1.5.07

Atribuído pelo http://ferias-mentais.blogspot.com/ veio ornamentar-nos a feroz e cansada clavícula este



e cito, com um grande beijo,

"A opinião pública é a opinião publicada nos meios de comunicação, que já não dependem de subscritores, leitores, telespectadores ou ouvintes, mas sim dos seus anunciantes. Trabalham com notícias que procedem, em mais de 90% dos casos, das mesmas fontes transnacionais ou governamentais, quer dizer, directamente do dono ou do seu instrumento. Cada vez mais existe a impressão de se ver uma só televisão e um só jornal com diferentes apresentadores ou designs. É a uniformidade disfarçada de diversidade.

A democracia é eleições pluri-partidárias ou não é, se bem que seja também corrupção, clientelismo, apatia politica e abstencionismo. Os “gurus” do pensamento trabalham destemidamente para garantir ao sistema que com o voto só muda a cor da mascara com que se tenta encobrir a dominação.

Os milhões que protestam contra a exploração capitalista, a guerra ou os genocídios, nunca serão chamados dissidentes, mas sim “terroristas”, “globalifóbicos”, ou quanto muito ”bandos”, como tal podem-se reprimir, assassinar e torturar impunemente com as armas da democracia representativa.

A Internet, ainda que também invadida pelas grandes empresas, brindou aos movimentos sociais a possibilidade de colocar, de imediato e a baixo custo, a informação que oculta a inundação mediática.

Nestes tempos de Internet e exclusões, de satélites e fome, Carlos Max, sorridente e subversivo, sussurra nos ouvidos do mundo: “dissidentes de todos os países, comuniquem-se”.

"Elogio da dissidência" por Iroel Sánchez


E como dizia Noam Chomsky... As coisas acontecem no mundo devido aos esforços de pessoas dedicadas e corajosas, de cujo nome ninguém ouviu falar, e que não passam para a História.. por isso... em sinal de gratidão e reconhecimento pelo contributo que esses anónimos dão à liberdade, o Férias decidiu criar o seu próprio prémio: Prémio Dissidência Digital.

And the winners are:

Arrebenta com Braganza Mothers
Kaos com Kaos in The Garden
António Balbino Caldeira com Do Portugal Profundo

FMS com A Caverna Obscura"

Obrigado, André!


"Todos os Homens honestos mataram César. A alguns faltou arte, a outros coragem e a outros oportunidade mas a nenhum faltou a vontade."

-Marcus Tullius Cicero, Philippicae

29.4.07

A red day, a blood day, ere the sun is gone :)



For Mari Arumae, distant friend, hope :)

27.4.07

Hei-de existir até não mais poder. Feliz Advento para todos os que por aqui passam. Em tempos não quis fazer anos.

Hoje sabe-me a velas abertas a ventos sem fim. Sabe-me a nervos, a som e a luzes, aos batimentos que amo mais do que aos meus próprios.

Sabe-me a ti, quem quer que sejas, quem quer que em tempos tenhas sido. É com muita honra que escrevo esta linha, em particular, por não a dedicar só a ti, e nunca a mim.

Vai começar um dia novo. Sem esquerdas nem direitas, e bem centrado no que realmente importa. Goza-o bem.


APOCALYPSE DREAMS
(Sullivan) 1996

I went up to the mountain, apocalypse dreams in my head
There was fire upon the horizon but it was just the sunrise turning red
Maybe it's time, maybe it's time . . .

Each night I walk to the edge of the city out to where the darkness begins
Made a promise out here a long time ago and I've been waiting ever since
Maybe it's time, maybe it's time . . .

My world has become an empty place
Of great, wide landscapes and weird painted skies
Strange patterns and islands of light
And people move as shadows never touching at all
I've never been afraid to die, maybe scared to live

I've been across every ocean just chasing after storms
My crew long dead or deserted now and the seas nothing but calm
Maybe it's time, maybe it's time - to turn the ship around

Simplex e a Meretriz República

Cidadão A ligado à terra numa Eneida traduzida por fiscais da EMEL com acne e miopia.

