15.4.07

Até não haver partidos, fantoches ou ilusão.

Que denominador comum pode haver entre o zeitgeist corrente e as reeleições, sistemáticas, de energúmenos e chico-espertos? Quanto a mim, haverá três: o medo; a falta de auto-estima; e o egoísmo. Sendo o segundo consequência do primeiro, e o terceiro consequência do segundo, torna-se claro que, atavicamente, o motor primário (o medo) deriva numa consequência última - a substituição do raciocínio, que devia ser o único crivo das escolhas e das acções, por reflexos de nível inferior traduzidos em comportamentos de negação, reacção histriónica e, ultimately, de matilha.

É por isso que o português visível, médio, o que anda na rua e alimenta os regimes, é um pobre macaco sufocado, condicionado, amedrontado, mas que não sabe sê-lo e, como tal, reage em defesa daquilo que lhe proporciona a mais imediata noção de segurança, conforto e pertença.


"O filho-da-puta é sempre aquilo que os outros filhos-da-puta do momento e do lugar são; é, porque é isso que «convém» ser, e portanto é isso que ele é. O filho-da-puta insere-se sempre no processo em curso qualquer que ele seja, e esse é mais um traço distintivo do filho-da-puta. O filho-da-puta colabora, e está sempre no vento, sempre na maré, sempre na onda. O filho-da-puta é sempre no mais alto grau possível aquilo que «convém» ser no lugar e no momento em que vive.

O grande problema, a grande desorientação, a infelicidade suma do filho-da-puta ocorre naqueles momentos de transição, de incerteza quanto ao rumo dos acontecimentos, naqueles momentos em que a balança está parada por instantes e não se sabe qual o prato de maior peso; é nesses momentos que o filho-da-puta se torce e contorce, na busca desesperada de «parâmetros», dos seus queridos parâmetros, ou simplesmente de uma via, de um rumo, da sua via, do seu rumo de filho-da-puta. É nessas ocasiões sobretudo que ele, o filho-da-puta, se queixa, que aparece em todos os lugares dizendo «isto está mau», e não adiantando mais nada. Sim, para o filho-da-puta nada pior que não saber qual é a preocupação dos outros, não saber enfim o que os outros pensam, o que os outros acham, o que os outros sabem. É por isso que organiza testes, toda a espécie de testes, e programas, toda a espécie de programas, e sondagens, toda a espécie de sondagens, e inquéritos, reuniões de grupo, reciclagens, estágios, exames, modos de através de um ritual de perguntas e respostas tentar apurar dos outros o que os outros normalmente tentam também apurar dele: o que pensam, o que acham, o que sabem da vida uns dos outros. Mas quanto mais normalizadas são as perguntas e as respostas, maior é também a sensação que o filho-da-puta experimenta de nada saber. É por isso que cada vez mais promove órgãos de orienta*ção geral, instrumentos para levar a pensar ou a não pensar, a fazer ou a não fazer, a falar ou a não falar, sempre segundo os mesmos critérios nas mesmas circunstâncias. Serviços técnicos, gabinetes de coordenação, institutos de apoio, centros de divulgação e de documentação, departamentos de planejamento, setores de estatística, gabinetes de gestão, comissões do am*biente, núcleos de inspeção, canais logísticos, serviços de reconhecimento, postos de fomento, institutos de reorganização, delegações de investigação, grupos de trabalho permanente, «workshops», centros de observação, serviços coordenadores de estudos, registros centrais, divisões de fiscalização e comissões de apoio às iniciativas centrais. Por sua vez, estes órgãos são apoiados por outros de mais largo alcance; se, para esse efeito, em certos lugares e épocas utiliza a sua psiquiatria, noutros utiliza a sua inquisição, e noutros serve-se da sua televisão e demais órgãos de qualidade de vida; pode servir-se do seu jornal ou da sua falta de jornal, do seu partido único ou da sua pluralidade de partidos, pode servir-se de prêmios ou de castigos, de gratificações ou de transferências. Isso mesmo. Não há nada que o filho-da-puta não faça e não há nada que não sirva os seus desígnios."

- Alberto Pimenta, Discurso sobre o filho-da-puta, Ed. Codecri, 1983

O que eu adoro esta demonstração

Here is the well known identity that e^(ix) = cos(x) + i.sin(x)

Then let x = pi. cos(pi) = -1, sin(pi) = 0
so e^(i.pi) = cos(pi) + i.sin(pi)
= -1 + 0
and so e^(i.pi) = -1

From this you can also write the FAMOUS FIVE equation connecting the
five most important numbers in mathematics, 0, 1, e, pi, i

e^(i.pi) + 1 = 0

To show the truth of the identity quoted above we let
z = cos(x) + i.sin(x)
Then dz/dx = -sin(x)+i.cos(x)
= i{cos(x)+i.sin(x)}
= i.z

So dz/z = i.dx Now integrate
ln(z) = i.x + const. When x=0, z=1 so const=0
ln(z) = i.x

z = e^(i.x)

So cos(x) + i.sin(x) = e^(i.x)

-Doctor Anthony, The Math Forum.

14.4.07

Como não podia deixar de ser, saudamos a estreia do João Miranda, curiosamente no DN, mas pronto.


A vida humana é quase inviolável

A Constituição da República Portuguesa no seu artigo 24 diz expressamente que "a vida humana é inviolável". Trata-se de uma ideia sensata se pensarmos em questões como a pena de morte ou o infanticídio. No entanto, o artigo 24 poderá revelar-se um empecilho ao avanço da civilização no caso do aborto a pedido da mulher até às dez semanas. É que quando se diz que a vida humana é inviolável pretende-se com isso dizer precisamente que a vida humana é inviolável. Não se pretende dizer que é violável até às dez semanas.

Um feto com menos de dez semanas encontra-se inegavelmente vivo. Aliás, creio que o problema é precisamente esse. É por estar vivo que se coloca a hipótese de aborto por vontade da mulher até às dez semanas. E um feto é humano. Por incrível que possa parecer, tem um genoma idêntico ao de um ser humano adulto. É inegavelmente um Homo sapiens sapiens. Não adianta desconversar, alegando que um feto não tem as características necessárias para que possa ser considerado uma pessoa, porque a Constituição não protege apenas a vida das pessoas, protege a vida humana, mesmo as vidas humanas que não têm consciência ou não sentem dor.

Felizmente, o sr. Presidente da República teve a sensatez de não enviar a nova Lei do Aborto para o Tribunal Constitucional. Tal seria extremamente cruel para os juízes do Tribunal, os quais, para não colocar em causa a vontade popular expressa em referendo, teriam que se contorcer para mostrar que, apesar das aparências em contrário, o feto não está vivo nem é humano.

Mas se calhar não precisariam de chegar a tanto. Como se sabe, o constitucionalismo é bem mais do que uma ciência exacta. É duas ciências exactas, uma de esquerda e outra de direita. É possível encontrar pareceres, escritos por doutos constitucionalistas, irrepreensivelmente sustentados, a defender qualquer ideia, desde que vá de encontro às preferências políticas do seu autor.

Esta tarefa encontra-se facilitada, porque a nossa Constituição é a mais avançada do mundo. Nela está consagrado tudo e o seu contrário. Por isso não devemos subestimar as nuances da ciência constitucional. Um constitucionalista mais astuto pode sempre contornar a questão da vida humana do feto, alegando que a lei do aborto é a melhor forma de manter a vida humana inviolável. Contraditório? Só para mentes pouco sofisticadas. Um constitucionalista astuto argumentaria que, dado que vivemos num mundo imperfeito em que se praticam abortos todos os dias, a melhor forma de preservar a vida humana é através da institucionalização da eliminação do feto, de preferência se a prática não tiver custos para quem aborta, isto é, se for realizada em hospitais públicos e se for subsidiada pelo dinheiro dos contribuintes.

