When I hear music, I fear no danger. I am invulnerable. I see no foe. I am related to the earliest times, and to the latest.
- Henry David Thoreau -
Condensing fact from the vapor of nuance since 2003
30.12.08
28.11.08
He halted in the wind, and--what was that
Far in the maples, pale, but not a ghost?
He stood there bringing March against his thought,
And yet too ready to believe the most.
'Oh, that's the Paradise-in-bloom,' I said;
And truly it was fair enough for flowers
had we but in us to assume in march
Such white luxuriance of May for ours.
We stood a moment so in a strange world,
Myself as one his own pretense deceives;
And then I said the truth (and we moved on).
A young beech clinging to its last year's leaves.
Far in the maples, pale, but not a ghost?
He stood there bringing March against his thought,
And yet too ready to believe the most.
'Oh, that's the Paradise-in-bloom,' I said;
And truly it was fair enough for flowers
had we but in us to assume in march
Such white luxuriance of May for ours.
We stood a moment so in a strange world,
Myself as one his own pretense deceives;
And then I said the truth (and we moved on).
A young beech clinging to its last year's leaves.
- Robert Frost
When I have fears that I may cease to be
Before my pen has glean'd my teeming brain,
Before high-piled books, in charactery,
Hold like rich garners the full ripen'd grain;
When I behold, upon the night's starr'd face,
Huge cloudy symbols of a high romance,
And think that I may never live to trace
Their shadows, with the magic hand of chance;
And when I feel, fair creature of an hour,
That I shall never look upon thee more,
Never have relish in the faery power
Of unreflecting love;--then on the shore
Of the wide world I stand alone, and think
Till love and fame to nothingness do sink.
Before my pen has glean'd my teeming brain,
Before high-piled books, in charactery,
Hold like rich garners the full ripen'd grain;
When I behold, upon the night's starr'd face,
Huge cloudy symbols of a high romance,
And think that I may never live to trace
Their shadows, with the magic hand of chance;
And when I feel, fair creature of an hour,
That I shall never look upon thee more,
Never have relish in the faery power
Of unreflecting love;--then on the shore
Of the wide world I stand alone, and think
Till love and fame to nothingness do sink.
- John Keats
25.11.08
24.11.08
17.11.08
11.11.08
Há 2 anos disse: "agora bom mesmo era acontecer A, B e depois C".
A aconteceu, por minha exclusiva acção.
B aconteceu, pela minha mão e com uma ajudinha do... exterior.
Entretanto hoje aconteceu C, e ficou provado
- que Deus existe,
- que afinal, desde puto, sempre tenho um jeito sobrenatural para as artes divinatórias,
- e que não sei o que terei feito, nesta vida ou noutra, para ser o receptáculo destas benesses.
Que Deus existe.
A aconteceu, por minha exclusiva acção.
B aconteceu, pela minha mão e com uma ajudinha do... exterior.
Entretanto hoje aconteceu C, e ficou provado
- que Deus existe,
- que afinal, desde puto, sempre tenho um jeito sobrenatural para as artes divinatórias,
- e que não sei o que terei feito, nesta vida ou noutra, para ser o receptáculo destas benesses.
Que Deus existe.
4.11.08
Ad absurdum
Dito pelos do costume, os bancos são os culpados da crise porque quiseram ganhar lucros astronómicos à conta de submeter os pobrezinhos a práticas torcionárias. Logo o Estado tem que intervir, "regulando" e tomando conta, não se sabe com que dinheiros nem critérios, da actividade bancária.
Ou seja, como os bancos deram crédito a quem não deviam ter dado, o Estado paga aos bancos com dinheiro que é sacado aos contribuintes através de práticas torcionárias, para que venham dar crédito a toda a gente.

O cinema Quarteto fechou. O Monumental cedera lugar ao imediatismo vil e deslumbrado das torres de vidro, e o Nimas, ouvi dizer, está para fechar se é que ainda permite franquear as portas.
Parece que de repente (e estou a ouvir os Einsturzende Neubauten ao vivo em Oslo, lembras-te?) o grosso da humanidade assumiu-se torpe, reles, hedonista e trocável por todos los pesos duros.
Não sei, achas que construamos um qualquer reduto mais visível que este?
