting somewhere for someone to call
STRAWGIRL is there a lover who's searching,
crying, no one to notice
you're gone ...

Cold stone supportws your Beauty, night falls anonymous
Shattered light defies the distance, illuminates your loneliness
Did you bear children, do they miss their ma?
Did the blind mask of forgiveness show a truer face by far?
I will speak, for you can't, I will tell your story well
I'll reveal your yesterdays

STRAWGIRL lost in the Savage Garden,
Waiting somewhere for someone to call
STRAWGIRL is there a lover who's searching,
crying somewhere
or is it just me ...

- David deFeis / Virgin Steele


(ando em fase hard outra vez, e esta é a mais consistente e precursora banda do género)(isto já passa)(hmm)
Statement:

Consciousness is a potential technology; we are exquisite machines, sentient patterns. As such, there's no convincing technical reason we can't eventually upload ourselves into matrices of our design and choosing. The phenomenon we call "intelligence" will cease to be strictly biological as we begin to merge with our machines more meaningfully and intimately. Philip K. Dick once wrote that "living and nonliving things are exchanging properties." In a few hundred years, separating the animate from the inanimate will probably be an exercise in futility. Ultimately, we have two options: self-mutate by venturing off-planet in minds and bodies of our own design, or go extinct.

- Mac Tonnies
Eu sou agnóstico. Não me vejo ateu, já tive provas suficientes dos furos na lei das probabilidades. E a massificação do "culto à medida do homem" é risível neste planeta, risível. Há escritos, contudo, que harmonizam a busca interior, independentemente do motivo ou origem que os tenham feito emergir.



Seacht Suáilcí na Maighdine Muire

An chéad suáilce fuair an Mhaighdean Bheannaithe
ba í sin an tsuáilce mhór
suáilce a fuair sí óna haonmhac uasal
go bhfuair sí a haon mhac beo.

An dara suáilce fuair an Mhaighdean Bheannaithe
ba í sin an tsuáilce mhór
suáilce a fuair sí óna haonmhac uasal
go deachaidh sé a léamh na leabhar.

An triú suáilce fuair an Mhaighdean Bheannaithe
ba í sin an tsuáilce mhór
suáilce a fuair sí óna haonmhac uasal
gur thug uirthi bláth na n-ord.

An ceathrú suáilce fuair an Mhaighdean Bheannaithe
ba í sin an tsuáilce mhór
suáilce a fuair sí óna haonmhac uasal
gurbh é fhéin an Slánaitheoir.

An cúigiú suáilce fuair an Mhaighdean Bheannaithe
ba í sin an tsuáilce mhór
suáilce a fuair sí óna haonmhac uasal
go ndearna sé na mairbh beo.

An séú suáilce fuair an Mhaighdean Bheannaithe
ba í sin an tsuáilce mhór
suáilce a fuair sí óna haonmhac uasal
gur thug sé fíon le hól.

An seachtú suáilce fuair an Mhaighdean Bheannaithe
ba í sin an tsuáilce mhór
suáilce a fuair sí óna haonmhac uasal
go dtabharfadh sé í suas ar neamh.

-x- -x- -x- -x- -x- -x- -x- -x-

The Seven Rejoices of Mary

The first rejoice Our Lady got,
It was the rejoice of one,
It was the rejoice of Her dear Son when He
was born young

The second rejoice Our Lady got,
It was the rejoice of two,
It was the rejoice of Her dear Son when He
was sent to school.

The third rejoice Our Lady got,
It was the rejoice of three,
It was the rejoice of Her dear Son when He
led the blind to see.

The next rejoice Our Lady got,
It was the rejoice of four,
It was the rejoice of Her dear Son when He
read the Bible o’er.

The next rejoice Our Lady got,
It was the rejoice of five,
It was the rejoice of Her dear Son when He
raised the dead to life.

The next rejoice Our Lady got,
It was the rejoice of six,
It was the rejoice of Her dear Son when He
carried the crucifix.

The next rejoice Our Lady got,
It was the rejoice of seven,
It was the rejoice of Her dear Son when He
opened the gates of heaven.

A relação mais bonita que vivi até hoje, curiosamente, foi com uma amiga de infância. Conhecemo-nos quando tínhamos 11 anos, mantivemos contacto aqui e ali, pela faculdade, cornerstones of life etc etc e aos 31 encontrámo-nos e pronto. Até ter começado havia a idéia bem clara que não iria começar, porque reductio ad absurdum, se fosse para isso já deveria ter começado. A lógica nestas coisas é um naco de azevinho.
Hoje olhando para trás vejo que o que fez iniciar a relação foi a recepção, mútua, da idéia que transmitimos de cada um ao outro. Os princípios teóricos e as acções práticas.
Com a prova sucessiva que os princípios não correspondiam às acções, a coisa terminou.
Pretende-se com isto alvitrar a hipótese de que a mentira é o único ponto de confluência entre o homem e a mulher. Ambos mentem para ser, estar e dar melhor ao outro. As pessoas de quem vale a pena falar, isto é.