29.1.07



(a censura praticada em nome de um conjunto de ideologias pró-anestésicas não deixa ler bem o título do álbum. Chama-se "Kill Fuck Die")
Ainda sobre a Flexigurança.

"O descontentamento com os serviços e protecção do Estado e a desconfiança e incompreensão dos seus fins leva a que a maioria dos portugueses tenda a fugir às regras e procure beneficiar do sistema o máximo com o mínimo custo possível."

É assim, causa-consequência, e não ao contrário.

A atmosfera em S. Beto (perdão, Bento) cada vez está mais rarefeita. A Aqua di Gió cede lugar às pastilhas de fuga à realidade.

Nem sei porque é que me lembrei disto.
As deslocações ao estrangeiro dos dez deputados mais viajados, ao serviço da Assembleia da República, implicaram em 2006 uma despesa total de quase 291 mil euros em transporte e alojamento, um acréscimo de 35 por cento face aos cerca de 215 mil euros despendidos em 2005. No pódio dos parlamentares mais viajados surgem três rostos bem conhecidos: José Luís Arnault e Mendes Bota, ambos do PSD, e José Lello, do PS, que em conjunto realizaram 43 viagens.

Afirma-se isto no Correio da Manhã de hoje. Não seria então mais pertinente referendar a classe política, cujos gastos em brincadeiras e pocket money dariam para permitir a todas as grávidas involuntárias parir em paz e em condições assegurando a subsequente inserção social do nascituro?

Em Espanha a queda de neve desceu de intensidade, contudo, fortes ventos e chuva na Andaluzia, Extremadura e Castela-la-Mancha levaram ao encerramento de várias estradas. O temporal levou o navio-frigorífico ‘Sierra Nava’ a encalhar a 20 metros da costa de Algeciras. Nas Canárias, chuva e vento provocaram o caos. Na localidade de El Hierro, a enxurrada destruiu estradas e casas. No resto da Europa, o mau tempo melhorou de forma significativa nas últimas horas, tendo sido reabertas várias auto-estradas da Alemanha, Polónia e República Checa.


Se puserem um economista a comentar este trecho, ele dirá "ah, não há razão para alarme, é tudo cíclico e no passado também houve situações anormais, são normais". Quando mais tarde a coisa der o grande estalo, se questionado acerca desse comentário, safar-se-à (e digo-o com realismo, porque a maralha curte é respostas à economista) afirmando ter-se tratado sem dúvida de um acontecimento fora das previsões, portanto irrepetível... até dar outro grande estalo.

O Governo está a negociar com a Associação Nacional de Municípios a introdução de portagens à entrada das principais cidades para dissuadir o uso do automóvel e reduzir as emissões de CO2, avança hoje a edição do “Jornal de Negócios".

...

Embora Lisboa e Porto sejam as cidades mais castigadas em relação à qualidade do ar, a medida pode estender-se a outras cidades do país, admite o governante.

Humberto Rosa dá os exemplos de Londres e de Estocolmo, que limitaram, com sucesso, o acesso de veículos ao centro das cidades.



O que o Humberto não diz, ou não sabe, é que em Portugal a rede viária e serviços de transportes públicos conexos é das piores da Europa, tanto em qualidade como em distribuição. E que os transportes vão ficar na mesma, de certeza, tal como a CRIL, um projecto com 25 anos, está há 8 por concluir, e tal como não surgiram quaisquer complementos para minorar os riscos oriundos do fecho das maternidades por todo o país. Tal como não vão brotar, como que por sortilégio, melhores condições na saúde depois deste ou de qualquer outro referendo. Porque primeiro faz-se o gosto à agenda (as "mulheres" votam, os nascituros não) e depois... depois foi tudo culpa do governo anterior.

27.1.07



Este blog vota não, não e não.

Do laxismo gelatinoso, ou não voltes, Guterres

Tive o azar de ter que ir comprar uma prenda a correr para um puto.

Continente da Amadora. Parque coberto, completo. Parque exterior, completo.

Jumbo de Alfragide. Parque interior, em obras há 7 meses. Parque exterior, inacessível (não falo Sumério e os trabalhadores brasileiros deviam ter ido todos almoçar ao mesmo tempo).

Restantes superfícies, too far away. Comércio tradicional, fechado ou situado em enclave de acesso impossível para os não-habilitados a conduzir patins em linha.

O dinheiro em Portugal, claramente, não chega para tudo. Mas chega para o essencial, se houver discernimento, intelecto e tomates para o perceber. O que não chega é a pachorra para tanto gnu a marchar às cegas na fímbria do consumismo.