Isto foi no dia em que parei ao rememorar aquele meu aluno de ontem, a quem induzem quotidianamente uma reverência porcina pelo eco das calendas no ISEG, inculcando-lhe pavor atávico perante um desvio aos cânones, e durante cujas horas me exercito nos caminhos da engenharia social para que entenda, pobrezinho, que não vale a pena saber de cor a fórmula do juro composto se não se percebe o que é o juro.
Parece que de repente (e estou a ouvir os Einsturzende Neubauten ao vivo em Oslo, lembras-te?) o grosso da humanidade assumiu-se torpe, reles, hedonista e trocável por todos los pesos duros.
Não sei, achas que construamos um qualquer reduto mais visível que este?
Isto foi no dia em que parei ao rememorar aquele meu aluno de ontem, a quem induzem quotidianamente uma reverência porcina pelo eco das calendas no ISEG, inculcando-lhe pavor atávico perante um desvio aos cânones, e durante cujas horas me exercito nos caminhos da engenharia social para que entenda, pobrezinho, que não vale a pena saber de cor a fórmula do juro composto se não se percebe o que é o juro.
"Obama is going to pay my mortgage and gas"
"Não sei se alguém reparou, mas dizem-nos (cronistas, intelectuais, políticos e homens de rua) que se Obama não ganhar é porque os americanos são racistas ou porque houve fraude(...) Não quero imaginar o que estes tolerantes democratas se lembrarão de fazer no caso do seu santo redentor perder."
- Luciano Amaral
- Luciano Amaral
28.10.08
Objectivismo
Existe a possibilidade, não nula, de que um dia ao chegar a minha vez, eu morra.
Escolas e xamanismos à parte, não é uma perspectiva que me apeteça sujeitar a baterias de testes empíricos, nem de indução.
Advém daqui que a topologia de uma vida é, senão em universo, pelo menos num subconjunto pertinente ao vivente, finita; não contável, mas finita. E tal conduz a uma só saída, uma só conclusão:
JAMAIS PEDIREI A UM PÉ LICENÇA PARA MOVER O OUTRO, JAMAIS FICAREI TOLHIDO PELA MOLE IMENSA DAS RELATIVIDADES ENQUANTO A INACÇÃO LEVAR AO MEU PREJUÍZO,
onde se alarga o interior desse intervalo ao bem-estar daqueles que me são queridos, etc.etc., cf já foi dito elsewhere.
Um dia meu amor as lendas da paixão.
Um dia o regresso à chuva na estrada.
Escolas e xamanismos à parte, não é uma perspectiva que me apeteça sujeitar a baterias de testes empíricos, nem de indução.
Advém daqui que a topologia de uma vida é, senão em universo, pelo menos num subconjunto pertinente ao vivente, finita; não contável, mas finita. E tal conduz a uma só saída, uma só conclusão:
JAMAIS PEDIREI A UM PÉ LICENÇA PARA MOVER O OUTRO, JAMAIS FICAREI TOLHIDO PELA MOLE IMENSA DAS RELATIVIDADES ENQUANTO A INACÇÃO LEVAR AO MEU PREJUÍZO,
onde se alarga o interior desse intervalo ao bem-estar daqueles que me são queridos, etc.etc., cf já foi dito elsewhere.
Um dia meu amor as lendas da paixão.
Um dia o regresso à chuva na estrada.
Blog do dia
http://outrafisica.blogs.sapo.pt/


“Espera ai, disseste que o universo aumentou 10^50 vezes em 10^-34 s ???”
“Sim, segundo alguns autores, porque há umas variantes desses números; nota que «aumentou» não é a palavra correcta, pois pressupõe que o Universo tem um tamanho finito e nós não sabemos isso, é preferível dizeres «expandiu».”
“Explicas isso depois, ainda estou a ver se dijiro o que acabei de ouvir... em relação à velocidade de expansão actual, qual é a velocidade de inflação?”
“Aí umas 10^100 vezes mais... a taxa de expansão da inflação é 10^50/10^-34/s=10^84/s enquanto o valor actual da constante de Hubble é de 2,4*10^-18/s... é mais ou menos isso.”
“10^100 ? Mas isso não é um número absurdamente grande?”
