12.02.2007 - 12h09 Lusa, PUBLICO.PT
When I hear music, I fear no danger. I am invulnerable. I see no foe. I am related to the earliest times, and to the latest.
- Henry David Thoreau -
Condensing fact from the vapor of nuance since 2003
12.2.07
PORTUGAL AMORDAÇADO!
12.02.2007 - 12h09 Lusa, PUBLICO.PT

Fónix!
Magnitude 6.0 (Strong)
# Date-Time Monday, February 12, 2007 at 10:35:21 (UTC)
= Coordinated Universal Time
# Monday, February 12, 2007 at 10:35:21 AM
= local time at epicenter
Location 35.843°N, 10.289°W
Depth 10 km (6.2 miles) set by location program
Region AZORES-CAPE ST. VINCENT RIDGE
# Distances 248 km (154 miles) WSW (239°) from Faro, Portugal
# 337 km (210 miles) SSW (198°) from LISBON, Portugal
# 338 km (210 miles) WSW (243°) from Huelva, Spain
Location Uncertainty horizontal +/- 5.2 km (3.2 miles); depth fixed by location program
Parameters Nst=192, Nph=192, Dmin=373.9 km, Rmss=0.81 sec, Gp= 61°,
M-type=moment magnitude (Mw), Version=6
# Source U.S. Geological Survey, National Earthquake Information Center
World Data Center for Seismology, Denver
Event ID us2007ysam
11.2.07
9.2.07

Father come save us from this
Madness we're under
God of Creation are we blind?
Cause some here are slaves
That worship guns that spit thunder
The children that you've made
Have lost their minds
This monster that we call the earth
Is bleeding
Cause the children have been
Left alone too long
This thing that we've made is fat
And feeds on the hate
Of the millions that it's taught to sing
The song
The Headless Children
The screams that fill the night
Fill the night fill the night fill the night
The headless children
The madness steals the light
Steals the light steals the light steals the light
Time bombs in the hands of all the wicked warbabies
Light the fuse of temptation and we all burn
Four horsemen sit high up in the saddle
And waiting and ride the bloody trail of no return
Sleeping in the arms of a nightmare and
Wake to find we've been away too long
This Frankenstein of flesh
Stitched together back from death
And preying on the souls of everyone
The headless children
The screams that fill the night
Fill the night fill the night fill the night
The headless children
The madness steals the light
Steals the light steals the light steals the light
- Lawless / W.A.S.P.
8.2.07

Surrounded by 3,000-5,000 meter peaks, Svaneti is the highest inhabited area in Europe. Four of the 10 highest peaks of the Caucasus are located in the region. The highest mountain in Georgia, Mount Shkhara at 5,201 meters (17,059 feet), is located in Svaneti. Other prominent peaks include Tetnuldi (4,974m./16,319ft.), Shota Rustaveli (4,960m./16,273ft.), Mt. Ushba (4,710m./15,453ft.), and Ailama (4,525m./14,842ft.).
Situated on the southern slopes of the central Greater Caucasus, the province extends over the upper valleys of the Rioni, Enguri and Tskhenistskali. Geographically and historically, the province has been divided into two parts – Zemo Svaneti (i.e., Upper Svaneti; the present day MestiaRaioni) and Kvemo Svaneti (i.e., Lower Svaneti; the present day Lentekhi raioni) – centering on the valleys of the upper reaches of the two rivers Enguri and Cxenis-c’q’ali, respectively. They are distributed between the present-day regions of Samegrelo-Zemo Svaneti and Racha-Lechkhumi and Kvemo Svaneti respectively. Historical Svaneti also included the Kodori Gorge in the adjoining rebel province of Abkhazia, and part of the adjacent river valleys of Kuban and Baksan of Russia.
A esquerda hermética, esse baluarte de tolerância e reduto fortificado dos defensores da liberdade - desde que esta imbua de intocabilidade qualquer indivíduo, organização ou crença minoritária ou obscurantista, pelo simples facto de o serem - vem tomando de assalto, paulatinamente, as mentalidades, os hábitos, as definições, os instintos por enquanto ainda reactivos da populaça.
Desde que começámos a viver em redoma comunal, deixou de ser seguro para um homem livre esboçar comentários que visem reduzir às suas expressões patéticas as formas de ser dos fundamentalistas, sejam eles muçulmanos, pretos, amarelos, roxos, ou de qualquer outra minoria (que rapidamente passará a ser maioria, mas não, desenganem-se que não assistiremos a inversão alguma de atitudes por parte dos campeões da igualdade) e mais ainda, preocupa-me assistir à degradação anestesiada da individualidade dos miúdos, na escola, bombardeados com "assunções de facto" às quais não sabem se hão-de fazer o acto de contrição para chegarem ao 12º em tempo útil, ou de enveredar pelo repúdio granjeando assim mais uns pontos de admiração por parte do colectivo, mas a troco de um futuro ainda menos risonho na via académico-profissional.
