8.8.08

Adenda: entretanto e conforme havia profetizado ontem, já apareceram as luminárias do costume em defesa dos pobres, recalcados, excluídos e néscios assaltantes.
Parece que há até um par de bloquistas que lhe chamam execução.
A mim basta-me citar este comentário objectivista:
"Não há execuções quando as duas partes estão de armas na mão."

Portagens, o bosão de Higgs e o OK Corral

Quando casei pela primeira vez fui viver para Queluz. Questionem-me depois sobre as causas desse desvario (não tenho nada contra Queluz) mas vamos só fazer um exercício de aritmética primeiro; o tom professoral teima em perseguir-me.
Morava a 1.5 km da estação. Em sítios como Queluz isto pode acontecer, a malta vai parar, por razões economicistas, a casas porreiras pá mas que ficam longe da estação. A escola onde tinha de deixar o meu puto ficava a 2km de casa. Assumiremos para efeitos deste exercício que tanto 1.5km como 2km são distâncias impraticáveis com uma criança de 3 ou 4 anos, sobretudo no Inverno.
Assim usava o carro para levar o rebento à escola, mas quando voltava do caos matinal já era tarde de mais (e não, não ficava com o cu na cama como uma lapa ociosa, saltávamos do colchão antes das 06:30) para deixar o carro em casa e ir a pé; mas também não tinha, tal como hoje não teria, onde o arrumar perto do acesso aos comboios. Como os autocarros ainda hoje passam sem precisão horária, cheios e efectuam percursos tortuosos, acabava por levar o carro para o trabalho. Também confesso que só ia trabalhar porque queria comprar uma casa, comida, roupa, livros e gasolina para ir trabalhar. O meu carro consome 7l aos 100, ora para fazer 20 (em 30 minutos) consumia 1.4l por dia, ou 2.25 euro a preços actuais. De autocarro demoraria 2h, por 5 euro (mais do dobro em custo e 4 vezes mais lento) e de comboio demoraria 40m a andar, apanharia suores, molhas e nervos, e pagaria 2.60 euro. Além disso, teria que demorar o mesmo tempo a ir buscar o carro a casa ao final do dia para fazer a ronda inversa.
Hoje moro numa aldeia simpática a 8km de Lisboa. Oito quilómetros. Não há transportes para a Gare do Oriente, nem para outros destinos que não o Senhor Roubado e o Colégio Militar. Passam de 20 em 20 minutos e custam 2.90 euro, fazendo os percursos de 8 e 9 km em 35 e 40 minutos respectivamente. Se apanhasse qualquer um destes (depois e antes de ter obrigatoriamente que usar o carro para fazer a ronda casa-escola-casa) pagaria 2.90 x 2 + 1.30 (metro) x 2 = 8.40 euro para chegar, digamos, a Entrecampos ou ao Marquês de Pombal. Por dia. De carro demoraria o mesmo tempo, por 4 euros de gasolina. Mas só faria isto se tivesse que trabalhar para pagar roupa, comida, livros e gasolina para ir trabalhar, porque felizmente não tenho que me preocupar em pagar casa.
Em Portugal as pessoas votam em políticos que se comportam de forma obscena e mesmo assim conseguem ser reeleitos ano após ano. Cada povo tem o que merece. Se as portagens, essa invenção Mediterrânica, aumentarem para carros ocupados por um só indivíduo (e quem viver sozinho e não tiver colegas que trabalhem em Lisboa, paga porquê?) vou ficar muito contente por ver legitimada a minha misantropia.
Ontem no Parque das Nações (perdoa-me meu amor que adoras aquela zona mas eu não posso deixar de a achar um exemplo acabado de progresso provinciano para inglês ver, porque dentro daquelas torres aerodinâmicas estão pessoas, organizações e relações de causa-efeito tão más e aviltantes como no resto do país) passou por mim, a correr uns 200m à frente do pai, um puto de 4 anos. O pai vinha a puxar uma samsonite enorme e tinha aspecto de jogar nos júniores do Marítimo, cheio de piercings como um candidato a íman de frigorífico. O puto lá foi a correr até o termos perdido de vista.
Adrian Borland escrevia frases belíssimas e já morreu. Há muita solidão no Mundo quando as pessoas olham através umas das outras, muitas vezes dentro de casa, e uma carruagem de metro nunca chega ao destino certo. Ainda bem que nos temos porque o contrário seria a ruína.
Nas notícias nao havia novidades sobre a partícula de Higgs. Por muitas peças de teatro que se escrevam onde o efeito de túnel, a incerteza do Heisenberg e os paradoxos checo-judaicos façam de figuras de proa, ainda faltarão muitos lustros de rotação sazonal e muitos côvados de caminho até ser evidente, para a maralha, que a partir do momento em que passa a haver cowboyada em directo a toda a hora, com xungaria nacional e estrangeira a brilhar os seus 15 minutos - nem que seja a custo de balázio - a coisa fica irreparavelmente preta.
E isto é que interessa, não é o sexo das portagens nem os traumas emocionais dos construtores civis.

