19.9.07



Vamos gostar de ouvir isto. Que poema é que caberia aqui...?

Ligado à terra outra vez, chatear o canalizador, des affaires journaliers, und drang, und drang.

Abraço incomparável.
Bom, tudo em perspectiva. Aí vem uma semana difícil. Eh estranho como nunca escrevo sobre o quotidiano. Talvez por intuir que o quotidiano é directamente proporcional à claridade do observador. Não falo da sua qualidade, intensidade ou valor. O próprio quotidiano, ou a função de máxima adequação do observador, é que segue um trajecto qualificável que é gráfico das viagens que o observador efectua dentro de si mesmo. O pensamento em existência e fruição pode atingir uma massa crítica que provoca efeitos engraçados de percepção mística, teorização onde certezas e questões não são mutuamente exclusivas, e "ultimately", harmonia com o self. Agora, isto não impede que venha aí uma semana difícil. Amo-te :)

14.9.07



Escrevo-te com o fogo e a água


Escrevo-te com o fogo e a água. Escrevo-te
no sossego feliz das folhas e das sombras.
Escrevo-te quando o saber é sabor, quando tudo é surpresa.
Vejo o rosto escuro da terra em confins indolentes.
Estou perto e estou longe num planeta imenso e verde.

O que procuro é um coração pequeno, um animal
perfeito e suave. Um fruto repousado,
uma forma que não nasceu, um torso ensanguentado,
uma pergunta que não ouvi no inanimado,
um arabesco talvez de mágica leveza.

Quem ignora o sulco entre a sombra e a espuma?
Apaga-se um planeta, acende-se uma árvore.
As colinas inclinam-se na embriaguez dos barcos.
O vento abriu-me os olhos, vi a folhagem do céu,
o grande sopro imóvel da primavera efémera.


- António Ramos Rosa


E quando a minha loira é um pilar de aço a marcar a certeza no meu horizonte?

Adoro-te, mulher, esposa, gaja, pessoa, conjunto dos destinos mais correctos entretecidos nesta vida.

Adoro-te.

11.9.07

e os teus olhos estao comigo e beijam-me e tu chegas-me
e fazes-me feliz
heroicamente feliz
como um moço de infantaria acabado de saltar da trincheira
tac tac tac
nao faz mal, amei

adoro-te :)

10.9.07

Origem dos sonhos esquecidos


Entre a bicicleta e a laranja
vai a distância de uma camisa branca

Entre o pássaro e a bandeira
vai a distância dum relógio solar

Entre a janela e o canto do lobo
vai a distância dum lago desesperado

Entre mim e a bola de bilhar
vai a distância dum sexo fulgurante

Qualquer pedaço de floresta ou tempestade
pode ser a distância
entre os teus braços fechados em si mesmos
e a noite encontrada para além do grito das panteras

qualquer grito de pantera
pode ser a distância
entre os teus passos
e o caminho em que eles se desfazem lentamente

Qualquer caminho
pode ser a distância
entre tu e eu

Qualquer distância
entre tu e eu
é a única e magnífica existência
do nosso amor que se devora sorrindo

- Mário Henrique Leiria

7.9.07

passará outro ano amor e as sombras
de árvores abatidas à nossa varanda
há-de vir um sonho final amor
a tua voz em Florença
e o pó dos avós falecidos
no teu copo a península amor
de alguns filhos que não vieram
passará outra casa amor no teu sorriso
amor liberdade até o meu corpo ruir






(saído pela primeira vez a 24-08 à 01:37)

6.9.07

Snooker. Casino. Flippers.

A seguir batem-me as saudades de um bom King até de madrugada.

Não presto :D


É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

- Eugénio de Andrade
Ausência

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.


-
Sophia de Mello Breyner Andresen
(strip thyself oh mortal of all worldly things)

Saída do hiperespaço (Alabama, Catujal, wherever) sharpen more, sharpen more, gaussian blur, add noise 3.


Hiperespaço.



(porque nos temos para sempre)
INTO THE WIND
(Sullivan/Nelson/Dean/White/Gill) 2007

We went to see the fall of Rome – I thought it would please us
To watch how the mighty go in a blaze of hubris
But I just stood there hypnotised by all the beautiful madness
Face into the wind, boys, face into the wind

Last night I dreamed that we built a fire in a wild garden
We took all the holy books and we burned them
All those pages to ashes, every last one of them
Face into the wind, boys, face into the wind

Everything under the sun shall be harnessed
Forced to push and pull and endure like unwilling horses
All for the ceaseless construction of Man’s Great Purpose
Face into the wind, boys, face into the wind

And in the Market Square they’re still stacking the shelves
I’m screaming: I don’t want anything, I don’t need anything
I don’t want anything, I don’t need anything

5.9.07

É isso, eu quero que sejas Alba para mim. Só para mim. Toda para mim. De manhã, e quando ouvimos música, que é outra forma de ser de manhã. Sobretudo porque pela manhã não temos receios, nem vestimos o fardo, nem o ar terá já trazido ecos que deviam estar longe de ti e de mim.
Alta de Lisboa.

Construção de 2004. Novo Estado Novo.

Parque das Nações.

O lamaçal varrido para debaixo da obra. Afinal só lá vão 10 anos.

Torre (sim, torre) Vasco da Gama.

Guterro-Socratismo para turistas incautos, cá dentro. Face into the wind, boys.

Quinta da Regaleira.

Amo-te.

C.C. Colombo.

Your friends are for sale.

Loja do Cidadão.

É só rir. Simplificação intra-gabinetes, a mesma merda no terreno.

Centro de Emprego de Loures.

Mundo real, instituições etéreas.