6.9.07

INTO THE WIND
(Sullivan/Nelson/Dean/White/Gill) 2007

We went to see the fall of Rome – I thought it would please us
To watch how the mighty go in a blaze of hubris
But I just stood there hypnotised by all the beautiful madness
Face into the wind, boys, face into the wind

Last night I dreamed that we built a fire in a wild garden
We took all the holy books and we burned them
All those pages to ashes, every last one of them
Face into the wind, boys, face into the wind

Everything under the sun shall be harnessed
Forced to push and pull and endure like unwilling horses
All for the ceaseless construction of Man’s Great Purpose
Face into the wind, boys, face into the wind

And in the Market Square they’re still stacking the shelves
I’m screaming: I don’t want anything, I don’t need anything
I don’t want anything, I don’t need anything

5.9.07

É isso, eu quero que sejas Alba para mim. Só para mim. Toda para mim. De manhã, e quando ouvimos música, que é outra forma de ser de manhã. Sobretudo porque pela manhã não temos receios, nem vestimos o fardo, nem o ar terá já trazido ecos que deviam estar longe de ti e de mim.
Alta de Lisboa.

Construção de 2004. Novo Estado Novo.

Parque das Nações.

O lamaçal varrido para debaixo da obra. Afinal só lá vão 10 anos.

Torre (sim, torre) Vasco da Gama.

Guterro-Socratismo para turistas incautos, cá dentro. Face into the wind, boys.

Quinta da Regaleira.

Amo-te.

C.C. Colombo.

Your friends are for sale.

Loja do Cidadão.

É só rir. Simplificação intra-gabinetes, a mesma merda no terreno.

Centro de Emprego de Loures.

Mundo real, instituições etéreas.

Como se fosses a mais terna, frágil e imprescindível pétala.
Choveu no caminho para cá. Gosto da chuva, do vento e das trovoadas. Relembram às pessoas que toda a silly season tem um fim, que há coisas muito mais importantes do que o umbigo das férias, e que o inchaço no ego da espécie tem de ter também um fim.

Há dias em que a paz não é completa, em que o desconhecimento relativo àquele buraco de 3 meses ainda fervilha e supura e corrói. Nesses dias, se não tiver o suor a distrair-me do fel, é difícil.

O que existe, contudo, é incomparável.

Café, e depois direitinho ao trabalho que se faz tarde :)
Casa

Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.

Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.

Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão. . .

Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que sem voz me sai do coração.

- David Mourão-Ferreira

4.9.07

E aqui.



Já nos vejo aqui :)
(eu sei que é a terceira vez que meto aqui o poema que vem no final deste texto, mas compreendam que é por uma boa causa; a gerência pede desculpa. se acharem que há partes "just too corny" neste post, pensem três vezes e bebam uma água. até já.)




Querida,

já cheguei a casa. Hoje durmo com um gesto teu nos lábios: o telefonema de há pouco. Caído ali, sustentáculo de fantasmas que habitam as terras onde por um triz não teria eu próprio ido acabar, pensei em ti, telecinese impossível, e mandaste-me um séquito de anjos disfarçados de palavras. Fizeste a minha noite, conquistaste-me secretos torreões que vão capitulando, aos poucos inexoravelmente, sob a tua voz deliciosa, encantadora, frágua nos meus sentidos.

Estou apaixonado por ti, e sabes?, por nós. Pela beleza primordial que faz de base ao que a cada dia entendemos fazer - e nada mais nos move senão carinho, amor, atenção, afecto, uma Páscoa de nos querermos bem - pela intemporalidade rebelde e ousada do teu, sim, do teu amor. Porque o meu amor é negro como os destinos dos homens, vermelho como a carne traidora, e branco como as crianças que amamos. O teu... é das cores da vida, de todos os tons compreendidos entre o balbuciar de um bebé e o olhar sentido da mulher madura que o tempo te fez.

Estou tão bem contigo, por ti, para ti. Ligo-te mentalmente vezes sem conta para ouvir-te contar-me a última sensação, o próximo dia. Estalam crinas de unicórnios debaixo das minhas mãos trémulas com a recordação do teu sorriso que para mim será sempre inocente.

Aqui tens um poema do Vian.

É por demais curioso que o sentido que dele retiro, hoje, se encontre nos antípodas daquilo que me cativou aquando da primeira vez que o li. Nessa altura, estava-me nas tintas porque lá fora, escondida, andarias tu e os néscios imperavam, contentes. Hoje os néscios ainda reinam, cada vez mais galhardos, inchados, impunes; mas tu estás comigo, descobriste-me nas portadas do sonho e eu sucumbo, sucumbo todos os instantes ao somatório das coisas que me fazes sentir.

Não quero viver sem ti e quero que saibas que te acarinho, daqui tão longe separados por um rio e por essa massa amorfa que faz as cidades, que te acarinho como se fosses a mais terna, frágil e imprescindível pétala, que brotando contra todos os Invernos vem declarar ainda outra batalha ganha contra a entropia, ainda um gesto de amor.

És a flor que me deixa a chorar quando entre os humores, a paixão e o futuro dou comigo a sorrir para a tua fotografia.