“É, a hipótese da Inflação não foi facilmente aceite, mas as observações exibem um acordo crescente com as previsões desta hipótese e nós não temos de presumir que o Universo está de acordo com as nossas ideias mas sim com as nossas observações.”
“Já estou a perceber a hipótese do Magueijo, da velocidade da luz variável... em vez de considerar que o Universo «inflou» 10^50 vezes, considera que a velocidade da luz era 10^50 vezes maior por forma a poder considerar que todo o Universo observado esteve em contacto...”
“Mais ou menos isso, creio que ele considera 10^60; só que essa hipótese vai mexer com as leis físicas já estabelecidas enquanto a da Inflação não, limita-se a adicionar mais uma partícula, o Inflatão, responsável pelo campo que produziu a Inflação; assim o edifício do conhecimento construído fica intacto, apenas adicionamos qualquer coisa mais, o que é preferível a mexer na estrutura edificada e longamente testada.”
“Sim, segundo alguns autores, porque há umas variantes desses números; nota que «aumentou» não é a palavra correcta, pois pressupõe que o Universo tem um tamanho finito e nós não sabemos isso, é preferível dizeres «expandiu».”
“Explicas isso depois, ainda estou a ver se dijiro o que acabei de ouvir... em relação à velocidade de expansão actual, qual é a velocidade de inflação?”
“Aí umas 10^100 vezes mais... a taxa de expansão da inflação é 10^50/10^-34/s=10^84/s enquanto o valor actual da constante de Hubble é de 2,4*10^-18/s... é mais ou menos isso.”
“10^100 ? Mas isso não é um número absurdamente grande?”
“É, a hipótese da Inflação não foi facilmente aceite, mas as observações exibem um acordo crescente com as previsões desta hipótese e nós não temos de presumir que o Universo está de acordo com as nossas ideias mas sim com as nossas observações.”
“Já estou a perceber a hipótese do Magueijo, da velocidade da luz variável... em vez de considerar que o Universo «inflou» 10^50 vezes, considera que a velocidade da luz era 10^50 vezes maior por forma a poder considerar que todo o Universo observado esteve em contacto...”
“Mais ou menos isso, creio que ele considera 10^60; só que essa hipótese vai mexer com as leis físicas já estabelecidas enquanto a da Inflação não, limita-se a adicionar mais uma partícula, o Inflatão, responsável pelo campo que produziu a Inflação; assim o edifício do conhecimento construído fica intacto, apenas adicionamos qualquer coisa mais, o que é preferível a mexer na estrutura edificada e longamente testada.”
27.10.08
Ora isto é assim em Portugal há pelo menos 34 anos de forma instituída, e instituída sob a máscara da liberdade e igualdade... porque todos, mesmo os que não são nem querem ser capazes, têm de ter a sua oportunidade. E há muitos mais anos antes disto, mas nesse tempo aos inúteis dava-se os seus nomes por direito.
A geração que andava a saltar para cima das mesas aos berros encarnando em cada um de si o avatar d'el Che, agora, anda de fato e gravata a sorver quanto pode; a geração que lhe sucedeu anda às aranhas a gozar o bónus de poder viver na ignorância tirando ainda proveito disso. E os próximos estão tão fodidos que nem vão ter onde cair.
A geração que andava a saltar para cima das mesas aos berros encarnando em cada um de si o avatar d'el Che, agora, anda de fato e gravata a sorver quanto pode; a geração que lhe sucedeu anda às aranhas a gozar o bónus de poder viver na ignorância tirando ainda proveito disso. E os próximos estão tão fodidos que nem vão ter onde cair.
Daqui decorre que o mal de tudo isto, de facto os males do Mundo ou sua grande parte, é que ao contrário do que tem forçosamente de ocorrer - um exame no terreno - para que possamos conduzir um carro, são concedidos, de forma discricionária, privilégios que permitem ao mais frágil e perigoso mentecapto cometer actos de força maior, como votar (equiparando-se a outros que possam ler a realidade com maior lucidez), ocupar um posto de trabalho auferindo remuneração (excluindo desse benefício outros que possam produzir mais e melhor) e mais tarde quiçá examinar, escrutinar e seleccionar, por seu turno, candidatos às mais díspares funções.
