"Não tenho nada a dizer ao mundo."
- Vítor Gorjão
When I hear music, I fear no danger. I am invulnerable. I see no foe. I am related to the earliest times, and to the latest.
- Henry David Thoreau -
Condensing fact from the vapor of nuance since 2003
11.5.05
10.5.05
hoje ia a dois clientes.
liguei para a "genoveva".
estavam todos "em formacao".
liguei para a sala de formacao.
nao havia mesmo carros.
falei com o "cristóvão".
mandou-me ir de taxi.
eu disse, "mas de taxi sao 6 ou 7 contos".
ele disse "bom, e entao?"
falei com a genoveva.
disse que ninguem sairia da sala de formacao por 45 segundos para me
dar dinheiro da caixa.
falei com o "júlio".
disse-me que sou uma besta por nao marcar os carros com uma semana de
antecedencia e foi la abaixo falar com a genoveva.
veio de maos vazias e a bufar.
falou com a "cátia" e disse-lhe "va no seu carro e de a chave deste ao
"ringthane".
ela disse "eu nao tenho carro".
ele disse "va no do "osvaldo"".
ela foi.
eu fui.
9.5.05
3.5.05
O andarilho cantor acordou antes da bruma começar a descer a ravina, orvalho inocente e musgo faminto agarrados às solas.
Içou a guitarra do seu nicho amornado a leste das brasas latentes, carentes. Foi para norte a trinta e quatro graus e quarenta e cinco segundos de rebentar uma caixa do correio em Bagdad, a meia terrina da vertical com o norte.
Sentou-se de pernas cruzadas, como um yogi neo-romântico a assoberbar a via rápida, e puxou três acordes, mi, dó, ré. Harmónico de quinta.
Depois tropeçou em si próprio e partiu, rumo aos portos acesos, com a bênção das mães debaixo do braço.
Nunca mais soubemos nada dele mas continuamos a mandar postais.
Içou a guitarra do seu nicho amornado a leste das brasas latentes, carentes. Foi para norte a trinta e quatro graus e quarenta e cinco segundos de rebentar uma caixa do correio em Bagdad, a meia terrina da vertical com o norte.
Sentou-se de pernas cruzadas, como um yogi neo-romântico a assoberbar a via rápida, e puxou três acordes, mi, dó, ré. Harmónico de quinta.
Depois tropeçou em si próprio e partiu, rumo aos portos acesos, com a bênção das mães debaixo do braço.
Nunca mais soubemos nada dele mas continuamos a mandar postais.
Não vás por agora. Vês? Bem me parecia que a carne se enlaçava nos bolbos luminescentes das capitais da mente. Não vás por agora. Duvido porque sou responsável perante a minha condição de barqueiro imperfeito e os que transporto não me bastam para te ser imagem icónica. Não vás por agora, fica mais três vidas, inteiras. As noites comem-me a crença porque não sei onde estarei ao voltares. É quinta-feira e não consigo traçar com a devida firmeza esta linha que também perfilhei.
É extenso o silêncio, e aparente. Há a noção de falso vácuo, sempiterna fonte de energia de credo de luz. Há partículas prontas a saltar como cabritos em plena primeira infância, tocados pela sabedoria de explorar o não-nada. O silêncio acolhe o viajante enquanto este se encomenda ao tapete dos destinos; suprema cat's cradle das consciências, tudo menos o único desenlace que já não lhe cabe intentar: que a morte física, a dissolução do véu, não preceda o momento em que ele dobrará a curva final, a parabólica das boxes divinas, no limiar do jackpot evolutivo.
Por dentro do silêncio a jangada é azul e faz-se pintar com velas de seda etíope sob as chagas de Juno. Sussurram os cânticos das mulheres deixadas. A irmandade é esquiva e oriunda das tardes mais roxas da sobrevivência.