7.8.08

Três professores de econometria vão à caça. Estão na orla do mato e aproximam-se surrepticiamente da presa, uma gazela à beira de um lago. O primeiro dispara a sua espingarda, falhando o alvo cerca de um metro para a esquerda. O segundo dispara de seguida, falhando o alvo cerca de um metro para a direita. O terceiro pousa a espingarda e levanta os braços no ar, eufórico: «Acertámos! Acertámos!».

6.8.08



The Knife

Can I explain this to you? Your eyes
are entrances the mouths of caves
I issue from wonderful interiors
upon a blessed sea and a fine day,
from inside these caves I look and dream.

Your hair explicable as a waterfall
in some black liquid cooled by legend
fell across my thought in a moment
became a garment I am naked without
lines drawn across through morning and evening.

And in your body each minute I died
moving your thigh could disinter me
from a grave in a distant city:
your breasts deserted by cloth, clothed in twilight
filled me with tears, sweet cups of flesh.

Yes, to touch two fingers made us worlds
stars, waters, promontories, chaos
swooning in elements without form or time
come down through long seas among sea marvels
embracing like survivors in our islands.

This I think happened to us together
though now no shadow of it flickers in your hands
your eyes look down on ordinary streets
If I talk to you I might be a bird
with a message, a dead man, a photograph.

- Keith Douglas (b.1920 - d. 1944)

Muhahaha! (tarda mas não falha)

Há uns meses escrevi aqui sobre isto. Na altura resolveu-se com uns mails, uma visita, alguma conversa e carisma... mas, e quanto àqueles que não podem deslocar-se, não sabem conversar , nunca viram um mail e para quem carisma é sinónimo de pastel de nata?



Desempregados sem subsídio porque não receberam carta para se apresentar nos centros de emprego

João Ramos de Almeida / Público

Os centros de emprego estão a anular a inscrição de desempregados e a cortar os seus subsídios porque não respondem à convocatória dos serviços, refere um relatório de uma equipa da Provedoria da Justiça.

A maioria dos beneficiários afectados diz que não recebeu a notificação dos centros de emprego. O Ministério do Trabalho não comentou este facto até ao fecho da edição.

O corte nos subsídios é legal e deve-se, sobretudo, à falta de comparência do beneficiário à visita quinzenal marcada pelos centros ou à convocatória por carta. Só que a principal justificação dos beneficiários afectados é a de que nunca receberam as convocatórias porque os CTT não as entregaram. Os centros de emprego alegam que, nesse caso, os desempregados terão de apresentar uma carta dos CTT a reconhecer a falha. O relatório descreve diversas situações em que os próprios Correios o admitem, mas nem sempre é fácil obter esse documento.

A informação é referida numa nota ontem difundida pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) em que se dá conta da auditoria da Provedoria de Justiça à Comissão de Recursos da anulação de inscrição nos centros de emprego.

A CGTP mostra-se cautelosa porque não está segura sobre a razão da falta dos beneficiários. Mas considera ser "não aceitável que os beneficiários sejam afectados" pelo facto de os CTT estarem a prestar "um serviço deficiente", provocado por "medidas economicistas". A central propõe que o Estado estabeleça protocolos com os CTT, com vista a dar maior atenção à correspondência dos centros de emprego.