Com vénia à Punctum contra Punctum,

...que escreveu hoje no BraganzaMothers que...



no papel timbrado da Universidade Independente, no rodapé, entre outras informações, constam o endereço (físico e electrónico) e os números de telefone e de fax ( 351 21 836 19 00 e 351 21 836 19 22). Só que,... em 1996, os números de telefone não apresentavam os indicativos 21, 22, 290, mas sim, 01, 02, 090... etc, como aliás, pude confirmar (a alteração só foi feita em 31 de Outubro de 1999).

Um pouco mais à frente, consta ainda, um código postal composto por sete algarismos (1800-255), o que é deveras estranho, uma vez que só em 1998 começa a ser utilizada esta nova forma de indicação.

Conclusão: o certificado parece ter sido emitido, não em 26/08/1996, mas em data posterior a 31 de Outubro de 1999.

O problema ("o maior dos problemas") reside no facto de o Gabinete do primeiro-ministro já ter esclarecido, que a data válida era mesmo a do certificado que se encontra na Câmara da Covilhã.
http://jn.sapo.pt/2007/04/14/nacional/socrates_enganouse_referencias_reito.html

O professor Luís Arouca não era, à data em que comunicou a José Sócrates o plano necessário para concluir a licenciatura, reitor da Universidade Independente (UnI). Ernesto Costa, actual docente do Departamento de Engenharia Informática da Universidade de Coimbra, confirmou ao JN ter sido o primeiro reitor do estabelecimento, de Junho de 1993 a Junho de 1996 (altura em que Sócrates estava a terminar o ano lectivo).


Em toda a informação até agora vinda a público, Luís Arouca, que sucedeu a Ernesto Costa, foi citado como sendo o reitor da instituição quando Sócrates a frequentava. Tal facto foi sublinhado pelo primeiro-ministro na entrevista conjunta à RTP e à Antena 1. Questionado sobre as dúvidas surgidas em relação ao docente que leccionou a disciplina de Inglês Técnico e se este era o reitor Luís Arouca, José Sócrates responde "Quem me deu a cadeira de Inglês Técnico foi o reitor da universidade".

A referência, repetida seguidamente, é justificada pelo gabinete do primeiro-ministro como resultante do facto de Luís Arouca ter desempenhado aquele cargo "durante anos, a partir de 1996". O que importa, acrescenta a mesma fonte do gabinete, é que toda a documentação do aluno é dirigida simplesmente "ao reitor da universidade".

O que falta clarificar é em que qualidade assinou Luís Arouca a carta, datada de 12 de Setembro de 1995, em que comunica ao candidato José Sócrates as quatro cadeiras que a comissão científica da Faculdade de Tecnologias lhe exigia que completasse. Esclarecimento que o gabinete do primeiro-ministro remete para a Universidade Independente, enquanto Arouca se escuda no silêncio. "Estou em blackout sobre esta matéria", disse ao JN.

Ernesto Costa, que será decisivo para esclarecer as dúvidas levantadas, explica que esteve toda a semana numa conferência no estrangeiro. Ao final da tarde de ontem, acabado de regressar, assegurou não ter ainda visionado a entrevista do primeiro-ministro. Daí que, por enquanto, não preste quaisquer declarações. "Neste momento, tudo o que direi é isto era reitor da universidade entre 1993 e Junho de 1996".
Transcrevo um comentário da autoria de alguém que assina, imagine-se, Conde de Abranhos :) A bem da verdade, as dúvidas suscitadas parecem-me, no mínimo, pertinentes.



No 2º Certificado de Habilitações de José Sócrates
cujo original (Timbrado com os dados da Universidade Independente) está na posse da Câmara Municipal da Covilhã, assinado pelo Reitor (Prof. Doutor Luis Arouca) e atestado no Espaço Reservado aos Serviços por "O Chefe de Secretaria" (Ass. irreconhecível) consta "Declaração Nº 601" "Data 96/08/26", como se pode verificar na 1ª Pag.

Surge em Rodapé os contactos da UNI, Morada com o Código Postal 1800-255, Tel.: 351 21 836 19 00 e Fax.: 351 21 836 19 22,etc...

A ANTECIPAÇÃO, OUTRA VEZ...
Como seria possível já nessa data (96/08/26) a UNI usar papel Timbrado com Normas que só viriam a ser adoptadas em 1998 para o Código Postal e em 1999 para os Números de Telefone????

Introdução do Código Postal de 7 Dígitos em 09/10/1998

Introdução do Plano Nacional de Numeração telefónica de 9 Dígitos em 31/10/1999

13.4.07

De concursos, Malato e Sinistras

É natural, sob uma sequência de regimes que têm privilegiado a omnisciência do Estado em detrimento do mais elementar senso comum e do rasgo intelectual do indivíduo, que seja raro alguém acertar numa maioria das questões apresentadas no concurso "Um contra Todos". Não é que sejam difíceis - não o são, e se algum dia lá for, o que direi a JCM será, em tanto rigor quanto possível, aquilo que está escrito no primeiro parágrafo deste post. E a consubstanciar a minha afirmação, recordo um caso que me é caro, de alguém outrora próxima, que embora dotada de extrema acuidade mental e académica, jamais deu um passo no seu percurso que não fosse orientado pelo aparente modus faciendi preconizado pelas instituições, mesmo que tal implicasse atrasar tudo sete ou oito semanas, para depois chegar às instituições e lhe ser dito, por mecanizados funcionários, algo do género "mas porque é que esperou estas sete semanas, podia ter feito logo isto e depois vinha cá carimbar". Grave é quando as pessoas aplicam este mesmo procedimento ao lado socioemocional da vida, e neste país, neste momento, a anestesia imposta já é de tal ordem que são poucos os que não o fazem.
Há muitos anos, numa certa noite de Verão, um carro fazia a grande velocidade a estrada marginal em direcção a Lisboa. Devia ser bonita a viagem porque bonito é o traçado dessa estrada e porque bonitas são todas noites de Verão ao pé do mar. E bonitas, lindíssimas até, eram as ocupantes que, seguindo em automóveis particulares de boa marca em direcção a Cascais, se cruzavam com esse carro oficial. Não é provável que os viajantes – os dos automóveis particulares, por um lado, e os da viatura oficial, por outro – tenham sequer cruzado um olhar nessa noite de Setembro. O mais certo é que apenas o mar e a Lua tenham notado como os sorrisos de quem viajava para Cascais contrastavam com o olhar inquieto dos homens que seguiam no carro de Estado, como então se chamava às viaturas oficiais. E tinham razões para sorrir os primeiros pois dentro de minutos estariam num dos acontecimentos mais extraordinários que até então tivera lugar em Portugal, a festa Patiño. Quanto aos segundos, a cada quilómetro vencido viam confirmados os seus piores receios. A dado momento, um dos passageiros perguntou ao homem que ocupava as suas atenções em que universidade se tinha ele formado. Não sabia. Peguntou-lhe em seguida em que ano se formara. Também não se lembrava. Nesse momento os outros ocupantes do carro de Estado perceberam que o Estado português era chefiado por um incapacitado.