Dos pintas em manada

Decathlon, Sábado, impossível entrar, impossível sair, muito, muito pintas a mirar skis, halteres, e botas de caça. No país com maior percentagem de iletrados, obesos, e bêbados da Europa. Imensos putos com brinquedos caros e roupa de marca a aprender a fazer merda uns com os outros enquanto os pais exercem o seu direito (inalienável) à lassidão.

Do nojo e prazeres despiciendos

As pessoas entendem que fumar rolinhos de polónio temperados com papel, nicotina, alcatrão e algum tabaco, pagando por cada um quase meio euro e uns meses de pseudo-vida, é um direito superveniente inalienável, quiçá ao nível, perdoem-me mais um arremesso de socioclastia, do aborto ou da paneleiragem exibicionista. Não concordo. É uma estupidez, um abuso e um nojo.

Da milícia latente

Contentor de entulho colocado a um sábado, pela manhãzinha, a rentes milímetros do carro de um amigo, em plena Lisboa, num bairro onde os residentes são multados por deixarem o carro em segunda fila para desembarcar os filhos, enquanto escolas de condução, stands de vendas, obras, cafés, mercearias, e a Seita da Quinta Nau de Hammurabi efectuam cargas, descargas e lavagens à hora que bem entendem, sem qualquer admoestação ou aviso.

Do Sexto Império

Lido em placa: horário, segunda a sexta 10-13 e 14-18, sábados 10-13.

Neste sábado dirigi-me lá. Esclarece-me um vigilante de colete verde-beatle-on-acid que há sábados em que "eles" não aparecem. Mesmo que isso signifique fazer as pessoas deslocarem-se até lá para ficarem a contemplar os intrincados motivos fractais daquelas redes de alumínio.

Talvez noutro dia, noutro país, seguramente.

Do nivelamento por baixo

Dizia uma miúda, "o Xxxx é o melhor aluno da turma, faz as contas todas de cabeça em 10 segundos".

Responde um pai qualquer: "bom, o que importa é fazer bem, não é depressa!" ao que a petizeta, ágil como um gebo faminto, tout d'abbord retorquiu, "pois, ele faz depressa e bem!"

E sai-se o outro gajo: "ah, isso é impossível, isso não há ninguém, ninguém pode fazer isso."

Bottomline, o que A, B ou C nunca viram fazer, é impossível. Tem sido assim desde 1974.

Das cabras hedonistas

Ouvido na SIC:

"Eu tive filhos, mas eses foram desejados, quando não se deseja um filho ele não é um filho, não existe, não é nada."

Portanto fiquei informado sobre este facto científico de real cutting edge: o ser humano faz o colapso da função de onda de Schrodinger: transforma a realidade objectiva naquilo que bem entender. Quando é desejado, é verde. Senão é roxo, mesmo que seja verde apesar da puta da subjectividade, ou da subjectividade da puta.

Do subdesenvolvimento, ou a passividade dos mansos

Sexta-feira, quero ir ver a minha namorada. Como esta se encontra no Parque das Nações - esse cúmulo de novo-riquismo feito para inglês ver ad aeternum - não posso ir de carro. Não há lugares, iria poluir o sagrado ambiente (embora os autocarros o poluam substancialmente mais) e não tenho meios para pagar a exorbitância solicitada por duas horas de parqueamento pago.

Vou até à estação da CP de Benfica e deixo ali o carro.

Informa-me um dos ianomâmis locais que comboios directos para o Oriente, ali, só entre as 07 e as 10, ou então depois das 16:30. Parece que não se justifica, no meio do dia. Tal como perdi meia hora a tentar explicar a um casal de velhinhos suecos, há uns anos, porque é que aquele 21 só ia até ao Marquês, se no papelinho que lhes tinham dado no quiosque dizia claramente 21-Rossio.

Demorei uma hora e meia até chegar ao meu destino.

22.1.07

Paulo Casaca, a Portuguese politician and Member of the European Parliament for Portugal's Socialist Party (Partido Socialista), visiting Camp Ashraf, a Terrorist camp belonging to the Mojahedin-e Khalq of Iran based in Iraq.

Pois é, meus amigos.

Votem.



16.1.07

THE chestnut casts his flambeaux, and the flowers
Stream from the hawthorn on the wind away,
The doors clap to, the pane is blind with showers.
Pass me the can, lad; there's an end of May.

There's one spoilt spring to scant our mortal lot,
One season ruined of your little store.
May will be fine next year as like as not:
But ay, but then we shall be twenty-four.

