21.4.07

Sano heti jos minä häiritsen,
hän sanoi astuessaan ovesta sisään,
niin minä lähden saman tien pois.

Sinä et ainoastaan häiritse,
minä vastasin,
sinä järkytät koko minun olemustani.
Tervetuloa.



Tell me immediately if I'm disturbing you,
He said, coming in the door,
And I will leave right away.

You not only disturb,
I answered,
You shake my whole being.
Welcome.




- Eeva Kilpi -

Redde Caesari quae sunt Caesaris

Acho que é um preço baixo por toda a sequência (espera lá, entrou um novo acordo ortográfico com os autóctones, não foi? vou conferir) (já conferi, escreve-se da mesma maneira) (bom) de dedicatórias que Temos recebido da Nossa Zazie-en-Cocagne, estes



embora seja de realçar que me sinto um bocado acossado, tipo,



por isso a partir de agora estou em



Não estou nada. Já vou buscar um poema aconselhável ;)

19.4.07

Open

My heart seeks eternity:
from chaos to cosmos.

Glowing flames
illuminate dark cities,
masses move
into silent darkness.
into silent darkness.

We go!
We go!
Fighting death,
fighting death,
wordless wrath expands
and we are being extinguished.
I, you, all of us.

- Srecko Kosovel
Translated by William S. Heiliger
Imagem: wehavekaosinthegarden
Texto: cavernaobscura




Para que esta mensagem passe com maior claridade ("clarity" no original, em Inglês Técnico) optamos por mobilar ("furnish" no original em IT) o público com frases simplex, articuladas no jargão da casta dominante e com um complemento semântico que lhe seja familiar ("shut the fuck up and vote" no original coiso).

Assim, os portugueses sabem bem que andam a ser levados; os portugueses sabem-no bem. E sabem-no por demitir-se recorrentemente do mais rudimentar procedimento higiénico: olhar ao espelho de manhã e inspeccionar, atentamente, a fronha que ali se desvenda. Mas os portugueses escolheram! E os portugueses escolhem, e escolherão, porque têm direitos, veja-se bem, os portugueses pronunciaram-se escolhendo ter direitos que sabem bem! Os portugueses sabem pronunciar que querem escolher o que têm. É normal, de resto absolutamente normal, que assim sendo, quem escolhe o que tem, leva. E quanto mais leva, mais o cuzinho aquece, e mais forte se torna o PS. Tudo isto é normal e qualquer tentativa de provar o contrário não passará de uma manobra insidiosa para alertar o público para a dura realidade: os portugueses sabem bem o que encontram no espelho, de manhã. Sabem bem e de cima vem a Voz do Dono que fala por eles, como é aliás normal.

Mas dir-se-à ainda mais. Qualquer tentativa de escamotear a realidade será punida com o ostracismo, a chacota e a exclusão dos programas mais avançados, alguns até dignos do século LXXXVII, com que a Providência Social poderia ainda vir a entender brindar os elementos mais desfavorecidos - aqueles que não saibam, por exemplo, possuir o direito inalienável de, tendo abortado à trigésima semana, adoptar um aspirador vivendo em união gay. Assim dita o imperativo de estabilidade que os portugueses amam, que os portugueses querem, do qual precisam, assim ditam os portugueses que mandam nos portugueses que por seu turno vivem dias que são iguais, entre si e ciclicamente até morrerem todos de cancro nos bolsos, porque é a trabalhar, e não com questões parvas, que o país vai para a frente. Senão ficamos malucos.Os portugueses sabem bem que não são malucos.

E agora a sério.

Com o advento de mais esta Esmeralda na coroa do arquipélago, Sócrates-o-Usurpador e a Vara de acólitos que encabeça arriscam-se a rivalizar com as hordas de Tamerlão na corrida aos lugares cimeiros do próximo concurso da Emissora Social-Ortodoxa, "Os comedores de inocentes". Num ritual de glória quase castrense e a expensas do seu já ténue equilíbrio, o território vai agora assistir, com abandono e bacanália, à reinvenção da burla.

