13.8.08

Democracy is a process by which the people are free to choose the man who will get the blame.

- Laurence J. Peter
Rendo-me.
Pedro Lomba

"Na semana passada deu-me para parar em Coimbra em viagem para o norte. Almocei e entrei depois ao acaso numa sapataria para experimentar uns sapatos que tinha visto através da montra. Pedi ao empregado o número 42. Não sou um homem de grande pé. Vi depois o empregado regressar com três caixas. Como é costume, sentei-me.

Corremos os modelos todos e, após um instante de observação, o empregado fez-me um complexo diagnóstico podológico. Que eu tinha uns pés altos e ligeiramente cavos e mais não sei o quê e com um calcanhar retraído e com tendência para curvar para dentro quando ando. Bom, chega de pormenores. Ficámos ali uns minutos a debater um tema que eu pensava ser só do agrado de certo tipo de “fetichistas”. Aconselhou-me outro par que de facto me pareceu melhor. E fiquei a ouvi-lo.

Eu sei que a podologia não está na lista de interesses dos leitores do “Diário Económico”. Compreendo-os. Mas calma que não é isso: num tempo que impõe o conhecimento e a competência no trabalho, vejam que eu tinha à minha frente um homem notoriamente conhecedor e competente no que fazia. Não era um especialista em bolsas, energias renováveis ou direito comercial. Mas era um vendedor de sapatos que aparentava saber tudo sobre formas de pés, solas, calcanhares, ergonomias e a diferença que nunca me ocorreu na vida entre pés cavos e pés neutros.

Perguntei-lhe, intrigado, como é que ele tinha adquirido toda essa sapiência. Disse-me que aprendera por aí a “ler coisas”, na “Internet” e num “livro” que o cunhado lhe “trouxe de Londres”. Um dia percebeu que os clientes, sobretudo as mulheres, sorviam com atenção tudo o que ele lhes dizia sobre a anatomia do pé na sua relação com o sapato. Percebeu que podia melhorar a sua cultura geral em benefício das vendas.

O patrão, dono da sapataria, acabou por chegar a um acordo com ele nos seguintes termos. Se a loja vendesse todos os meses acima de um objectivo estimado ele recebia um prémio. Apesar da crise, no mês passado tinha conseguido levar mais 100 euros para casa. Já houve meses em que levou menos e outros em que não levou nada. Mas no melhor mês conseguiu arrecadar 200 euros.

Ao ouvi-lo, lembrei-me das vezes em que me desloco a um sítio para adquirir um serviço ou uma comodidade (pode ser comprar um livro, adquirir um electrodoméstico ou celebrar um contrato) e fico com a impressão de que quem me atende não faz a menor ideia de como me aconselhar. É como se eu próprio (es)tivesse do outro lado a tentar responder às minhas próprias perguntas.
Este homem era o oposto. Não sei se tinha mesmo interesse no que fazia. Não perguntei. Mas havia nele algo profundamente moral: tinha um trabalho e queria executá-lo o melhor que podia e sabia. Obviamente, comprei os sapatos."


Um pequeno grupo de 344 jovens, alegadamente pertencentes a um sortido de minorias étnicas, acercou-se hoje dos clientes de um hipermercado, com intenções que permanecem por esclarecer. Os jovens, todos de arma em punho, deslocaram-se pacificamente e sem perturbar a ordem até ao Continente da Amadora, onde, uma vez chegados, encetaram um projecto de animação multicultural, patrocinado pela Junta de Freguesia da Cova da Moura em sinergia com o ACIDI de Rosário Farmhouse, ao longo de duas horas. Ainda no mesmo local, cerca das 19 horas, o INEM registou 40 feridos ligeiros, 20 feridos graves, 3 em estado crítico, e dois mortos de etnia caucasiana. Tendo recolhido os elementos que foi possível apurar no local, as autoridades, GNR, PSP e PJ revelaram-se "contentes por lhes ter sido possibilitado seguir a Nova Cartilha Pacifista", uma vez que, como é tautológico, ao grupo de jovens não pode, a priori, ser imputada qualquer intenção agressiva, muito menos implicitude nos incidentes que ali terão ocorrido horas depois da sua partida. Fernanda Câncio, Daniel Oliveira e João Miranda já se congratularam em directo na Televisão do Aparelho por mais este passo em direcção ao pluralismo.
Está vento.