7 da manhã o cidadão A levanta-se; como não tem outra hipótese, deixa os filhos a dormir e pede a familiares que os levem à escola. Esses familiares perdem tempo de cujo valor não são ressarcidos.

8 da manhã o cidadão A está à procura do centro de emprego da sua área de residência; a GNR, as pessoas na rua e os lojistas não sabem onde fica, nem existem quaisquer indicações em conformidade. É um puto de 12 anos, abordado a medo não venha a brigada controleira ao cheiro de pedófilos ("o senhor é criminoso, só que ainda não o sabe"), que fornece a preciosa informação. O cidadão A encontra a dita repartição e arruma o carro no único lugar disponível, a 900m. Não repara no parquímetro (caraças! já contei o fim da estória) e vai descansado comparecer à "sessão técnica" (sic na convocatória) que se destina a reinserir o cidadão A no mundo dos vivos.

Às 11:45 termina a sessão. O cidadão A fica a saber que a partir de agora é um perigoso cadastrado, um facínora ao trato: apresentações periódicas, porte de comprovativos de envio de cartas/mails a solicitar entrevistas para emprego (o cidadão A está no percentil 90 do cômputo habilitações / experiência mas infelizmente não é primo de nenhum deputado nem milita para tachos) e não pode ausentar-se do país sob pena da cessação das prestações de desemprego. Fica ainda ciente de que os centros de emprego, pesem embora a seu favor a gentileza e forma da amostra de staff contactada, nunca ouviram falar de teletrabalho, part-time, adequação vocacional e, mais giro, desconhecem em absoluto as próprias movimentações, facto consubstanciado pela presença de "candidatos" convocados erroneamente; da prestação de informações incompletas; do desconhecimento de situações aberrantes impostas a "candidatos" em entrevistas com entidades que praticam parcerias com o IEFP. And so on.

Claro que às 11:46 o cidadão A tinha o carro bloqueado. Liga para a empresa e o agente aparece de imediato. Exige o pagamento de uma soma no montante de 60 euros, 30 para a empresa (taxa de serviço) e 30 para a DGV (coima). O cidadão A apresenta um cheque, meio de pagamento à vista consagrado na lei e de aceitação obrigatória até ao valor de 125 euros. O agente diz que a empresa sua empregador rejeita tal meio de pagamento. O cidadão A contrapõe com a lei e o agente manda-o reclamar por escrito, ou então ir buscar o carro 5 dias depois ao aeroporto.

O cidadão A fica naturalmente fodido com tanta prepotência, estupidez e irracionalidade junta na mesma manhã, e de caminho para casa pondera atitudes radicais, como declarar guerra sozinho a um pequeno país ou votar nas próximas eleições.

Mas a razão impera e em vez disso pauta-se por relembrar a si mesmo que a filhadaputice não se despe com sabão nem pondo uma gravata por cima.

Como post-scriptum, ao sacar os formulários Simplex do site do IEFP para solicitar aprovação de um projecto de criação de emprego (sim! o cidadão A não quer parasitar o estado-cabrão e vai abrir uma empresa, beneficiando assim utentes, trabalhadores e a cabra da sociedade em geral) eis senão quando, são nada menos do que 12 páginas com anexos, muitas delas contendo campozinhos para inscrever informação cujo teor obrigará, no mínimo, a contratar um fiscalista para o obter. Mais 7 anexos.

Desejo portanto ao estado e ao povinho umas boas entradas e melhores saídas, que eu, em podendo, emigro.

