É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
- Eugénio de Andrade
When I hear music, I fear no danger. I am invulnerable. I see no foe. I am related to the earliest times, and to the latest.
- Henry David Thoreau -
Condensing fact from the vapor of nuance since 2003
6.9.07
INTO THE WIND
(Sullivan/Nelson/Dean/White/Gill) 2007
We went to see the fall of Rome – I thought it would please us
To watch how the mighty go in a blaze of hubris
But I just stood there hypnotised by all the beautiful madness
Face into the wind, boys, face into the wind
Last night I dreamed that we built a fire in a wild garden
We took all the holy books and we burned them
All those pages to ashes, every last one of them
Face into the wind, boys, face into the wind
Everything under the sun shall be harnessed
Forced to push and pull and endure like unwilling horses
All for the ceaseless construction of Man’s Great Purpose
Face into the wind, boys, face into the wind
And in the Market Square they’re still stacking the shelves
I’m screaming: I don’t want anything, I don’t need anything
I don’t want anything, I don’t need anything
(Sullivan/Nelson/Dean/White/Gill) 2007
We went to see the fall of Rome – I thought it would please us
To watch how the mighty go in a blaze of hubris
But I just stood there hypnotised by all the beautiful madness
Face into the wind, boys, face into the wind
Last night I dreamed that we built a fire in a wild garden
We took all the holy books and we burned them
All those pages to ashes, every last one of them
Face into the wind, boys, face into the wind
Everything under the sun shall be harnessed
Forced to push and pull and endure like unwilling horses
All for the ceaseless construction of Man’s Great Purpose
Face into the wind, boys, face into the wind
And in the Market Square they’re still stacking the shelves
I’m screaming: I don’t want anything, I don’t need anything
I don’t want anything, I don’t need anything
5.9.07
Choveu no caminho para cá. Gosto da chuva, do vento e das trovoadas. Relembram às pessoas que toda a silly season tem um fim, que há coisas muito mais importantes do que o umbigo das férias, e que o inchaço no ego da espécie tem de ter também um fim.
Há dias em que a paz não é completa, em que o desconhecimento relativo àquele buraco de 3 meses ainda fervilha e supura e corrói. Nesses dias, se não tiver o suor a distrair-me do fel, é difícil.
O que existe, contudo, é incomparável.
Café, e depois direitinho ao trabalho que se faz tarde :)
Há dias em que a paz não é completa, em que o desconhecimento relativo àquele buraco de 3 meses ainda fervilha e supura e corrói. Nesses dias, se não tiver o suor a distrair-me do fel, é difícil.
O que existe, contudo, é incomparável.
Café, e depois direitinho ao trabalho que se faz tarde :)
Casa
Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.
Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.
Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão. . .
Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que sem voz me sai do coração.
- David Mourão-Ferreira
Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.
Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.
Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão. . .
Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que sem voz me sai do coração.
- David Mourão-Ferreira
4.9.07
(eu sei que é a terceira vez que meto aqui o poema que vem no final deste texto, mas compreendam que é por uma boa causa; a gerência pede desculpa. se acharem que há partes "just too corny" neste post, pensem três vezes e bebam uma água. até já.)
Querida,
já cheguei a casa. Hoje durmo com um gesto teu nos lábios: o telefonema de há pouco. Caído ali, sustentáculo de fantasmas que habitam as terras onde por um triz não teria eu próprio ido acabar, pensei em ti, telecinese impossível, e mandaste-me um séquito de anjos disfarçados de palavras. Fizeste a minha noite, conquistaste-me secretos torreões que vão capitulando, aos poucos inexoravelmente, sob a tua voz deliciosa, encantadora, frágua nos meus sentidos.
Estou apaixonado por ti, e sabes?, por nós. Pela beleza primordial que faz de base ao que a cada dia entendemos fazer - e nada mais nos move senão carinho, amor, atenção, afecto, uma Páscoa de nos querermos bem - pela intemporalidade rebelde e ousada do teu, sim, do teu amor. Porque o meu amor é negro como os destinos dos homens, vermelho como a carne traidora, e branco como as crianças que amamos. O teu... é das cores da vida, de todos os tons compreendidos entre o balbuciar de um bebé e o olhar sentido da mulher madura que o tempo te fez.
Estou tão bem contigo, por ti, para ti. Ligo-te mentalmente vezes sem conta para ouvir-te contar-me a última sensação, o próximo dia. Estalam crinas de unicórnios debaixo das minhas mãos trémulas com a recordação do teu sorriso que para mim será sempre inocente.
Aqui tens um poema do Vian.