E a banda sonora não pode ser dita.


Ils cassent le monde

Ils cassent le monde
En petits morceaux
Ils cassent le monde
A coups de marteau

Mais ça m'est égal
Ca m'est bien égal
Il en reste assez pour moi
Il en reste assez

Il suffit que j'aime
Une plume bleue
Un chemin de sable
Un oiseau peureux
Il suffit que j'aime
Un brin d'herbe mince
Une goutte de rosée
Un grillon de bois

Ils peuvent casser le monde
En petits morceaux
Il en reste assez pour moi
Il en reste assez
J'aurai toujours un peu d'air
Un petit filet de vie
Dans l'oeil un peu de lumière
Et le vent dans les orties

Et même,
même s'ils me mettent en prison
Il en reste assez pour moi,
il en reste assez
Il suffit que j'aime
Cette pierre corrodée
Ces crochets de fer
où s'attarde un peu de mon sang
Je l'aime je l'aime
La planche usée de mon lit
La paillasse, le châlit
La poussière de soleil
J'aime ce judas qui s'ouvre
Ces hommes qui sont entrés
Qui s'avancent, qui m'emmènent
Retrouver la vie du monde
Retrouver la couleur
J'aime ces deux longs montants

Ce couteau triangulaire
Ces messieurs vêtus de noir
C'est ma fête, je suis fier
Je l'aime, je l'aime
Ce panier rempli de son
Où je vais poser ma tête
Oh je l'aime, je l'aime
Je l'aime pour de bon

Il suffit que j'aime
Un brin d'herbe bleue
Une goutte de rosée
Un amour d'oiseau peureux
Ils cassent le monde
Avec leurs marteaux pesants
Il en reste assez pour moi
Il en reste assez, mon coeur

- Boris Vian

2.9.07



(Show me the dirt pile
And I will pray that the soul can take
Three stowaways
In a passion it broke
I pull the black from the gray
But the soul can wait
I felt you so much today)
Now playing, com todos os sentidos, na tua ausência e até amanhã:

Vas - Feast of Silence
Warren Ellis - Come in Alone
Brian Eno - After the Heat
Neil Gaiman - Stardust
e.e cummings - xxi poems
Deftones - SNW
Noval Tawny LBV 2000
Vasco Gato - Um mover de mão
regar as plantas

(
Esta noite todos os quartos estão frios.
Entra pelas janelas a verdadeira imobilidade das árvores.
Em volta, nas paredes escurecidas, a infância mais antiga.

Um homem dissipa-se subitamente contra o luar.
Esse é o gesto que faz morrer os campos.
É o mesmo gesto que levanta um amor mútuo,
uma tontura de corpos atirados para uma
morada extrema.

Aqui se conhece o elo que une a terra
e as mãos e o sonho animal.
Porque o círculo das vozes é uma gravidez poderosa.
E há sempre vozes no interior das paredes,
subindo das fundações,
inchando toda a casa.


Em cada quarto um ser procura a presença do seu próprio rosto.

- vasco gato, in "imo"
)

21.8.07

NAVIGATING BY THE STARS
(Sullivan) 2002

I must have been looking in all the wrong places
From island to island across the blue
Land astern we’re setting sail into the yonder
We’ll be navigating by the stars

747 into the morning
High above the ocean and the curve of the earth
All the way from somewhere back, forty nights all lost in dreaming
Still navigating by the stars

Bound forever, still driving home
In the cool of the darkness on the silent roads
Rising up before us now, the hanging trees and the looming mountains

20.8.07

Por vezes julgo que este blog deveria terminar aqui, onde quer que o aqui calhasse. O que há para fazer, o resto da tarefa, poderei ombrear de mão dada contigo no Kyle of Lochalsh, caídos numa sessão de cinema irreflectida, ou emudecidos nessa mesma Catedral onde agora te encontras e de onde me escreves, deixando-me reduzido a esta pobre e verborreica sombra.

Falta tudo; não falta nada. Não há nada que eu escreva que não caiba nas nossas trocas de olhares, nem frases cujo teor se compare ao roçar de peles com que abrimos as noites. Em piloto automático e de coração no futuro (o teu único beco sem saída, onde tanto me agrada torcer um braço-de-ferro contigo) o que mais importa está quase composto: viste-os, a ambos, ontem à tarde, e sabes bem com que podem contar.

Eu amo-te. Porque penso sobre nós, porque me é inevitável, à guisa de escorpiões a cavalo em sapos ingénuos. Porque a paixão não fenece mesmo quando o corpo recusa continuar, ao décimo quilómetro ou à décima investida, e permanece. Vela, inflama, arde sem se consumir. Até o medo da morte, esse pavor que carregava desde a infância, nada merece desde que nos aceitámos.

E eu aceito-te, tal como to disse ontem, felizes, sorridentes, apaixonados, rendidos, tensos sem sabermos bem a exacta fórmula do vigor que nos atravessa a cada contacto. Aceito-te com o teu passado (que nunca será ignorado), os dias presentes (ao longo dos quais estarei à tua espera, porto seguro e tranquilo, a caminho da vida real), e com a névoa de um futuro que apesar de tudo, contigo, volto agora a apreciar com menos cinismo, mais livre de mim.