(via Gauss Gun)

Argumentos idiotas

Nenhuma mulher faz um aborto de ânimo leve.

Nenhum marginal faz reféns de ânimo leve.

Nenhum cigano arma e leva para um assalto, de ânimo leve, os filhos menores.

Quote do dia (3)


Os ciganos não podem ser cidadãos para os direitos e marginais para os deveres.

- Miguel Sousa Tavares

Quote do dia (2)

Se os ciganos estão a habitar casas com rendas de cinco euros não é porque as câmaras sejam dadas à caridade, mas porque é esse o preço que estão dispostas a pagar pela sua sedentarização. E, se os ciganos não pagam essas rendas, é porque sabem que as câmaras engolem o atrevimento, desde que eles fiquem quietinhos a um canto. Quando não ficam quietinhos... bom, quando não ficam quietinhos, esta frágil rede de hipocrisias estala – e aí, o problema cigano reaparece.

- João Miguel Tavares, "DN"

Quote do dia


quantos dos jornalistas presentes na sessão de “lançamento mundial” do computador Magalhães apuraram o que era de facto português ou novo em tudo aquilo? Ou como se escolhera a empresa portuguesa que participa na construção do Magalhães? E ainda o que se entende por “apoios do Estado” a este projecto? Questões que começaram quase imediatamente a ser feitas e parcialmente respondidas na blogosfera.

E se por acaso ou masoquismo passarmos para domínios como a saúde o resultado é ainda mais negativo. Grossos volumes se podiam fazer a propósito das campanhas de marketing de laboratórios farmacêuticos que imediatamente se transformam em notícias aterrorizadoras sobre as doenças que vamos ter (ou as que já temos e não sabemos). A alimentação é outro campo em que os fabricantes dos mais diversos produtos se habituaram a contar com títulos que transcrevem automaticamente os textos das agências de comunicação. Ainda não há muito tempo as famílias portuguesas foram colocadas em estado de alerta porque o pequeno-almoço das suas crianças seria péssimo. E porquê? Porque as criancinhas não comiam “creme vegetal”, vulgo margarina, ao pequeno-almoço. Afinal tudo se resumia às conclusões dum estudo que fora patrocinado nem mais nem menos do que por uma empresa fabricante de margarinas e que naturalmente considerava alarmante que não se não comesse margarina ao pequeno-almoço!

A pressão mediática de que agora tanto se fala não corresponde na verdade a uma capacidade de investigação acrescida por parte dos jornalistas. Antes pelo contrário. O que temos sim é uma capacidade sempre renovada por parte de governos, empresas, instituições ou algumas pessoas de se pressionarem entre si usando para tal os media. Digamos que é uma estratégia princesa Diana: à noite, foge-se dos mesmos jornalistas a quem se telefonou, a meio da tarde, a contar aquilo que se quer que seja notícia no dia seguinte.


- Helena Matos, "Público"

Hoje o jcd redimiu-se aos meus olhos. Voltou a ser o jcd que conheci há 7 anos nos fóruns do Público e a quem jamais vira, salvo na questiúncula dos snipers há uns dias, neutralidade forçada. Assim sim :)


"De boas intenções está a ciência cheia. Convido-os a ler, no 5 Dias, o estudo “científico” mais preconceituoso e enviesado que li nos últimos tempos. Melhor ainda do que o outro, que um dia destes dizia que comer margarina faz bem às criancinhas.

Bem intencionado, sem dúvida. Este é um estudo que tenta provar uma tese: os imigrantes, em proporção, não cometem mais crimes que os portugueses residentes. Uma tese de combate à xenofobia bem difícil de provar porque é falsa, aqui e em qualquer país de imigração pouco qualificada. É falsa, mas quem não concorda que o mundo seria melhor se a tese fosse verdadeira? E terá sido por isso que alguém pensou que se conseguisse convencer os outros de que a a tese falsa é verdadeira, construir-se-ia um mundo melhor.

Mão à obra. Com as conclusões alinhavadas desde o início, só é preciso dar a volta aos números para que se justifique o estudo. Nem poderia ser de outro modo. Quem paga é o Observatório da Imigração e o Alto-Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas, organizações com propósitos e missão que nunca iriam aceitar conclusões adversas.