É escusado vir bradar para aqui, no ermo blogosférico, a apologia do grito libertário, dos despertares colectivos, de revoluções inanes e torpes que mudariam apenas o formato à letargia. Toda a gente sabe em que país vivemos: Portugal está feito um grande e fétido recanto sem solução, em tudo semelhante ao simpático bairro onde decorre a acção do filme de Ettore Scola, "Feios Porcos e Maus"; onde o acessório é tido por essencial e campeia o culto à mediocridade; onde todos comem todos, consanguineamente, e perante a deriva das gerações que brotam, a maralha passa os dias no exercício de direitos "fundamentais", alegremente cantando e rindo, numa espiral hedionda e agonizante. Não há nada como um par de sapatos novo para condizer com o creme, o telemóvel e os comprimidos brancos que combinam tão bem com o segundo maço de polónio, digo tabaco. O resto são cabalas que esses gajos novos, com a mania que são evoluídos, andam para aí a espalhar para ver se isto volta outra vez ao Salazar.

Este é o país em que é simplex constituir uma empresa, mas depois as certidões demoram 4 semanas a sair; em que as leis são do século XXI, mas depois o sistema e os funcionários do sistema são do Paleozóico; em que há formulários, sites, e mecanismos para reclamar disto e daquilo, promovendo a denúncia e o caguinchismo geral, mas depois tudo acontece e ninguém é jamais ressarcido do tempo e dinheiro que perde; em que desempregados de 60 anos (engenheiros a sério) são mandados chamar a centros de emprego para cuja localização não existem transportes públicos, e à chegada "convidados" a aderir a um programa de "reciclagem" a 50km de casa, com três euros e 25 cêntimos de subsídio de almoço, mas depois os filhos da puta dos políticos estoiram milhões de vezes esse valor numa semana, em merdas que não fazem falta a ninguém.

Os portugueses sabem bem o que lhes falta quando se vêem ao espelho de manhã.

Os Ministros da Morte, #4 - Correia de Campos (o Pinkie)

Esta anda há tempo demais entalada para passar em claro.

Há uns tempos, Fátima Campos Ferreira apresentou no Prós & Prós uma versão estilizada das imagens que reproduzo abaixo. Disse nessa noite que a figura da esquerda representa (facto consumado, e não alvitre ou previsão) "a cobertura em território nacional após concretização do plano do ministro Correia de Campos". A cobertura actual seria qualquer coisa mais aproximada à imagem da direita.

FCF é mais um exemplo de como é tão possível reduzir um ser humano capaz à expressão gelatinosa da subserviência. E o pior é que tudo se reduz a dinheiro e a um ideal bacoco de inclusão social, uma "need to belong" a la dixieland.

Bom proveito em 2009.


Os Ministros da Morte, #3 - Mariano Gago

Ao melhor estilo "England Prevails", meus senhores.

UnI: Inspecção-Geral exigiu entrega do processo de Sócrates
A Inspecção-Geral do Ensino Superior exigiu à Universidade Independente (UnI) que entregue todos os registos relacionados com o percurso académico de José Sócrates, em duas diligências realizadas terça-feira e hoje na instituição, disse à Lusa a assessora da universidade.

Em declarações à agência Lusa, Maria João Barreto considerou que esta exigência «tem tudo a ver» com a conferência de imprensa que a direcção da UnI convocou para terça-feira e posteriormente adiou para hoje, na qual serão divulgados documentos relacionados com a licenciatura do primeiro-ministro na instituição, concluída em 1996.

«Os inspectores do Ministério estiveram cá ontem [terça-feira] a exigir o processo do primeiro-ministro, mas nós recusámos, já que da primeira vez que quisemos entregar todos os documentos, eles não aceitaram porque não queriam que esses registos fizessem parte do processo da inspecção», afirmou a assessora da UnI, Maria João Barreto.