É gritante. Tudo acontece e ninguém faz nada, exactamente como antes daquele dia em que uns gajos quaisquer pegaram nuns tanques e mandaram umas bombocas para o ar. Assusta quem ainda une a memória à intuição racional.
Já sabíamos que um branco que apalpa uma preta é racista, ao passo que um preto que apalpa uma branca é um pobre recalcado vítima da descolonização apressada. E que um árabe que bombardeia uma escola é um mártir da causa tolerante, enquanto um italiano que fica sem pernas no Iraque é um cão invasor. O que eu ainda não sabia mas descobri hoje é que um homem que ganhe a razão num debate com uma mulher é decerto um porco chauvinista, mas que uma mulher decidindo sobre uma vida que não lhe pertence, e só por ser mulher, tem de ser tida em conta de ícone libertário.
Está tudo fodido.
"Eu sou contra o aborto e até acho que está ali uma vida humana. Mas não devo impor esta minha opinião aos outros. Tem de haver liberdade para decidir."
(muitas pessoas votarão "sim" no próximo referendo com esta posição - acham que em tema tão decisivo para a vida da mulher deve dar-se liberdade)
Oh senhores. O mais espantoso neste raciocínio é que este é o único campo em que é aplicado. Em todos os outros aspectos sociais ninguém raciocina deste modo.
The woman in blue, shes asking for revenge,
Man in white — thats you — says he has no friends.
The river is swollen up with rusty cans
And the trees are burning in your promised land.
And there are no letters in the mailbox,
And there are no grapes upon the vine,
And there are no chocolates in the boxes anymore,
And there are no diamonds in the mine.Well, you tell me that your lover has a broken limb,
You say youre kind of restless now and its on account of him.
Well, I saw the man in question, it was just the other night,
He was eating up a lady where the lions and christians fight.And there are no letters in the mailbox
And there are no grapes upon the vine,
And there are no chocolates in the boxes anymore,
And there are no diamonds in the mine.(you tell them now)
Ah, there is no comfort in the covens of the witch,
Some very clever doctor went and sterilized the bitch,
And the only man of energy, yes the revolutions pride,
He trained a hundred women just to kill an unborn child.And there are no letters in the mailbox,
Oh no, there are no, no grapes upon your vine,
And there are, there are no chocolates in your boxes anymore,
And there are no diamonds in your mine,
And there are no letters in the mailbox,
And there are no grapes upon the vine,
And there are no chocolates in your boxes anymore,
And there are no diamonds in your mine.
( Leonard Cohen - Diamonds In The Mine)
Recebi hoje na caixa do correio um panfleto do Sim. A origem é desconhecida mas o discurso é amplamente conhecido. O papelucho rezava assim:
"Dia 11 vota SIM, por uma vitória da esquerda. Pela vitória das mulheres operárias e oprimidas. Pela vitória de quem anseia por um direito a dispor do seu próprio corpo.
A vitória do SIM é a garantia de que a revolução de Abril se encontra ainda viva nesta nossa sociedade corrupta e opressiva. Dia 11 diz que SIM ao direito a interromper voluntariamente a gravidez. Dia 11 diz que SIM ao financiamento público da IVG.
Aparece Sexta-feira na Estufa Fria para mostrar que somos mais que muitos."
Depois de uns quantos telefonemas percebo que não sou caso único. Estou cada vez mais convencido do meu Não. Faltam menos de 3 dias.
7.2.07
- Rui Marques, essa figurinha caricata que desempenha funções (?) de Alto Comissário para a Integração e Minorias Étnicas, apela a que se fechem consulados em França e abram consulados nos países de onde nos chegam imigrantes. Muito bem. Os portugueses que se lixem em proveito dos estrangeiros. Gand’a Rui Marques! Quase bate aos pontos o Daniel Oliveira, o homem que quer ver os portugueses substituídos pelos imigrantes.
- Um líder muçulmano, inglês, afirma que a Inglaterra se está a transformar num estado policial e que os muçulmanos estão a ser tratados como os judeus, no tempo de Hitler. Como habitualmente, os muçulmanos cospem no prato de quem lhes dá de comer.
- É pena que o Correio da Manhã não tenha colocado, nesta notícia na Net, um detalhe que colocou na sua edição impressa: a matriarca do tráfico de droga no Bairro da Sé, que residia noutro local e ali se deslocava apenas para vender droga, só o fazia depois das 22h00. Porquê? Ó almas ingénuas, então não sabem que os traumas dos “esquerdalhos” os levaram a limitar a hipótese de buscas policiais em residências suspeitas, entre as 22h00 e as 6h00 da manhã? Qualquer bandido que se preze sabe que pode estar descansado, em casa, durante esse horário. Obrigado, gente de Esquerda!
