- Jorge Coelho
(ex-responsável pela queda impune da ponte de Entre-os-Rios, responsável pela frase acima transcrita e também por ter dito "quem se mete com o PS, leva", um exemplo acabado de como cada povo tem o que merece)
When I hear music, I fear no danger. I am invulnerable. I see no foe. I am related to the earliest times, and to the latest.
- Henry David Thoreau -
Condensing fact from the vapor of nuance since 2003
Não querendo lateralizar o importante, basta lembrar o anúncio do "Magalhães" como "Primeiro computador portátil português" (sic), se além de mentiroso o aspecto não era importante, não se percebe o seu exacerbado destaque; quanto ao rapidamente a ficar famoso "controlo parental", se é tão banal programa, menos se entende que não venha previamente instalado num computador destinado a crianças de tão tenra idade.
Até podia juntar mais um aspecto seguramente lateral, que é a existência de redes wi-fi nas salas de aula, cujos efeitos das suas ondas nas crianças se desconhecem, ou pelo menos desconhecem o suficiente para que a Cisco e outros fabricantes não assumam qualquer responsabilidade presente ou futura (nas letrinhas pequenas que acompanham os equipamentos). Noutras paragens, até se exige o desmantelamento dessas redes nas escolas (http://www.timesonline.co.uk/tol/life_and_style/education/article642575.ece). Os pais, tão atentos à radiação das antenas de telemóveis (que não querem perto de escolas), parecem não saber que a radiação das redes wi-fi é muito parecida e aparentemente pode chegar a ser três vezes mais forte que a de uma antena das operadoras de telemóveis (http://news.bbc.co.uk/2/hi/technology/6676129.stm). De uma forma ou de outra, o debate existe.
Mas o principal, que me parece transparecer do que tenho lido no Abrupto, é que estando os níveis de literacia pelas ruas da amargura, os exames reduzidos a meros instrumentos estatísticos e os professores totalmente deprimidos, é se esta distribuição informática e os seus custos vão de encontro do que a escola e os alunos necessitam, ou se é meramente mais um exercício dispendioso de propaganda.
A minha opinião é que se insere numa linha de facilitismo que se desgraçadamente se instalou. É um computador atribuído sem representar qualquer tipo de esforço quer por parte dos alunos, quer por parte das famílias. De tudo o que li, ainda não percebi para que serve, de que forma se insere no programa escolar. Se é que se insere. Não percebi se será para uma disciplina específica, ou para apoio a outras disciplinas por exemplo.
- José Rui Fernandes
Publicado por jcd em 25 Setembro, 2008
O primeiro-ministro ficou muito indignado quando soube que existia um mecanismo chamado ’short-selling’, isto é, a possibilidade de alguém vender na bolsa aquilo que ainda não é seu. Mas se o primeiro-ministro se quer indignar com práticas correntes, não é preciso ir à bolsa. Pode indignar-se com o mercado imobiliário, por exemplo. Vejam bem que é possível comprar uma casa que ainda não foi construída. Só que não lhe chamamos short-selling. Chamamos-lhe contrato-promessa. Tanto no mercado de capitais como no mercado imobiliário, esperamos que os vendedores honrem o compromisso e tanto num mercado como noutro, se os vendedores forem à falência, os compradores terão que correr atrás do prejuízo. Outro exemplo de short-selling é a FNAC que tem por hábitos vender jogos que ainda não estão no mercado. Aqui está um exemplo.
Claro que o senhor primeiro-ministro deveria saber que corre muito mais riscos quando assina um contrato-promessa de compra e venda de uma casa que ainda está apenas no papel do que quando compra ou vende títulos a descoberto nos mercados de capitais. Mas isso são coisas muito complicadas de explicar e compreendê-las até pode tirar votos. Imagine-se o que seria dizer em público que os produtos derivados fazem falta. Que escândalo, o PM a defender a ‘economia de casino’.
Também ainda não percebi se o primeiro-ministro se indigna com os mercados de futuros. Provavelmente, se lhe explicarem para que servem tão bem como lhe explicaram o short-selling, dá dois gritos e exige medidas.
Mas o principal actor nesta história de exigir o que ainda não existe é o governo. Por exemplo, o Pagamento Especial por Conta. As empresas estão obrigadas a pagar impostos por conta de lucros que ainda não obtiveram e até podem nunca vir a obter. Sócrates devia indignar-se com isto. Devia mesmo proibir tal prática. No IVA também. O IVA é pago pela factura, muitas vezes antes de se saber se o cliente paga. Quando o cliente é o estado, o fornecedor, primeiro vende o produto, depois entrega ao estado o IVA que ainda não recebeu. Semanas, meses ou anos depois, o estado paga-lhe o produto e devolve-lhe o IVA. Podemos dizer que durante este tempo, o fornecedor ficou short no IVA e o estado ficou long no abarbatanço do dinheiro do fornecdor. Sócrates devia estar piurso com isto. Alguém que lhe explique.
O que ontem se passou no Jornal das 13 é inacreditável: não só o governo é incompetente e demagógico, como tem ao seu dispor um bando de jornalistas nos jornais e televisão a fazer lembrar as sessões de propaganda do sr. Goebbels e do Nacional Socialismo alemão.