Abstracção (II)
Vitrúvio (nome fictício) está no 12º ano e tem 18 anos. Para o ano poderá votar, e desde há umas semanas que conduz quotidianamente o carro do pai.
Presume-se que Vitrúvio deverá estar munido das faculdades básicas de cognição por forma a desempenhar responsavelmente as suas funções vitais em interacção com os demais concidadãos.
Vitrúvio não sabe bem o que quer seguir quando for para o ensino superior. Contabilidade, economia, marketing, relações internacionais ou qualquer outra ciência inexacta para cujo estudo não lhe seja requerido rigor, desenvoltura algébrica ou fuga à mediana das escolhas feitas pelos colegas e amigos com quem se relaciona.
Considere-se o seguinte problema:
Evento A: num saco certa bola é amarela
Evento B: no mesmo saco certa bola tem o número 1
Existe um evento A-e-B (ainda nesse saco) cuja probabilidade é calculável
Frente a isto Vitrúvio é incapaz, findos vinte minutos, de descrever o evento A-e-B, e de perceber, sendo-lhe dado que a probabilidade desse evento é 12.5%, que isso significa existir dentro do saco uma bola amarela com o número 1.
Recordo que Vitrúvio é eleitor e encartado para veículos automóveis.
Presume-se que Vitrúvio deverá estar munido das faculdades básicas de cognição por forma a desempenhar responsavelmente as suas funções vitais em interacção com os demais concidadãos.
Vitrúvio não sabe bem o que quer seguir quando for para o ensino superior. Contabilidade, economia, marketing, relações internacionais ou qualquer outra ciência inexacta para cujo estudo não lhe seja requerido rigor, desenvoltura algébrica ou fuga à mediana das escolhas feitas pelos colegas e amigos com quem se relaciona.
Considere-se o seguinte problema:
Evento A: num saco certa bola é amarela
Evento B: no mesmo saco certa bola tem o número 1
Existe um evento A-e-B (ainda nesse saco) cuja probabilidade é calculável
Frente a isto Vitrúvio é incapaz, findos vinte minutos, de descrever o evento A-e-B, e de perceber, sendo-lhe dado que a probabilidade desse evento é 12.5%, que isso significa existir dentro do saco uma bola amarela com o número 1.
Recordo que Vitrúvio é eleitor e encartado para veículos automóveis.
Abstracção
O Sancho (nome fictício) tem 12 anos e frequenta o 7º ano. Nunca chumbou até aqui.
A primeira percepção é de que o Sancho está sempre cansado, a pestanejar, e não se concentra. Inquirido, diz que dorme pouco porque tem muitas actividades: joga playstation, vai a festas, faz natação e passa algum tempo às compras com a mãe, e no cinema com o pai.
O Sancho sabe calcular a área dum triângulo, mas apresenta dificuldades acrescidas em fazê-lo sem a ajuda da calculadora (mesmo quando se trata de dividir 20 por 20) sobretudo porque não apreendeu, nas aulas, que a operação inversa da multiplicação é a divisão, e a da adição, a subtracção; ademais, se o triângulo aparecer desenhado numa perspectiva ou orientação diferente, o Sancho perde um tempo considerável a tentar interpretar o problema.
Foi demonstrado ao Sancho nas aulas de Matemática como converter metros cúbicos para litros, bem como foram recebidos alguns exemplos de reduções relativas a ordens de grandeza - centímetros para decímetros, etc.. Mas o Sancho não sabe ou não compreende porque é que não pode converter metros quadrados para metros cúbicos, nem decímetros para mililitros.
Saindo um pouco do âmbito estritamente académico, o Sancho até tem sorte porque particularmente tem um pai racional e uma mãe empenhada, que não são excessivamente laxistas por isso balizando tão responsavelmente quanto possível a evolução do seu filho. Mas o Sancho pertence, e isto é que assusta, a uma minoria de uns quantos 1% ou 2% da população estudantil, sendo que há ainda menos - muitos menos - alunos que estejam a maturar melhor do que ele.
O resto anda para aí a ver os Morangos e vão provavelmente crescer para serem economistas, gestores, jornalistas ou comentadores. Ou aparadores de relva em campos de golfe.