A responsável adiantou que, perante a recusa da universidade, os inspectores voltaram hoje à instituição, exigindo a entrega dos processos de todos os alunos da UnI, desde a sua criação, em 1994, «que são largos milhares».

«Como não entregámos [terça-feira], hoje voltaram e reagiram com extrema falta de elegância e de forma violenta, exigindo os processos de todos os alunos. Esta exigência é completamente descabida e absurda e, para nós, tem tudo a ver com o anúncio da nossa conferência de imprensa», considerou.

Segundo a assessora, a inspecção ainda se encontra nas instalações da universidade.

Contactada pela Lusa, a Inspecção-Geral do Ensino Superior escusou-se a confirmar, para já, esta informação, remetendo para mais tarde um comentário.

Em causa está a documentação relacionada com o percurso académico do primeiro-ministro, José Sócrates, na UnI, um processo envolto em polémica devido à existência de várias incongruências, como dois certificados de habilitações com datas e notas diferentes.

A UnI tinha anunciado que esta documentação de Sócrates - bem como de outras figuras públicas que passaram por aquela universidade - estava guardada, por questões de segurança, numa caixa blindada.



(fonte: Portal do Governo)

Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

Gabinete do Ministro

Comunicado

I - Face às notícias vindas a lume sobre alegadas inexactidões processuais relativas a diplomas conferidos pela Universidade Independente e perante o silêncio dos responsáveis académicos dessa Universidade, impõem-se, em defesa dos seus actuais e antigos alunos, os esclarecimentos seguintes:

1. A Universidade Independente é um estabelecimento de ensino superior universitário reconhecido nos termos da lei e habilitado a conferir graus académicos após processo legal de reconhecimento de interesse público (que teve lugar em Dezembro de 1994) e de autorização de funcionamento dos respectivos cursos (desde Maio de 1995).

2. A Universidade Independente foi repetidamente avaliada e inspeccionada nos termos da lei, ao longo de mais de 10 anos. Dessas avaliações e inspecções resultaram recomendações e acções correctivas. Delas não resultaram informações que pusessem em causa a legitimidade dos diplomas atribuídos ou o ensino ministrado.

3. Confundir os actuais problemas da Universidade Independente - que deram de imediato lugar a acções inspectivas determinadas em 27 de Fevereiro de 2007 ‑ com o seu normal funcionamento atestado pelas referidas acções de acompanhamento e controle é manifestamente abusivo e lesivo dos interesses dos seus alunos e dos seus diplomados.

4. Os actuais problemas da Universidade Independente - ao nível das perturbações no funcionamento da empresa proprietária e, na sua sequência, no funcionamento académico da Universidade - são da estrita responsabilidade da empresa instituidora. Os alunos da Universidade são vítimas dessa situação, pela qual não podem de nenhuma forma ser responsabilizados. Do mesmo modo, os diplomados e antigos alunos da Universidade Independente não podem ver descredibilizados os seus diplomas e o esforço que realizaram. Todos eles têm direito ao seu bom-nome e ao reconhecimento pela sociedade da vontade de estudar e progredir que demonstraram.

II - Hoje mesmo, em representação dos estudantes da Universidade Independente, a sua Associação Académica solicitou ao Ministério as diligências que permitam «a reposição do bom nome daqueles que se sentem afectados por estas suspeitas e que obtiveram a sua formação de forma lícita». A defesa dos estudantes e dos diplomados impõe que se dê acolhimento a esse pedido. Assim:

a) O Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior solicitou à Inspecção-Geral que, no âmbito das averiguações em curso, procedesse ao esclarecimento cabal dos procedimentos de emissão de diplomas e de apuramento e comunicação da informação estatística, assim como dos procedimentos de equivalência para prosseguimento de estudos, com vista a dissipar a inaceitável suspeição generalizada que foi lançada.

b) O Ministro solicitou ainda à Inspecção-Geral e à Direcção-Geral do Ensino Superior que reforcem todos os mecanismos de salvaguarda da documentação e registos académicos da Universidade, reiterando a integral responsabilidade não apenas dos responsáveis pela Universidade mas ainda dos seus funcionários no cumprimento dos respectivos deveres profissionais.