26.4.07

New Dark Age

In the darkest times
Darkest fears are heard
And from the safest places
Come the bravest words
Some make a quiet life
To keep this
Scared old world at bay
The dogs are howling on the street outside
So they close the curtains, hope they go away
And it's pressure from all sides
Coming down around our ears
Stuck in this room without a door
Scratched away at the walls for years
All we've got to show is the dust on the floor
And here it comes, a new dark age

I catch your eyes
Before they fall to the ground
We're running out of time, breath and steam
We're running down
They're burning witches
Up on punishment hill
Dying proof in the power of authority
To exact its will
And we've broken our fingers
Broken our faith
Broken our hearts so many times
They can't be broken anymore
Scratched away at the walls for years
All we've got to show is the dust on the floor
And here it comes, a new dark age
Here it comes….


(Borland)


IN PASSING (A.Borland)

These yellow lights are not enough
To illuminate this night
These streets all have a hollow ring
Sounding down inside
This town got our wild years
Now it's quiet here, and still
What good is life without the few
Who lived it to the full?

This yellow glow
Is gonna show me home
Down rivers made of stone
But if you miss old friends tonight
Then you are not alone
Da Nação fizeram Nacinha.
Por via de Revolução?
Não,
por via de revolucinha.

Do farão ficou farinha.
Cabe dentro dum caixão?
Não,
cabe dentro duma caixinha.

Da intenção restou sentencinha.
Trataram do povão?
Não,
trataram da vidinha.

E a Grande Marcha (do Pogresso) ficou murchinha.
Perderam a tesão?
Não,
perderam a espinha.

Salvou-se a corrupção agora rainha.
Venderam-se em leilão?
Sim,
e mais à puta da alminha.

- César Augusto Dragão

23.4.07

Faço anos no mesmo dia que Ricardo Araújo Pereira, Oliveira Salazar e Saddam Hussein.

Não sei se ria, se chore.

Acho que vai dar ao mesmo.

É só rir, senhores, é só rir!!!

Cidadão A, desempregado, vende o carro para poder subsistir mais uns tempos.

Centro de emprego da área de residência convoca cidadão A para estar às 09:00 numa "reunião colectiva" a fim de "definir o seu percurso de reintegração".

Cidadão A é pai solteiro e tem que ir levar os filhos à escola.

Não há transportes para o centro de emprego ente as 08 e as 09, existe um às 07 e outro às 09:30.
Cidadão A expõe e pergunta.

Centro de emprego manda cidadão A levar nas nalgas, "e não falte, olhe que eles marcam logo o seu nome!"

Cidadão A recorda-se de quando Cidadão B, com mais ou menos as mesmas habilitações e percurso (formador de formadores, anos de ensino e formação na área das ciências exactas, etc..) foi convidado a fazer um curso de 15 dias a 40 km de casa, com 3 euros de subsídio, para se reintegrar melhor.

Ardet nec Consumitur.

22.4.07

http://grandelojadoqueijolimiano.blogspot.com/2007/04/complacncia-absoluta.html


Para o cidadão médio, conhecedor de meandros universitários e experimentado na vida comum, essas explicações são falsas porque atentam contra o sentido comum da realidade das coisas. Uma licenciatura, com um exame final de rigor tabelado e sem favor pessoal, não se faz ao Domingo. Ponto final. E tanto não se faz que logo que surgiu a nesga de oportunidade para a negar, foi isso que aconteceu, com alívio, desmentido logo a seguir numa atrapalhada revelação de falsificação documental de responsabilidade ainda anónima.
Uma licenciatura digna, escorreita e com valor superior como foi o apresentado, não se faz com um único professor para uma caterva de cadeiras difíceis e com outro de empréstimo que nem o podia ser, com um exame mixuruco e de favor já examinado. Qualquer professor mediano sabe isto e foi o que o reitor da Universidade Fernando Pessoa, no último Prós & Contras veio dizer, no silêncio ambiente de outros.

...

A complacência magna neste assunto, em contradição magnífica e flagrante com um suposto grau de exigência ético, no passado, permite que se questione a evolução democrática portuguesa ou se avalie a natureza da própria democracia que temos e somos.
Um país tido como de brandos costumes, alterna a contemporização mais laxista, com a intolerância mais acerbada, e a incerteza dos valores assentes, permite a certeza do futuro dos sociólogos e crónicos do regime e do contra.