Salazar, porque é dele que se trata, não sabia quem era. Cada vez mais apressada, a viatura segue para o hospital dos Capuchos. Também apressados, os convidados de Antenor Patiño, o rei do estanho, vão chegando a Alcoitão. Uma passadeira vermelha leva-os até àquilo que a imprensa define como um palácio suspenso. Enquanto, ao ritmo frenético dos Pentágono, nas pistas de dança se cruzam Gina Lollobrigida, Maria Félix ou a princesa Margarida da Dinamarca, Salazar, sentado numa cadeira de rodas, é submetido a exames nos velhos hospitais de S. José e dos Capuchos e, por fim, é levado para a Cruz Vermelha. Durante a madrugada, a claustrofóbica nomenclatura do regime é confrontada com a realidade. “O país está sem Presidente do Conselho” repete Gonçalves Rapazote. Perante o vazio de poder, os médicos tomam uma decisão: “Vamos operar o doente do quarto nº 68”. Enquanto, em Benfica, Salazar é operado, em Alcoitão, os convidados mais festivos de Patiño, vêem nascer o dia bebendo taças de chocolate à volta da piscina. A essas mesmas horas a censura atrasa a publicação, pel’O Século, da notícia da hospitalização de Salazar, notícia essa conseguida em primeira mão por um jornalista daquele periódico que se encontrava no hospital de S. José quando Salazar ali chegara vindo do Estoril. Será a Emissora Nacional quem anuncia o sucedido aos portugueses através da leitura dum oficiosíssimo boletim médico.
Quase quarenta anos depois alguns dos elementos deste drama teimam em voltar à cena: um chefe de governo que perde a capacidade de liderança; uma nomenclatura que não sabe viver sem chefe, até porque o chefe gostava de o ser e não autorizava outros protagonismos; élites económicas desdenhando do poder político que as alimentou assim que percebem que este está descredibilizado; um país que não distingue autoritarismo do exercício do poder e por isso fez e faz do princípio do mal menor o seu critério para entronizar os líderes. E como metáfora de tudo isso, vagueando em São Bento, alguém que acredita ser primeiro-ministro. E na rua um povo que mais do que acreditar em quem o governa, precisa de acreditar que tem governo.

- Helena Matos
(PÚBLICO, 12 de Abril)

12.4.07

http://www.wienerzeitung.at/Desk...=wzo& cob=279357

Hat Portugals Premier Diplom gefälscht?

Lissabon. Vorwürfe, sein Hochschulabschluss sei gefälscht, bringen den sozialistischen portugiesische Ministerpräsident José Socrates in Bedrängnis. Seriöse Zeitungen wie "Publico" oder "Expresso" berichten in diesem Zusammenhang von "Unregelmäßigkeiten". Socrates, der Bauingenieurwesen studiert hat, habe laut Unterlagen der privaten Universidade Independente an einem Tag bei demselben Professor gleich mehrere Abschlussprüfungen abgelegt. Außerdem würden auf Studienunterlagen die Unterschrift des Dozenten oder das Siegel der Universität fehlen.
Socrates selbst sagt in einem Interview, die Vorwürfe seien "Teil einer böswilligen Kampagne", um seinen Ruf zu schädigen und seine Regierung zu schwächen.

Donnerstag, 12. April 2007
A ditadura dos inspectores

João César das Neves



O nosso tempo é desconfiado. Um dos traços de carácter mais influentes e ocultos da nossa era é a suspeita latente dos cidadãos. Ao mesmo tempo, porém, a nossa sociedade céptica tem uma fé ingénua na lei. O resultado desta insólita combinação é que a vida hoje é regida, estatuída e restringida de uma forma que não tem paralelo em qualquer outro tempo e lugar.

Existem regulamentos, decretos, portarias para todos os temas e assuntos. De vez em quando os jornais denunciam indignadamente a falta de regulamentação de uma qualquer actividade, manifestando assim esta patética exigência: os detalhes mais ínfimos da nossa vida têm de estar sujeitos ao minucioso controlo da legislação.

Para que essas cláusulas sejam cumpridas existe um enorme exército de fiscais, inspectores e vigilantes que, em variados sectores, se dedicam a acompanhar, denunciar e punir a violação dos tais regulamentos.

Tudo isto é feito, obviamente, em nome de princípios elevados: a saúde pública, qualidade alimentar, educação responsável, segurança nas estradas, combate ao crime, eliminação da corrupção, defesa do ambiente e mil outros objectivos louváveis.

Mas o Estado democrático suporta aí um poder mais totalitário e minucioso que as piores ditaduras.

O problema é que a lei é um instrumento grosseiro e brutal. Ela não consegue, de facto, substituir a adesão livre, a cooperação social, a honorabilidade pessoal. Assim, as leis têm muita dificuldade em promover os objectivos proclamados nos seus articulados.

Quando chega um inspector a uma escola, não lhe interessa se os alunos são bem ensinados ou se aquela é uma comunidade educativa saudável e funcional. Ele tem é de medir as janelas, contar as sanitas, calcular os metros quadrados por criança. Se algum dos miríades de indicadores prescritos estiver fora do nível fixado pela lei da Nação, a escola é multada, obrigada a obras incomportáveis ou até fechada. Que os principais prejudicados por isso sejam os alunos é absolutamente irrelevante para os fiscais.

Uma visita de inspecção a um restaurante ou loja alimentar não se ocupa da qualidade da comida ou da satisfação dos clientes. Tem é de registar os prazos nominais dos alimentos, observar as condições de exaustão de fumos, exterminar galheteiros, colheres de pau e outros instrumentos nocivos. Normalmente, a presença da Inspecção implica a destruição de toneladas de comida em excelentes condições, cometendo os fiscais um desperdício muito mais criminoso do que os que tentam evitar. Entretanto, os comerciantes são multados ou até presos, não por venderem produtos avariados, mas por terem nas instalações "condições de embalagem e refrigeração desadequadas".

Naturalmente que os casos de sucesso atraem mais as fiscalizações. Uma empresa lucrativa, uma escola procurada, um festival gastronómico são presas apetecidas. E há sempre algum parágrafo por cumprir, o que alegra o estéril fiscal, satisfeito por revelar a fútil aparência do tal sucesso. Toda a criatividade, inovação, originalidade é contra os regulamentos. Só a mediocridade apática passa na inspecção.

Já a Antiguidade dizia que a lei tem de ser aplicada com equidade. Esta virtude resume o bom senso do juiz na análise das circunstâncias concretas do caso. Quem viole a letra da lei com razões poderosas, justificáveis e até legítimas, deve ser absolvido. Mas como se pode exigir esta elevação a uma multidão de inspectores, em múltiplas visitas diárias? Aliás, mesmo que um fiscal seja sensato e compreenda as razões do incumprimento, o mais provável é que venha a ser denunciado como negligente ou corrupto por um colega zeloso. Os regulamentos são sagrados. A severidade, mesmo injusta e destruidora, é o sinal que consola a sociedade nos seus propósitos elevados.

Devido à obsessão moderna pela saúde, educação, ambiente e outras abstracções, e sobretudo à enorme desconfiança em que vivemos, os inspectores têm uma autoridade que nenhuma outra classe possui. Eles são, ao mesmo tempo, detectives, acusadores, juízes e executores. Quanto mais elevado é o valor em causa, mais graves os efeitos. Hoje é concedido a funcionários o poder supremo de tirar filhos a seus pais.

Os poderes regulamentar e inspectivo são muito mais eficazes que os poderes legislativo e judicial. Exagerados, ficam asfixiantes. A sociedade que substitui a confiança nos cidadãos pela letra da lei acaba na ditadura, por mais elevados que sejam os seus propósitos.