- Estes amigalhaços estão a comprar lenha para se queimarem. A Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN) vai criar um site para denunciar situações em que ocorram crimes públicos (pedofilia, violência extrema ou xenofobia). Já estou a imaginar os “esquerdalhos” todos a vasculharem a rede e a encherem o site de denúncias contra blogues que não sejam vermelhuscos. Eu, logo que o site seja activado, vou apresentar uma queixa contra o Público. Tem artigos de opinião que são pornográficos…
- “Hanoi Jane”, a norte-americana que se sentou no banco do apontador de uma bateria anti-aérea, utilizada para abater pilotos norte-americanos, está de regresso. Fiel à sua ausência de coluna vertebral, Jane Fonda encontrou mais uma guerra onde pode colocar-se ao lado de quem mata os seus compatriotas. Há gente a quem nem a idade consegue trazer bom-senso.
- Os conselhos aos imigrantes, dados pela municipalidade de uma cidade canadiana, colocaram os cabelos da Esquerda em pé. Compreende-se, porque não há gente mais racista que a de Esquerda, quando toca à questão das mulheres. Por cá, pela Europa, exigem uma igualdade absurda, que vai ao ponto de definir quotas. Mas se a questão disser respeito a gente não-branca, já aceitam tudo, em nome do respeito pela cultura dos outros. Ora, que mal há em avisar os imigrantes que, no Canadá, é proibido apedrejar mulheres até à morte ou desfigurá-las com ácido, como é tradição no Paquistão?
"A revoltante posição de Rothbard lembra-me a de uma militante comunista inglesa que conheci nos longínquos tempos em que o aborto era ilegal no Reino Unido e severamente penalizado. Uma mulher quarentona, ela gabava-se de ter feito quarenta e tal abortos. “Porque gastar dinheiro e esforços em procurar contraceptivos,” argumentava, “quando posso, por rotina, consultar a minha médica (camarada) três em três meses? Afinal, trata-se de livrar-me de uma parasita.” Recordo sempre essa pessoa quando ouço as palavras piedosas de certas portuguesas de esquerda que afirmam despudoradamente que nenhuma mulher encara o aborto de ânimo leve. É falso. As irresponsáveis estão sempre entre nós. E os homens irresponsáveis também. Deixando de lado os argumentos morais do André, e outros apoiantes do "Não" com os quais concordo, mas que serão discutíveis para alguns, o que é de recusar é que o contribuinte seja obrigado a subsidiar a irresponsabilidade."
Muito bem, Patrícia. O exemplo que cita é esclarecedor E REPRESENTATIVO, está à vista para quem quiser vê-lo não podendo ser refutado por juízos de valor, aquém do que é factual. O risco - calculado - de falha na contracepção tem de ser aceite como tal. Não conheço ninguém que, multado por ir a 200, pretenda ser despenalizado com base em dificuldades económicas, sociais, nem muito menos por reivindicar o direito a usar os seus pés para aplicar a pressão que bem entender no acelerador.
Fico com a sensação que o PS foi preguiçoso, deixou-se arrastar pelo estilo festivo e mediático, mas ao mesmo tempo vazio, de uma esquerda mais dogmática, convencido que bastaria acenar com a "tese penal" para que os portugueses corressem atrás do "Sim". Só que, passado o brilho dos foguetes, ficou claro que em Portugal, por aborto, só há mulheres algemadas e presas nos tempos de antena do Bloco de Esquerda, e que a previsão criminal, nos termos em que ela se assume, sendo desajustada, acaba por ser, friso, para boa parte do eleitorado, uma questão menor face às causas do aborto, aquelas que verdadeiramente são fonte de preocupação: a pobreza, a ignorância, as dificuldades que os jovens têm hoje em formar família, a ansiedade e o medo no futuro, o machismo que reprime as mulheres e as condena a soluções que contrariam a sua vontade. Questões para as quais o poder político não foi – nem tem sido – capaz de conjugar respostas.
6.2.07
Carlos Osório, aqui.
5.2.07
"Tenho acompanhado o debate do aborto e os argumentos de ambos os lados. O problema é difícil e mexe com as nossas convicções mais profundas. Com o referendo já este domingo, aqui ficam as três razões essenciais do meu “Não”.
A primeira razão é política. Começo por dizer que simpatizo com o argumento liberal de que o aborto é um assunto da mulher e que, por isso, o Estado não deveria envolver-se na questão. Acontece, porém, que ao contrário de outros temas onde a liberdade individual deve ser soberana, no aborto existe uma outra realidade a que não podemos fugir. Como disse Norberto Bobbio, “No caso do aborto há “outro” no corpo da mulher. O suicida dispõe da sua própria vida. Com o aborto dispõe-se de uma vida alheia”.