Então, como dar a volta a este ponto de partida:

Um caso bicudo. Vamos partir de 80% de investigação sociológica - “qual seria o resultado desta comparação caso estrangeiros e portugueses se assemelhassem nos aspectos susceptíveis de influírem sobre a criminalidade?”, e outros 80% de manipulação estatística. Dá 160% mas neste caso 100% não chegava para dar a volta à coisa. A parte estatística tem que ser impenetrável mesmo para mortais incomuns. Veja-se como começa a análise - pega-se numa matriz de componente rodada, submete-se a uma análise factorial de componentes principais, obtém-se uma solução com um teste de Bartlett de esfericidade que garante não ser a matriz de identidade, o MSA dá 0,88 e no fim aplicamos a solução obtida à rotação Varimax.

Com isto, já se afastaram todos os que queiram discutir o método científico por falta de capacidade analítica das técnicas utilizadas. Mais umas quantas frases de fino recorte científico e chegamos à primeira conclusão: “Não há, pois, necessidade de lançar mão da tese xenófoba para dar conta do fenómeno”. Assim é que é. A ciência ao serviço das causas - o Professor Boaventura deve estar radiante. Vamos no bom caminho.

O estudo continua. São dezenas de páginas de densa estatística que pretendem contrariar o gráfico de partida. Isolam-se factores. Os estrangeiros são jovens. Não vivem com a família. Ganham menos. Têm piores empregos. Andam mais horas nos transportes públicos. São mais pobres. Têm menor grau de escolaridade. São maltratados pelos tribunais. (Nem todos, os que vêm da Europa Ocidental são diferentes, mas essa distinção é irrelevante para as conclusões)

Por fim, o epílogo. “Em condições equivalentes de masculinidade, juventude e condição perante o trabalho” não há diferenças. É mais ou menos o mesmo que dizer: Os portugueses que fazem parte do grupo dos que cometem crimes, têm tendência equivalente para cometer crimes aos imigrantes que cometem crimes. Q.E.D.

La Palisse e muitos outros fariam isto por menos dinheiro, mas com menos ciência. Mas assim é melhor. Já deu na TV, já apareceu nos jornais, já está nos blogues. Objectivo cumprido."

Give me back my broken night
my mirrored room, my secret life
it's lonely here,
there's no one left to torture
Give me absolute control
over every living soul
And lie beside me, baby,
that's an order!
Give me crack and anal sex
Take the only tree that's left
and stuff it up the hole
in your culture
Give me back the Berlin wall
give me Stalin and St Paul
I've seen the future, brother:
it is murder.
Things are going to slide, slide in all directions
Won't be nothing
Nothing you can measure anymore
The blizzard, the blizzard of the world
has crossed the threshold
and it has overturned
the order of the soul
When they said REPENT REPENT
I wonder what they meant
When they said REPENT REPENT
I wonder what they meant
When they said REPENT REPENT
I wonder what they meant
You don't know me from the wind
you never will, you never did
I'm the little jew
who wrote the Bible
I've seen the nations rise and fall
I've heard their stories, heard them all
but love's the only engine of survival
Your servant here, he has been told
to say it clear, to say it cold:
It's over, it ain't going
any further
And now the wheels of heaven stop
you feel the devil's riding crop
Get ready for the future:
it is murder
Things are going to slide ...
There'll be the breaking of the ancient
western code
Your private life will suddenly explode
There'll be phantoms
There'll be fires on the road
and the white man dancing
You'll see a woman
hanging upside down
her features covered by her fallen gown
and all the lousy little poets
coming round
tryin' to sound like Charlie Manson
and the white man dancin'
Give me back the Berlin wall
Give me Stalin and St Paul
Give me Christ
or give me Hiroshima
Destroy another fetus now
We don't like children anyhow
I've seen the future, baby:
it is murder
Things are going to slide ...
When they said REPENT REPENT ...

- Leonard Cohen
http://www.unkno.com/?id=193.