Os Ministros da Morte, #2 - Lurdes Rodrigues

"A título de exemplo, a Confederação das Associações de Pais aponta casos de palavras como «paciência», actualmente classificada como «nome comum abstracto» e que passaria a designar-se por «nome não contável e não massivo»;
ou o caso de «peixe-espada», que passaria de «palavra composta por justaposição» a «composto morfo-sintáctico coordenado»."

18.4.07

Desisto. São duas da manhã. O gajo tem mais erros na tradução que os socialistas no código genético.

17.4.07

"it is not forgotten the necessity"

O MEU NOME É UOF MEI!!!
"these plants have to be gathered"...

meu... ze... vais colher centrais de incineração? ou vais agrupá-las?

porra, é mesmo mau naquilo.
opportunity aparece com um p a menos.
Recicled em vez de recycled...

O gajo nem nove tinha, comigo...
"CERTAINT" EM VEZ DE CERTAIN

"CONSUME" EM VEZ DE CONSUMPTION
TERCEIRA TEM THIS EM VEZ DE THESE!!!!

E O PROF NAO CORRIGIU!!!
SEGUNDA CALINADA TEM WICH EM VEZ DE WHICH!!!

A prova escrita

Primeira calinada: TEM "hospital's" DEVIA TER "hospitals' " (dos hospitais, e não do hospital como lá está...) ASNO!!!
Meus amigos, a verdade é que "estaremos" sempre no cu do planeta porque só "nos" dá para ir à luta quando há "liberdades essenciais" em jogo, tais como andar depressa na estrada, dar porrada nos outros, gamar o próximo, empestar o ar do vizinho com cigarros, deitar embriões fora e comprar tudo o que houver para comprar nos aterros sanitários do tipo Colombo e afins.
Alegada prova com data posterior a certificado de habilitações
Monica Contreras e Rosa Pedroso Lima (Expresso, hoje)

A UnI anunciou "declarações bombásticas" para hoje, mas, à última hora adiou a conferência de Imprensa até ao regresso de Sócrates de Marrocos. Entretanto, tornou-se pública a prova escrita de Inglês Técnico. Tem data posterior ao certificado de habilitações entregue à Câmara da Covilhã.

A actual direcção da Independente quer mesmo o primeiro-ministro na conferência de Imprensa onde vai revelar o resultado da investigação interna feita aos diplomas e certificados de habilitações passados pela universidade aos antigos alunos, entre os quais José Sócrates. O adiamento da conferência de Imprensa – anunciada para esta tarde e desmarcada por volta das 17h pela assessora de imprensa da Independente – é justificada pela dificuldade em ‘‘cruzar e em obter novos dados académicos’’ relativos aos antigos alunos, mas também pelo ‘‘compromisso assumido no convite ao senhor primeiro-ministro e ao ministro da Ciência e Ensino Superior para estarem presentes ou se fazerem representar’’. A ausência de resposta do Gabinete de José Sócrates é entendida pela relações públicas da instituição ‘‘pelo facto do primeiro-ministro se encontrar em Marrocos’’.

Os esclarecimentos dos actuais responsáveis da Independente surgem depois do aparecimento de um certificado de habilitações da Licenciatura de Sócrates, entregue na Câmara da Covilhã – onde o primeiro-ministro mantém um vínculo laboral. De acordo com este último certificado, Sócrates ter-se-ia licenciado a 8 de Agosto de 1996 e não a 8 de Setembro do mesmo ano (um domingo), como indicavam os primeiros documentos apresentados pelo ex-reitor Luis Arouca ao 'Público' e ao Expresso. Revela, ainda, divergências nas notas das cadeiras efectuadas, assim como na data de finalização do curso.