Os dados oficiais revelam que a Segurança Social despende cada vez menos com os subsídios de desemprego, apesar da taxa de desemprego não apresentar melhorias. A conta de 2007, recentemente analisada pelo Tribunal de Contas, revelou que a dotação para o subsídio de desemprego ficou aquém do previsto. Na aprovação do Orçamento de Estado (OE), a previsão era de se gastar 1967 milhões de euros. Um ano depois, no OE de 2008, previa-se uma execução de 1750 milhões de euros. Em Dezembro de 2007, a despesa já era de 1410 milhões e, finalmente, em Abril de 2008, fechou em 1325 milhões.

Em parte, esta evolução deve-se à diminuição do número de desempregados que recebem subsídio. Num estudo da CGTP sobre dados oficiais, foi referido que, de 2005 a 2007, o universo dos desempregados apoiados passou de 72 para 56 por cento do total dos registados pelo INE. No primeiro trimestre, a cobertura tinha subido para 59 por cento. A CGTP explica os números pela progressiva precariedade do emprego e pela perda do subsídio pelos desempregados de longa duração. Agora, junta-se a intervenção dos centros de emprego.

5.8.08



I'm just a moment in your life
And you're just a flicker in my mind
I didn't need you, as much as I needed sleep
So how can such a passing thing, seem to go so deep

We were just weekender Berliners
We were just weekender Berliners
Throwing coins into the pool
Making wishes out of fools

I'm just a moment in your life
And you're just a flicker in my mind
Maybe I see you again, maybe I never will
But I'll always have this picture that I hold very still
When we were just weekender Berliners
We were just weekender Berliners
Throwing coins into the pool
Making wishes - mine was just for you


I'm just a moment in your life
And you're just a flicker in my mind
Maybe I see you again maybe I never will
But I'll always have this picture that I'll hold very still
When we were just weekender Berliners
We were just weekender Berliners
We were just weekender Berliners
Weekender Berliners

(Borland)
I am not afraid of tomorrow, for I have seen yesterday and I love today.

- William Allen White
When I hear music, I fear no danger. I am invulnerable. I see no foe. I am related to the earliest times, and to the latest.

- Henry David Thoreau


Uma na ferradura

A Humanidade é uma manada de patifes e tolos. É necessário arrebanhá-los, ou sair do caminho deles, para não ser pisoteado até à morte.

- William Hazlitt

Uma no cravo

Ultimamente, sorrio sempre que vejo um avião levantar voo. É mais forte do que aquilo que eu quero que seja o front-office dos meus humores: não se trata de crença quando as evidências, pela sua massa própria, fazem com que a consciência não careça de postulados para ter sentido. Quando penso naquilo que, graças sem dúvida ao génio e rasgo individual, conseguimos fazer, apesar da biologia, apesar do rebanhismo e da cegueira, apesar da acefalia endémica, quando penso nisso e enfrento de caras a histórica dualidade, sei que podemos ser portadores duma pool genética egoísta, pero que las hay, las hay; que ainda vem longe o tempo de nos arrogarmos assumir posições, que somos todos uns néscios - não esgotámos sequer um infinitésimo da ciência que pode ser feita, e já a metafísica cede lugar ao senso comum vezes demais. Assim, quando vejo um avião, fico contente por termos filhos que herdam a nossa teimosia em vingar, a par com os horrores que não pudemos dirimir no tempo das nossas vidas.

E fico feliz por seres tu quem me acompanha e em quem deposito a confiança que quaisquer outros indivíduos, por hoje N >= 1, não merecem. A espécie não presta e dou-te o braço a torcer quanto ao que está feito.

O melhor de poder ver, mãos no volante, livre em pensamentos e tão emancipado quanto desejo, um avião erguer-se direito ao impossível é um crime de soberba. Tanto mais a ouvir isto.



INBETWEEN DREAMS

The waking hours are the wasted hours
in your scheme of things
you´re waiting for the night to fall
with the sleep it brings
you say you´re tired of everything
and there´s nothing new to see
a great slab of day gets in the way
of where you want to be

Breathing out, breathing in, it´s light again, in between dreams
passing time, marking time, killing time, in between dreams
breathing out, breathing in, it´s light again, in between dreams

It´s all to much to care about
this struggle to get by
your like to cancel out the day
when you close your eyes
and drift into another world
it´s a line you´ve often crossed
you tried to keep a balance
but it´s a war you´ve fought and lost

Breathing out, breathing in, it´s light again, in between dreams
passing time, marking time, killing time, in between dreams
breathing out, breathing in, it´s light again, in between dreams

The real world just makes you sad
sometimes dreams are all you had
but now you think that dreams are all you need

Breathing out, breathing in, it´s light again, in between dreams
passing time, marking time, killing time, in between dreams
breathing out, breathing in, it´s light again, in between dreams

Under the parabola of a ball,
a child turning into a man,
I looked into the air too long.
The ball fell in my hand, it sang
in the closed fist: Open Open
Behold a gift designed to kill.