12.8.08

Crime e Castigo

Levando minimamente a sério o que vem sendo escrito pelo João Miranda no Blasfémias, e a somar às mutações sofridas na comunicação social - e mesmo no discurso em registo privado desde há uns anos para cá, há conclusões a tirar que são assustadoras.
Para as esquerdas instituídas, criminosos que assaltam um banco e ameaçam inocentes, incorrendo e fazendo incorrer em risco de vida, violando princípios elementares do comportamento humano e em sociedade, devem ser "protegidos contra o perigo de execução sumária por parte das forças policiais", as mesmas que as esquerdas criticam sem descanso quando a medida da sua conveniência é outra.
Já bastava pertencer a uma minoria para se ser "alegadamente", e não de forma clara, responsável no caso de levar a cabo actos criminosos. Agora basta praticar esses actos para se ser inimputável em potencial.
Quem tentou assaltar o BES fazendo reféns arriscou aquilo que teve.
Quem leva crianças para assaltos e as indoctrina na cultura da destruição e do degredo é que é responsável pelo que lhes acontece. Não são as forças policiais, cujos elementos se arriscam a levar 50g de chumbo a mais para casa.
É aliás como escreveu hoje Helena Matos, "A propósito dos confrontos na Quinta da Fonte declarou Paulo Pedroso: “Não é um problema de cidadãos de etnia Roma (cigana) e de cidadãos de pele negra, o que está em causa é a concentração de pessoas com grandes níveis de pobreza e com uma vida urbana separada da geral” Segundo o PÚBLICO o ex-governante “está actualmente a finalizar um projecto para a promoção da integração da comunidade cigana na Roménia, no âmbito de uma iniciativa do Banco Mundial.”
O que Paulo Pedroso faz neste raciocínio é precisamente levar o assunto para os movediços terrenos do racismo. E só deixa duas possibilidades: racismo ou pobreza. Por ele é pobreza. E os outros ficam caladinhos com medo que os chamem racistas. Pois nem uma coisa nem outra. É mesmo um problema de falta de valores por pessoas que se habituaram a viver acima e para lá da lei."

11.8.08

i'd like to sleep one hundred days
my feeling has gone, flesh cold and numb
i'm staring into winter
all's slowing down, snow in the wheels
frost on the ground, ice cuts the seal
that opens up old wounds
that lets in the winter
memories and hopes are all that i have
but are they all i need,
will they see me through this winter?
i'd like to sleep one hundred days
my reason has gone, flesh cold and numb
at least let me sleep through the winter

- Adrian Borland
During one concert in Ireland, Bono suddenly stopped singing, hushed his band, and waited for the hall to fall silent. Stepping into a spotlight he began to rhythmically clap his hands. "Every time I clap my hands," he intoned, "a child dies in Africa." Whereupon a voice from the audience yelled: "Well stop fooking clapping then."
(end quote)
O que foi válido para o Kosovo já não serve para a Ossétia.
e entretanto o enchimento da caparica com areia custa 5 milhoes de euros...!!!

"adrian why don't you give it up..."
This makes it lawful for a man to kill a thief, who has not in the least hurt him, nor declared any design upon his life, any farther than, by the use of force, so to get him in his power, as to take away his money, or what he pleases, from him; because using force, where he has no right, to get me into his power, let his pretence be what it will, I have no reason to suppose, that he, who would take away my liberty, would not, when he had me in his power, take away every thing else. And therefore it is lawful for me to treat him as one who has put himself into a state of war with me, i.e. kill him if I can; for to that hazard does he justly expose himself, whoever introduces a state of war, and is aggressor in it.

“Second Treatise of Government” - John Locke

http://www.theatlantic.com/doc/200807/google

In Plato’s Phaedrus, Socrates bemoaned the development of writing. He feared that, as people came to rely on the written word as a substitute for the knowledge they used to carry inside their heads, they would, in the words of one of the dialogue’s characters, “cease to exercise their memory and become forgetful.” And because they would be able to “receive a quantity of information without proper instruction,” they would “be thought very knowledgeable when they are for the most part quite ignorant.” They would be “filled with the conceit of wisdom instead of real wisdom.” Socrates wasn’t wrong—the new technology did often have the effects he feared—but he was shortsighted. He couldn’t foresee the many ways that writing and reading would serve to spread information, spur fresh ideas, and expand human knowledge (if not wisdom).

The arrival of Gutenberg’s printing press, in the 15th century, set off another round of teeth gnashing. The Italian humanist Hieronimo Squarciafico worried that the easy availability of books would lead to intellectual laziness, making men “less studious” and weakening their minds. Others argued that cheaply printed books and broadsheets would undermine religious authority, demean the work of scholars and scribes, and spread sedition and debauchery. As New York University professor Clay Shirky notes, “Most of the arguments made against the printing press were correct, even prescient.” But, again, the doomsayers were unable to imagine the myriad blessings that the printed word would deliver.