Além destas disparidades, a documentação enviada para a Covilhã é registada com a data de secretaria de 26/8/96 e num papel timbrado com um número de telefone com o indicativo 21 e um código postal da Universidade Independente de sete dígitos, alterações que só foram introduzidas anos depois da passagem de Sócrates pela Independente.

Hoje, vários jornais deram a conhecer uma alegada cópia de uma prova de Inglês Técnico realizada pelo primeiro-ministro. O texto está dactilografado e é acompanhado por uma fotocópia de um cartão impresso em nome do "secretário de Estado Adjunto do ministro do Ambiente" com o seguinte texto manuscrito: "o José Sócrates envia-lhe, como combinado, o texto da cadeira de Inglês Técnico. Receba com amizade do seu...". O teste, classificado com 15 valores, é aparentemente datado de 26 de Agosto de 1996, o que tornaria impossível a conclusão da Licenciatura em 8 de Agosto, como refere o certificado enviado à Covilhã. A confirmar-se a veracidade desta prova, volta a colocar-se como possível a data de domingo, 8 de Setembro, para a conclusão do curso.

The belly of an engineer



Sócrates foi aprovado com trabalho de inglês feito em casa
Por Graça Rosendo e Felícia Cabrita
José Sócrates foi aprovado na cadeira de inglês técnico com um pequeno trabalho feito numa folha A4 e enviado para o reitor da Universidade Independente, acompanhado de um cartão com o timbre do seu gabinete de Secretário de Estado. Esta é a explicação que deverá ser dada hoje pela nova direcção da Uni, em conferência de imprensa quando, - conforme estava previsto até há momentos - tornar públicos estes dois documentos, apurou o SOL.


José Sócrates terá feito a cadeira de Inglês Técnico ­– uma das cinco que fez na Universidade Independente para concluir a licenciatura em Engenharia Civil – através de um pequeno trabalho entregue numa folha A4, que fez chegar ao reitor acompanhado de um cartão do seu gabinete de secretário de Estado.

O cartão e a folha A4 foram encontrados no processo do aluno José Sócrates pela nova equipa que está à frente da UnI.

O SOL apurou que está previsto estes dois documentos serem apresentados hoje, durante a anunciada conferência de imprensa da nova direcção, com a indicação de que o dossiê escolar de Sócrates, nesta cadeira, não contém qualquer outro elemento de avaliação.

Um destes documentos é, então, um cartão de José Sócrates (subscrito enquanto secretário de Estado adjunto do Ministro do Ambiente e que tem o timbre do seu gabinete), em que este escreveu, pelo seu punho: «Meu caro, como combinado aqui vai o texto para a minha cadeira de Inglês». Agrafado a este cartão, está uma folha A4, com um pequeno texto em inglês, que corresponderá à resposta a menos de uma dezena de alíneas.

Segundo apurou o SOL, este «trabalho para a cadeira de Inglês» é o único documento escolar de Sócrates desta cadeira e terá servido para concluir a sua avaliação final a Inglês Técnico.

Contactado, o gabinete do primeiro-ministro informa que, a haver comentários ao caso, ficarão para depois da conferência de Imprensa da UnI.

Porém, não há por enquanto confirmação de que esta conferência de imprensa (marcada para as 18h) venha mesmo a realizar-se. Ontem, a direcção da UnI prometeu revelações importantes na investigação feita pela universidade ao processo do aluno José Sócrates.

sol.sapo.pt

Apostas para logo à tarde

Reproduz-se parte de um comentário, que acho bastante pertinente e quiçá visionário, a um post datado de hoje no Do Portugal Profundo (com bolds meus onde vejo maior interesse):