Senti-me idiotizado ao ver um sr. jornalista do Porto, a forçar uma criança a dizer que o "sistema do Magalhães” era mais fácil de trabalhar do que o “Windows” ou “Linux”. Só faltou uma bandeirinha na mão (talvez da União Europeia ou do PS!) e uma farda verde da União Nacional e um “S” na fivela do cinto a significar Sócrates.
- Anónimo
Entretanto Bruxelas preocupa-se com assuntos sérios,
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1343796&idCanal=62
Jovens! Ou alegadamente jovens? “Signa inferre! Concursu! Ad pila!” (esta última não é o que parece)
Credincruz (para ser PC), vixe, unde é que isso vai pará?
Vou contratar o Warren Buffett para prever se o Arrastão vai escrever sobre “a repressão na margem sul que conduz a manifestações de liberdade neo-artística” ou sobre “como expurgar a culpa do que o meu trisavô fez ao trisavô dos grunhos de Corroios”.
Como seria de esperar, a crise financeira tem dominado a agenda mediática dos últimos tempos. O Governo, que durante muito tempo fingiu acreditar que em nada o nosso país seria afectado por ela, usa-a agora para justificar todo e qualquer resultado “menos bom”, ao mesmo tempo que insiste que as “reformas” que levou a cabo tornam o nosso país “melhor preparado para enfrentar a crise”. Aparentemente, não ocorre a nenhum dos membros do Governo a contradição entre a afirmação de suposta fortaleza que as “reformas” construíram e a afirmação de que se elas não trouxeram bons resultados foi porque a “crise” não o permitiu. Em São Bento, nem a tempestade no mundo real faz o Primeiro-Ministro cair do Olimpo propagandístico que montou.
“Cá fora”, no entanto, a tempestade é bem real. As notícias de bancos e seguradoras a entrarem em falência assustam as pessoas, e os elevados preços de produtos alimentares ou da gasolina não ajudam a acalmar os espíritos. Tal como não se acalmam todos aqueles que rejubilam com o “colapso do capitalismo”, vendo na “crise” a Segunda Vinda do seu avermelhado Salvador (como se a primeira não tivesse dado no que deu). A maioria, felizmente, não exulta. Apenas vê na “crise” uma oportunidade para ver que “erros” se cometeram, e que “lições” daí se poderão retirar, para que não voltemos a passar pelo mesmo. Embora a sensatez de procurar não entrar em histeria seja de louvar, corremos o risco de estarmos a aprender as “lições” erradas.
Veja-se o editorial do Público do passado Sábado: Manuel Carvalho escreve que “as receitas recomendadas para debelar a crise são um claro atestado de óbito ao capitalismo libertário dos últimos anos”. Por outras palavras, a “grande lição da crise” é a de que é necessária a “atribuição de poderes mais efectivos a instâncias emanadas do Estado”, e as medidas tomadas pelo Governo americano são a prova disso mesmo. Manuel Carvalho comete aqui o erro de pensar que o facto de uma série de medidas serem relativamente consensuais é uma evidência da sua necessidade e validade. O facto de uma medida ser relativamente consensual e recomendada por muitos especialistas quer dizer apenas isso: ela é relativamente consensual e recomendada por muitos especialistas. Isso não faz dela uma medida acertada. Ela possa ser acertada ou não, e a quantidade de pessoas que a recomendam, tal como as suas qualificações, são irrelevantes para a avaliação dos méritos da medida em si. O facto de muita gente “recomendar” estas “receitas” para a crise não significa que não haja razões para temer os seus efeitos secundários: como é dito num artigo citado pelo João Miranda, “any talk of a government bail-out reduces the debtholders’ incentives to act, making the government bail-out more necessary”, e que acabem por ser os contribuintes a pagar os erros dos accionistas das empresas. O facto de muita gente “recomendar” estas “receitas” para a crise não significa que não haja razões para pensar que a “lição” que esta crise deixa não é a de que é necessária uma maior intervenção estatal, mas precisamente a “lição” contrária: compreender-se que a actividade financeira comporta riscos gigantescos, uma actividade particularmente sujeita aos efeitos causados pelos “cisnes negros” de que fala Nassim Taleb, uma actividade em que ninguém sabe realmente o que vai acontecer amanhã, e que portanto mais vale deixar as empresas correrem livremente os riscos que quiserem correr, e pagarem o preço que tiverem a pagar se a coisa correr mal, do que ter o Estado (que como qualquer outro agente, também não pode prever o futuro) a intervir directamente no mercado, e a estar sujeito a que um qualquer “cisne negro” lhe apareça à frente, e todos nós sejamos forçados a pagar o preço do risco que não compensou.
«”Fiquei com uma boa relação com o seu accionista [Paulo Azevedo] e vamos ver se isto não se altera.»
- José Sócrates, primeiro-ministro, em telefonema para o director do Público a propósito da intenção deste jornal publicar notícias sobre as dúvidas da sua licenciatura.
(no Público de hoje)