So, yes, you should be skeptical of my skepticism. Perhaps those who dismiss critics of the Internet as Luddites or nostalgists will be proved correct, and from our hyperactive, data-stoked minds will spring a golden age of intellectual discovery and universal wisdom. Then again, the Net isn’t the alphabet, and although it may replace the printing press, it produces something altogether different. The kind of deep reading that a sequence of printed pages promotes is valuable not just for the knowledge we acquire from the author’s words but for the intellectual vibrations those words set off within our own minds. In the quiet spaces opened up by the sustained, undistracted reading of a book, or by any other act of contemplation, for that matter, we make our own associations, draw our own inferences and analogies, foster our own ideas. Deep reading, as Maryanne Wolf argues, is indistinguishable from deep thinking.

If we lose those quiet spaces, or fill them up with “content,” we will sacrifice something important not only in our selves but in our culture. In a recent essay, the playwright Richard Foreman eloquently described what’s at stake:


I come from a tradition of Western culture, in which the ideal (my ideal) was the complex, dense and “cathedral-like” structure of the highly educated and articulate personality—a man or woman who carried inside themselves a personally constructed and unique version of the entire heritage of the West. [But now] I see within us all (myself included) the replacement of complex inner density with a new kind of self—evolving under the pressure of information overload and the technology of the “instantly available.”

As we are drained of our “inner repertory of dense cultural inheritance,” Foreman concluded, we risk turning into “‘pancake people’—spread wide and thin as we connect with that vast network of information accessed by the mere touch of a button.”

I’m haunted by that scene in 2001. What makes it so poignant, and so weird, is the computer’s emotional response to the disassembly of its mind: its despair as one circuit after another goes dark, its childlike pleading with the astronaut—“I can feel it. I can feel it. I’m afraid”—and its final reversion to what can only be called a state of innocence. HAL’s outpouring of feeling contrasts with the emotionlessness that characterizes the human figures in the film, who go about their business with an almost robotic efficiency. Their thoughts and actions feel scripted, as if they’re following the steps of an algorithm. In the world of 2001, people have become so machinelike that the most human character turns out to be a machine. That’s the essence of Kubrick’s dark prophecy: as we come to rely on computers to mediate our understanding of the world, it is our own intelligence that flattens into artificial intelligence.

8.8.08

Então mas em ano de Jogos Olímpicos os países não se convertem todos em campos de equidade, tolerância, razão e progresso?

PSP faz balanço da operação que terminou com a morte de um dos dois homens

Assaltantes do BES recusaram-se a negociar com a polícia e ameaçaram executar reféns
08.08.2008 - 15h37 Cláudia Bancaleiro, Paula Torres de Carvalho

Os dois homens que ontem assaltaram uma dependência do BES em Lisboa recusaram-se a negociar com as autoridades e ameaçaram durante o processo de conversação com a polícia, que se prolongou por cerca de oito horas, executar as duas pessoas que mantiveram sob sequestro. O assalto terminou pelas 23h00, quando os dois homens se dirigiram por sua iniciativa até à porta do banco, sob o escudo de dois reféns, acabando um deles por ser morto pela polícia e um segundo ferido com gravidade. Os dois reféns escaparam ilesos.

Numa conferência de imprensa realizada esta tarde, o director nacional da PSP, Francisco Oliveira Pereira, adiantou que os dois homens,"com idades entre 25 e 35 anos", estavam em situação ilegal no país e que o assalto que tentaram realizar à dependência bancária terá sido planeado, já que os reféns foram imobilizados com o recurso a algemas de plástico. Ainda de acordo com Oliveira Pereira, as armas utilizadas pelos dois homens “são provavelmente ilegais”.

A identidade e nacionalidade dos dois homens não foi revelada, depois de informações avançadas nas primeiras horas após o assalto indicarem que se tratavam de cidadãos brasileiros, o que não foi confirmado oficialmente. “A polícia não estigmatiza nem pela cor da pele nem pela sua nacionalidade. A única coisa que dizemos é que são cidadãos estrangeiros. Recusamo-nos a confirmar se são brasileiros ou italianos”, respondeu o director nacional da PSP aos jornalistas.

