de frente para os azulejos recém-colocados,
imberbes
indago-me
que tremendo arquitecto
que saturnino adepto da dor
veículo comediante
parado num esboço eterno sem tempero
terá levado esta parte dos meus impostos.
When I hear music, I fear no danger. I am invulnerable. I see no foe. I am related to the earliest times, and to the latest.
- Henry David Thoreau -
Condensing fact from the vapor of nuance since 2003
7.3.05
Virá certamente um dia
em que o tempo está todo
atrás de nós e o sonho
ainda intacto, coxeia
Nada mudará, como nunca
nada mudou, mas apenas
esta sensação mais premente
que a luz decai no nosso horizonte
Quem deixamos ou encontramos
que voltas podemos dar, já tontos
com os pés encolhidos no limite
da linha de fim da estrada
Deixámos passar tudo, e se não
fosse assim, seria exactamente
da mesma forma, e teríamos
guardado os mesmos tesouros
Pousamos as armas aos pés da Vida
nunca as usámos, nem poderíamos
o acaso e um vento nos empurrou
de dia para dia, com a esperança
de coisas que nem queríamos
Foi tudo quase nosso: o grito, o riso,
os pés de criança nas águas límpidas,
o pulo na onda enorme, a areia quente
e grossa, por entre os dedos
Foi tudo quase nosso: o teu olhar
perdido, os poemas gritados ao luar
os cacos, os gemidos, o sangue
a fúria da certeza que ia deixar de ser
Fui tudo quase nosso, num momento
no seguinte passou ao olhar do lado
à ânsia do próximo, ao ventre daquela
mulher sentada onde não há tempo
nem mais nada
- A.C.
Acredita em mim se eu te disser
que os dias torpes nao me servem
enrolado, atado em palavras curtas
aquelas que melhor te descrevem
Acredita em mim quando, cigano,
rebento a rir com a frase ainda a meio
e de olhos nos interminaveis dias azuis,
eu te disser que nada, nada receio
Acredita nestes bons instantes, fugazes
nas visoes simples, conversas sem fim
e aqui chegados, o melhor que tu fazes
é tudo, creio eu, menos acreditar em mim.
6.3.05
Domingo, em plena seca, no auge da aridez cáustica, apex destes seis meses em que a luz solar, em torrentes, não fez voltar costas ao toque gélido da apreensão, da deriva. Domingo, dia a enfiar na prateleira por excelência, Parque das Nações, Lisboa. Sem ter onde estacionar. Sem ter como fugir à licantropia que aflige os condutores, habituados apenas a produzir vida em monotarefa, que se deixam transportar para os roços do choque inesperado. Sem ter onde parar. Sem ar. A luz banha tudo inclemente. O ar é o mesmo, cubo a cubo, há duzentos dias. Luz. Limbo. Todos, sempre, no mesmo sítio nos mesmos dias às mesmas horas. Eu ali por acaso. Sem ter onde arrumar, em nome das eleições de há dez dias. De há quatro anos, há oito, há vinte. Sempre, ainda e sempre, uma república das bananas governada por sacanas. Hoje não houve pachorra. Lá se aguentou, para dentro, por dentro. Amanhã torno a reinventar a sobrevivência.

City of blinding lights
The more you see the less you know
The less you find out as you go
I knew much more then than I do now
Neon heart, day-glow eyes
The city lit by fireflies
They're advertising in the skies
And people like us
And I miss you when you're not around
I'm getting ready to leave the ground
Oh you look so beautiful tonight
In the city of blinding lights
Don't look before you laugh
Look ugly in a photograph
Flash bulbs, purple irises the camera can't see
I've seen you walk unafraid
I've seen you in the clothes you've made
Can you see the beauty inside of me?
What happened to the beauty I had inside of me?