Tu chamas-me e tens mil rostos. Já não precisamos de ouvir o mundo cantar ao longe. Atravessando o silêncio e dando primazia ao olhar, veio ter comigo este ponto onde as horas são dias e os ossos, cristais.
Vou nutrindo a esperança de uma passagem tardia.
Por dentro do silêncio a jangada é azul e faz-se pintar com velas de seda etíope sob as chagas de Juno. Sussurram os cânticos das mulheres deixadas. A irmandade é esquiva e oriunda das tardes mais roxas da sobrevivência.
Tu chamas-me e tens mil rostos. Já não precisamos de ouvir o mundo cantar ao longe. Atravessando o silêncio e dando primazia ao olhar, veio ter comigo este ponto onde as horas são dias e os ossos, cristais.
Vou nutrindo a esperança de uma passagem tardia.
2.5.05

Salvatore Riina detto "Totò u curtu", nacque a Corleone il 16 novembre
1930. A soli diciannove anni uccise un coetaneo in una rissa. Dopo aver
scontato sei anni, ritornò al paese, diventando il luogotenente della
banda di Liggio, impegnata ad eliminare il predominio di Michele Navarra
sulla cosca della zona. Fu arrestato nel dicembre del 1963 e, dopo alcuni
anni di reclusione trascorsi all'Ucciardone di Palermo, fu assolto prima a
Catanzaro, nel processo dei 114 e poi nel giugno 1969, al processo di
Bari. Inviato al soggiorno obbligato, si diede alla latitanza e diresse
le operazioni nella strage di viale Lazio. Preso il posto di Liggio finito
in carcere, condusse i corleonesi negli anni Ottanta e Novanta alla
realizzazione d'immensi profitti, prima con il contrabbando e poi con
la droga e gli appalti pubblici.
1.5.05
estou cansado. preciso de ti. entro e saio dos pequenos desertos da alma sem dar conta que nem um dia se passou. raro momento de sentar-na-pedra-grande-e-chamar, preciso de perceber porque nao consigo criar historias ha mais de 3 meses. preciso de perceber porque deixei de procurar. e porque nao apaguei o farol.
preciso de perceber porque nao preciso de nada.
preciso de perceber porque nao preciso de nada.
E pronto, é oficial: não se trata de uma branca recorrente, nem de um burn-out permanente. Nada é cíclico, carecendo o tempo de uma definição capaz de traduzir as ligações criadas pela sentiência. Mudamos, sempre, em termos efectivos, e acontece que desta vez a mudança parece ser, no mínimo, estrutural. Apetece-me ouvir, ler, mergulhar na rua disfarçado de saco vazio levado pelo vento. Até aqui tudo bem. E sim, continua a apetecer-me mudar tudo, a queima interna continua a decorrer. Mas não sinto necessidade de procurar, de verter, de beber. Só de estar. Por aí. A criar, velar e crescer em silêncio.
30.4.05
ora para mim se houver criterio que defina a evolucao humana, ele tem
que ser passivel de vigorar em qualquer epoca, passada, presente ou futura.
e os gajos que andavam a apanhar papaias no neolitico? com quem jantavam ?
se houver fim a atingir pelo homem, nao depende de posturas perante aquilo
que é construido, apenas perante a natureza e a nossa propria mortalidade.
que ser passivel de vigorar em qualquer epoca, passada, presente ou futura.
e os gajos que andavam a apanhar papaias no neolitico? com quem jantavam ?
se houver fim a atingir pelo homem, nao depende de posturas perante aquilo
que é construido, apenas perante a natureza e a nossa propria mortalidade.
28.4.05
| Beginning |
The moon drops one or two feathers into the fields.
The dark wheat listens.
Be still.
Now.
There they are, the moon's young, trying
Their wings.
Between trees, a slender woman lifts up the lovely shadow
Of her face, and now she steps into the air, now she is gone
Wholly, into the air.
I stand alone by an elder tree, I do not dare breathe
Or move.
I listen.
The wheat leans back toward its own darkness,
And I lean toward mine.
