15.1.09

Isto continua de chorar a rir. 

O Cardeal Patriarca, pese embora ser uma figura anacrónica (tal como o são quaisquer sacerdotes, deputados ou apresentadores de televisão) vem dizer que as mulheres, sob o Islão, são tratadas de forma diferenciada - para baixo, o que constitui uma verdade; hoje no editorial do Público, um dos muitos jornais destinados a leitores mentecaptos, JMF faz de conta que está a ser lógico (finge que afirmar que alguns A são B é o mesmo que afirmar que nenhuns A podem ser C). E do lado de lá, nas belas repúblicas islâmicas, os gajos cagam-se de alto para aquilo que, por cá, os progressistas de gabinete defendem, e enforcam gays e lésbicas. Mas isso são culturas ancestrais. 

Esta merda continua mesmo, mesmo, de chorar a rir. 

Ajuste directo

http://www.base.gov.pt/_layouts/ccp/AjusteDirecto/Detail.aspx?idAjusteDirecto=7827

Data de registo:
26-11-2008 0:00:00


Identificação de anúncio(se aplicável)


Listagem de entidades adjudicantes
NIFNome entidade adjudicante
506735524Municipio de Vale de Cambra


Listagem de entidades adjudicatárias
NIFNome entidade adjudiatária
500970602RENAULT PORTUGAL S.A.

Objecto do contrato(descrição sumária):
AQUISIÇÃO DE VIATURA DE 16 LUGARES PARA TRANSPORTE DE CRIANÇAS


Preço do contrato (Euro):
2.922.000,00 €

Prazo de execução (dias):
90

Local de execução:
Vale de Cambra

No caso dos ajustes directos: critério material de escolha do tipo de procedimento (se aplicável):
Alínea a), nº 1 do artigo 20º do CCP

12.1.09

O que devo depreender quando vejo pessoas, ao volante dos seus carros, pararem atemorizadas à entrada de uma rotunda, quando se acercam de uma passadeira, ou em cruzamentos bem sinalizados? Posso, meditando sobre a questão, colocar-me no seu lugar: é possível que tenham medo de atropelar alguém, de um embate. Mas eu não tenho medo de nenhuma dessas situações; é certo que desejo evitá-las, mas a probabilidade de que ocorram não me causa uma sensação de temor em dose suficiente para me fazer esquecer que possuo outra faculdade, além de poder sentir medo, que me é útil nestes casos, e que é a de analisar racionalmente as circunstâncias em que me encontro. 

Assim, não preciso que um reformado, envergando um colete fluorescente pago com os dinheiros do erário, venha atentar à minha propriedade, brandindo um sinal de stop feito em plástico mal-amanhado, sempre que aquele julgue não ser possível à pessoa que atravessa realizar, em simultâneo com o meu veículo, a sua travessia; a pessoa está a uma distância suficiente do meu veículo, e este perto q.b. da passadeira, para que ambos atravessemos consentaneamente sem que qualquer das partes necessite de travar a sua marcha, ou temer a mais pálida sombra de um choque. 

É ao delegar juízos imediatos e deste grau de simplicidade nas mãos de quem assalaria reformados para funções destas que a liberdade dos nossos filhos começa a ficar comprometida. Quando o pensamento fica sujeito a aprovação prévia das nossas construções sociais, o caldo ameaça entornar-se.

Reparem que poder-se-ia alternativamente alegar que as passadeiras são a melhor solução, em média e por justificar-se o recurso ao modo estatístico dada a gravidade das consequências de uma só fuga à regra, mas é que nem por aí a coisa se segura: construam-se passagens elevadas, ou túneis, que custam em norma pouco mais do que a pintura das passadeiras, e não obrigam nem ao culto do medo, nem a que qualquer das partes, peão ou veículo, tenha de se deter um segundo a mais nos seus afazeres para pensar se tem ou não que dar passagem ao outro. 


Post de Helena Matos, no Blasfémias:

Como aqui e aqui bem se explica sempre fez frio. Mas por razões longas de explicar está instituído nesta santa terrinha que o tempo certo é a Primavera/Verão. No caso do Verão chegamos ao destempero de naqueles dias em que o termómetro sobre acima dos 45 ter de ouvir o anúncio “que o bom tempo vai continuar”. A chuva e o frio são inevitavelmente sinónimos de mau tempo, entendendo-se por mau tempo o tempo que não deve existir. Uma coisa do antigamente, da gentinha das terras do interior. As pessoas modernas, urbanas e que vivem como “deve ser” andam sempre de manga curta em casa e é de manga curta que os professores e os alunos  enfeitam a árvore de Natal da escola. Assim como se  a vida decorresse num grande centro comercial.

9.1.09

Não é que importe muito, mas estou-me nas tintas para os governos, o voto, a união europeia, o Estado, a comunidade, os desgraçadinhos, e os filhos da puta que acham que esta estrumeira pode durar para sempre. 

Ah, como é bom respirar o ar frio. 