And I miss you when you're not around
I'm getting ready to leave the ground
Oh you look so beautiful tonight
In the city of blinding lights
Time...time...time...time...time won't leave me as I am
But time won't take the boy out of this man
Oh you look so beautiful tonight
Oh you look so beautiful tonight
Oh you look so beautiful tonight
In the city of blinding lights
The more you know the less you feel
Some pray for, others steal
Blessings not just for the ones who kneel
Luckily
may my heart always be open to little
birds who are the secrets of living
whatever they sing is better than to know
and if men should not hear them men are old
may my mind stroll about hungry
and fearless and thirsty and supple
and even if it's sunday may i be wrong
for whenever men are right they are not young
and may myself do nothing usefully
and love yourself so more than truly
there's never been quite such a fool who could fail
pulling all the sky over him with one smile
-e.e. cummings
birds who are the secrets of living
whatever they sing is better than to know
and if men should not hear them men are old
may my mind stroll about hungry
and fearless and thirsty and supple
and even if it's sunday may i be wrong
for whenever men are right they are not young
and may myself do nothing usefully
and love yourself so more than truly
there's never been quite such a fool who could fail
pulling all the sky over him with one smile
-e.e. cummings
5.3.05
O Random Precision que me desculpe mas esta TEM que entrar aqui!
"A D. Silvina tinha uma pequena loja de pronto-a-vestir de senhora.
Não que precisasse: com os filhos já arrumados, o ordenado que o marido recebia no banco chegava perfeitamente para viverem confortavelmente. Ainda por cima com a reforma da mãe, que vivia com eles.
Mas era um aconchego ao orçamento familiar. E depois, sempre estava entretida.
Mas às vezes até uma pequena loja traz os seus problemas e causa os seus dissabores.
Foi o que aconteceu com o caso da D. Maria Ribeiro:
Não é que aquela malandra, que sempre tinha considerado amiga e uma pessoa séria, lhe tinha passado um cheque de 30 contos para pagamento de umas roupas, e o cheque tinha sido devolvido por falta de provisão?
Escreveu-lhe cartas sem fim, que ela já não atendia o telefone. Mandou-lhe recados por toda a gente que a conhecia. Nada!
Até que, quase a terminarem os seis meses, apresentou queixa crime.
Mais de três anos depois, foi chamada a julgamento na qualidade de testemunha do Ministério Público.
A arguida faltou e o julgamento foi adiado.
Na segunda data, novo adiamento. Ao que parece, nem sequer a tinham ainda conseguido notificar.
Seis meses depois, novo julgamento. E mais um adiamento.
Uma semana depois, outro ainda. Já era o quarto.
A loja fechada e as deslocações ao Tribunal, já lhe estavam mais caras que o raio dos 30 contos do cheque.
Uns tempos depois, recebeu um postal do Tribunal com a marcação das duas novas datas – mas somente para daí a um ano e três meses: uma quinta-feira e a segunda-feira seguinte.
Preocupada, colou o postal com um bocado de fita gomada ao pé do telefone.
No preciso dia em que o julgamento estava marcado, a mãe morreu.
Foi dar com ela caída ao fundo das escadas. Chamou os Bombeiros, que se limitaram a confirmar o óbito.
Claro que nem lhe passou pela cabeça o julgamento.
Como teve de ser feita autópsia e se meteu o fim de semana, o funeral foi marcado para segunda-feira. Saía da igreja lá da terra para o cemitério próximo.
A missa de corpo presente estava marcada para as 10 horas.
Ainda não eram 9 horas, entraram dois soldados da GNR na capela mortuária. Tinham um mandado para a conduzir ao Tribunal por causa do julgamento do cheque.
Um mandado? Mas ela não era a queixosa?
Pois, mas como tinha faltado na quinta-feira anterior, a juíza tinha-a condenado a pagar uma multa de 36 contos, e tinha ordenado que a GNR a fosse buscar, para não faltar outra vez.
Mas estava no funeral da mãe!
Não podiam os senhores agentes ter um bocadinho de compreensão?
Mas não, estavam só a cumprir ordens superiores.
Ao menos assistir à missa?
Não: a missa era às 10 e a essa hora já tinham de estar no tribunal.
Ninguém queria acreditar no que se estava a passar:
Completamente atónitos, todos viram a D. Silvina, debaixo de um choro incontrolável a ser arrancada ao funeral da própria mãe para ser conduzida ao Tribunal com um escolta da GNR, ainda por cima para ser testemunha num processo em que era queixosa.
Já depois das 11 da manhã chamaram-na à sala de audiências.
Sem conseguir deter as lágrimas, explicou à juíza que o que queria era estar no funeral da mãe, de onde tinha sido forçada a sair pela GNR.
Se calhar, àquela hora o funeral até já tinha acabado.
Mas a juíza explicou-lhe calmamente que era assim, e quais as obrigações legais de um cidadão perante a justiça.