A primeira percepção é de que o Sancho está sempre cansado, a pestanejar, e não se concentra. Inquirido, diz que dorme pouco porque tem muitas actividades: joga playstation, vai a festas, faz natação e passa algum tempo às compras com a mãe, e no cinema com o pai.
O Sancho sabe calcular a área dum triângulo, mas apresenta dificuldades acrescidas em fazê-lo sem a ajuda da calculadora (mesmo quando se trata de dividir 20 por 20) sobretudo porque não apreendeu, nas aulas, que a operação inversa da multiplicação é a divisão, e a da adição, a subtracção; ademais, se o triângulo aparecer desenhado numa perspectiva ou orientação diferente, o Sancho perde um tempo considerável a tentar interpretar o problema.
Foi demonstrado ao Sancho nas aulas de Matemática como converter metros cúbicos para litros, bem como foram recebidos alguns exemplos de reduções relativas a ordens de grandeza - centímetros para decímetros, etc.. Mas o Sancho não sabe ou não compreende porque é que não pode converter metros quadrados para metros cúbicos, nem decímetros para mililitros.
Saindo um pouco do âmbito estritamente académico, o Sancho até tem sorte porque particularmente tem um pai racional e uma mãe empenhada, que não são excessivamente laxistas por isso balizando tão responsavelmente quanto possível a evolução do seu filho. Mas o Sancho pertence, e isto é que assusta, a uma minoria de uns quantos 1% ou 2% da população estudantil, sendo que há ainda menos - muitos menos - alunos que estejam a maturar melhor do que ele.
O resto anda para aí a ver os Morangos e vão provavelmente crescer para serem economistas, gestores, jornalistas ou comentadores. Ou aparadores de relva em campos de golfe.
O negócio prospera, mas porquê?
Nas escolas supostamente haverá aulas de apoio, de complemento à aprendizagem padrão que é vivida durante o horário regular. Ora, nunca houve tanta procura de explicações como este ano; constato à cabeça três factores arrepiantes:
sobre * - a culpa é dos papás, a quem, bastando vê-los no shopping e nos comboios, pouca mente resta depois de lidadas as contas mensais, a conversa de café com os amigos, e a dose matinal de notícias, seja ora a bola, ora as gajas, ora cosmética, ora demais mesquinhez sortida
sobre ** - conforme tenho dito, a cada eleição seu destino, "continuamos" sem perceber como é que na Noruega não existe o provincianismo pedante que por cá grassa, e que permite a manutenção de aberrações comportamentais como o constante tecer de loas a gente reles, rasa, porque mediante fax ou sms se tornaram de repente doutores, engenheiros, arquitectos, generais num enclave bantustanesco em que o ridículo deixou de ser legível
sobre *** - como te disse meu amor somos peças de um jogo em vias de extinção, não as peças mas o mote em si, e o tabuleiro é a única coisa que permanece. Mas antes, muito antes da queda meu amor, eu posso garantir-te que teremos uma palavra a dizer, senão por eles então por ti e por mim.
Nas escolas supostamente haverá aulas de apoio, de complemento à aprendizagem padrão que é vivida durante o horário regular. Ora, nunca houve tanta procura de explicações como este ano; constato à cabeça três factores arrepiantes:
os alunos estão mais desmiolados, infantis até aos 18 ou 19 anos - coisa por mim nunca vista antes de 2001, 2002*Comentário:
os professores, se por um lado sofrem com a carga burocrática imposta pelas sucessivamente medíocres administrações ministeriais, por outro é certo que cada vez mais são seleccionados sem pensar em aptidões cognitivas e vocacionais, e sim com base em critérios absurdos como a "média a concurso" que depende primariamente da antiguidade e da classificação académica**
o desajuste entre a realidade empiricamente perceptível (através do senso comum, porra!) e os programas - sem falar nos manuais para mentecaptos - é cada vez maior***
sobre * - a culpa é dos papás, a quem, bastando vê-los no shopping e nos comboios, pouca mente resta depois de lidadas as contas mensais, a conversa de café com os amigos, e a dose matinal de notícias, seja ora a bola, ora as gajas, ora cosmética, ora demais mesquinhez sortida
sobre ** - conforme tenho dito, a cada eleição seu destino, "continuamos" sem perceber como é que na Noruega não existe o provincianismo pedante que por cá grassa, e que permite a manutenção de aberrações comportamentais como o constante tecer de loas a gente reles, rasa, porque mediante fax ou sms se tornaram de repente doutores, engenheiros, arquitectos, generais num enclave bantustanesco em que o ridículo deixou de ser legível
sobre *** - como te disse meu amor somos peças de um jogo em vias de extinção, não as peças mas o mote em si, e o tabuleiro é a única coisa que permanece. Mas antes, muito antes da queda meu amor, eu posso garantir-te que teremos uma palavra a dizer, senão por eles então por ti e por mim.