Ao PÚBLICO, o secretário-geral do Gabinete Coordenador de Segurança, o general Leonel Carvalho, indicou que foram dadas recomendações à polícia para não serem avançados dados quanto à identidade dos assaltantes. O responsável confirmou, porém, que não tinham registos criminais em Portugal e que estavam no país “há alguns meses”. Apesar do director nacional da PSP ter afirmado que os dois assaltantes estariam ilegalmente em Portugal, o general Leonel Carvalho disse que a situação está ainda a ser investigada.

”PSP tentou salvar a vida de todos os intervenientes”

Francisco Oliveira Pereira fez um balanço positivo da operação, onde pela primeira vez foi dada ordem para neutralizar assaltantes, perante a ameaça sobre a vida dos reféns. “Foi uma operação com elevado sucesso”, frisou.

O subintendente do Grupo de Operações Especiais da PSP (GOE), Carlos Ribeiro, também presente na conferência de imprensa, assegurou que foram feitos todos os esforços para resolver o caso através de negociações. “Tentámos as negociações até ao limite. Salvaguardamos a vida de todos mas não conseguimos. A PSP tentou até ao limite das suas capacidades e possibilidades para salvaguardar a vida de todos os intervenientes na dependência bancária. As negociações foram delicadas”, contou o responsável dos GOE, acrescentando que ao longo do sequestro a polícia manteve algumas conversações telefónicas com os homens.

O director nacional da PSP sublinhou que a operação foi “100 por cento eficaz”, e que “o que foi feito foi sempre a favor da vida das pessoas”. “Foi com base nesse pressuposto e na postura deles e foi por isso que tomámos uma atitude definitiva. Não atirámos para matar, atirámos para neutralizar”, reforçou.

Polícia vai investigar relação com outros assaltos

O secretário-geral do Gabinete Coordenador de Segurança (GCS) adiantou ao PÚBLICO que o caso está em investigação para averiguar a possível relação com outros assaltos a bancos cometidos em Portugal.

Leonel Carvalho explicou que o local do crime foi de imediato vedado para investigação e recolha de possíveis vestígios de ADN que possam vir a confirmar uma ligação com outros assaltos a dependências bancárias.

O responsável do GCS acrescentou que a acção da PSP está também a ser avaliada, um procedimento obrigatório neste tipo de casos para apurar se foram cometidas irregularidades durante a operação.

Assalto terminou com morte de um dos homens

O assalto à dependência do BES de Campolide terminou na noite passada com a morte de um dos assaltantes, ferimentos graves num outro e a libertação dos dois reféns. No início do assalto, eram seis as pessoas mantidas no interior do banco. Quatro saíram duranre as negociações com a polícia.

Os assaltantes entraram às 15h05 no interior da dependência do BES, na Rua Marquês da Fronteira, tendo o alerta sido dado por uma mulher que estava a levantar dinheiro na caixa multibanco.

Após várias horas de negociações sem sucesso, os dois homens aproximaram-se da porta do banco com os dois reféns, uma situação que ficou sem explicações por parte da polícia. “Não sabemos explicar essa circunstância. Foi uma iniciativa dos sequestradores”, adiantou o director nacional da PSP.

As exigências que foram feitas pelos dois homens não foram reveladas, mas a polícia informou que pretendiam fugir numa viatura com os reféns.

Às 23h23, ouviram-se tiros disparados por "snipers" e, segundos depois, os dois reféns conseguiam fugir. Um dos assaltantes morreu no local, enquanto um segundo foi atingido no crânio e na face, estando internado Hospital de São José.

O caso, no qual foram cometidos os crimes de roubo e de sequestro, está agora nas mãos da Polícia Judiciária e serrá depois participado ao Ministério Público.
Adenda: entretanto e conforme havia profetizado ontem, já apareceram as luminárias do costume em defesa dos pobres, recalcados, excluídos e néscios assaltantes.
Parece que há até um par de bloquistas que lhe chamam execução.
A mim basta-me citar este comentário objectivista:
"Não há execuções quando as duas partes estão de armas na mão."