4 sobre 1

(fonte: Público, via http://contra-a-corrente.blogspot.com/2007/04/4-sobre-1.html)

Vasco Pulido Valente
"O sr. primeiro-ministro negou ontem na televisão, indignadamente, que fosse "um especialista em relações públicas". Temos de o acreditar. Mas não há dúvida que ontem na televisão o sr. primeiro-ministro até pareceu "um especialista em relações públicas". Para começar, arrumou com brandura o caso da sua carreira académica, que afinal não é um caso. A Universidade Independente mandou e ele cumpriu. Quanto à burocracia, não sabe, nem se interessa. Quanto ao dr. António José Morais, que lhe "deu" quatro cadeiras, não o conhecia antes. Quanto ao resto, toda a sua vida de estudante só revela "nobreza de carácter", vontade de "melhorar" e de se "enriquecer" (intelectualmente). Um exemplo que ele, aliás, recomenda aos portugueses. Ponto final.
A minha ignorância não me permite contestar explicações tão, por assim dizer, "transparentes". Claro que nunca ouvi falar de um professor que "desse" quatro cadeiras no mesmo ano ao mesmo aluno, nem num reitor que ensinasse "inglês técnico", nem num conselho científico que fabricasse um "plano de estudos" para "acabar" uma licenciatura. Falha minha, com certeza. Se calhar, agora estas coisas são normais.
O sr. primeiro-ministro também declarou que ele e o seu gabinete não telefonam a jornalistas com a intenção malévola de os "pressionar". Pelo contrário, só os querem esclarecer. Ficamos cientes.
Fora isto, Sócrates demonstrou facilmente que o governo é óptimo e que ele é determinado, decidido, inabalável, responsável e bom. Portugal inteiro está, como lhe compete, agradecido."

António Barreto
"Simplesmente patético! Um primeiro-ministro a defender-se como um arguido! Um primeiro-ministro a considerar insinuações as mais legítimas dúvidas da imprensa e da opinião pública!
Um primeiro-ministro que acha normal que um deputado, ministro depois, se matricule em curso superior e obtenha diploma académico de recurso (feito em três universidades diferentes), ainda por cima em estabelecimento não reconhecido pela respectiva Ordem profissional!
Um primeiro-ministro que não percebe que um deputado e um membro do governo não têm os mesmos direitos, ou antes, as mesmas faculdades que os outros cidadãos e não podem nem devem apresentar-se como candidatos a cursos pós-laborais que lhe confiram estatuto académico a que aspiram!
Um primeiro-ministro que considera normal e desculpável que os seus documentos oficiais curriculares sejam corrigidos e alterados ao gosto das revelações públicas!
Era tão melhor julgar os políticos por razões políticas e não por motivos pessoais ou de carácter! São, infeliz e necessariamente, sinais dos tempos. Dinheiro, sexo, cultura, vida familiar, gosto e carácter transformaram-se em critérios de avaliação. O facto, gostemos ou não, faz parte das regras do jogo.
Com a política totalmente centrada na personalidade do líder, é natural que a totalidade da personalidade seja motivo de interesse e escrutínio. A ponto de, infelizmente, superar os fundamentos e os resultados da acção política. Sócrates está a pagar os custos desta nova tendência. E a verdade é que ele não soube, não quis ou não pôde matar o abcesso à nascença. O facto de o não ter feito avolumou o episódio. Ter dado à imprensa e à opinião pública espaço e tempo para deslindar o confuso mistério dos seus diplomas foi um erro fatal. Ter tentado exercer pressões sobre a imprensa e os jornalistas foi igualmente uma imperícia infantil. Ter a necessidade de mostrar diplomas na televisão revela uma situação em que a palavra já vale pouco e a confiança se esvai. Ter tentado justificar o facto de se matricular, como "humilde deputado", e de se graduar, como ministro, é inútil. Mas revela uma crença perigosa: a de que acha natural e legítimo que um deputado e um membro do governo possam fazer tudo isso!
É possível que este homem seja Primeiro-ministro mais dois anos ou até que consiga ser reeleito. Mas uma coisa é certa: a confiança está ferida. Ora, enquanto a utilidade pública vai e vem, a confiança, quando quebra, não tem cura. As feridas de carácter não cicatrizam."

Miguel Gaspar
"O único momento verdadeiramente surpreendente da entrevista do primeiro-ministro à RTP foi quando explicou que escreve o pronome seu no fim das cartas, para ser como o inglês yours. Isso e a ideia de que, afinal, o substantivo engenheiro não designa uma competência mas sim um rótulo social, definiram uma entrevista que valeu pelo que não se viu. Desde logo não se viu o balanço dos dois anos do Governo, que era a justificação da entrevista. Ora, gastou-se mais tempo com a Independente. A entrevista ou era uma coisa ou era outra. As duas, não podia ser. O dois-em-um não podia dar certo. José Alberto Carvalho conseguiu o tom certo numa conversa que o entrevistado queria de bom tom. Esforçou-se e tinha sem pre uma pergunta engatilhada. Nomeadamente no dossiê Independente. Maria Flor Pedroso, que é da rádio, estava a jogar fora e deixou-se ficar num papel mais apagado. Ganhou a noite, o primeiro-ministro? Pareceu-me que sim. E como, nestas coisas de televisão, o que importa é parecer, se pareceu, deve ter sido. A entrevista foi um bom sintoma daquilo a que está reduzida a política portuguesa: um aeroporto que ainda não existe e uma coisa que não se sabe se alguma vez foi uma universidade. Onde estão a ideologia, a Europa, as questões sociais? Nada. Sócrates gosta de passar a imagem do homem de acção que fala pouco. O problema é não ter obra para mostrar. Pouco mais pode fazer do que imitar o treinador do Benfica: prometer a Lua, iludir as derrotas e prometer a taça no ano que vem. Mas os eleitores sabem que é a fingir."

Pedro Mexia
"O debate começou bem e foi ficando progressivamente mais complicado, a partir mais ou menos dos 20 minutos. Porque um debate que normalmente seria sobre o estado da Nação a meio de um mandato do Governo, acabou por ser sobre o currículo académico do primeiro-ministro.
José Sócrates começou bem, tentando mostrar algum sentido de Estado ao querer separar o seu caso do da Independente. Foi habilidoso. O seu caso exigia, porém, prova documental, e talvez uma entrevista numa televisão não fosse a melhor maneira de a produzir. Conseguiu desmontar bem o alegado caso de assassínio de carácter, mas acabou por se atrapalhar nos pormenores. Ficou muito emperrado na questão emenda dos documentos da Assembleia da República, bem como nas notas lançadas pela Independente a um domingo. As questões de facto foram remetidas para casos de secretaria.
José Sócrates quis ainda reconhecer que existem diferenças entre dar explicações aos jornalistas e fazer pressões e foi cínico sobre a OPA. Ninguém acredita que o Governo não tivesse dado indicações à Caixa Geral de Depósitos. Foi de uma candura que soou a cinismo.
Foi interessante nesta entrevista a palavra blogosfera ter entrado na discussão política."
http://cachimbodemagritte.blogspot.com/2007/04/e-ao-vigsimo-dia-ressuscitou-dizem.html

Onde Sócrates falhou, inevitavelmente, foi na explicação dos comezinhos factos só a ele atribuíveis. Por exemplo, a já célebre biografia oficial de deputado em que aparece como licenciado em Engenharia quando era apenas bacharel, em 1993, mais tarde corrigida. Sócrates protestou que não se lembra e que terá corrigido para que não houvesse qualquer erro. Ficam-lhe bem tais sentimentos, mas Maria Flor Pedroso pôs os pontos nos iis com a frase mais assassina da noite: "é estranho que alguém se engane na profissão". O estatelanço do Primeiro-Ministro português deve ter-se ouvido na Índia e na China, para já não falar da Ota.
http://mario-rodrigues.blogspot.com:

Dentro de poucos dias, todos seremos democraticamente chamados a decidir sobre os destinos de Portugal. Para uma decisão consciente e informada, convirá que, para além das afinidades partidárias ou das simpatias pessoais e da apreciação dos programas de governo de cada um dos partidos, atendamos ao currículo dos seus dirigentes.

Limitemos a observação à vida e obra dos dois principais candidatos: José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa e Pedro Santana Lopes. Leia-se, para o efeito, o que cada um deles disponibiliza na página oficial do seu partido na Internet.