Now in my dial of glass appears
the soldier who is going to die.
He smiles, and moves about in ways
his mother knows, habits of his.
The wires touch his face: I cry
NOW. Death, like a familiar, hears


And look, has made a man of dust
of a man of flesh. This sorcery
I do. Being damned, I am amused
to see the centre of love diffused
and the wave of love travel into vacancy.
How easy it is to make a ghost.


The weightless mosquito touches
her tiny shadow on the stone,
and with how like, how infinite
a lightness, man and shadow meet.
They fuse. A shadow is a man
when the mosquito death approaches

- Keith Douglas

1.8.08

Do semanário Sol:

"Luís Nazaré deixou a presidência dos CTT mas continua a receber parte do salário, como presidente de um ‘comité de estratégia dos Correios’ que acumula com funções privadas. Nazaré diz que não há incompatibilidade, garantindo que é prática comum em muitas empresas".

O único comentário, é que estas coisas, vergonhosas, de escândalo indecente, nunca serão comentadas no Causa Nossa.

Daily Mirror

Acéfalos

Publicado por Gabriel Silva em 31 Julho, 2008

Tudo à volta de Magalhães* é mais do que ridículo, cheira mesmo a mentira. Desinformação total, como há muito não se via.

1. No comunicado oficial do governo diz-se: «será o primeiro computador portátil com acesso à Internet montado em Portugal». A sério? Então a JP Sá Couto não fabrica os portáteis Tsunami? E a Solbi e… O Pinho anda mal informado……
E diz ainda Sócrates que terá o «ultimo processador da Intel». Mas isso também não é verdade.

2. O dito «lançamento mundial» é uma treta. O computador existe e é comercializado desde 200630 países. Que seja criada um marca branca para os palops, compreende-se, mas porque se lhe dá patrocínio? sendo fabricado sob licença e vendido em mais de

3. A Intel nem sequer escolheu Portugal para este «projecto». Foi o governo que escolheu a Intel.
Embora não se explique nem ninguém pergunte, porquê a Intel e não um qualquer outro seu concorrente? «Oh Cravinho, não dizes nada? »

4. Fábrica da Intel em Portugal? Não, diz o presidente da empresa.

5. Neste vídeo da RTP Rodrigues dos Santos faz uma bela peça de marketing.
Repare-se como ele apresenta os «criadores» e os «autores de desenvolvimento»….. De seguida, quando Sá Couto fala em produto da Intel, ele, oportunamente, interrompe e pergunta: «Quando diz que é da Intel quer dizer que não é 100% português?» Repararam na pergunta? Na verdade, se alguma dúvida houvesse é se o computador terá alguma coisa de português para além de ser montado em Matosinhos e ter um ou dois programas de software nacional.

E eles (jornalistas) comem tudo, eles comem tudo tudo, eles comem tudo o que se lhes dá.

*O domínio magalhaes.pt está indicado no site do governo do Plano Tecnológico como sendo de apresentação do projecto. No entanto, o site está registado em nome da IBERWEB desde 2005.

31.7.08

Diving into the Wreck


First having read the book of myths,
and loaded the camera,
and checked the edge of the knife-blade,
I put on
the body-armor of black rubber
the absurd flippers
the grave and awkward mask.
I am having to do this
not like Cousteau with his
assiduous team
aboard the sun-flooded schooner
but here alone.

There is a ladder.
The ladder is always there
hanging innocently
close to the side of the schooner.
We know what it is for,
we who have used it.
Otherwise
it is a piece of maritime floss
some sundry equipment.

I go down.
Rung after rung and still
the oxygen immerses me
the blue light
the clear atoms
of our human air.
I go down.
My flippers cripple me,
I crawl like an insect down the ladder
and there is no one
to tell me when the ocean
will begin.