We for a certainty are not the first
Have sat in taverns while the tempest hurled
Their hopeful plans to emptiness, and cursed
Whatever brute and blackguard made the world.

It is in truth iniquity on high
To cheat our sentenced souls of aught they crave,
And mar the merriment as you and I
Fare on our long fool's-errand to the grave.

Iniquity it is; but pass the can.
My lad, no pair of kings our mothers bore;
Our only portion is the estate of man:
We want the moon, but we shall get no more.

If here to-day the cloud of thunder lours
To-morrow it will hie on far behests;
The flesh will grieve on other bones than ours
Soon, and the soul will mourn in other breasts.

The troubles of our proud and angry dust
Are from eternity, and shall not fail.
Bear them we can, and if we can we must.
Shoulder the sky, my lad, and drink your ale

-A.E. Housman

12.1.07

MARRAKESH
(Sullivan) 1989

They found us in the courtyard at our table in the shade
We toasted our last few moments and then the end came
They took us back to the airstrip in that beaten up old car
And we rattled across the African scrubland in silence
Our hands locked together with cold steel cuffs
Sometimes I wish it was still that way
Now a whole world has died since then, so many faithless days
I was born alone and lucky and I'm just used to it that way
My dice still roll in sixes and yours still turn up ones
And I have taken my good fortune and I've run and run
But I always swore I'd come back for you
Is it too late now to come back for you ?

Now beneath this lonely junction on the northbound M6
We spray our words of signature on the concrete bridge
And between the words of wisdom and the slogans of despair
Someone's just gone and written 'I'm sorry' there
Well I always swore I'd come back for you
Is it too late now to come back for you?
You're the only one I'll ever love

8.1.07

O Dragão que me perdoe (já te linkei, man, já te linkei) mas tenho que reproduzir isto.

O Dogma gay

«As escolas que não manifestem suficiente entusiasmo em eliminar preconceitos contra homossexuais, devem ser denunciadas à polícia por alunos e pais, recomendou ontem um relatório do Ministério do Interior (Home Office).
O mesmo documento apela aos pais e crianças para que identifiquem escolas que ignorem linguagem "homofóbica" no recreio e professores que produzam lições "homofóbicas".
E apela aos directores das escolas para que promovam lições acerca da "homofobia" durante o horário escolar e empenhem os alunos em "semanas de consciencialização" gay.
A recomendação dos funcionários do Ministério de John Reid, chega numa altura de grande preocupação entre as igrejas por causa das novas leis sobre direitos gays, a serem introduzidas na próxima primavera, as quais poderão conduzir ao abandono da moral sexual tradicional nas escolas, forçando-as a incluir em seu lugar, nas aulas, o dogma dos direitos gays.»

Não percam a leitura completa do artigo. É simulteamente hilariante e inquietante. Mas, por outro lado, também nos tranquiliza. Finalmente, começamos a perceber a utilidade das escolas no futuro. Até aqui vinhamos constatando, com alguma perplexidade, que já não serviam para ensinar matérias obsoletas e contraproducentes, como, por exemplo, (no nosso caso) português, matemática, história, ciências, um mínimo de civismo, etc. Pois bem, uma vez extinta essa péssima tradição, devidamente filtrados e saneados os agentes problemáticos, é-nos cada vez mais permitido vislumbrar, com certo grau de clareza, toda a moderníssima engenharia que será implantada em seu lugar: dogmas. Dogmas históricos, políticos, sociais, sexuais, tribais, banais, enfim, toda uma engenharia dogmática. As escolas, louvado seja o Senhor, vão derivar em Neo-Madrassas - madrassas fast, cool, big, pink, western style, bem entendido.
Aleluia! As ciências sociais e humanas vão tornar-se finalmente exactas. Até que enfim. A história com o rigor da matemática! A sociologia com a certeza da aritmética! Os Tribunais entregues a computadores!...

5.1.07

Death, be not proud, though some have called thee
Mighty and dreadful, for thou are not so;
For those whom thou think'st thou dost overthrow
Die not, poor Death, nor yet canst thou kill me.
From rest and sleep, which but thy pictures be,
Much pleasure; then from thee much more must flow,
And soonest our best men with thee do go,
Rest of their bones, and soul's delivery.
Thou'art slave to fate, chance, kings, and desperate men,
And dost with poison, war, and sickness dwell,
And poppy'or charms can make us sleep as well
And better than thy stroke; why swell'st thou then?
One short sleep past, we wake eternally,
And death shall be no more; Death, thou shalt die.

- John Donne