3.5.05

O andarilho cantor acordou antes da bruma começar a descer a ravina, orvalho inocente e musgo faminto agarrados às solas.
Içou a guitarra do seu nicho amornado a leste das brasas latentes, carentes. Foi para norte a trinta e quatro graus e quarenta e cinco segundos de rebentar uma caixa do correio em Bagdad, a meia terrina da vertical com o norte.
Sentou-se de pernas cruzadas, como um yogi neo-romântico a assoberbar a via rápida, e puxou três acordes, mi, dó, ré. Harmónico de quinta.
Depois tropeçou em si próprio e partiu, rumo aos portos acesos, com a bênção das mães debaixo do braço.
Nunca mais soubemos nada dele mas continuamos a mandar postais.
Não vás por agora. Vês? Bem me parecia que a carne se enlaçava nos bolbos luminescentes das capitais da mente. Não vás por agora. Duvido porque sou responsável perante a minha condição de barqueiro imperfeito e os que transporto não me bastam para te ser imagem icónica. Não vás por agora, fica mais três vidas, inteiras. As noites comem-me a crença porque não sei onde estarei ao voltares. É quinta-feira e não consigo traçar com a devida firmeza esta linha que também perfilhei.
É extenso o silêncio, e aparente. Há a noção de falso vácuo, sempiterna fonte de energia de credo de luz. Há partículas prontas a saltar como cabritos em plena primeira infância, tocados pela sabedoria de explorar o não-nada. O silêncio acolhe o viajante enquanto este se encomenda ao tapete dos destinos; suprema cat's cradle das consciências, tudo menos o único desenlace que já não lhe cabe intentar: que a morte física, a dissolução do véu, não preceda o momento em que ele dobrará a curva final, a parabólica das boxes divinas, no limiar do jackpot evolutivo.

Por dentro do silêncio a jangada é azul e faz-se pintar com velas de seda etíope sob as chagas de Juno. Sussurram os cânticos das mulheres deixadas. A irmandade é esquiva e oriunda das tardes mais roxas da sobrevivência.

Tu chamas-me e tens mil rostos. Já não precisamos de ouvir o mundo cantar ao longe. Atravessando o silêncio e dando primazia ao olhar, veio ter comigo este ponto onde as horas são dias e os ossos, cristais.

Vou nutrindo a esperança de uma passagem tardia.

2.5.05



Salvatore Riina detto "Totò u curtu", nacque a Corleone il 16 novembre
1930. A soli diciannove anni uccise un coetaneo in una rissa. Dopo aver
scontato sei anni, ritornò al paese, diventando il luogotenente della
banda di Liggio, impegnata ad eliminare il predominio di Michele Navarra
sulla cosca della zona. Fu arrestato nel dicembre del 1963 e, dopo alcuni
anni di reclusione trascorsi all'Ucciardone di Palermo, fu assolto prima a
Catanzaro, nel processo dei 114 e poi nel giugno 1969, al processo di
Bari. Inviato al soggiorno obbligato, si diede alla latitanza e diresse
le operazioni nella strage di viale Lazio. Preso il posto di Liggio finito
in carcere, condusse i corleonesi negli anni Ottanta e Novanta alla
realizzazione d'immensi profitti, prima con il contrabbando e poi con
la droga e gli appalti pubblici.

1.5.05

no illusion is worse than seeing the world as one
estou cansado. preciso de ti. entro e saio dos pequenos desertos da alma sem dar conta que nem um dia se passou. raro momento de sentar-na-pedra-grande-e-chamar, preciso de perceber porque nao consigo criar historias ha mais de 3 meses. preciso de perceber porque deixei de procurar. e porque nao apaguei o farol.
preciso de perceber porque nao preciso de nada.
[22:31] n gosto de ti pronto
[22:31] lol
[22:31] gosto de ti incompleto
[22:31] :)
[22:31] eu sou incompleto
[22:31] por definicao
[22:31] ando sempre a procura das partes que faltam
[22:31] para poder ve-las
[22:32] e dizer
[22:32] "ah yah"
[22:32] e seguir contente
[22:32] como estava
[22:32] :)
E pronto, é oficial: não se trata de uma branca recorrente, nem de um burn-out permanente. Nada é cíclico, carecendo o tempo de uma definição capaz de traduzir as ligações criadas pela sentiência. Mudamos, sempre, em termos efectivos, e acontece que desta vez a mudança parece ser, no mínimo, estrutural. Apetece-me ouvir, ler, mergulhar na rua disfarçado de saco vazio levado pelo vento. Até aqui tudo bem. E sim, continua a apetecer-me mudar tudo, a queima interna continua a decorrer. Mas não sinto necessidade de procurar, de verter, de beber. Só de estar. Por aí. A criar, velar e crescer em silêncio.