Portagens, o bosão de Higgs e o OK Corral

Quando casei pela primeira vez fui viver para Queluz. Questionem-me depois sobre as causas desse desvario (não tenho nada contra Queluz) mas vamos só fazer um exercício de aritmética primeiro; o tom professoral teima em perseguir-me.
Morava a 1.5 km da estação. Em sítios como Queluz isto pode acontecer, a malta vai parar, por razões economicistas, a casas porreiras pá mas que ficam longe da estação. A escola onde tinha de deixar o meu puto ficava a 2km de casa. Assumiremos para efeitos deste exercício que tanto 1.5km como 2km são distâncias impraticáveis com uma criança de 3 ou 4 anos, sobretudo no Inverno.
Assim usava o carro para levar o rebento à escola, mas quando voltava do caos matinal já era tarde de mais (e não, não ficava com o cu na cama como uma lapa ociosa, saltávamos do colchão antes das 06:30) para deixar o carro em casa e ir a pé; mas também não tinha, tal como hoje não teria, onde o arrumar perto do acesso aos comboios. Como os autocarros ainda hoje passam sem precisão horária, cheios e efectuam percursos tortuosos, acabava por levar o carro para o trabalho. Também confesso que só ia trabalhar porque queria comprar uma casa, comida, roupa, livros e gasolina para ir trabalhar. O meu carro consome 7l aos 100, ora para fazer 20 (em 30 minutos) consumia 1.4l por dia, ou 2.25 euro a preços actuais. De autocarro demoraria 2h, por 5 euro (mais do dobro em custo e 4 vezes mais lento) e de comboio demoraria 40m a andar, apanharia suores, molhas e nervos, e pagaria 2.60 euro. Além disso, teria que demorar o mesmo tempo a ir buscar o carro a casa ao final do dia para fazer a ronda inversa.
Hoje moro numa aldeia simpática a 8km de Lisboa. Oito quilómetros. Não há transportes para a Gare do Oriente, nem para outros destinos que não o Senhor Roubado e o Colégio Militar. Passam de 20 em 20 minutos e custam 2.90 euro, fazendo os percursos de 8 e 9 km em 35 e 40 minutos respectivamente. Se apanhasse qualquer um destes (depois e antes de ter obrigatoriamente que usar o carro para fazer a ronda casa-escola-casa) pagaria 2.90 x 2 + 1.30 (metro) x 2 = 8.40 euro para chegar, digamos, a Entrecampos ou ao Marquês de Pombal. Por dia. De carro demoraria o mesmo tempo, por 4 euros de gasolina. Mas só faria isto se tivesse que trabalhar para pagar roupa, comida, livros e gasolina para ir trabalhar, porque felizmente não tenho que me preocupar em pagar casa.
Em Portugal as pessoas votam em políticos que se comportam de forma obscena e mesmo assim conseguem ser reeleitos ano após ano. Cada povo tem o que merece. Se as portagens, essa invenção Mediterrânica, aumentarem para carros ocupados por um só indivíduo (e quem viver sozinho e não tiver colegas que trabalhem em Lisboa, paga porquê?) vou ficar muito contente por ver legitimada a minha misantropia.
Ontem no Parque das Nações (perdoa-me meu amor que adoras aquela zona mas eu não posso deixar de a achar um exemplo acabado de progresso provinciano para inglês ver, porque dentro daquelas torres aerodinâmicas estão pessoas, organizações e relações de causa-efeito tão más e aviltantes como no resto do país) passou por mim, a correr uns 200m à frente do pai, um puto de 4 anos. O pai vinha a puxar uma samsonite enorme e tinha aspecto de jogar nos júniores do Marítimo, cheio de piercings como um candidato a íman de frigorífico. O puto lá foi a correr até o termos perdido de vista.
Adrian Borland escrevia frases belíssimas e já morreu. Há muita solidão no Mundo quando as pessoas olham através umas das outras, muitas vezes dentro de casa, e uma carruagem de metro nunca chega ao destino certo. Ainda bem que nos temos porque o contrário seria a ruína.
Nas notícias nao havia novidades sobre a partícula de Higgs. Por muitas peças de teatro que se escrevam onde o efeito de túnel, a incerteza do Heisenberg e os paradoxos checo-judaicos façam de figuras de proa, ainda faltarão muitos lustros de rotação sazonal e muitos côvados de caminho até ser evidente, para a maralha, que a partir do momento em que passa a haver cowboyada em directo a toda a hora, com xungaria nacional e estrangeira a brilhar os seus 15 minutos - nem que seja a custo de balázio - a coisa fica irreparavelmente preta.
E isto é que interessa, não é o sexo das portagens nem os traumas emocionais dos construtores civis.