Numa pequena resenha, o retrato de um país:

O jornal Independente saído no final dos anos oitenta, pode ser um bom guia desta esquizofrenia nacional, socialista e democrata.
Nessa época dourada de ética aflorada em papel de jornal, pela dupla Paulo Portas e Miguel Esteves Cardoso, foi notícia, em Março de 1989, o caso de Leonor Beleza como ministra na Saúde e a publicação de um relatório da Inspecção Geral de Finanças, conduziu directamente à demissão do ajudante de ministro Costa Freire, por corrupção. Sabemos como tudo acabou: o ajudante em tempos proclamou a sua intenção de accionar o Estado por ter sido acusado, julgado e …não transitado. O caso, como todos sabem, prescreveu. O futuro de Leonor Beleza perseguiu-a mais uns anos e com a prescrição do caso dos hemofílicos, acabou numa fundação de prestígio e muito dinheiro.
Em Janeiro desse mesmo ano, o caso da casa de Cadilhe, ministro de Finanças que aproveitou o serviço da guarda-fiscal para mudar os trastes de um apartamento modesto trocado para o luxo das Amoreiras, deu o brado necessário, para se entender como eticamente inadmissível tal comportamento, digno de demissão.
Em Fevereiro de 1990. estalava o caso Melancia, nomeado pelo presidente Soares para a governação de Macau: 50 mil contos remetidos ao governador que saíram do escritório de uma empresa alemã, por causa do aeroporto de Macau, sumiram. Em tribunal, Melancia ficou à parte; na outra parte, deu-se como provada a corrupção activa sem se ter determinado o agente da passiva. Melancia sempre negou. Rui Mateus, um íntimo do poder socialista centrado em Mário Soares e Almeida Santos, foi condenado e escreveu um livro a denunciar todas as tramóias que lhe interessavam na altura. Prometeu escrever outro. O principal visado, o dito cujo Mário, mai-lo seu partenaire de partido Almeida Santos, sairam totalmente incólumes do assunto, porque os procuradores gerais, na época, adjuntos do poder socialista, entenderam que o baile parava à porta de Belém. “Não se encontraram indícios suficientes”, foi a justificação legal.
Um desgraçado jornalista- Joaquim Vieira- tentou repescar o assunto da vilania explicada, por ocasião das últimas presidenciais. Fê-lo com tanta oportunidade que acabou despedido e a revista onde publicara o desaforo, fechada para balanço. Quem foi o responsável? O mistério aponta para um poder laico, republicano e de pendor social que se opõe sempre a uma famigerada“direita”, a atentar sempre contra a estimada “esquerda” defensora dos direitos do povo e do socialismo. É este o argumento supremo, sempre que o fogo chega às portas da cidade proibida. Aqui d´el rei! Vem aí a direita! Tem sido o slogan infalível dos sitiados pelos escândalos incontornáveis.
Em 1992, o escândalo rebenta no seio da própria entidade que acima de todas se instituiu como defensora dos interesses dos trabalhadores. A UGT, couto do socialismo à moda de Torres, foi acusada de aproveitar verbas do Fundo Social Europeu para formar vigaristas. Caiu o Carmo, a Trindade e a torre do Tombo afundou-se. Podia lá ser, uma coisa assim! Anos e anos depois, o processo, naturalmente, prescreveu. Couto sumiu, mas outros coutos apareceram e prosperaram, sempre em nome dos trabalhadores.
Em 1994, um outro assunto menor assumiu proporções de grande escândalo: O deputado do PSD e líder parlamentar, Duarte Lima, tinha uma Casa Cheia de coisas fabulosas. O Independente de 9 de Dezembro de 1994, prometia escrever sobre “as fabulosas casas” do deputado, vindo das berças transmontanas, pobre e com uma mão atrás e outra à frente, em busca das luzes da cidade. Uma quinta de 3 hectares, perto de Nafarros, suscitava a atenção do próprio Mário Soares que publicamente exprimia a sua estranheza pelos muros altos da quinta sem dono verdadeiramente conhecido e com movimentações suspeitas de obras e mais obras. Um bom ingénuo, este Soares, proclamava a sua estranheza mesmo, mesmo estranha, na época.
A fuga ao fisco, serviu outra vez para o escândalo estourar, com base sólida, demolida com o pagamento em processo de contra-ordenação e rectificação de declarações fiscais. O resto foi por água abaixo porque em 1994, o tráfico de influências era ainda uma miragem penalmente relevante. O deputado, aliás esteve sempre inocente de todas as acusações e trocou impressões nos jornais contra a inveja pátria.
Em Janeiro de 1996, calhou a vez a um Nabo de apelido, ser incomodado por ter tentado enganar o fisco. Murteira, ministro de Guterres, declarou um preço de compra de uma casa, abaixo do real. Ficou ao léu, porque o pecado era mortal, como fora para Cadilhe e veio a ser igualmente para António Vitorino, alguns anos depois, por causa de um monte alentejano, sem sisa.
Aliás, a falta de cumprimento escrupuloso das obrigações fiscais, tem sido o atoleiro de governantes, em Portugal. O único motivo de demissão de governantes, em Portugal, tem sido apenas esse. Bem, não apenas esse. Houve um outro, ainda mais grave, relacionado com uma anedota sobre hemofílicos. (correcção da Caverna: hemodiálise)
Os casos de corrupção ou nepotismo, sendo raros, são também do domínio dos assuntos esotéricos. Nunca um político se demitiu por insignificâncias dessas, negadas pelo povo que elege. Fátima Felgueiras? Inocente, até prova provada do contrário. O da mala preta? Qual quê! Isaltino Morais? Nem é preciso acrescentar mais. Narciso Miranda? Nem pensar. Até prepara o seu regresso ao futuro depois do caso desagradável de Sousa Franco que – isso sim!- não se tolera de modo nenhum… durante uns meses!