Outra verdade inconveniente

http://www.dailytech.com/Article.aspx?newsid=13834

Capítulo I

Era uma noite como tantas outras, após um dia tirado a papel químico sobre os restantes, quando a Guilda dos Néscios sem Qualidades reunia na casa de impasse à luz de um Petromax azul e bojudo.

Sob a égide das Totalidades, o barman despachava vasos seguidos de mais vasos prenhes de um qualquer eflúvio brotado por entre Genebra e Bombaim. Grossos fullerenos de gelo seco incandesciam na atmosfera saturnina da casa de impasse, ao som das exalações resignadas, comiseratórias e de resto normalíssimas da meia centúria de Néscios ali sentados com o fito de dar continuidade ao grande nada que desenhava as suas horas. In Media Veritas, propalava tibiamente o brasão cunhado em tijolo que servia de base para os copos sobre a mesa. 

Na casa de impasse honrava-se assim o volver de outra década dedicada à constatação da suprema evidência, mote irmanado com a vera e própria respiração da Guilda, isto tudo desde os tempos d'antanho:  o que é preciso é que os nossos dias sejam todos iguais,  e se pensamos muito nisso ficamos malucos. 

A tónica era dada assim pelos vasos de gin, cada janela oclusa uma cancela a favor da entropia interior.

Leituras

A REALIDADE E A FICÇÃO 
Pedro Lomba

2008 não foi famoso. E 2009 vai ser ainda pior. Segundo o Banco de Portugal, o País já está em recessão e assim irá continuar: só lá para 2010 é que se prevêem lentas melhorias na economia. O Orçamento do Estado, que o Governo preparou com um irrealismo suspeito, vai ter de ser revisto. Na sua mensagem de Ano Novo, o Presidente da República quis ser pedagógico. Falou dos oito anos consecutivos a deslizar do crescimento médio da União Europeia. De uma sociedade estruturalmente desequilibrada. E do insustentável endividamento externo a que o País se habituou nas últimas décadas e que vai ter de pagar. 

O Presidente da República achou, como ele mesmo disse, que devia "falar verdade" sobre tudo. Porque, de facto, durante anos e anos os portugueses nunca tiveram quem lhes falasse verdade. Não interessa perceber se não foram eles que contribuíram para esse jogo de ilusões. Um povo que chegou tarde a um mínimo de desenvolvimento não quer saber da realidade para nada. O que interessa é que não houve nenhum governo, de direita ou de esquerda, do cavaquismo ao socratismo, que não tivesse ficcionado o País, que não tivesse alimentado irresponsavelmente expectativas, que não tivesse subsistido num mundo de optimismo e simulação. 

A oposição entre realidade e ficção é uma constante da nossa História. A realidade e a ficção do nosso analfabetismo. A realidade e a ficção da nossa industrialização adiada e periclitante. A realidade e a ficção da nossa aproximação à Europa. No século XX, o Estado Novo fabricou uma ficção perversa. Portugal era uma ideia, o País da casa portuguesa, da miséria honrada, do pobrezinhos mas felizes. Mesmo que não passássemos de um país rural e atrasado, Portugal era isto. O problema, claro, é que Portugal não podia ser isto. Não podia ser um país miserável, composto por gente que aceitava o destino com uma resignação lamentosa. 

Veio a democracia, veio a Europa, e as ficções persistiram. Durante uma década acreditámos que nos tínhamos modernizado, acreditámos que finalmente tínhamos adquirido um estatuto. Portugal mudou alguma coisa, as classes médias mudaram. Mas os nossos avanços não foram consistentes nem planeados. Continuamos longe da Europa e já nem sequer crescemos o pouco que os outros crescem.

Existem provavelmente duas maneiras de um país que está em crise há quase dez anos enfrentar uma crise grave como a que vivemos. A primeira é agir sobre os problemas mais imediatos: o desemprego, a confiança das famílias e das empresas, a procura. A segunda é pensar no País que queremos ser daqui a 20 anos. As duas maneiras dependem uma da outra. As medidas excepcionais de combate à crise devem ser coerentes com uma estratégia mais profunda de regeneração. Para que as ficções possam acabar.

28.11.08

He halted in the wind, and--what was that
Far in the maples, pale, but not a ghost?
He stood there bringing March against his thought,
And yet too ready to believe the most.

'Oh, that's the Paradise-in-bloom,' I said;
And truly it was fair enough for flowers
had we but in us to assume in march
Such white luxuriance of May for ours.

We stood a moment so in a strange world,
Myself as one his own pretense deceives;
And then I said the truth (and we moved on).
A young beech clinging to its last year's leaves.

- Robert Frost
When I have fears that I may cease to be
Before my pen has glean'd my teeming brain,
Before high-piled books, in charactery,
Hold like rich garners the full ripen'd grain;
When I behold, upon the night's starr'd face,
Huge cloudy symbols of a high romance,
And think that I may never live to trace
Their shadows, with the magic hand of chance;
And when I feel, fair creature of an hour,
That I shall never look upon thee more,
Never have relish in the faery power
Of unreflecting love;--then on the shore
Of the wide world I stand alone, and think
Till love and fame to nothingness do sink.