First the air is blue and then
it is bluer and then green and then
black I am blacking out and yet
my mask is powerful
it pumps my blood with power
the sea is another story
the sea is not a question of power
I have to learn alone
to turn my body without force
in the deep element.

And now: it is easy to forget
what I came for
among so many who have always
lived here
swaying their crenellated fans
between the reefs
and besides
you breathe differently down here.

I came to explore the wreck.
The words are purposes.
The words are maps.
I came to see the damage that was done
and the treasures that prevail.
I stroke the beam of my lamp
slowly along the flank
of something more permanent
than fish or weed

the thing I came for:
the wreck and not the story of the wreck
the thing itself and not the myth
the drowned face always staring
toward the sun
the evidence of damage
worn by salt and away into this threadbare beauty
the ribs of the disaster
curving their assertion
among the tentative haunters.

This is the place.
And I am here, the mermaid whose dark hair
streams black, the merman in his armored body.
We circle silently
about the wreck
we dive into the hold.
I am she: I am he

whose drowned face sleeps with open eyes
whose breasts still bear the stress
whose silver, copper, vermeil cargo lies
obscurely inside barrels
half-wedged and left to rot
we are the half-destroyed instruments
that once held to a course
the water-eaten log
the fouled compass

We are, I am, you are
by cowardice or courage
the one who find our way
back to this scene
carrying a knife, a camera
a book of myths
in which
our names do not appear.

- Adrienne Rich
Sabes o que é mais belo que quase tudo nas nossas horas? É que leiamos, escreva-se e aconteça o que for imaginável, tu e eu permanecemos. E somos reais, somos um do outro, em mudança, em ardor, em rochedos e escarpas e viagem para qualquer lado. Tu e eu podemos divagar devagar ou depressa e atingir novas conclusões sobre a inelutável dúvida, que seremos sempre um do outro.

Concordas?

Se dizes que sim, vou ja buscar-te.

Adenda ao Top 5


O objectivismo. Já me esquecia.



O "argumento randiano" substitui Deus como pedra basilar do seu sistema, colocando a vida nesse papel. "Vida", aqui, não tem nenhum sentido transcendental. A base da ética objectivista assenta na observação deste valor básico comum a todos os indivíduos. Morta, uma pessoa não atribuirá valor a nada. A vida é uma condição necessária para a avaliação ética de escolhas e acções. Não é, contudo, uma condição suficiente. Uma pessoa pode subsistir ao nível mais básico, como um animal, mas só o uso activo da sua faculdade racional permite-lhe ter um entendimento de que escolhas e acções são conducentes à preservação da sua vida, no imediato e a longo prazo. No contexto de uma existência social, política, este entendimento é essencial. Temos assim que os principais contributos do cristianismo para a sociedade moderna*, o livre-arbítrio e a alma individual, permanecem válidos segundo o "argumento randiano", mesmo retirando Deus da equação. A primeira escolha que uma pessoa deve fazer é impreterivelmente a de viver. A sua sobrevivência não é automática. Acto contínuo, deve escolher e julgar as suas opções em função do impacto na sua vida. Isto é o exercício do seu livre-arbítrio. Além disso, a escolha é individual. A opção de fazer uso da faculdade racional não pode ser imposta. Uma pessoa pode, concebivelmente, escolher "não pensar", viver como um selvagem. Ou em qualquer patamar intermédio. Não existe aqui propriamente uma alma para salvar; mas há uma vontade individual de atingir, ou não, um grau de conforto consigo mesma.


* Pelo menos segundo a visão de Isabel Paterson, em The God of the Machine, que identificou três marcos fundamentais no caminho da barbárie para a sociedade moderna (leia-se democracia liberal e capitalismo): A descoberta da ciência pelos gregos, que possibilita a análise do conhecimento e, por extensão, da acção política; a descoberta do direito pelos romanos, que permite criar um sistema abstracto que pode defender o indivíduo da arbitrariedade do "poder"; e, por fim, e talvez mais significativo, a descoberta cristã da alma individual, cuja salvação depende de si própria e do seu livre-arbítrio.

Zapping

Se o PR interrompe as férias, quem sou eu para encostar-me à sombra dos cactos.

Canal 1

A protagonista de «Doidos por Mary», famosa pela sua delicada silhueta, quer ser uma mulher com curvas, noticia o El Mundo.