Este blog não termina aqui porque todos os dias me amas além de qualquer dúvida.

On Turning Ten
The whole idea of it makes me feel
like I'm coming down with something,
something worse than any stomach ache
or the headaches I get from reading in bad light--
a kind of measles of the spirit,
a mumps of the psyche,
a disfiguring chicken pox of the soul.

You tell me it is too early to be looking back,
but that is because you have forgotten
the perfect simplicity of being one
and the beautiful complexity introduced by two.
But I can lie on my bed and remember every digit.
At four I was an Arabian wizard.
I could make myself invisible
by drinking a glass of milk a certain way.
At seven I was a soldier, at nine a prince.

But now I am mostly at the window
watching the late afternoon light.
Back then it never fell so solemnly
against the side of my tree house,
and my bicycle never leaned against the garage
as it does today,
all the dark blue speed drained out of it.

This is the beginning of sadness, I say to myself,
as I walk through the universe in my sneakers.
It is time to say good-bye to my imaginary friends,
time to turn the first big number.

It seems only yesterday I used to believe
there was nothing under my skin but light.
If you cut me I could shine.
But now when I fall upon the sidewalks of life,
I skin my knees. I bleed.

- Billy Collins

16.8.07

Nos braços de Mercúrio, vou por dentro do esquema, por cima da biologia, pelo caminho das pedras, nos braços de Mercúrio para ti.
Via Zero de Conduta:


"Politicamente só existe aquilo que o povo sabe que existe", disse Salazar, durante a inauguração do Secretariado de Propaganda Nacional, em 26 de Outubro de 1933.

Um estudante de doutoramento de Caltech acaba de lançar uma ferramenta de busca na Wikipédia que promete dar que falar. É só inserir o nome ou morada IP de uma organização e, voilá, temos o historial de alterações da Wikipedia submetidas por essa morada. (ver história da Wired ou o site aqui: se não der é porque meio mundo está a aceder ao site). A Wired lista já algumas das mudanças (onde as mudanças feitas pelo servidor da FOX News já estão a dar que falar) .

E então experimentei o seguinte: o sufixo do Governo Português .gov.pt (ver CEGER para uma listagem de gov.pt). Depois é ir aqui para ver qual a morada IP correspondente: neste caso, 193.47.185 (0 a 255, ocupam a banda de IP). Depois é só ir ao motor de busca para ver a máquina de contra-informação a funcionar.

Pelos dias em que rebentou o escândalo Sócrates-UNI (início de Abril de 2007), alguém (IP 193.47.185.124) apagou:

"Universidade Independente is presently (06-04-2007) under investigation on alleged irregularities on several matters. The Portuguese Prime Minister alleged university degree by this university is presently under a huge public discussion and media storm. A strong case is being build up against possible false declarations by José Sócrates on his university degree. Under heavy pressure, the Portuguese Prime Minister promised to clarify the situation..."

e apagou também o "briefly" em "he briefly attended the ''Instituto Superior de Engenharia de Lisboa'' .

A luta de posts e contraposts repete-se nos dias seguintes, onde se afiança que "He completed an MBA" e apaga a sua média de curso ("12 out of 20"), bem como a descrição da vida pessoal: "Sócrates, a father of two who is divorced, lives in Lisbon and is a registered elector of the municipality of Covilhã (central inland Portugal) where he lived throughout his childhood and teen years with his father, a divorced architect."

Já em Julho também acharam por bem apagar uma parte de biografia de Luís Amado: "He is married (separated, long time affair with an Executive member of the World Bank; Mrs.Sarah Cliffe) and has two children". Passou a " married and has two children".

Ficam aqui os resultados desta busca: José Sócrates versões 1,2,3,4 e Luís Amado 5

PS: A Wikipedia não estava a dormir. Aqui fica a acusação de "vandalismo" ao IP 193.47.185

User talk:193.47.185.124
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[edit] April 2007

Please do not delete content from articles on Wikipedia, as you did to José Sócrates. Your edits appear to be vandalism and have been reverted. If you would like to experiment, please use the sandbox. Thank you. MER-C 12:26, 9 April 2007 (UTC)

PS2: Ver aqui para os resultados de um reverse IP ao número 193.47.185.124 apontando para o CEGER, que gere a banda de IPs do Governo, de 0-255, correspondente aos sufixos .gov.pt. É seguir a seta ali junto à Calçada da Estrela.


No site do CEGER pode ler-se a sua missão:

"Por delegação do Primeiro-Ministro o Ceger funciona na Presidência do Conselho de Ministros, na directa dependência do Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros. O Ceger dá suporte à Governação nos domínios das Tecnologias da Informação e Comunicação. Compete-lhe garantir a utilização mais eficaz das Tecnologias da Informação e comunicação, e particularmente da Internet, para criar melhor Governo."

Desinformar, portanto. "Por delegação do Primeiro-Ministro".


End quote.