Pesando pois os valores fundamentais que estão em causa no problema do aborto voluntário - a liberdade de escolha da mãe e o direito à vida do feto - não posso deixar de optar pelo direito à vida. Amo a liberdade e defendo que o Estado não deve olhar pelo “buraco da fechadura”, mas neste caso a situação é distinta. Não está apenas em causa a “esfera privada” da mulher, pois existe um outro ser que precisa de ser protegido. Bem sei que, de modo geral, a mulher não abortaria por motivos fúteis. Mesmo assim não faz sentido que ela possa decidir sobre a vida do “outro” que leva dentro de si. Isso seria negar o mínimo de dignidade à vida intra-uterina.
A segunda razão é jurídica. Na pergunta do referendo está mais em causa do que uma mera despenalização do aborto, o que já acontece na lei actual em quatro situações (perigo para a vida ou para a saúde da mulher, malformação do feto, doença grave e incurável do feto ou gravidez resultante de violação, art. 142.º C.Penal). Por isso, quem defenda uma posição equilibrada já a pode encontrar na lei actual, não na liberalização do aborto até às dez semanas. Essa alteração obrigaria o Estado a organizar-se para garantir o “aborto a pedido” nos hospitais ou clínicas privadas. Por isso, aqueles muitos daqueles que são contra a penalização das mulheres não aceitarão que o Estado colabore e financie a prática do aborto.
O sistema jurídico deve ser coerente e enviar os sinais correctos para a sociedade (função pedagógica e de prevenção geral da lei). Por isso, apesar de tudo, o aborto deve manter-se como crime. A tendência recente do direito português vai no sentido do agravamento das penas, veja-se o direito rodoviário ou os crimes contra o ambiente. Qual o sentido de ser crime fazer um ‘download’ de uma música ou destruir ovos de cegonha, mas não destruir um feto com dez semanas?
A lei portuguesa permite distinguir o “erro” da pessoa que erra, conciliando firmeza na condenação da conduta, com compreensão para com aquele que a pratica. Só os juízes o podem fazer, tendo em atenção as circunstâncias atenuantes. Desconfio pois da argumentação algo “populista” que coloca em causa a legitimidade dos tribunais para aplicar a lei. Recordo que há mais de 30 anos nenhuma mulher é presa por ter abortado e que a enorme maioria nem sequer chega a ir a tribunal. E não se diga que a lei não é aplicada, esquecendo que a importância da lei está no “dever ser” que impõe à sociedade e não na aplicação de sanções (último recurso).
Note-se, ainda, que esta alteração legislativa não resolveria os “julgamentos” ou o aborto clandestino que, infelizmente, continuaria depois das 10 semanas ou fora dos “estabelecimentos autorizados”. O combate ao aborto clandestino não se faz pela legalização, mas sim apoiando seriamente a mulher grávida dando-lhe outras opções que lhe permitam manter a vida que leva dentro de si.
A terceira razão é existencial, talvez por isso mais fácil de explicar. Vi uma ecografia em três dimensões de um feto às 10 semanas. Foi uma experiência muito forte, onde observei o movimento das mãos e dos braços e ouvi o batimento do coração. Desde esse momento fiquei com a convicção profunda deque ali está “alguém” como eu. Aquele ser pode ser mais ou menos “desejado”, mas é único e irrepetível. Apesar de não ter voz para gritar merece ser protegido.
Depois de ouvir os argumentos do “sim” sobre a humilhação da mulher exposta a ser julgada, tenho de concluir que a maior das “humilhações” seria a do feto a quem não se reconhece a existência e o direito a viver."
Um grupo de pessoas passeia-se perto de um precipício. A certa altura, a pessoa X desiquilibra-se desequilibra-se, cai e agarra-se à pessoa Y de tal forma que fica dependente dessa para sobreviver. Se a pessoa Y resolver conscientemente largar a pessoa X, deverá ser punida criminalmente por isso?
a) Não, porque a pessoa Y não estava consciente que ao passear pelo precipício lhe poderia acontecer aquilo e, além disso, é dona do seu corpo e deve ser livre de fazer o que quiser com ele.
b) Não, mas apenas se a largar até 10 segundos após ter sido agarrada.
c) Sim, excepto no caso em que por agarrar a pessoa X, a vida da pessoa Y fique em perigo.
d) Sim, excepto se a pessoa Y tiver uma deficiência grave ou fôr mesmo muito feia (certamente não valeria a pena viver nesse caso, provavelmente até se suicidou, coitada...)
e) Sim, em todos os casos.