-James Wright
27.4.05
Afinal, passou, como sempre foi claro que iria passar. Mais um bloqueio, mais uma travessia pelas dunas deste Kalahari do cansaço. Exaustão; afinal as grandes travessias, sobretudo as que se levam a cabo sem mapa, por terras de brenha, são as que mais cansam - quando não tratam de vez da canseira.
Desta vez, a branca fez-se morcego de outras curvas. Palmípede sucinta, a salina à beira do éter ergueu paliçadas por mais de um mês. Faz algum sentido, é amanhã que se fecha o círculo de purga, o anel de fogo da idade crucibunda.
Sair por baixo e entrar por cima. As brancas foram notáveis qb para que tenham ficado anotadas, todas e cada uma, para memória futura. As brancas estão cá e aparecem nos sítios correctos, nos pontos esperados, na dimensão postulada em tempo útil.
É talvez época de sanyasa a que por aqui aterra. Presunção ou humildade, a verdade é que tudo me passa ao lado e nada me deixa indiferente. Sentado a roer vegetais com massinha na chapa quente, a percepção que dantes me fugia ao controle agora maquina como uma gadanha bem oleada nas mãos de um andróide futurista. Voam pedaços, saltam fragmentos, não me identifico com nenhuma das conversas que trespassam o sossego alimentício.
E no entanto, parece que agora exalo mais informação mediante um esforço menor e menos consciente.
E renegar, sempre renegar quem pregue que é errado estimar o indivíduo. Quando morre o indivíduo, morre uma forma única de amar o Universo. Ao colectivo não pode ser permitido que venha solicitar o sacrifício da mente, da habilidade, e do rasgo em nome da distribuição equitativa da produtividade. Todos sabemos quanto vale a média desta espécie. Todos sabemos em que se transformam o saber e o brilho da criatividade quando entregues às gânfias hirsutas dos salteadores.
Ir por dentro ser coisa ímpar a troco de nada. É o ajuste que faltava. Não é?
Deve ter sido o ano mais repleto da minha vida.
Ergue-se-me a alvorada do coração só de pensar, levemente, nas portas que se abrem.
Foram dados passos.
Desta vez, a branca fez-se morcego de outras curvas. Palmípede sucinta, a salina à beira do éter ergueu paliçadas por mais de um mês. Faz algum sentido, é amanhã que se fecha o círculo de purga, o anel de fogo da idade crucibunda.
Sair por baixo e entrar por cima. As brancas foram notáveis qb para que tenham ficado anotadas, todas e cada uma, para memória futura. As brancas estão cá e aparecem nos sítios correctos, nos pontos esperados, na dimensão postulada em tempo útil.
É talvez época de sanyasa a que por aqui aterra. Presunção ou humildade, a verdade é que tudo me passa ao lado e nada me deixa indiferente. Sentado a roer vegetais com massinha na chapa quente, a percepção que dantes me fugia ao controle agora maquina como uma gadanha bem oleada nas mãos de um andróide futurista. Voam pedaços, saltam fragmentos, não me identifico com nenhuma das conversas que trespassam o sossego alimentício.
E no entanto, parece que agora exalo mais informação mediante um esforço menor e menos consciente.
E renegar, sempre renegar quem pregue que é errado estimar o indivíduo. Quando morre o indivíduo, morre uma forma única de amar o Universo. Ao colectivo não pode ser permitido que venha solicitar o sacrifício da mente, da habilidade, e do rasgo em nome da distribuição equitativa da produtividade. Todos sabemos quanto vale a média desta espécie. Todos sabemos em que se transformam o saber e o brilho da criatividade quando entregues às gânfias hirsutas dos salteadores.
Ir por dentro ser coisa ímpar a troco de nada. É o ajuste que faltava. Não é?
Deve ter sido o ano mais repleto da minha vida.
Ergue-se-me a alvorada do coração só de pensar, levemente, nas portas que se abrem.
Foram dados passos.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