- John Keats

11.11.08

Há 2 anos disse: "agora bom mesmo era acontecer A, B e depois C".

A aconteceu, por minha exclusiva acção.

B aconteceu, pela minha mão e com uma ajudinha do... exterior.

Entretanto hoje aconteceu C, e ficou provado

- que Deus existe,
- que afinal, desde puto, sempre tenho um jeito sobrenatural para as artes divinatórias,
- e que não sei o que terei feito, nesta vida ou noutra, para ser o receptáculo destas benesses.


Que Deus existe.

4.11.08

Ad absurdum

Dito pelos do costume, os bancos são os culpados da crise porque quiseram ganhar lucros astronómicos à conta de submeter os pobrezinhos a práticas torcionárias. Logo o Estado tem que intervir, "regulando" e tomando conta, não se sabe com que dinheiros nem critérios, da actividade bancária.

Ou seja, como os bancos deram crédito a quem não deviam ter dado, o Estado paga aos bancos com dinheiro que é sacado aos contribuintes através de práticas torcionárias, para que venham dar crédito a toda a gente.



O cinema Quarteto fechou. O Monumental cedera lugar ao imediatismo vil e deslumbrado das torres de vidro, e o Nimas, ouvi dizer, está para fechar se é que ainda permite franquear as portas.

Parece que de repente (e estou a ouvir os Einsturzende Neubauten ao vivo em Oslo, lembras-te?) o grosso da humanidade assumiu-se torpe, reles, hedonista e trocável por todos los pesos duros.

Não sei, achas que construamos um qualquer reduto mais visível que este?

Isto foi no dia em que parei ao rememorar aquele meu aluno de ontem, a quem induzem quotidianamente uma reverência porcina pelo eco das calendas no ISEG, inculcando-lhe pavor atávico perante um desvio aos cânones, e durante cujas horas me exercito nos caminhos da engenharia social para que entenda, pobrezinho, que não vale a pena saber de cor a fórmula do juro composto se não se percebe o que é o juro.

"Obama is going to pay my mortgage and gas"



"Não sei se alguém reparou, mas dizem-nos (cronistas, intelectuais, políticos e homens de rua) que se Obama não ganhar é porque os americanos são racistas ou porque houve fraude(...) Não quero imaginar o que estes tolerantes democratas se lembrarão de fazer no caso do seu santo redentor perder."

- Luciano Amaral

28.10.08

A encomendar

Objectivismo

Existe a possibilidade, não nula, de que um dia ao chegar a minha vez, eu morra.

Escolas e xamanismos à parte, não é uma perspectiva que me apeteça sujeitar a baterias de testes empíricos, nem de indução.

Advém daqui que a topologia de uma vida é, senão em universo, pelo menos num subconjunto pertinente ao vivente, finita; não contável, mas finita. E tal conduz a uma só saída, uma só conclusão:

JAMAIS PEDIREI A UM PÉ LICENÇA PARA MOVER O OUTRO, JAMAIS FICAREI TOLHIDO PELA MOLE IMENSA DAS RELATIVIDADES ENQUANTO A INACÇÃO LEVAR AO MEU PREJUÍZO,

onde se alarga o interior desse intervalo ao bem-estar daqueles que me são queridos, etc.etc., cf já foi dito elsewhere.

Um dia meu amor as lendas da paixão.

Um dia o regresso à chuva na estrada.

Blog do dia

http://outrafisica.blogs.sapo.pt/



“Espera ai, disseste que o universo aumentou 10^50 vezes em 10^-34 s ???”

“Sim, segundo alguns autores, porque há umas variantes desses números; nota que «aumentou» não é a palavra correcta, pois pressupõe que o Universo tem um tamanho finito e nós não sabemos isso, é preferível dizeres «expandiu».”

“Explicas isso depois, ainda estou a ver se dijiro o que acabei de ouvir... em relação à velocidade de expansão actual, qual é a velocidade de inflação?”

“Aí umas 10^100 vezes mais... a taxa de expansão da inflação é 10^50/10^-34/s=10^84/s enquanto o valor actual da constante de Hubble é de 2,4*10^-18/s... é mais ou menos isso.”

“10^100 ? Mas isso não é um número absurdamente grande?”

“É, a hipótese da Inflação não foi facilmente aceite, mas as observações exibem um acordo crescente com as previsões desta hipótese e nós não temos de presumir que o Universo está de acordo com as nossas ideias mas sim com as nossas observações.”

“Já estou a perceber a hipótese do Magueijo, da velocidade da luz variável... em vez de considerar que o Universo «inflou» 10^50 vezes, considera que a velocidade da luz era 10^50 vezes maior por forma a poder considerar que todo o Universo observado esteve em contacto...”

“Mais ou menos isso, creio que ele considera 10^60; só que essa hipótese vai mexer com as leis físicas já estabelecidas enquanto a da Inflação não, limita-se a adicionar mais uma partícula, o
Inflatão, responsável pelo campo que produziu a Inflação; assim o edifício do conhecimento construído fica intacto, apenas adicionamos qualquer coisa mais, o que é preferível a mexer na estrutura edificada e longamente testada.”