Nesta jangada de pedra da democracia pátria, a ética na política, parece uma moda, apresentada pelos jornais. Antes, a ética do inadmissível, resumia-se na fuga ao fisco que no fim de contas redundou na prisão de uma única pessoa, um anónimo da Oliva.
A corrupção, nunca se assumia porque não existia, até prova em contrário que nunca se fez. As leis que a combatem são sistematicamente combatidas na Assembleia por quem numa lógica perfeita, se recusa a combater o que não existe.
Os inquéritos no Parlamento, destinados a apurar responsabilidades ético-políticas, redundam sempre no mesmo destino conhecido antecipadamente: conclusões de geometria variável conforme a maioria que vota. A verdade, nisto tudo? Um pormenor casuístico, procurado apenas por interesse politicamente relevante ou pura e simples vingança contra os que ousam afrontar o poder político geral dos eleitos de sempre, em listas dos mesmos de sempre e em nome da democracia formal que juram a pés juntos respeitar.

...

O que resta para a justiça do cidadão que vota, talvez seja a esperança de que algum destes salafrários se esqueça de declarar a sisa integral do apartamento de luxo, comprado com o salário de funcionário público e um jornal que ainda não existe (o Independente acabou), se lembre da oportunidade do assunto.
Mesmo assim, é de temer que nesta altura, já nem sequer exista assunto de escândalo suficiente.
A prova, cabal e de demonstração directa, está à vista de todos.

21.4.07

Sano heti jos minä häiritsen,
hän sanoi astuessaan ovesta sisään,
niin minä lähden saman tien pois.

Sinä et ainoastaan häiritse,
minä vastasin,
sinä järkytät koko minun olemustani.
Tervetuloa.



Tell me immediately if I'm disturbing you,
He said, coming in the door,
And I will leave right away.

You not only disturb,
I answered,
You shake my whole being.
Welcome.