José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, nasceu em «Vilar de Maçada, concelho de Alijó, Distrito de Vila Real, em 06.09.1957». Sobre a família nada diz, se é casado, solteiro ou divorciado e se tem filhos e quantos. Pedro Santana Lopes diz-nos que «nasceu em Lisboa, a 29 de Junho de 1956, e é pai de 5 filhos».

Quanto a habilitações académicas, José Sócrates é «licenciado em Engenharia Civil» e «concluiu depois uma pós-graduação em Engenharia Sanitária, na Escola Nacional de Saúde Pública». Não sabemos com que classificações. Santana Lopes diz-nos que «em 1978 termina o curso de Direito da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, com média de 15 valores».

No que concerne à actividade profissional, José Sócrates nada nos diz. Na página da Assembleia da República apresenta-se como Engenheiro Civil, mas ficamos sem saber se alguma vez, onde e como exerceu tal profissão. Santana Lopes diz-nos ser «investigador do Instituto de Direito Europeu e do Instituto para a Investigação da Ciência Política e Questões Europeias da Universidade de Colónia; advogado e assistente universitário na Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa, na Universidade Moderna e na Universidade Lusíada; Presidente do Conselho Fiscal do Totta Leasing; Presidente do Conselho de Administração do Instituto de Estudos Políticos; assistente do Departamento de Direito da Universidade Lusíada».

Relativamente a obras publicadas, nenhum dos dois candidatos nos diz nada. Pesquisando na base de dados da Biblioteca Nacional, encontramos cinco obras da autoria de Santana Lopes: “Os sistemas de Governo Mistos e o Actual Sistema Português”, “Portugal e a Europa: que futuro?”, “Causas de Cultura”, “PPD-PSD: a Dependência do Carisma”, “Sistema de Governo e Sistema Partidário”, este último em co-autoria com Durão Barroso. Quanto a José Sócrates, em vão foram todas as buscas para encontrar um só livro ou opúsculo que fosse da sua lavra.

No que respeita à actividade política, José Sócrates informa-nos que «pouco depois do 25 de Abril, com 16 anos, ingressou na JSD, saindo em ruptura logo no ano seguinte, de 1975». Depois disso, foi «militante do Partido Socialista desde 1981, Presidente da Federação Distrital de Castelo Branco entre 1986 e 1995», membro do Secretariado Nacional do Partido Socialista desde 1991», Porta-voz do PS para a área do Ambiente nesse ano, «Deputado à Assembleia da República desde 1987, pelo círculo de Castelo Branco», a cujo cargo regressou em Abril de 2002. Foi, finalmente, eleito «Secretário Geral do Partido Socialista em Setembro de 2004». Santana Lopes apresenta-se como «militante do Partido Social Democrata desde Outubro de 1976, Adjunto do Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro do IV Governo Constitucional (1978/1979), Assessor Jurídico do Gabinete do Primeiro-Ministro do VI Governo Constitucional (1980/1981), Presidente da Comissão Política Distrital da Área Metropolitana de Lisboa (1981/1985), Deputado à Assembleia da República (1980, 1983, 1985, 1987 e 1991), Deputado ao Parlamento Europeu (1987/1989), Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz (1998/2001), Presidente da Câmara Municipal de Lisboa (2002/2004), Presidente da Mesa da Assembleia Geral dos Autarcas Sociais-Democratas, Presidente do Conselho da Região Centro, Presidente da Mesa do Congresso e do Conselho Geral da Associação Nacional dos Municípios Portugueses, Presidente da União das Cidades Capitais Luso-Afro-Américo-Asiáticas (2002/2004), Vice-Presidente da UCCI para a Península Ibérica, Vice-Presidente da Mesa do Comité das Regiões, Vice-presidente do Comité Executivo do Fórum Europeu de Segurança Urbana (2002/2004), Presidente do Partido Social Democrata (2004)».

Quanto a condecorações, José Sócrates, porque não as tenha ou por modéstia, nada nos diz. Santana Lopes informa terem-lhe sido atribuídas a Grã-Cruz da Ordem de Mérito da Hungria, a Grã-Cruz da Ordem do Cruzeiro do Sul, do Brasil, a Grã-Cruz da Ordem do Rio Branco, do Brasil e a Grã-Cruz da Espanha.

Finalmente vêm as funções governamentais. José Sócrates foi Secretário de Estado Adjunto do Ministro do Ambiente no XIII Governo Constitucional, entre 1995 e 1997; Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro no XIII Governo Constitucional, entre 1997 e 1999; Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território no XIV Governo Constitucional, entre Outubro de 1999 e Abril de 2002. Santana Lopes foi Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros do X Governo Constitucional, entre 1985 e 1987; Secretário de Estado da Cultura do XI Governo Constitucional, de 1990 a 1991; Secretário de Estado da Cultura do XII Governo Constitucional, de 1991 a 1994; e Primeiro-Ministro do XVI Governo Constitucional, desde 17/07/2004.

Por uma questão de objectividade e de imparcialidade não dizemos mais nada: nem tecemos comentários, nem suscitamos interrogações. Cada um dos currículos fala por si.


posted by Mário Rodrigues @ Quarta-feira, Fevereiro 02, 2005
...e fico contente em saber que há quem se dê ao trabalho de ler A Caverna a partir de telemóveis e PDA's, ah isso fico.
"Funes, el memorioso" escreveu hoje no seu blog:

"Ouço as explicações: erros de secretaria, falhas burocráticas, formas normais e comuns de tratamento pessoal e de conclusão de cartas, esquecimentos…
Nada que não possa, de facto, acontecer.
O problema não está, contudo, nestes erros e lapsos poderem ocorrer. Está em terem ocorrido todos simultaneamente.
Levado por esta hipótese, dedico-me a um pequeno exercício de probabilidades. Pego em meia dúzia de factos do caso Sócrates, sem qualquer preocupação de exaustão, e questiono-me:
1- Qual a probabilidade de José Sócrates se intitular engenheiro e deixar que o tratassem por engenheiro, quando consabidamente o não era?
Sejamos honestos. É muito elevada. Quase todos os engenheiros técnicos que conheço o fazem. Ponhamos, por isso, 99% (0,99).
2- Qual a probabilidade de um aluno de uma universidade, inscrito em cinco cadeiras, ter o mesmo professor em quatro?
Não conheço nenhum caso, não conheço ninguém que conheça, mas admito, generosamente, 5% (0,05).
3- Qual a probabilidade de um aluno ter como professor o reitor da universidade?
Tanto quanto sei, os reitores não costumam dar aulas. Admito, no entanto, que na “Independente”, o reitor tenha dado umas aulas. Não muitas, naturalmente, mas concedamos, por absurdo, que as deu a quase toda a gente e estabeleçamos 80% (0,8).
4- Qual a probabilidade de, por esquecimento, o registo de uma disciplina (o inglês técnico, no caso de Sócrates), ter ficado omissa no plano de estudo que um aluno deve frequentar?
Esta é mesmo muito pequena, mas admitamos 10% (0,1).
5- Qual a probabilidade de, por lapso, um diploma indicar um domingo como data de conclusão de um curso?
Concedamos, a brincar aos exageros, que na “Independente” as datas de conclusão dos cursos são aleatoriamente atribuídas a qualquer dia da semana. Então a probabilidade de calhar o domingo é de 1/7, 14,3% (0,143), arredondando por excesso.
6- Qual a probabilidade de um dossier de transferência de um aluno ser concluído (como, se diz que foi o de Sócrates) muitos meses depois do termo do respectivo prazo legal?
João Redondo, da Associação do Ensino Superior Privado, responde que nenhuma. Faz sentido, porque é uma ilegalidade. Mas às vezes, sem culpa do aluno, as ilegalidades cometem-se. Num país como o nosso, podem acontecer com alguma frequência, mesmo sem estarmos diante de uma hipótese de corrupção. Com o aluno de perfeita e integral boa fé. Fixemos então a probabilidade de isto acontecer por puro desleixo em 1% (0,01).
7- Qual a probabilidade de um deputado corrigir a ficha dos seus dados pessoais na Assembleia da República?
Esta é fácil de verificar. Basta consultar os registos respectivos. Admitamos, até que essa análise seja feita, que isso acontece em cada legislatura a 16 deputados. Considerando, por defeito, um universo de 200 deputados, temos 8% (0,08).
8- Qual a probabilidade de alguém, dirigindo-se em tons formais a um desconhecido, terminar com a expressão “do seu”?
Bem, eu tenho uma profissão em que passo a vida a escrever e a receber faxes e cartas. Nunca escrevi nem ninguém me escreveu “do seu”. Mas noutros meios, mais influenciados pela cultura inglesa, admito que possa acontecer. Demos uma probabilidade de 20% (0,2).

