27.5.05

Yes, how can we know that you're there IRL when you're not in this
forum? Or why should society be based on bigot certainties rather
than sensible, equitative doubt?* (end ecoanarchistobjective mode)


* the answer to this apparently profound question is that if people
stick to the suicide of thought and reason on the grounds of parity
and tolerance, then one day, nobody will be able to replace a lightbulb
because "we" will be all wondering if electricity exists or is it just
another subjective concept.

26.5.05



A pensar na Kearinn, a quem algumas horas de leitura me levaram. Há lá uma personagem que imagino tal e qual.

Pode ser que um dia também tu não votes ;)
"1-Gostas que te governe quem tu eleges,ou o teu povo elege? "

Não gosto de governos, normalmente são constituídos por gente que não
soube fazer mais nada e acabou na política. Intelectualmente e mesmo em
termos técnicos são do pior que há, assim a talhe de foice. Voto em branco
desde os 18 anos.

"2-Achas justo seres governado por pessoas que não elegeste e não
conheces de lado nenhum? "

É o que sucede agora.

"3-Achas justo as ordens que recebemos da EU? "

Não reconheço quaisquer ordens emitidas por grupos ou indivíduos com
menor lucidez do que aquela da qual me acho possuidor, contudo aceito, por
ora, viver nesta sociedade, e embora não tenha cultura de inserido, não
pretendo ser penalizado com perda da minha qualidade de vida ou sossego
quotidiano. E digo-o.

"4-Não deve cada povo decidir o seu futuro? "

Deve, pois. A Guiné, a Alemanha de Hitler e a Coreia do Norte são bons
exemplos de países onde o povo pode/podia ter mudado as coisas e não
muda/mudou.

"5-Criticamos Salazar porque não havia eleições democráticas,e agora de
que serve o nosso voto? "

Do mesmo que servia quando era proibido votar. Nenhum governante eleito
em democracia parlamentar alguma vez fez tudo o que devia, em Portugal.
Nenhum dos macacos totalitários alguma vez fez algo em prol da sociedade, em
Portugal. A merda é a mesma há 300 anos.
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19.5.05

ainda bem que continuas a caminhar por esses caminhos
onde a primavera começa sempre que a verdade está aí à procura
de alguém que se perdeu na noite daquela chuva quase eterna
a estrada continua sempre a estar ali ao lado, mesmo quando não há
apóstolo nem caminho
a luz atravessa a noite , cai tal como a chuva, mas em silêncio, apenas
em silêncio
em busca das palavras perdidas, dos desencontros efémeros, daqueles
corpos perdidos na mente
liberta a dor dos pés ao caminhar, dá voz serena ao grito mudo
sonha pelo despertar da vida , da longa espera, lá longe, para além
dessa ausência
não há noite, apenas o obscurecimento do dia
a revolução continua, para além da ilusão, de toda a permanência
mergulhamos na onda, ultrapassamos os cumes, caímos nos abismos
não há ouro na mina, apenas a luz na noite

- kaleph
Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou...

Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos!...

-Alberto Caeiro

(a cabeça do gajo era o que era)

10.5.05

Ana... vou responder agora!
hoje ia a dois clientes.

liguei para a "genoveva".

estavam todos "em formacao".

liguei para a sala de formacao.

nao havia mesmo carros.

falei com o "cristóvão".

mandou-me ir de taxi.

eu disse, "mas de taxi sao 6 ou 7 contos".

ele disse "bom, e entao?"

falei com a genoveva.

disse que ninguem sairia da sala de formacao por 45 segundos para me
dar dinheiro da caixa.

falei com o "júlio".

disse-me que sou uma besta por nao marcar os carros com uma semana de
antecedencia e foi la abaixo falar com a genoveva.

veio de maos vazias e a bufar.

falou com a "cátia" e disse-lhe "va no seu carro e de a chave deste ao
"ringthane".

ela disse "eu nao tenho carro".

ele disse "va no do "osvaldo"".

ela foi.

eu fui.

3.5.05

O andarilho cantor acordou antes da bruma começar a descer a ravina, orvalho inocente e musgo faminto agarrados às solas.
Içou a guitarra do seu nicho amornado a leste das brasas latentes, carentes. Foi para norte a trinta e quatro graus e quarenta e cinco segundos de rebentar uma caixa do correio em Bagdad, a meia terrina da vertical com o norte.
Sentou-se de pernas cruzadas, como um yogi neo-romântico a assoberbar a via rápida, e puxou três acordes, mi, dó, ré. Harmónico de quinta.
Depois tropeçou em si próprio e partiu, rumo aos portos acesos, com a bênção das mães debaixo do braço.
Nunca mais soubemos nada dele mas continuamos a mandar postais.
Não vás por agora. Vês? Bem me parecia que a carne se enlaçava nos bolbos luminescentes das capitais da mente. Não vás por agora. Duvido porque sou responsável perante a minha condição de barqueiro imperfeito e os que transporto não me bastam para te ser imagem icónica. Não vás por agora, fica mais três vidas, inteiras. As noites comem-me a crença porque não sei onde estarei ao voltares. É quinta-feira e não consigo traçar com a devida firmeza esta linha que também perfilhei.
É extenso o silêncio, e aparente. Há a noção de falso vácuo, sempiterna fonte de energia de credo de luz. Há partículas prontas a saltar como cabritos em plena primeira infância, tocados pela sabedoria de explorar o não-nada. O silêncio acolhe o viajante enquanto este se encomenda ao tapete dos destinos; suprema cat's cradle das consciências, tudo menos o único desenlace que já não lhe cabe intentar: que a morte física, a dissolução do véu, não preceda o momento em que ele dobrará a curva final, a parabólica das boxes divinas, no limiar do jackpot evolutivo.

Por dentro do silêncio a jangada é azul e faz-se pintar com velas de seda etíope sob as chagas de Juno. Sussurram os cânticos das mulheres deixadas. A irmandade é esquiva e oriunda das tardes mais roxas da sobrevivência.

Tu chamas-me e tens mil rostos. Já não precisamos de ouvir o mundo cantar ao longe. Atravessando o silêncio e dando primazia ao olhar, veio ter comigo este ponto onde as horas são dias e os ossos, cristais.

Vou nutrindo a esperança de uma passagem tardia.

2.5.05



Salvatore Riina detto "Totò u curtu", nacque a Corleone il 16 novembre
1930. A soli diciannove anni uccise un coetaneo in una rissa. Dopo aver
scontato sei anni, ritornò al paese, diventando il luogotenente della
banda di Liggio, impegnata ad eliminare il predominio di Michele Navarra
sulla cosca della zona. Fu arrestato nel dicembre del 1963 e, dopo alcuni
anni di reclusione trascorsi all'Ucciardone di Palermo, fu assolto prima a
Catanzaro, nel processo dei 114 e poi nel giugno 1969, al processo di
Bari. Inviato al soggiorno obbligato, si diede alla latitanza e diresse
le operazioni nella strage di viale Lazio. Preso il posto di Liggio finito
in carcere, condusse i corleonesi negli anni Ottanta e Novanta alla
realizzazione d'immensi profitti, prima con il contrabbando e poi con
la droga e gli appalti pubblici.

1.5.05

no illusion is worse than seeing the world as one
estou cansado. preciso de ti. entro e saio dos pequenos desertos da alma sem dar conta que nem um dia se passou. raro momento de sentar-na-pedra-grande-e-chamar, preciso de perceber porque nao consigo criar historias ha mais de 3 meses. preciso de perceber porque deixei de procurar. e porque nao apaguei o farol.
preciso de perceber porque nao preciso de nada.