- Eeva Kilpi -

Redde Caesari quae sunt Caesaris

Acho que é um preço baixo por toda a sequência (espera lá, entrou um novo acordo ortográfico com os autóctones, não foi? vou conferir) (já conferi, escreve-se da mesma maneira) (bom) de dedicatórias que Temos recebido da Nossa Zazie-en-Cocagne, estes



embora seja de realçar que me sinto um bocado acossado, tipo,



por isso a partir de agora estou em



Não estou nada. Já vou buscar um poema aconselhável ;)

19.4.07

Open

My heart seeks eternity:
from chaos to cosmos.

Glowing flames
illuminate dark cities,
masses move
into silent darkness.
into silent darkness.

We go!
We go!
Fighting death,
fighting death,
wordless wrath expands
and we are being extinguished.
I, you, all of us.

- Srecko Kosovel
Translated by William S. Heiliger
Imagem: wehavekaosinthegarden
Texto: cavernaobscura




Para que esta mensagem passe com maior claridade ("clarity" no original, em Inglês Técnico) optamos por mobilar ("furnish" no original em IT) o público com frases simplex, articuladas no jargão da casta dominante e com um complemento semântico que lhe seja familiar ("shut the fuck up and vote" no original coiso).

Assim, os portugueses sabem bem que andam a ser levados; os portugueses sabem-no bem. E sabem-no por demitir-se recorrentemente do mais rudimentar procedimento higiénico: olhar ao espelho de manhã e inspeccionar, atentamente, a fronha que ali se desvenda. Mas os portugueses escolheram! E os portugueses escolhem, e escolherão, porque têm direitos, veja-se bem, os portugueses pronunciaram-se escolhendo ter direitos que sabem bem! Os portugueses sabem pronunciar que querem escolher o que têm. É normal, de resto absolutamente normal, que assim sendo, quem escolhe o que tem, leva. E quanto mais leva, mais o cuzinho aquece, e mais forte se torna o PS. Tudo isto é normal e qualquer tentativa de provar o contrário não passará de uma manobra insidiosa para alertar o público para a dura realidade: os portugueses sabem bem o que encontram no espelho, de manhã. Sabem bem e de cima vem a Voz do Dono que fala por eles, como é aliás normal.

Mas dir-se-à ainda mais. Qualquer tentativa de escamotear a realidade será punida com o ostracismo, a chacota e a exclusão dos programas mais avançados, alguns até dignos do século LXXXVII, com que a Providência Social poderia ainda vir a entender brindar os elementos mais desfavorecidos - aqueles que não saibam, por exemplo, possuir o direito inalienável de, tendo abortado à trigésima semana, adoptar um aspirador vivendo em união gay. Assim dita o imperativo de estabilidade que os portugueses amam, que os portugueses querem, do qual precisam, assim ditam os portugueses que mandam nos portugueses que por seu turno vivem dias que são iguais, entre si e ciclicamente até morrerem todos de cancro nos bolsos, porque é a trabalhar, e não com questões parvas, que o país vai para a frente. Senão ficamos malucos.Os portugueses sabem bem que não são malucos.

E agora a sério.

Com o advento de mais esta Esmeralda na coroa do arquipélago, Sócrates-o-Usurpador e a Vara de acólitos que encabeça arriscam-se a rivalizar com as hordas de Tamerlão na corrida aos lugares cimeiros do próximo concurso da Emissora Social-Ortodoxa, "Os comedores de inocentes". Num ritual de glória quase castrense e a expensas do seu já ténue equilíbrio, o território vai agora assistir, com abandono e bacanália, à reinvenção da burla.