"dadas as circunstâncias deste momento particular, não seria o PM que estaria em causa, mas também a imagem do país o que afectaria o seu posicionamento político e diplomático diante dos seus parceiros europeus. Limpar a casa que alguns dos nossos sujaram porque, no mínimo, utilizam métodos na vida dos quais nos devemos distanciar, deve ser feito, desde que o monte de lixo que daí resulta não se veja lá fora. E neste contexto nem sei como o Dr. Marques Mendes foi tão longe nas suas exigências de transparência. Veja-se o burguês Francisco Louçã que, para além do forte sentido do dever político que lhe incumbe for força do que acabei de dizer – riam-se por favor ! – deve ficar, nesta teia de favores que medeia as relações entre as elites, com um crédito suplementar sobre o PM.
Neste momento, as elites com responsabilidades públicas não querem que se mexa mais na imagem do PM. Se o Sr. Fizesse parte deste núcleo talvez também não o quizesse. O PM sabe isso o que o faz estar mais ou menos à vontade.

A partir de agora é que o seu combate vai ser rijo porque vai ter de dar crédito formal ao locus da verdade que conseguiu quando ninguém já está interessado nele. Coragem!

PS. A UnI vai esta tarde fazer uma conferência de imprensa negociada. Se conseguir negociar o fim do processo de encerramento compulsivo a que está sujeita teremos revelações que contribuirão para lavar a imagem do PM. Intuitivamente diria que é isto que irá acontecer:
- UnI limpa imagem do PM.
- Mariano Gago ecena uma insistência publica de afirmação de que o processo provisório do fecho compulsivo da UnI continua, dependendo o seu desfecho das repostas que a UnI estará em condições de fornecer. E, daqui a umas semanas – afinal o semestre já foi para o tecto – as respostas chegam e a UnI não fecha. Encerra-se alegremente o assunto.
Se o PM não quiser negociar, o que dentro numa perspectiva maquiavélica, seria uma burrice, então teremos mais fogo de artifício.
A ver vamos!

Cumprimentos
Na eventualidade de logo à tarde a UnI, pela boca de quem falar, afirmar que o sentido da grande cabala é o de denegrir a imagem dos angelicais políticos, aqui ficam algumas considerações tecidas pelo Gabriel e pela Helena Matos no Blasfémias:

"Erros de secretaria:

1. Em 28 Agosto de 96, Sócrates pediu e obteve um certificado de habilitações na UnI. A data de conclusão atestava: 08/08/9. Faltava um número: um erro da secretaria.


2. No ano 2000, a Câmara da Covilhã pediu-lhe tal certificado, para efeitos de reclassificação como funcionário da autarquia. Repararam que a data estava incompleta, pelo que se pediu uma segunda via. Foi enviado «ainda em Setembro», um segundo certificado, agora com a data de 08/08/96, mas em papel timbrado do ano 2000. Outro erro da secretaria.


3. Ainda no primeiro certificado foram indicadas como equivalências 24 cadeiras e não 26, pelo que Sócrates teria feito 7 cadeiras para terminar o curso e não cinco. Mas, diz o governo, o primeiro certificado estava certo na data, mas errado quanto às equivalências. Uma vez mais, por erro de secretaria.
4. O primeiro-ministro tem em seu poder, e até mostrou na televisão, um terceiro certificado passado em 2003, com 26 equivalências, e cinco cadeiras feitas na UnI, mas... por erro de secretaria, com a data de conclusão errada: 08/09/96.


5. Algumas das notas entre os 3 certificados não batem certo. Obviamente, um erro de secretaria.


6. Sócrates terá requerido um plano de equivalências , num total de 25 cadeiras. Teve equivalência a 26. Erro de secretaria?


7. No documento de equivalências, o Conselho Científico da Universidade não se pronuncia, o que se suporia obrigatório para atribuição dessas mesmas equivalências. Erro de secretaria?

(Nota: sobre as equivalências, ver posta «esclarecedora»)


8. Sócrates requereu equivalências ao reitor (sem indicação de nome) e obteve resposta, por parte de Luís Arouca em Setembro de 1995. Só que este não era na altura o reitor. Erro de Secretaria?


9. A notícia de que em 93 a ficha biográfica no Parlamento de Sócrates indicava o mesmo como Engenheiro Civil foi considerada pelo governo como um erro de secretaria.