30.4.05

ora para mim se houver criterio que defina a evolucao humana, ele tem
que ser passivel de vigorar em qualquer epoca, passada, presente ou futura.
e os gajos que andavam a apanhar papaias no neolitico? com quem jantavam ?
se houver fim a atingir pelo homem, nao depende de posturas perante aquilo
que é construido, apenas perante a natureza e a nossa propria mortalidade.
Discordo em absoluto. É a cegueira das regras e a atitude persecutória
do Estado que conduz à sede de retribuição por parte das pessoas.
Tirando os casos de marginais que serao sempre marginais.

28.4.05

O tempo é um grande mestre; tem porém o defeito de matar os seus discípulos.
- Hector Berlioz
Beginning

The moon drops one or two feathers into the fields.
The dark wheat listens.
Be still.
Now.
There they are, the moon's young, trying
Their wings.
Between trees, a slender woman lifts up the lovely shadow
Of her face, and now she steps into the air, now she is gone
Wholly, into the air.
I stand alone by an elder tree, I do not dare breathe
Or move.
I listen.
The wheat leans back toward its own darkness,
And I lean toward mine.

-James Wright

27.4.05

Afinal, passou, como sempre foi claro que iria passar. Mais um bloqueio, mais uma travessia pelas dunas deste Kalahari do cansaço. Exaustão; afinal as grandes travessias, sobretudo as que se levam a cabo sem mapa, por terras de brenha, são as que mais cansam - quando não tratam de vez da canseira.
Desta vez, a branca fez-se morcego de outras curvas. Palmípede sucinta, a salina à beira do éter ergueu paliçadas por mais de um mês. Faz algum sentido, é amanhã que se fecha o círculo de purga, o anel de fogo da idade crucibunda.
Sair por baixo e entrar por cima. As brancas foram notáveis qb para que tenham ficado anotadas, todas e cada uma, para memória futura. As brancas estão cá e aparecem nos sítios correctos, nos pontos esperados, na dimensão postulada em tempo útil.
É talvez época de sanyasa a que por aqui aterra. Presunção ou humildade, a verdade é que tudo me passa ao lado e nada me deixa indiferente. Sentado a roer vegetais com massinha na chapa quente, a percepção que dantes me fugia ao controle agora maquina como uma gadanha bem oleada nas mãos de um andróide futurista. Voam pedaços, saltam fragmentos, não me identifico com nenhuma das conversas que trespassam o sossego alimentício.
E no entanto, parece que agora exalo mais informação mediante um esforço menor e menos consciente.
E renegar, sempre renegar quem pregue que é errado estimar o indivíduo. Quando morre o indivíduo, morre uma forma única de amar o Universo. Ao colectivo não pode ser permitido que venha solicitar o sacrifício da mente, da habilidade, e do rasgo em nome da distribuição equitativa da produtividade. Todos sabemos quanto vale a média desta espécie. Todos sabemos em que se transformam o saber e o brilho da criatividade quando entregues às gânfias hirsutas dos salteadores.
Ir por dentro ser coisa ímpar a troco de nada. É o ajuste que faltava. Não é?
Deve ter sido o ano mais repleto da minha vida.
Ergue-se-me a alvorada do coração só de pensar, levemente, nas portas que se abrem.
Foram dados passos.
1. "Nature, to be commanded, must be obeyed" or "Wishing won't make it so."
2. "You can't eat your cake and have it, too."
3. "Man is an end in himself."
4. "Give me liberty or give me death."

26.4.05

Actually, I don't know if this is some sort of weird evolution, like
one of those things that go click-click-clack in the backyard of my
mind when I cross the gate into the next arcade-game level of worldy
interfacing...
But I have been silent, and my creativity for writing, thinking, everything,
has been at an all-time low. On the other hand, I tend to notice minute stuff
that went mostly unaccounted for before. I don't really like this stage, it causes
me great apprehension, and I hope it goes away soon. Most probably I need another
week like the one I spent in Helsinki. But I might be growing old.
Whoever sees all beings in the soul
and the soul in all beings
does not shrink away from this.
In whom all beings have become one with the knowing soul
what delusion or sorrow is there for the one who sees unity?
It has filled all.
It is radiant, incorporeal, invulnerable,
without tendons, pure, untouched by evil.
Wise, intelligent, encompassing, self-existent,
it organizes objects throughout eternity.
Aum Shanti Shanti Shanti

Isha Upanishad
>o vazio dos outros é uma constante, ou talvez seja simplesmente uma
>forma diferente de viver a vida. Não há formas correctas ou incorrectas,
>há apenas as que nós nos adaptamos e nos são agradáveis e as outras.

discordo. é impossivel viver sem a crenca nos absolutos. relativizar
tudo é meio caminho andado para admitir que mesmo as nossas conviccoes
mais profundas e a mais evidente barbárie nao passam de meras diferencas
em relacao aos restantes, logo podendo ser questionadas mas nunca encaradas
como correctas ou incorrectas.