Podíamos continuar, mas não vale a pena. Temos uma série de factos lamentáveis que, embora relativamente improváveis, aconteceram na realidade com José Sócrates. Façamos agora a pergunta fundamental: e qual é a probabilidade de estes factos terem ocorrido todos, como José Sócrates diz que desgraçadamente lhe aconteceram?
Sendo factos todos independentes uns dos outros, o cálculo de tal probabilidade obtém-se pela multiplicação da probabilidade de cada um.
Faço as contas e, se as faço bem, obtenho uma probabilidade de menos de 1 para 10.000.000.
José Sócrates é o mais azarado dos portugueses.

Creio que José Sócrates de saiu relativamente bem da entrevista de ontem e que, por ora, o risco de o seu governo cair é diminuto.
A sua credibilidade tende fortemente para zero.
Isso vai ter consequências políticas.
"
O que significa para os portugueses a liberdade (um testemunho pessoal tirado em duas horas de passeio por um concelho apenas):

- ir a 120 numa estrada secundária colado à traseira do carro da frente, a fumar, de boné e brincos, a rir para o pendura, e a gesticular para o dito condutor da frente para que "ande ou saia" (em portugal deve ser uma forma de regozijo, ter um ar nojento, não formar dois raciocínios conexos, e andar na estrada a matar gente que não tem culpa de nada)

- dar um pontapé e fazer má cara ao namorado (marido?) por este dizer a dois turistas que é preciso ter cuidado naquela rua porque costuma haver assaltos (em portugal não deve haver assaltos, deve ser um país paradisíaco, e mesmo que não seja, é preciso que não se saiba)

- poder pagar rios de dinheiro para que um néscio qualquer, habilitado por outra série de néscios, passe um papel que não serve para nada (em portugal é visível a evolução, o progresso, porque é um país que funciona bem, oleado, a(os) papéis)

E poderia continuar mas estou farto, fartinho, de gente estúpida e que gosta de ser controlada sem saber que o é, a troco da LIBERDADE de ser eternamente xunga, é preciso que se diga, xunga.
Tratemos, pois, de reproduzir alguns dos comentários de hoje no blogue Do Portugal Profundo, para cuja importância aponto, dado que também eu, ao sair hoje à rua, me deparei com um cenário torpe, pejado de tibieza, em que toda a gente parecia contente por viver novamente sob a canga da Ditadura.

- Certificado de Habilitações - Entregou-o, conforme confirmou, em Junho/Julho de 1996, tendo-se inscrito em 1995. Só aqui já houve favorecimento! Se eu chegar a uma escola qualquer e disser: "Eu tenho o 11º ano, quero inscrever-me" todas as funcionárias se riem! E com razão! é a mim que cabe o ónus da prova em relação ás minhas habilitações.

- Professor(es) - Teve uma turma especial para ter Inglês Técnico com o Reitor, que era uma cadeira do 1º ano, leccionada por outro professor. Não é favorecimento? Teve as restantes cadeiras (4) com outro professor, que lhe deu dois 17 e dois 18, e que era seu colega no governo guterres e mais tarde fez parte do seu governo. Estranho? Não é nada...

- Conhecimentos - Afirmou claramente que não conhecia o professor em questão antes deste lhe dar aulas, mas este havia sido seu docente tambem no ISEL. Não o conhecia anos depois quendo o nomeou, através do seu ministro, para director das finanças do ministério da Justiça (grande Engenharia). Este senhor viria mais tarde a demitir-se devido a um escândalo convenientemente abafado de ter nomeado uma senhora brasileira que era criada de mesa para chefe do seu gabinete. Caricato.

- Equivalências - Pediu 25 e obteve 26. Espectáculo. Mas melhor ainda é que faltavam 12 disciplinas e passaram a faltar 5! Mais espectáculo ainda! E deram-lhe as equivalências sem certificado de habilitações entregue, como ele próprio admitiu e achou "normal" com um papel que ele entregou ao reitor Arouca, com o plano de equivalências que ele (Sócrates) achava correcto...

- Titulos - Isto é o menos importante. Se usou do titulo de Engenheiro ou não, é irrelevante. Como ele diz, é um titulo "social". Mas trabalhou em Castelo Branco ou na Covilhã entre 1981/82 até 1987, como engenheiro. Isto é um bocadinho mais grava.

- Falsificação de documentos - Na inscrição da Assembleia, nota-se claramente 2 acrescentos: Na profissão, de "engenheiro civil" para "técnico de engenheiro civil" e nas qualificações, de "Engenharia Civil" para "bach engenharia civil". Diz ele que aquilo foi correcção feita na hora. E porque não foi destruida a que estava errada?

Para já é do que me lembro. As pessoas que o defendem incluem-se, para mim, num ou mais de 3 grupos:

- Não funcionários publicos que têm inveja daqueles que o são. Eu não sou mas tambem não tenho inveja. Desde que tenha trabalho... coisa que mais de meio milhão de portugueses não tem... E adoram que este esteja a cascar nos FP.

- Boys que gostam muito da maneira como o sistema funciona.

- Pessoas que ainda não estão informadas, porque não entendem não querem entender ou ainda que confundem toda esta polémica com o facto de estarmos preocupados com o facto do homem ser ou não Engenheiro.


Os antecedentes elucidam muito sobre a ausência completa de valores deste personagem . Não fiquei admirado com as marcas "civilizacionais" que refuta ter o seu governo deixado para a posteridade: aborto, inseminação e paridade.
Cada uma destas marcas tem que se lhe diga e não vale a pena escamotear a coisa. Se o aborto é um último recurso de um descuido não vejo como pode ser apodado de marca civilizacional; a inseminação insere-se, obviamente, num campo lodoso e confunde-se muito ou leva à eugenia finalmente a paridade é a consagração na lei da "desigualdade entre os sexos e contraria o preceito constitucional de garantia de ninguém ser prejudicado ou favorecida em resultado do seu sexo.
Que marcas civilizacionais!!!



O investimento estrangeiro está a abandonar Portugal, cresce o número de desempregados, aumentam os impostos, as pessoas já não têm dinheiro para as compras do mês , há miséria encoberta, é uma vergonha irem para a televisão dizer que estamos melhor quando toda a gente vê que estamos muito pior que há dois anos.
Ele não serve para 1º ministro de Portugal é um ditador em potência se não correrem depressa com ele vamos ter uma ditadura, desde o 25 de Abril que não se via nada assim em Portugal.


1 - É surrealista que uma Universidade, seja ela privada ou pública, aceite a inscrição de um aluno vindo de uma outra Universidade ou Instituto Público, concedendo-lhe equivalência a uma série de cadeiras, com base nas declarações feitas pelo próprio vertidas para um papel A4.
Mas será que alguém de boa-fé acredita que uma Universidade aceita uma inscrição com base em tais declarações??