Bem, não, afinal não foi bem do parlamento..... Foi Sócrates, ele próprio, que «clarificou», em data incerta, um seu lapso, embora reafirme que nunca se intitulou como «licenciado» antes de o ser. O que também se verificou não ser bem como ele diz.


10. Na listagem de licenciados do relatório do ministério, Mariano Gago afirma que por erro de secretaria da UnI, não surge nenhum licenciado em 95 (ano em que deveriam ser indicados os licenciados do ano lectivo de 95/96, o caso de Sócrates). Já agora, nem em 96."


"Absolutamente normal*

I O responsável máximo pelo estudo afinal não era o responsável máximo. Quatro dos dossiers desse importantíssimo estudo são assinados pela mesma pessoa. As datas constantes no estudo também não podem ser aquelas que constam do seu cabeçalho já que nessa data os indicativos telefónicos e os códigos postais eram outros. A isto junta-se que desse estudo existem duas versões diferentes nos organismos oficiais onde ele foi entregue, etc... etc... Não, não me estou a referir ao processo de certificação académica de José Sócrates. Estou apenas a transferir para a actividade governamental o conceito de normalidade que passámos a aceitar no caso das habilitações do primeiro-ministro. Suponhamos que o estudo que referi tratava da localização do novo aeroporto. Do traçado do TGV. Do destino da GALP. Das opções da CGD. Do futuro da Segurança Social. Da reestruturação dos serviços de informações e segurança – seriam esses estudos considerados normais? Admitir-se-iam tantos erros burocráticos e administrativos? Espero sinceramente que não. Mas corremos de facto o risco de que tal aconteça.
Porque uma coisa é os portugueses darem a Sócrates o benefício da dúvida ou o ‘benefício apesar da certeza’ numa matéria pessoal como é o da sua formação académica. (O que aliás coloca uma pergunta cuja resposta está naturalmente adiada: vai o PS passar um cheque em branco e não datado neste caso a José Sócrates?). Outra coisa, essa muito mais grave e questionável, é este ‘faz de conta que é absolutamente normal’ instalar-se como estilo governamental e ser aplicado em assuntos como os que referi.

Mas não só. Nós mesmos podemos fazer de conta que achamos que é absolutamente normal que a documentação proveniente da UnI acumule erros sobre erros, mas não podemos fazer de conta quando os erros se estendem ao arquivo da Assembleia da República. Por razões várias, na nossa vida, todos nós esticamos e encolhemos os limites daquilo que consideramos absolutamente normal. Mas, como bem sabemos, devemos respeitar esses limites ou acabamos a não ser capazes de, diante dum espelho, perante o nosso próprio olhar, repetir a expressão “absolutamente normal”.

II É óbvio que os diplomas universitários de José Sócrates me inspiram dúvidas. Contudo não estão em causa os seus dotes e capacidades de liderança. E, seja qual for o resultado de todo este caso, não se pode esquecer que José Sócrates é líder do PS porque ganhou esse lugar e primeiro-ministro porque a maior parte dos portugueses lhe deu o seu voto de confiança. Outra coisa bem diversa são umas figuras como Armando Vara que não se percebe a que título, pessoal ou académico, foi nomeado administrador da CGD e que sobre o caso da Universidade Independente produziu na revista Sábado declarações muito significativas: «Conheci o António Morais numa reunião do PS no hotel Altis. Ele apresentou-se e disse-me o que fazia e que era de Carrazeda de Ansiães, a minha terra. Passado algum tempo, lembrei-me dele para uma função onde precisava de alguém.» A juntar a este critério de selecção baseado no nascimento em Carrazeda de de Ansiães e na filiação no PS juntou ainda Armando Vara um conselho ao jornalista – «Vá ver de onde vêm estas coisas [notícias sobre a UNI] e as ligações que existem ao grupo parlamentar do PSD». E para reforçar a recomendação Vara recorreu a um provérbio que diz ser também da sua terra: «pimenta no rabinho dos outros é refresco». Nada tendo eu contra Carrazeda de Ansiães, e o que por lá se diz ou faz, não me parece que Governo algum possa escolher e manter como administrador do principal banco português uma criatura que em bom juízo nem parece estar preparado para estar ao balcão da CGD. Seja em Carrazeda de Ansiães ou em qualquer outro lugar.