25.4.05

Journée de la pleine lune
Au sommet de la dune
A caresser de loin ton chien

T'oublies or not t'oublies
Les ombres d'opalines
au rendez-vous suivant, j'attends
Au fond d'une autre limousine
Qui ne vaut pas plus cher
Que ce bouquet de nerfs

A frôler la calanche
Les étendues salines
A perte de vue on s'imagine en Chine

Trompe la mort et tais-toi
Trois petits tours et puis s'en va
J'opère tes amygdales
Labyrinthiques, que dalle
Ne m'est plus rien égal
Je sais je n'ai offert que des bouquets de nerfs


Rubis de Sade et jade, déjà je dis non
Diamant, c'est éternel
Des fleurs, des bouts du ciel immense

La liste des parfums capiteux
Capitalistes c'est bien bien
Mais olfacultatif
Liste en boule, au panier
Finalement j'ai offert quelques bouquets de nerfs

Agendas donnez-moi
De vos dates à damner
Tous les bouddhas du monde
Et la Guadalupe

S'il arrive qu'un anglais
Vienne me visiter
Dans la métempsychose
Je saurai recevoir je peux lui en faire voir de la sérénité
Et même lui laisser un certain goût de fer
Et ce bouquet de nerfs


21.4.05

Beth two

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(Redirected from 2 to the power of C)

In set theory and other branches of mathematics, \beth_2 (pronounced beth two), or 2c (pronounced two to the power of c), is a certain cardinal number. It is the 2nd beth number, and is the result of cardinal exponentiation when 2 is raised to the power of c, the cardinality of the continuum.

This number 2c is the cardinality of many sets, including:

  • The power set of the set of real numbers, so it is the number of subsets of the real line, or the number of sets of real numbers;
  • The power set of the power set of the set of natural numbers, so it is the number of sets of sets of natural numbers;
  • The set of all functions from the real line to itself;
  • The power set of the set of all functions from the set of natural numbers to itself, so it is the number of sets of sequences of natural numbers;
  • The set of all real-valued functions of n real variables to the real numbers.

Some early set theorists hypothesised the equation

\beth_2=\aleph_2 \,\,\,\,(*),

stating that 2c is equal to the 2nd aleph number. It turns out that the truth of this equation (*) cannot be determined from the standard Zermelo-Fraenkel axioms of set theory; it is true in some models and false in others. (*) is a part of the generalized continuum hypothesis (GCH), but it is possible that (*) is true while the full GCH is false. On the other hand, if (*) is true, then the ordinary continuum hypothesis (CH) must follow, but again it is possible that CH is true while (*) is false.

Elizabeth Rauscher (2001) has developed a detailed theory of an eight dimensional complex Minkowski space in which such phenomena as remote viewing would be possible as well as apparently being able to view things at a point.

These space-time theories of consciousness are highly speculative but have features that their proponentes consider attractive: every individual would be unique because they are a space-time path rather than an instantaneous object (ie: the theories are non-fungible), and also because consciousness is a material thing so direct supervenience would apply. The possibility that conscious experience occupies a short period of time (the 'specious present') would mean that it can include movements and short words; these would not seem to be possible in a presentist interpretation of
experience.

Theories of this type are also suggested by cosmology. The Wheeler-De Witt equation describes the quantum wave function of the universe (or more correctly, the multiverse). This equation does not involve time. Time was explained by Bryce De Witt by dividing the multiverse into an observer with measuring devices and the rest of the universe. The rest of the universe then changes relative to the observer. This introduction of time results in the occurrence of space-time, gravity and the rest of the observed material world. As the famous cosmologist Andrei Linde (2003) puts it:

"The general theory of relativity brought with it a decisive change in this point of view [the 3D world]. Space-time and matter were found to be interdependent, and there was no longer any question which one of the two is more fundamental. Space-time was also found to have its own inherent degrees of freedom, associated with perturbations of the metric - gravitational waves. ............"
"Is it possible that consciousness, like space-time, has its own intrinsic degrees of freedom, and that neglecting these will lead to a description of the universe that is fundamentally incomplete?"