2 - Por outro lado, José Socrates cometeu algumas, não muitas (até porque os entrevistadores não foram nem incisivos nem demonstraram estar exaustivamente preparados nem conhecedores de uma série de questões que têm vindo aqui a ser colocadas), contradições; uma delas é afirmar que foi para a UNI pelo prestígio que a mesma patenteava no curso que era o seu.
É que sabendo-se que a UNI só tinha o curso de Engenharia Civil há dois anos, como é possível formular e defender tal apreciação??
Obviamente que aqui José Socrates não disse a verdade.

3 - Acresce que, José Socrates afirmou ainda desconhecer, até então, o seu professor de 4 cadeiras de seu nome António José Morais.
Ora, pese embora não consigo factualmente, como se impõe, desmontar tal asseveração, não deixo de registar as minhas sérias dúvidas quanto à veracidade de tal afirmação.
No entanto, e face ao que POSTERIORMENTE foi aqui avançado por António Balbino Caldeira, resulta claro que José Socrates MENTIU, pois que não há ninguém, e aqui sublinho, ninguém, que não se lembre de um seu professor de Faculdade. Pode até suceder que não se lembre do seu nome, mas da figura não se esquece de cereteza.

4 - Para além disso, penso que José Socrates colcocou-se numa posição perigosa quando afirmou que não conhecia os seus dois professores da Uni até ter lá frequentado o resto do seu curso, na medida em que facilmente, como já aqui sucedeu, tal pode ser desmontado, e aí, não há tese possível que possa salvar a sua mentira.

5 - Considero muito suspeito que José Socrates tenha referido que o fax enviado ao reitor data de Novembro de 1996 e que o "desconsolo" a que aludia reportava-se ao facto de existirem dois diplomas legais que o impossibilitavam de aceitar o convite do reitor para que o dito pudesse lá dar aulas.
Muito suspeito mesmo, por duas razões:
1.A data está cortada no fax. Porque razão?
2. A tal incompatibilidade não existia à data.

6. Não sei se alguém se apercebeu que, quando José Alberto Carvalho lhe perguntou se ele tinha feito os exames em Agosto, José Socrates respondeu: Não, Não,fiz muito antes.
Ora, esta resposta foi de tal forma estranha que até José Socrates ficou nervoso com a sua própria resposta, pois abriu porta a que o jornalista lhe perguntasse: Quando é que os fez então?
Muito antes? No máximo teria feito em Junho. Mas isto já faz parte de uma das minhas percepções subjectivas.

7. O caso das biografias da Assembleia da República foram tão mal explicadas, mas tão mal, que é consensual entre todos os que se pronunciaram acerca da dita entrevista, que esse foi o pior ponto de José Socrates.
Eu diria que o foi porque deu para perceber, e haja coragem para o afirmar, que o Senhor estava a mentir a este respeito.

8. Estranho que ninguém tenha ainda apurado qual era a remuneração que José Socrates auferia na CM Covilhã entre 1982 e 1987, e qual a categoria profissional pelo qual o fazia; seria Engenheiro Técnico ou Engenheiro Civil?


Bom dia.
Assisti, incrédulo, às declarações prestadas pelo ex-Engenheiro José Sócrates, ainda Primeiro-Ministro da República da Libéria (perdão, de Portugal). E logo me ocorreram os versos do grande António Aleixo:
«Para a mentira ser segura,
E ter profundidade,
Tem de trazer à mistura
Qualquer coisa de verdade».

Vejamos porquê.

1. Em qualquer Universidade digna desse nome, as equivalências a cadeiras feitas noutras instituições de ensino superior (público ou privado)apenas são concedidas mediante requerimento instruído com certidão de aprovação nas mesmas,com os respectivos programas e cargas horárias. Trata-se de actuar de acordo com a lei, cuja ignorância não pode ser invocada pelo ex-Eng. José Sócrates ou pelo Prof. Luís Arouca (cfr. art.º 6.º do Código Civil português).
2. Dizer que só apresentou o certificado de habilitações do ISEL em Julho de 1996 - quando as equivalências lhe haviam sido concedidas pela UNI (ou pelo «seu» Reitor)em Setembro de 1995 - porque os «malandros» dos Professores daquele Instituto só então publicaram as notas referentes às disciplinas frquequentadas por José Sócrates no ano lectivo de 1994/1995 é algo que não lembraria a Belzebu:
a)- se assim tivesse sido, esses Professores «malandros» (ou, para o Governo de que ele é Chefe, simplesmente «Professores», porque todos são malandros por natureza...)deviam ter sido alvo de processo disciplinar, uma vez que não teriam cumprido os seus deveres funcionais;
b)- se é «normal» verificar-se tal atraso no lançamento das notas (Sócrates dixit, será que os alunos que frequentaram o último ano da Licenciatura no ISEL em 2005/2006 apenas terão as notas lançadas lá para Julho deste ano (com todos os prejuízos que daí advirão)?
c)- se isso é «normal», então José Sócrates não poderá deixar de qualificar como tal, também, o facto de um dos grandes arautos do «seu» (hoc sensu) Governo, VITAL MOREIRA - Professor da Faculdade de Direito de Coimbra - se ter limitado a dar meia dúzia de aulas entre Outubro e Dezembro de 2006 (vejam-se as folhas de presenças existentes na Faculdade, se, entretanto, não forem para o Maneta...), de não fazer sumários das (poucas) aulas durante anos a fio (veja-se, para os dois últimos anos, a página da Faculdade na internet - www.fd.uc.pt, na Web on campus)e de faltar sistematicamente e sem qualquer justificação às reuniões do Conselho Científico da Faculdade (vejam-se as respectivas actas, das quais consta a lista dos membros presentes e a dos que justificaram a sua ausência... Sendo certo, aliás que nos dias em que esse ex-grande defensor da classe operária (entretanto convertido do «Das Kapital» ao «Dás capital?», como o atestam os múltiplos cargos que ocupa, com destaque para o lugar da capitalista EDP, sem esquecer os parecers para o Governo e a sua reforma como político) faltou às aulas e às mencionadas reuniões não deixou de largar postas de pescada no «seu» (hoc sensu) blog, «causa nossa» (ou seja, a causa de sacar o mais que se pode, forrando-se ao trabalho, como o «verdadeiro cavalheiro de indústria» de que falava o grande Camilo Castelo Branco). Tudo isso impunemente, o que leva os alunos a interrogarem-se acerca do «estatuto de que goza Vital Moreira na Faculdade»...
3. O grande problema de provar as habilitações eventualmente obtidas por José Sócrates na UNI reside na impossibilidade de confrontar a certidão de Licenciatura (concluída, e não passada, ao Domingo...)com os documentos de suporte (livros de termo e de verbetes, bem como as pautas), que, ILEGALMENTE, terão ido para o Maneta (Arouca dixit). Em qualquer Universidade digna desse nome e cumpridora das disposições legais em vigor é fácil dissipar dúvidas sobre a eventual falsificação do diploma e/ou do certificado de habilitações, porque existem em arquivo os documentos que servem de base à sua emissão; não é, verdade, aliás, que seja José Sócrates o único a ter de provar as suas habilitações, porquanto isso é exigido a todos quantos invoquem a sua titularidade...
4. Relativamente às falsas qualificações (Engenheiro e Licenciado em Engenharia) constantes da Biografia dos Deputados na Legislatura de 1991-1995, diz José Sócrates que era um simples e «obscuro» (nisto foi sincero...)deputado e que se tratou de um erro dos serviços. Temos de convir que, apesar de tudo, foi mais digna (ou, talvez melhor, menos indigna) a atitude do então «controleiro» da bancada parlamentar do PSD, Adérito de Campos, que fez constar dessa mesma Biografia, como habilitações académicas, «Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito de Coimbra», que nunca chegara a concluir (mais um «Dr. NUNCA»...) e que, uma vez desmascarada a farsa pelo semanário «O Independente» (com a preciosa ajuda de um grande Amigo meu, reconheceu não ser, afinal, Licenciado, tendo sido excluído para sempre das listas de candidatos a deputados daquele partido...
5. Já agora, por falar em «Dr. NUNCA» (ou «Eng. NUNCA»), Hermínio Loureiro não será mais um deles? Passou a ser tratado por Dr. pelos presidentes de clubes de futebol e por jornalistas quando se candidatou a Presidente da Liga e nunca se desmanchou, sendo certo que ainda há pouco tempo não tinha mais do que o 8.º ou 9.º ano de escolaridade e andava a vender seguros (sem menoscabo para os profissionais deste sector). E não deve ser o único.
Prometo estar atento e vigilante.