A mentira dos mercados desregulados
por Nuno Garoupa
Descobre-se que, até agora (isto é, antes da crise dos mercados financeiros), se vivia um capitalismo selvagem desregulado de inspiração neoliberal, ou, na expressão patusca do Dr. Mário Soares, uma economia de casino e de "off-shores". Infelizmente isso é uma mentira, e que por mais repetida que seja continua a ser uma mentira.
Nunca a economia esteve tão regulada e regulamentada como nos últimos dez anos. Nunca houve tanta legislação técnica, tanta burocracia, tanta regulamentação, tantas e múltiplas agências administrativas e regulatórias, tanta intervenção do mundo político na organização dos mercados. Estado regulador existe e bem forte. Em Portugal, na União Europeia (basta ver o conteúdo quase exclusivamente regulador das directivas e dos regulamentos), e não menos nos Estados Unidos. O problema não é, nem nunca foi, de falta de regulação dos mercados, mas de uma má regulação desde o ponto de vista do interesse público.
Na última década, a forte regulação exercida pelo Estado foi capturada por interesses privados bem conhecidos. Entre os favores políticos e sem a atenção aos óbvios conflitos de interesse, o poder político permitiu aos grandes interesses económicos utilizar a regulação pública para aumentar os lucros privados. Foram ignoradas as externalidades sociais para favorecer, de forma sustentada, os grandes interesses económicos. Fala-se de economia de mercado, mas isso é uma grosseria técnica. Temos, sim, uma economia de oligopólios dominantes regulada por favores políticos. No caso português, uma versão modernizada e em grande escala do Estado corporativo.
O problema é, pois, político, e não económico. A classe política, durante os últimos dez anos, conviveu, promoveu, defendeu (e em muito beneficiou) a captura da regulação pública por interesses privados. Que credibilidade pode ter agora? Como podemos acreditar que o "novo" Estado regulador não é mais do mesmo, se os personagens são exactamente e literalmente os mesmos? Muito provavelmente, os mesmos interesses políticos de sempre vão "re-regular" o que já está regulado, para favorecer os mesmos interesses económicos de sempre.
Um novo Estado regulador não exige tanto profundas reformas económicas como nos querem vender, mas, sim, significativas mudanças políticas que não se vislumbram. Veremos a seu tempo quanto efectivamente mudará, mas a minha previsão é que, no essencial, muito pouco. Esta crise nos mercados financeiros não passará de um sobressalto passageiro para os oligopólios dominantes, que, no mínimo, já conseguiram o objectivo de curto prazo, a socialização das perdas.
PS. Foi com enorme justiça que o Prémio Nobel da Economia foi este ano para Paul Krugman. Mas lê-se o muito que se escreveu na imprensa escrita e na blogosfera portuguesa, e não se acredita. Desconfio que a esmagadora maioria jamais leu um artigo científico de Krugman. Os mais sinceros lá foram dizendo que só conheciam os seus artigos no NYT (ficámos mesmo a saber que nalgumas faculdades de economia em Portugal lêem-se os artigos do NYT mas não a obra científica). Pois só a mais completa ignorância científica pode falar de um Krugman heterodoxo, arraigado do "mainstream" da ciência económica, ignorado pelos consequencialistas que dominam na academia norte-americana, e, claro, está ostracizado em Princeton. Krugman, cientista económico pelo qual merece o Prémio Nobel, é um utilitarista "mainstream" da ciência económica moderna, como são Friedman ou Becker. Para muitos, habituados ao panorama nacional, é difícil entender que ser de esquerda ou de direita é uma opção ideológica, não uma escolha metodológica. O reconhecido rigor científico e técnico dos economistas que constituem o comité do Banco central sueco é incompatível com os favores políticos ou alinhamentos ideológicos. E os artigos no NYT não são obra científica (por muito que alguns famosos economistas portugueses tenham dificuldade em o aceitar, dada a dominante escassez de obra científica em Portugal).