Mas foi muita cordial com a D. Silvina: explicou-lhe que o Tribunal continuava sem descobrir o paradeiro da arguida para a notificar. Pediu-lhe desculpa e tudo.
E uma vez mais adiou o julgamento..."
"A D. Silvina tinha uma pequena loja de pronto-a-vestir de senhora.
Não que precisasse: com os filhos já arrumados, o ordenado que o marido recebia no banco chegava perfeitamente para viverem confortavelmente. Ainda por cima com a reforma da mãe, que vivia com eles.
Mas era um aconchego ao orçamento familiar. E depois, sempre estava entretida.
Mas às vezes até uma pequena loja traz os seus problemas e causa os seus dissabores.
Foi o que aconteceu com o caso da D. Maria Ribeiro:
Não é que aquela malandra, que sempre tinha considerado amiga e uma pessoa séria, lhe tinha passado um cheque de 30 contos para pagamento de umas roupas, e o cheque tinha sido devolvido por falta de provisão?
Escreveu-lhe cartas sem fim, que ela já não atendia o telefone. Mandou-lhe recados por toda a gente que a conhecia. Nada!
Até que, quase a terminarem os seis meses, apresentou queixa crime.
Mais de três anos depois, foi chamada a julgamento na qualidade de testemunha do Ministério Público.
A arguida faltou e o julgamento foi adiado.
Na segunda data, novo adiamento. Ao que parece, nem sequer a tinham ainda conseguido notificar.
Seis meses depois, novo julgamento. E mais um adiamento.
Uma semana depois, outro ainda. Já era o quarto.
A loja fechada e as deslocações ao Tribunal, já lhe estavam mais caras que o raio dos 30 contos do cheque.
Uns tempos depois, recebeu um postal do Tribunal com a marcação das duas novas datas – mas somente para daí a um ano e três meses: uma quinta-feira e a segunda-feira seguinte.
Preocupada, colou o postal com um bocado de fita gomada ao pé do telefone.
No preciso dia em que o julgamento estava marcado, a mãe morreu.
Foi dar com ela caída ao fundo das escadas. Chamou os Bombeiros, que se limitaram a confirmar o óbito.
Claro que nem lhe passou pela cabeça o julgamento.
Como teve de ser feita autópsia e se meteu o fim de semana, o funeral foi marcado para segunda-feira. Saía da igreja lá da terra para o cemitério próximo.
A missa de corpo presente estava marcada para as 10 horas.
Ainda não eram 9 horas, entraram dois soldados da GNR na capela mortuária. Tinham um mandado para a conduzir ao Tribunal por causa do julgamento do cheque.
Um mandado? Mas ela não era a queixosa?
Pois, mas como tinha faltado na quinta-feira anterior, a juíza tinha-a condenado a pagar uma multa de 36 contos, e tinha ordenado que a GNR a fosse buscar, para não faltar outra vez.
Mas estava no funeral da mãe!
Não podiam os senhores agentes ter um bocadinho de compreensão?
Mas não, estavam só a cumprir ordens superiores.
Ao menos assistir à missa?
Não: a missa era às 10 e a essa hora já tinham de estar no tribunal.
Ninguém queria acreditar no que se estava a passar:
Completamente atónitos, todos viram a D. Silvina, debaixo de um choro incontrolável a ser arrancada ao funeral da própria mãe para ser conduzida ao Tribunal com um escolta da GNR, ainda por cima para ser testemunha num processo em que era queixosa.
Já depois das 11 da manhã chamaram-na à sala de audiências.
Sem conseguir deter as lágrimas, explicou à juíza que o que queria era estar no funeral da mãe, de onde tinha sido forçada a sair pela GNR.
Se calhar, àquela hora o funeral até já tinha acabado.
Mas a juíza explicou-lhe calmamente que era assim, e quais as obrigações legais de um cidadão perante a justiça.
Mas foi muita cordial com a D. Silvina: explicou-lhe que o Tribunal continuava sem descobrir o paradeiro da arguida para a notificar. Pediu-lhe desculpa e tudo.