É escusado vir bradar para aqui, no ermo blogosférico, a apologia do grito libertário, dos despertares colectivos, de revoluções inanes e torpes que mudariam apenas o formato à letargia. Toda a gente sabe em que país vivemos: Portugal está feito um grande e fétido recanto sem solução, em tudo semelhante ao simpático bairro onde decorre a acção do filme de Ettore Scola, "Feios Porcos e Maus"; onde o acessório é tido por essencial e campeia o culto à mediocridade; onde todos comem todos, consanguineamente, e perante a deriva das gerações que brotam, a maralha passa os dias no exercício de direitos "fundamentais", alegremente cantando e rindo, numa espiral hedionda e agonizante. Não há nada como um par de sapatos novo para condizer com o creme, o telemóvel e os comprimidos brancos que combinam tão bem com o segundo maço de polónio, digo tabaco. O resto são cabalas que esses gajos novos, com a mania que são evoluídos, andam para aí a espalhar para ver se isto volta outra vez ao Salazar.

Este é o país em que é simplex constituir uma empresa, mas depois as certidões demoram 4 semanas a sair; em que as leis são do século XXI, mas depois o sistema e os funcionários do sistema são do Paleozóico; em que há formulários, sites, e mecanismos para reclamar disto e daquilo, promovendo a denúncia e o caguinchismo geral, mas depois tudo acontece e ninguém é jamais ressarcido do tempo e dinheiro que perde; em que desempregados de 60 anos (engenheiros a sério) são mandados chamar a centros de emprego para cuja localização não existem transportes públicos, e à chegada "convidados" a aderir a um programa de "reciclagem" a 50km de casa, com três euros e 25 cêntimos de subsídio de almoço, mas depois os filhos da puta dos políticos estoiram milhões de vezes esse valor numa semana, em merdas que não fazem falta a ninguém.

Os portugueses sabem bem o que lhes falta quando se vêem ao espelho de manhã.

Os Ministros da Morte, #4 - Correia de Campos (o Pinkie)

Esta anda há tempo demais entalada para passar em claro.

Há uns tempos, Fátima Campos Ferreira apresentou no Prós & Prós uma versão estilizada das imagens que reproduzo abaixo. Disse nessa noite que a figura da esquerda representa (facto consumado, e não alvitre ou previsão) "a cobertura em território nacional após concretização do plano do ministro Correia de Campos". A cobertura actual seria qualquer coisa mais aproximada à imagem da direita.

FCF é mais um exemplo de como é tão possível reduzir um ser humano capaz à expressão gelatinosa da subserviência. E o pior é que tudo se reduz a dinheiro e a um ideal bacoco de inclusão social, uma "need to belong" a la dixieland.

Bom proveito em 2009.


Os Ministros da Morte, #3 - Mariano Gago

Ao melhor estilo "England Prevails", meus senhores.

UnI: Inspecção-Geral exigiu entrega do processo de Sócrates
A Inspecção-Geral do Ensino Superior exigiu à Universidade Independente (UnI) que entregue todos os registos relacionados com o percurso académico de José Sócrates, em duas diligências realizadas terça-feira e hoje na instituição, disse à Lusa a assessora da universidade.

Em declarações à agência Lusa, Maria João Barreto considerou que esta exigência «tem tudo a ver» com a conferência de imprensa que a direcção da UnI convocou para terça-feira e posteriormente adiou para hoje, na qual serão divulgados documentos relacionados com a licenciatura do primeiro-ministro na instituição, concluída em 1996.

«Os inspectores do Ministério estiveram cá ontem [terça-feira] a exigir o processo do primeiro-ministro, mas nós recusámos, já que da primeira vez que quisemos entregar todos os documentos, eles não aceitaram porque não queriam que esses registos fizessem parte do processo da inspecção», afirmou a assessora da UnI, Maria João Barreto.

A responsável adiantou que, perante a recusa da universidade, os inspectores voltaram hoje à instituição, exigindo a entrega dos processos de todos os alunos da UnI, desde a sua criação, em 1994, «que são largos milhares».

«Como não entregámos [terça-feira], hoje voltaram e reagiram com extrema falta de elegância e de forma violenta, exigindo os processos de todos os alunos. Esta exigência é completamente descabida e absurda e, para nós, tem tudo a ver com o anúncio da nossa conferência de imprensa», considerou.

Segundo a assessora, a inspecção ainda se encontra nas instalações da universidade.