por Nuno Garoupa
Descobre-se que, até agora (isto é, antes da crise dos mercados financeiros), se vivia um capitalismo selvagem desregulado de inspiração neoliberal, ou, na expressão patusca do Dr. Mário Soares, uma economia de casino e de "off-shores". Infelizmente isso é uma mentira, e que por mais repetida que seja continua a ser uma mentira.
Nunca a economia esteve tão regulada e regulamentada como nos últimos dez anos. Nunca houve tanta legislação técnica, tanta burocracia, tanta regulamentação, tantas e múltiplas agências administrativas e regulatórias, tanta intervenção do mundo político na organização dos mercados. Estado regulador existe e bem forte. Em Portugal, na União Europeia (basta ver o conteúdo quase exclusivamente regulador das directivas e dos regulamentos), e não menos nos Estados Unidos. O problema não é, nem nunca foi, de falta de regulação dos mercados, mas de uma má regulação desde o ponto de vista do interesse público.
Na última década, a forte regulação exercida pelo Estado foi capturada por interesses privados bem conhecidos. Entre os favores políticos e sem a atenção aos óbvios conflitos de interesse, o poder político permitiu aos grandes interesses económicos utilizar a regulação pública para aumentar os lucros privados. Foram ignoradas as externalidades sociais para favorecer, de forma sustentada, os grandes interesses económicos. Fala-se de economia de mercado, mas isso é uma grosseria técnica. Temos, sim, uma economia de oligopólios dominantes regulada por favores políticos. No caso português, uma versão modernizada e em grande escala do Estado corporativo.
O problema é, pois, político, e não económico. A classe política, durante os últimos dez anos, conviveu, promoveu, defendeu (e em muito beneficiou) a captura da regulação pública por interesses privados. Que credibilidade pode ter agora? Como podemos acreditar que o "novo" Estado regulador não é mais do mesmo, se os personagens são exactamente e literalmente os mesmos? Muito provavelmente, os mesmos interesses políticos de sempre vão "re-regular" o que já está regulado, para favorecer os mesmos interesses económicos de sempre.
Um novo Estado regulador não exige tanto profundas reformas económicas como nos querem vender, mas, sim, significativas mudanças políticas que não se vislumbram. Veremos a seu tempo quanto efectivamente mudará, mas a minha previsão é que, no essencial, muito pouco. Esta crise nos mercados financeiros não passará de um sobressalto passageiro para os oligopólios dominantes, que, no mínimo, já conseguiram o objectivo de curto prazo, a socialização das perdas.
PS. Foi com enorme justiça que o Prémio Nobel da Economia foi este ano para Paul Krugman. Mas lê-se o muito que se escreveu na imprensa escrita e na blogosfera portuguesa, e não se acredita. Desconfio que a esmagadora maioria jamais leu um artigo científico de Krugman. Os mais sinceros lá foram dizendo que só conheciam os seus artigos no NYT (ficámos mesmo a saber que nalgumas faculdades de economia em Portugal lêem-se os artigos do NYT mas não a obra científica). Pois só a mais completa ignorância científica pode falar de um Krugman heterodoxo, arraigado do "mainstream" da ciência económica, ignorado pelos consequencialistas que dominam na academia norte-americana, e, claro, está ostracizado em Princeton. Krugman, cientista económico pelo qual merece o Prémio Nobel, é um utilitarista "mainstream" da ciência económica moderna, como são Friedman ou Becker. Para muitos, habituados ao panorama nacional, é difícil entender que ser de esquerda ou de direita é uma opção ideológica, não uma escolha metodológica. O reconhecido rigor científico e técnico dos economistas que constituem o comité do Banco central sueco é incompatível com os favores políticos ou alinhamentos ideológicos. E os artigos no NYT não são obra científica (por muito que alguns famosos economistas portugueses tenham dificuldade em o aceitar, dada a dominante escassez de obra científica em Portugal).
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