E uma vez mais adiou o julgamento..."
lá tive que te pôr de castigo. esqueceste-te do caderno pela enésima vez, e custou-me, acredita que custou. sobretudo depois de termos andado a manhã toda de roda das árvores, fiquei todo inchado quando te vi erguer a mangueira, pesadíssima, para encher o meu balde com água ; e depois de termos plantado as dez que faltavam. e bem sei que estás muitos furos acima do que te é pedido. mas teve que ser, são coisas que precisas de moldar, de aprender a dominar. claro que eu não tinha castigos assim, o meu pai não se espojava no chão do meu quarto a construir torres enormes, com peças magnéticas e magnetizadas, a ouvir cds e a falar, quando eu ficava de castigo. logo no banho paga-las todas, dou-te o shampoo de maçã em vez do outro, de pêssego, e obrigo-te a usar a esponja grande. vais ver ;)
4.3.05
Três conceitos preocupantes que se entranham neste projecto de sociedade que é o Portugal urbano, sobretudo, e rendo-me tremebundo ao notá-lo,entre os elementos de menor idade biológica.
"Ter que respeitar e aceitar a diferença"
Mas porquê? Aceitar a diferença e ser tolerante faz sentido desde que falemos de disparidades inócuas e cujas características permitam, por seu turno, a coexistência com as das restantes convicções. Caso contrário, não faz qualquer sentido, nem torna alguém mais civilizado, obrigarmo-nos a deglutir aquilo que não achamos justo "porque não podemos ser intolerantes". O problema dos tolerantes é ficarem à mercê dos intolerantes.
"O trabalho"
Mas que trabalho? Vacinar crianças? Desarmar minas? Salvar lémures-de-cauda da extinção? Prevenir os fogos? Debulhar a Cova da Moura? Que trabalho? Encher as bolsas dos sem-nome que vingam, em palácios de mármore, enquanto o tempo passa anestesiando os que pretendem ser vivos? Estou doente / Então a que horas vens? / Hoje não vou / Essas atitudes são estranhas, olha que isto é o teu trabalho, vê lá. Que trabalho? Que mesquinhez, que escol de maleitas pode afligir tanta gente, que fiquem turbados pelas vãs construções às quais se apegam, épocas inteiras, o sangue e as costas num formulário que é alterado a cada semana que se segue?
"A abertura de espírito"
Não está às mesas apertadas e servidas por imberbes, pertença do refinamento autocrático sociocultural que se fez de passagem administrativa entre cravos e tanques. Mas há quem creia que sim e até se extreme digladiando amigos por tais noções.
E não chove.
"Ter que respeitar e aceitar a diferença"
Mas porquê? Aceitar a diferença e ser tolerante faz sentido desde que falemos de disparidades inócuas e cujas características permitam, por seu turno, a coexistência com as das restantes convicções. Caso contrário, não faz qualquer sentido, nem torna alguém mais civilizado, obrigarmo-nos a deglutir aquilo que não achamos justo "porque não podemos ser intolerantes". O problema dos tolerantes é ficarem à mercê dos intolerantes.
"O trabalho"
Mas que trabalho? Vacinar crianças? Desarmar minas? Salvar lémures-de-cauda da extinção? Prevenir os fogos? Debulhar a Cova da Moura? Que trabalho? Encher as bolsas dos sem-nome que vingam, em palácios de mármore, enquanto o tempo passa anestesiando os que pretendem ser vivos? Estou doente / Então a que horas vens? / Hoje não vou / Essas atitudes são estranhas, olha que isto é o teu trabalho, vê lá. Que trabalho? Que mesquinhez, que escol de maleitas pode afligir tanta gente, que fiquem turbados pelas vãs construções às quais se apegam, épocas inteiras, o sangue e as costas num formulário que é alterado a cada semana que se segue?
"A abertura de espírito"
Não está às mesas apertadas e servidas por imberbes, pertença do refinamento autocrático sociocultural que se fez de passagem administrativa entre cravos e tanques. Mas há quem creia que sim e até se extreme digladiando amigos por tais noções.
E não chove.
3.3.05
2.3.05
1.3.05
28.2.05
27.2.05
Cão
Cão passageiro, cão estrito,
cão rasteiro cor de luva amarela,
apara-lápis, fraldiqueiro,
cão liquefeito, cão estafado,
cão de gravata pendente,
cão de orelhas engomadas,
de remexido rabo ausente,
cão ululante, cão coruscante,
cão magro, tétrico, maldito,
a desfazer-se num ganido,
a refazer-se num latido,
cão disparado: cão aqui,
cão além, e sempre cão.