*PÚBLICO, 16 de Abril"

Blog do dia

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"Há dias e dias que se fala da licenciatura do Sócrates e muito se tem discutido e escavado a sua existência, mas em tudo isto onde está o facto verdadeiramente relevante? Está em haver a possibilidade de alguém ser quem na verdade não é, apenas por ser quem é ou por ter uma conta bancária bem recheada. Resumindo está na mentira. Esta, é a minha posição, mas pelos vistos não represento a voz da maioria das pessoas deste país. Talvez por ela, a mentira, já fazer parte do nosso dia a dia, muita gente a considere como algo de normal e aceitável. Afinal somos governados por um Partido Socialista que nada tem de socialista, partidos de direita que querem ser do centro, partidos sociais-democratas que na verdade são partidos de direita e partidos mais à esquerda que acabam a fazer o discurso do centro ao aceitar a economia de mercado, o liberalismo e a soberania europeia. Vivemos na mentira, na aldrabice dos números, das estatísticas e das promessas. Somos enganados diariamente por uma comunicação social que nos vende as mentiras encomendadas, que nos lava o cérebro para nos retirar o ânimo e a força para resistir. Somos embalados em notícias sem valor, em futebois coxos, com histórias de vidas alheias, com sonhos de milhões e imagens de miséria. A Democracia em que vivemos é toda ela uma enorme mascarada em que nos dão o poder de voto, mas não alternativas. Vivemos numa ignorância fabricada, e na certeza que mesmo na desgraça, ainda tivemos sempre muita sorte. A sorte de ter um salário de miséria, porque há muitos que perdem o emprego, a sorte de ter uma codea de pão para comer porque há muitos que nada têm, a sorte de morrer agora porque houve muitos que morreram ontem. Vivemos na mentira e por isso a aceitamos tão calmamente. Será que ainda suportaríamos viver num mundo livre dela? Eu gostava de tentar."


(retribuindo)


A Late Good Night

My lamp is out, my task is done,
And up the stair with lingering feet
I climb. The staircase clock strikes one.
Good night, my love! good night, my sweet!

My solitary room I gain.
A single star makes incomplete
The blackness of the window pane.
Good night, my love! good night, my sweet!

Dim and more dim its sparkle grows,
And ere my head the pillows meet,
My lids are fain themselves to close.
Good night, my love! good night, my sweet!

My lips no other words can say,
But still they murmur and repeat
To you, who slumber far away,
Good night, my love! good night, my sweet!

- Robert Fuller Murray

16.4.07

Querido / Sócrates

Paulo Querido e José Sócrates têm agora algo evidente em comum: o sr. Pinto de Sousa usa, à boca cheia, a expressão "os portugueses" (os portugueses querem, os portugueses sabem bem, os portugueses não gostam) como se fosse dono, senhor, enfim déspota reinante sobre o conteúdo programático de cada membro da Nacinha, vivo, morto ou nascituro; ao passo que o outro rapaz, projecto "uber-geek" de nano-controlador, pretende fazer de si mesmo a voz de uma blogosfera que só existe nos delírios que vem alimentando há vinte e tal anos.

15.4.07

To all Isabels

maggie and milly and molly and may


maggie and milly and molly and may
went down to the beach (to play one day)

and maggie discovered a shell that sang
so sweetly she couldn’t remember her troubles,and

milly befriended a stranded star
whose rays five languid fingers were;

and molly was chased by a horrible thing
which raced sideways while blowing bubbles:and

may came home with a smooth round stone
as small as a world and as large as alone.

For whatever we lose(like a you or a me)
it’s always ourselves we find in the sea


- ee cummings