É por demais curioso que o sentido que dele retiro, hoje, se encontre nos antípodas daquilo que me cativou aquando da primeira vez que o li. Nessa altura, estava-me nas tintas porque lá fora, escondida, andarias tu e os néscios imperavam, contentes. Hoje os néscios ainda reinam, cada vez mais galhardos, inchados, impunes; mas tu estás comigo, descobriste-me nas portadas do sonho e eu sucumbo, sucumbo todos os instantes ao somatório das coisas que me fazes sentir.
Não quero viver sem ti e quero que saibas que te acarinho, daqui tão longe separados por um rio e por essa massa amorfa que faz as cidades, que te acarinho como se fosses a mais terna, frágil e imprescindível pétala, que brotando contra todos os Invernos vem declarar ainda outra batalha ganha contra a entropia, ainda um gesto de amor.
És a flor que me deixa a chorar quando entre os humores, a paixão e o futuro dou comigo a sorrir para a tua fotografia.
E a banda sonora não pode ser dita.
Ils cassent le monde
Ils cassent le monde
En petits morceaux
Ils cassent le monde
A coups de marteau
Mais ça m'est égal
Ca m'est bien égal
Il en reste assez pour moi
Il en reste assez
Il suffit que j'aime
Une plume bleue
Un chemin de sable
Un oiseau peureux
Il suffit que j'aime
Un brin d'herbe mince
Une goutte de rosée
Un grillon de bois
Ils peuvent casser le monde
En petits morceaux
Il en reste assez pour moi
Il en reste assez
J'aurai toujours un peu d'air
Un petit filet de vie
Dans l'oeil un peu de lumière
Et le vent dans les orties
Et même,
même s'ils me mettent en prison
Il en reste assez pour moi,
il en reste assez
Il suffit que j'aime
Cette pierre corrodée
Ces crochets de fer
où s'attarde un peu de mon sang
Je l'aime je l'aime
La planche usée de mon lit
La paillasse, le châlit
La poussière de soleil
J'aime ce judas qui s'ouvre
Ces hommes qui sont entrés
Qui s'avancent, qui m'emmènent
Retrouver la vie du monde
Retrouver la couleur
J'aime ces deux longs montants
Ce couteau triangulaire
Ces messieurs vêtus de noir
C'est ma fête, je suis fier
Je l'aime, je l'aime
Ce panier rempli de son
Où je vais poser ma tête
Oh je l'aime, je l'aime
Je l'aime pour de bon
Il suffit que j'aime
Un brin d'herbe bleue
Une goutte de rosée
Un amour d'oiseau peureux
Ils cassent le monde
Avec leurs marteaux pesants
Il en reste assez pour moi
Il en reste assez, mon coeur
- Boris Vian
2.9.07
Now playing, com todos os sentidos, na tua ausência e até amanhã:
Vas - Feast of Silence
Warren Ellis - Come in Alone
Brian Eno - After the Heat
Neil Gaiman - Stardust
e.e cummings - xxi poems
Deftones - SNW
Noval Tawny LBV 2000
Vasco Gato - Um mover de mão
regar as plantas
(
Esta noite todos os quartos estão frios.
Entra pelas janelas a verdadeira imobilidade das árvores.
Em volta, nas paredes escurecidas, a infância mais antiga.
Um homem dissipa-se subitamente contra o luar.
Esse é o gesto que faz morrer os campos.
É o mesmo gesto que levanta um amor mútuo,
uma tontura de corpos atirados para uma
morada extrema.
Aqui se conhece o elo que une a terra
e as mãos e o sonho animal.
Porque o círculo das vozes é uma gravidez poderosa.
E há sempre vozes no interior das paredes,
subindo das fundações,
inchando toda a casa.
Em cada quarto um ser procura a presença do seu próprio rosto.
- vasco gato, in "imo"
)
Vas - Feast of Silence
Warren Ellis - Come in Alone
Brian Eno - After the Heat
Neil Gaiman - Stardust
e.e cummings - xxi poems
Deftones - SNW
Noval Tawny LBV 2000
Vasco Gato - Um mover de mão
regar as plantas
(
Esta noite todos os quartos estão frios.
Entra pelas janelas a verdadeira imobilidade das árvores.
Em volta, nas paredes escurecidas, a infância mais antiga.
Um homem dissipa-se subitamente contra o luar.
Esse é o gesto que faz morrer os campos.
É o mesmo gesto que levanta um amor mútuo,
uma tontura de corpos atirados para uma
morada extrema.
Aqui se conhece o elo que une a terra
e as mãos e o sonho animal.
Porque o círculo das vozes é uma gravidez poderosa.
E há sempre vozes no interior das paredes,
subindo das fundações,
inchando toda a casa.
Em cada quarto um ser procura a presença do seu próprio rosto.
- vasco gato, in "imo"
)
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