Estranho que ainda ninguém tenha comentado, ou sequer referido, esta informação que vem no blog Briteiros :
Apanhado com a mão na massa
Pela boca morre o peixe.
Vejam o que consta nas NOTAS BIOGRÁFICAS da Declaração de Candidatura de José Sócrates a Secretário Geral do PS em 2004:

Licenciado em Engenharia Civil, concluiu depois uma pós-graduação em Engenharia Sanitária, na Escola Nacional de Saúde Pública.
Entre 1981 e 1987 exerceu a sua actividade profissional como Engenheiro Civil, na Câmara Municipal da Covilhã.

http://web.archive.org/web/20040810135127/www.josesocrates.com/default.aspx?sid=4

O resto da conversa está no link que fica aqui abaixo. Arroga-se de ter sido Engenheiro Civil na Câmara da Covilhã quando reconheceu que só se licenciou em 1996. Não será já caso de polícia? E verificar as folhas de vencimento da Câmara da Covilhã para ver se bate certo?
"As nuvens negras já não estão apenas no horizonte. Em matéria de liberdade de expressão, já chove em Portugal."

- Mário Bettencourt Resendes

11.4.07

http://www.correiomanha.pt/comentario.asp?idCanal=9&id=150944

"A personalidade do menino Sócrates começou aqui a ser talhada – a rajadas de vento frio de nordeste e a golpes de régua desferidos no colégio do professor Cerdeira, homem de muita sabedoria e escassa meiguice.

A régua de Cerdeira, polida de tanto bater, não amoleceu o carácter truculento do pequeno Sócrates. A cada reguada, mordia o lábio para segurar a lágrima. Ainda hoje, crava os dentes na carne para conter a fúria.
"

Isto é psicótico, perigoso, diria mesmo Asterixiano!
Blasfemou, e bem, João Miranda há instantes,

Guia para a entrevista do Primeiro-Ministro
Para quando se falar de um certo e determinado assunto:

1. Dizer: "Ainda bem que me faz essa pergunta".

2. Elevar o tom de voz.

3. Mostrar indignação.

4. Dizer quanto valoriza a aprendizagem ao longo da vida.

5. Mostrar um documento qualquer. Mesmo que ninguém consiga ler, credibiliza. Pode ser a Certidão de Nascimento. Se ninguém perceber o que é, impressiona à mesma.

6. Dar a entender que isto é uma questão de invejas.

7. Todos os pontos favoráveis são mérito do Primeiro-Ministro, que até se licenciou numa universidade elogiada pelo Ministério do Ensino Superior. Todos os pontos desfavoraveis são culpa da burocracia da Independente, que até foi fechada pelo Ministério do Ensino Superior.

Dedicado a José Manuel Fernandes, João Marcelino e a 75% do eleitorado

Poema Pouco Original do Medo

O Medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis
vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no tecto
no múrmurio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
Ouvidos nos teus ouvidos

O Medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projectos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos) intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com a certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente

muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo
(Penso que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

O Medo vai ter tudo
quer ser tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

Sim
a ratos

-Alexandre O’Neill


38. "Now it came to pass, as they went, that he entered into a certain village: and a certain woman named Martha received him into her house.
39. And she had a sister called Mary, which also sat at Jesus' feet, and heard his word.
40. But Martha was cumbered about much serving, and came to him, and said, Lord, dost thou not care that my sister hath left me to serve alone? bid her therefore that she help me.
41. And Jesus answered and said unto her, Martha, Martha, thou art careful and troubled about many things:
42. But one thing is needful: and Mary hath chosen that good part, which shall not be taken away from her."
Interessante blog que me chegou ao conhecimento:

http://ocorencias.blogspot.com

Transcrevo:

"Luís Manuel Fernandes de Menezes de Almeida Ferraz está novamente em Londres.

O emissário é enviado pela primeira vez ao Consulado Geral de Portugal em Londres, no contexto da queixa-crime apresentada por 14 trabalhadores contra o MNE por Fraude e Abuso de Confiança contra a Segurança Social.

Em sequência da referida denúncia, o MNE, interpelado pelos media, decidiu, numa manobra de desinformação muito sui generis, divulgar que os trabalhadores teriam sido “compulsivamente inscritos no sistema de segurança social britânico”. Como se a obrigação da entidade patronal de inscrever os trabalhadores dependentes num sistema de segurança social pudesse ser “compulsivamente” transferida para esses mesmos trabalhadores.

Como se a Lei (n.º 5 do Artigo 85.º do Decreto-Lei n.º 444/99), e os seus contratos de trabalho, não lhes permitissem escolher entre o sistema de segurança social britânico e o português. Como se a questão fosse a responsabilidade da inscrição e não o crime da não assumpção da responsabilidade com a segurança social. Como se um pais democrático se impressionasse com a força autoritária e sem autoridade de um discurso demagógico e desinformado.

No entanto, a verdade é que a alegada inscrição dita compulsiva, ao contrário do que António Braga tinha anunciado, carecia, ainda, de alguém que se predispusesse à sua operacionalização.

Apresentando-se como alguém que “apenas vem cumprir instruções”, aparece-nos, então, Luís Manuel Fernandes de Menezes de Almeida Ferraz.

Evidenciando uma determinação notável em cumprir as tais instruções (e um autoritarismo não menos assinalável), inscreve os trabalhadores na Segurança Social inglesa, ignorando a sua opção pelo regime geral de segurança social portuguesa.

Até hoje, o MNE continua sem entregar - em qualquer dos sistemas - a contribuição para a Segurança Social devida pela entidade empregadora.

Luís Ferraz ignorou a lei de uma forma grosseira. Luís Ferraz prestou um mau serviço ao Estado de Direito que serve.

No fim de 2006, cinco dos trabalhadores mais empenhados na contestação política desta inacreditável situação são sumariamente despedidos sem qualquer explicação. Outros cinco tinham decidido, entretanto, demitir-se. O Consulado funciona, hoje, amputado de um terço dos seus trabalhadores. Para perceber da dificuldade em que se encontram aqueles serviços, tente telefonar para obter uma entrevista de atendimento. Se o seu telefonema for atendido, jogue na lotaria: - é o seu dia de sorte.

Trinta dias depois, António Fernandes da Silva Braga, Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, nomeia seu assessor Luís Manuel Fernandes de Menezes de Almeida Ferraz: “A nomeação é feita pelo prazo da duração do meu mandato.”.

Luís Manuel Fernandes de Menezes de Almeida Ferraz está novamente em Londres. Regressa ao local onde o direito dos trabalhadores a protecção social é quotidianamente negado. Regressa ao Consulado que todos os dias denega aos portugueses o seu direito a um atendimento atempado e capaz.

Mas o que interessa isto ao assessor Ferraz?"


Fim de transcrição.

Ricardo Costa, director da Sic Notícias:

«Eu se tivesse um curso intensivo de Excel de três dias não o punha no currículo, toda a gente se iria rir de mim»


Até o irmão do Ministro goza com a praça! :)