«Tenho um estilo de vida muito activo, adoro surf, snowboard, golf e caminhadas. Também gosto de ler, que é exercício para a mente. Mas preferia ganhar algum peso que perdê-lo. Gosto das mulheres com curvas. Quero ter um rabo grande», revelou.

A actriz tem muita confiança em si mesma, fruto da sua educação quando era mais nova. «Era sempre eu a filha problemática. Os meus pais deixavam-me fazer coisas que à minha pobre irmã mais velha sempre proibiram», confessou Díaz.


Canal 2

Com COFIDIS Valor Top, você tem a possibilidade de ter um crédito entre €11.000 a €20.000 criado a pensar em si, que não tem tempo a perder com processos burocráticos. Pode escolher o montante entre €11.000 a €20.000, e a modalidade de pagamento que mais lhe convém para realizar todos os seus projectos.

Opte pela mensalidade que preferir com a garantia de que o valor das prestações é igual todos os meses, sem aumentos. O pagamento será feito por débito directo na sua conta bancária, sempre no dia 1 de cada mês.
Se pretender reembolsar mais depressa poderá fazer pagamentos extra sem custos adicionais.


Canal 3

Cá para mim amanhã temos marcação de eleições para PR, o Governo cai, tornar-se-à pela primeira vez em 37 anos interessante saber o que se passa em Portugal, e a Federação Atlântica dos Açores & Madeira liberta-se do jugo continental.



Canal 4

A ministra da Saúde apelou esta terça-feira a todos os doentes em listas de espera para cirurgias há mais de dois anos que entrem em contacto com os serviços, porque no sistema não há nenhum utente naquelas condições, escreve a Lusa.

«Nós temos informação que há doentes que dizem que estão há mais de dois anos em lista de espera e o que temos no sistema é que não há nenhum doente que esteja há mais de dois anos em lista de espera. Portanto, ou não estão inscritos ou algo se passa», afirmou Ana Jorge, durante uma visita ao Hospital de Faro.

Sublinhando que se tratava de um apelo, dirigiu-se «a quem sinta que está há mais de dois anos à espera» para que se dirija ao seu médico de família, ao médico assistente ou ao centro de saúde.




Se ainda estiver vivo, telefone... Agora só preciso de um "técnico". Não precisa de saber fazer nada, basta ser "técnico". Ou melhor ainda, de um licenciado. Pode ser em rendas de bilros. É que queria apurar o share dos meus canais.


30.7.08



Também estou de férias.

Matemática A, B, Z...

(sacado ao Filipe Melo Sousa)


"Vamos comparar a abertura de dois exames nacionais de matemática do 12º:

Sistema francês:

É dada a representação de duas funções de componente logarítmica.
Pede-se para definir o seu domínio, fazer uma integração por partes e deduzir a área representada.

Sistema português orientado para o "sucesso":

O João e a Maria convidaram três amigos para irem, com eles, ao cinema. Compraram cinco bilhetes com numeração seguida, numa determinada fila, e distribuíram-nos ao acaso. Qual é a probabilidade de o João e a Maria ficarem sentados um ao lado do outro?

Segue-se escolha múltipla para facilitar o aluno e não o confundir."


Pois.

28.7.08

Top 5 da Humanidade

A Revolução Industrial

C.G. Jung

Jan Vermeer van Delft

A Hagia Sophia

Alexandre e Diógenes
"Whorf's analysis of the differences between English and (in one famous instance) the Hopi language raised the bar for an analysis of the relationship between language, thought, and reality by relying on close analysis of grammatical structure, rather than a more impressionistic account of the differences between, say, vocabulary items in a language. For example, "Standard Average European" (SAE)—i.e., Western languages in general—tends to analyse reality as objects in space: the present and future are thought of as "places", and time is a path linking them. A phrase like "three days" is grammatically equivalent to "three apples", or "three kilometres". Other languages, including many Native American languages, are oriented towards process. To monolingual speakers of such languages, the concrete/spatial metaphors of SAE grammar may make little sense. Whorf himself claimed that his work on the SWH was inspired by his insight that a Hopi speaker would find relativistic physics fundamentally easier to grasp than an SAE speaker would."