Cão marrado, preso a um fio de cheiro,
cão a esburgar o osso
essencial do dia a dia,
cão estouvado de alegria,
cão formal da poesia,
cão-soneto de ão-ão bem martelado,
cão moído de pancada
e condoído do dono,
cão: esfera do sono,
cão de pura invenção, cão pré-fabricado,
cão-espelho, cão-cinzeiro, cão-botija,
cão de olhos que afligem,
cão-problema...
Sai depressa, ó cão, deste poema!
- Alexandre O'Neill
O Poeta em Lisboa
Quatro horas da tarde.
O poeta sai de casa com uma aranha nos cabelos.
Tem febre. Arde.
E a falta de cigarros faz-lhe os olhos mais belos.
Segue por esta, por aquela rua
sem pressa de chegar seja onde for.
Pára. Continua.
E olha a multidão, suavemente, com horror.
Entra no café.
Abre um livro fantástico, impossível.
Mas não lê.
Trabalha — numa música secreta, inaudível.
Pede um cigarro. fuma.
Labaredas loucas saem-lhe da garganta.
Da bruma
espreita-o uma mulher nua, branca, branca.
Fuma mais. Outra vez.
E atira um braço decepado para a mesa.
Não pensa no fim do mês.
A noite é a sua única certeza.
Sai de novo para o mundo.
Fechada à chave a humanidade janta.
Livre, vagabundo
dói-lhe um sorriso nos lábios. Canta.
Sonâmbulo, magnífico
segue de esquina em esquina com um fantasma ao lado.
Um luar terrífico
vela o seu passo transtornado.
Seis da madrugada.
A luz do dia tenta apunhalá-lo de surpresa.
Defende-se à dentada
da vida proletária, aristocrática, burguesa.
Febre alta, violenta
e dois olhos terríveis, extraordinários, belos.
Fiel, atenta
a aranha leva-o para a cama arrastado pelos cabelos.
- António José Forte
Quatro horas da tarde.
O poeta sai de casa com uma aranha nos cabelos.
Tem febre. Arde.
E a falta de cigarros faz-lhe os olhos mais belos.
Segue por esta, por aquela rua
sem pressa de chegar seja onde for.
Pára. Continua.
E olha a multidão, suavemente, com horror.
Entra no café.
Abre um livro fantástico, impossível.
Mas não lê.
Trabalha — numa música secreta, inaudível.
Pede um cigarro. fuma.
Labaredas loucas saem-lhe da garganta.
Da bruma
espreita-o uma mulher nua, branca, branca.
Fuma mais. Outra vez.
E atira um braço decepado para a mesa.
Não pensa no fim do mês.
A noite é a sua única certeza.
Sai de novo para o mundo.
Fechada à chave a humanidade janta.
Livre, vagabundo
dói-lhe um sorriso nos lábios. Canta.
Sonâmbulo, magnífico
segue de esquina em esquina com um fantasma ao lado.
Um luar terrífico
vela o seu passo transtornado.
Seis da madrugada.
A luz do dia tenta apunhalá-lo de surpresa.
Defende-se à dentada
da vida proletária, aristocrática, burguesa.
Febre alta, violenta
e dois olhos terríveis, extraordinários, belos.
Fiel, atenta
a aranha leva-o para a cama arrastado pelos cabelos.
- António José Forte
26.2.05
23.2.05
18. Between lands
And now
in silence
after the tower
i will carry the marks
branded
carved
from carbon eyes
with yours
knowing
forever
we sing
19. Home
tänään
minä olen suomalainen
hiljainen
rakastava
tuulessa
tänään
tänään
aina
hiljaa.
20. Everywhere
And back again
the sun came up on your golden face
your voice was loss
the wind blew mild
and took me on
you were staying
and we'd be still in the woods
like kids
and back again
And now
in silence
after the tower
i will carry the marks
branded
carved
from carbon eyes
with yours
knowing
forever
we sing
19. Home
tänään
minä olen suomalainen
hiljainen
rakastava
tuulessa
tänään
tänään
aina
hiljaa.
20. Everywhere
And back again
the sun came up on your golden face
your voice was loss
the wind blew mild
and took me on
you were staying
and we'd be still in the woods
like kids
and back again
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