Contactada pela Lusa, a Inspecção-Geral do Ensino Superior escusou-se a confirmar, para já, esta informação, remetendo para mais tarde um comentário.

Em causa está a documentação relacionada com o percurso académico do primeiro-ministro, José Sócrates, na UnI, um processo envolto em polémica devido à existência de várias incongruências, como dois certificados de habilitações com datas e notas diferentes.

A UnI tinha anunciado que esta documentação de Sócrates - bem como de outras figuras públicas que passaram por aquela universidade - estava guardada, por questões de segurança, numa caixa blindada.



(fonte: Portal do Governo)

Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

Gabinete do Ministro

Comunicado

I - Face às notícias vindas a lume sobre alegadas inexactidões processuais relativas a diplomas conferidos pela Universidade Independente e perante o silêncio dos responsáveis académicos dessa Universidade, impõem-se, em defesa dos seus actuais e antigos alunos, os esclarecimentos seguintes:

1. A Universidade Independente é um estabelecimento de ensino superior universitário reconhecido nos termos da lei e habilitado a conferir graus académicos após processo legal de reconhecimento de interesse público (que teve lugar em Dezembro de 1994) e de autorização de funcionamento dos respectivos cursos (desde Maio de 1995).

2. A Universidade Independente foi repetidamente avaliada e inspeccionada nos termos da lei, ao longo de mais de 10 anos. Dessas avaliações e inspecções resultaram recomendações e acções correctivas. Delas não resultaram informações que pusessem em causa a legitimidade dos diplomas atribuídos ou o ensino ministrado.

3. Confundir os actuais problemas da Universidade Independente - que deram de imediato lugar a acções inspectivas determinadas em 27 de Fevereiro de 2007 ‑ com o seu normal funcionamento atestado pelas referidas acções de acompanhamento e controle é manifestamente abusivo e lesivo dos interesses dos seus alunos e dos seus diplomados.

4. Os actuais problemas da Universidade Independente - ao nível das perturbações no funcionamento da empresa proprietária e, na sua sequência, no funcionamento académico da Universidade - são da estrita responsabilidade da empresa instituidora. Os alunos da Universidade são vítimas dessa situação, pela qual não podem de nenhuma forma ser responsabilizados. Do mesmo modo, os diplomados e antigos alunos da Universidade Independente não podem ver descredibilizados os seus diplomas e o esforço que realizaram. Todos eles têm direito ao seu bom-nome e ao reconhecimento pela sociedade da vontade de estudar e progredir que demonstraram.

II - Hoje mesmo, em representação dos estudantes da Universidade Independente, a sua Associação Académica solicitou ao Ministério as diligências que permitam «a reposição do bom nome daqueles que se sentem afectados por estas suspeitas e que obtiveram a sua formação de forma lícita». A defesa dos estudantes e dos diplomados impõe que se dê acolhimento a esse pedido. Assim:

a) O Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior solicitou à Inspecção-Geral que, no âmbito das averiguações em curso, procedesse ao esclarecimento cabal dos procedimentos de emissão de diplomas e de apuramento e comunicação da informação estatística, assim como dos procedimentos de equivalência para prosseguimento de estudos, com vista a dissipar a inaceitável suspeição generalizada que foi lançada.

b) O Ministro solicitou ainda à Inspecção-Geral e à Direcção-Geral do Ensino Superior que reforcem todos os mecanismos de salvaguarda da documentação e registos académicos da Universidade, reiterando a integral responsabilidade não apenas dos responsáveis pela Universidade mas ainda dos seus funcionários no cumprimento dos respectivos deveres profissionais.

Os Ministros da Morte, #2 - Lurdes Rodrigues

"A título de exemplo, a Confederação das Associações de Pais aponta casos de palavras como «paciência», actualmente classificada como «nome comum abstracto» e que passaria a designar-se por «nome não contável e não massivo»;
ou o caso de «peixe-espada», que passaria de «palavra composta por justaposição» a «composto morfo-sintáctico coordenado»."