"Human beings do not live in the objective world alone, nor alone in the world of social activity as ordinarily understood, but are very much at the mercy of the particular language which has become the medium of expression for their society. It is quite an illusion to imagine that one adjusts to reality essentially without the use of language and that language is merely an incidental means of solving specific problems of communication or reflection. The fact of the matter is that the "real world" is to a large extent unconsciously built upon the language habits of the group. No two languages are ever sufficiently similar to be considered as representing the same social reality. The worlds in which different societies live are distinct worlds, not merely the same world with different labels attached ... We see and hear and otherwise experience very largely as we do because the language habits of our community predispose certain choices of interpretation."
(Sapir, 1958 [1929], p. 69)
"We dissect nature along lines laid down by our native languages. The categories and types that we isolate from the world of phenomena we do not find there because they stare every observer in the face; on the contrary, the world is presented in a kaleidoscopic flux of impressions which has to be organized by our minds—and this means largely by the linguistic systems in our minds. We cut nature up, organize it into concepts, and ascribe significances as we do, largely because we are parties to an agreement to organize it in this way—an agreement that holds throughout our speech community and is codified in the patterns of our language. The agreement is, of course, an implicit and unstated one, but its terms are absolutely obligatory; we cannot talk at all except by subscribing to the organization and classification of data which the agreement decrees."
(Whorf, 1940, pp. 213–14)

George Orwell's classic novel Nineteen Eighty-Four is a striking example of linguistic determinism and linguistic relativity in fiction, in which a language known as Newspeak has trimmed and supplanted Modern English. In this case, Orwell says that if humans cannot form the words to express the ideas underlying a revolution, then they cannot revolt. All of the theory of Newspeak is aimed at eliminating such words. For example, bad has been replaced by ungood, and the concept of freedom has been eliminated over time. According to Nineteen Eighty-Four's appendix on Newspeak, the result of the adoption of the language would be that "a heretical thought ... should be literally unthinkable, at least so far as thought is dependent on words.

In Frank Herbert's science fiction novel Dune and its sequels, the Principle of Linguistic Relativity first appears when Lady Jessica (who has extensive linguistic training) encounters the Fremen, the native people of Dune. She is shocked by the "violence" of their language, as she believes their word choices and language structure reflect a culture of enormous violence. Similarly, earlier in the novel, her late husband, Duke Leto, muses on how the nature of Imperial society is betrayed by "the precise delineations for treacherous death" in its language, the use of highly specific terms to describe different methods for delivering poison.

Samuel R. Delany's novel Babel-17 is centered on a fictional language that denies its speakers independent thought, forcing them to think purely logical thoughts. This language is used as a weapon of war, because it is supposed to convert everyone who learns it to a traitor. In the novel, the language Babel-17 is likened to computer programming languages that do not allow errors or imprecise statements.

Neal Stephenson's novel Snow Crash revolves around the notion that the Sumerian language was a programming language for the human brain. According to characters in the book, the goddess Asherah is the personification of a linguistic virus similar to a computer virus. The god Enki created a counter program which he calls a nam-shub that caused all of humanity to speak different tongues as a protection against Asherah.

Ursula K. Le Guin's novel The Dispossessed takes place partly on a world with an anarcho-communist society whose constructed language contains little means for expressing possessive relationships, among other features.

Ayn Rand's novel Anthem presents a collectivist dystopia where the word "I" is banned, and any that use it are put to death.

Robert Silverberg's novel A Time of Changes describes a society where the first person singular is considered an obscenity.

In Robert A. Heinlein's Stranger in a Strange Land, Valentine Michael Smith is able to do things that most other humans can't do, and is unable to explain any of this in English. However, once others learn Martian, they start to be able to do these things; those concepts could only be explained in Martian.

In Jorge Luis Borges's Tlön, Uqbar, Orbis Tertius the author discovers references in books to a universe of idealistic individuals whose language lacks the concept of nouns and has other peculiarities that shapes their idealism. As the story progresses the books become more and better known to the world at large, their philosophy starts influencing the real world, and Earth becomes the ideal world described in the books.

In Ted Chiang's "The Story of Your Life," language directly determines thought, Learning the written language used by alien visitors to the Earth allows the person who learns the language to think in a different way, in which the past and future are illusions of conventional thought. This allows people who understand the language to see their entire life as a single unchangeable action, from past to future.