When I hear music, I fear no danger. I am invulnerable. I see no foe. I am related to the earliest times, and to the latest.
- Henry David Thoreau -
Condensing fact from the vapor of nuance since 2003
31.10.09
14.10.09
Reason obeys itself; and ignorance submits to whatever is dictated to it
Ouço dizer que há um sol inclemente agora, que não devia haver dias de trinta e cinco graus tão tarde em Outubro. Não há quem escreva direito quando se ouviu, durante instantes intermináveis, uma mãe carpir o filho, que também não devia haver filhos a descer à terra antes dos pais, sobretudo à beira dum Outono que nem folhas caídas deverá ter. E isto dá-me vontade de mandar à real merda quem julgue saber, sequer de raspão, em que país vivemos.
No retrato a quente, cheio de verdes fora do sítio e de poeira e de moscas perenes e de estações trocadas, no país onde eu vivo, há pessoas que morrem triplamente assassinadas.
Primeiro, morrem por terem nascido com nada mais do que uma ténue verosimilhança de poderem, um dia, alcançar uma vida estável na terra onde sorveram as primeiras golfadas de ar. Tem culpa quem achou e continua a achar que habitamos uma região civilizada do globo.
A seguir, morrem esquecidas e deixadas à sua sorte pelo mesmo Estado que alimentam e que faz ponto de honra em extorquir-lhes (dir-se-ia que nisso se comprazem) toda a água, sal e ureia que os corpos puderem gerar. Já vi dois sogros, um tio e indirectamente mais meia dúzia de casos partirem sem regresso, muito antes da sua hora, por culpa, repito, culpa no sentido formal, ético, jurídico e deontológico do termo, do Estado português. A negligência, a estupidez e o fardo das décadas fazem com que haja aí, à solta, uma besta maior que todos nós e que nos leva aqueles a quem amamos, só e apenas porque alguns de nós ainda crêem que as coisas podem funcionar como é esperado.
E por fim morrem aguardando, implodidos, sucumbindo ao próprio peso, numa espécie de hino débil e retorcido à condição humana, agravados pela miserável e abjecta circunstância sob a qual insistem, ano após duro ano, em deixar bater o coração. Num hospital, num ficheiro qualquer, na estrada, no quarto sombrio e calado.
Então, nesta terra, a um dia de semana em que trinta e cinco graus e folhas verdes desmentiam Outubro e ainda voavam moscas, teve de haver outro enterro, onde sabem que mais, estava cheio de gente, e cheirava a resignação, e a pó, e a sujo e a vinho e a cansaço e a despojo e havia um odor dentro do odor e nas veias e nas calças gastas de quem já não trabalha e por isso pode ir a funerais em dias úteis, nesses tecidos havia muito pouca coisa que eu tivesse visto que me fizesse mudar de ideias quanto à verdadeira lástima que se tornou este país onde ainda vivemos.
The inmates are running the asylum (II)
Via Cocanha:
- Esta Cena dava um filme
- "De onde venho" e "Por quem me apaixonarei"
- “Educar para a Diversidade: Um Guia para Professores sobre Orientação Sexual e Identidade de Género”
- “Manual de Coordenadores de Grupos de Jovens LGBT”
- “Kit Pedagógico Sem Fronteiras” (desenvolvido ao abrigo da IC EQUAL)
- “TAX BEM! – o jogo da educação fiscal”
- perguntas e respostas
- guia para professores
- Exemplos práticos para a cidadania e formação do Homem Novo
- "Considera-se necessário:
- a)Promover a integração plena e a visibilidade social de lésbicas, gays, bissexuais e trangéneros;
- (...)
- Medidas:
- (...)
- 4.Educação:
- Introduzir a temática LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros) na programação dos espaços da rede pública;
- Promover referências positivas e a visibilidade da homossexualidade e da transsexualidade;
- 5. Cultura:
- (...)
- Promover, divulgar e fomentar a produção cultural de espectáculos infantis e juvenis sobre a realidade LGBT, nomeadamente, através de espectáculos, reuniões infantis, juvenis, contos, teatro, marionetas, jogos e ateliers;
- Promover a aquisição de livros sobre a temática LGBT nas bibliotecas municipais (...)
«O observador imparcial chega a uma conclusão inevitável: o país estaria preparado para a anarquia; para a república é que não estava. Grandes são as virtudes de coesão nacional e de brandura particular do povo português para que essa anarquia que está nas almas não tenha nunca verdadeiramente transbordado para as coisas!
Bandidos da pior espécie (muitas vezes, pessoalmente, bons rapazes e bons amigos - porque estas contradições, que aliás o não são, existem na vida), gatunos com o seu quanto de ideal verdadeiro, anarquistas-natos com grandes patriotismos íntimos - de tudo isto vimos na açorda falsa que se seguiu à implantação do regimen a que, por contraste com a monarquia que o precedera, se decidiu chamar República.
A monarquia havia abusado das ditaduras; os republicanos passaram a legislar em ditadura, fazendo em ditadura as suas leis mais importantes, e nunca as submetendo a cortes constituintes, ou a qualquer espécie de cortes. A lei do divórcio, as leis da família, a lei da separação da Igreja e do Estado - todas foram decretos ditatoriais, todas permanecem hoje, e ainda, decretos ditatoriais.
A monarquia havia desperdiçado, estúpida e imoralmente, os dinheiros públicos. O país, disse Dias Ferreira, era governado por quadrilhas de ladrões. E a república que veio multiplicou por qualquer coisa - concedamos generosamente que foi só por dois (e basta) - os escândalos financeiros da monarquia.
A monarquia, desagregando a Nação, e não saindo espontaneamente, criara um estado revolucionário. A república veio e criou dois ou três estados revolucionários. No tempo da monarquia, estava ela, a monarquia, de um lado; do outro estavam, juntos, de simples republicanos a anarquistas, os revolucionários todos. Sobrevinda a república, passaram a ser os republicanos revolucionários entre si, e os monárquicos depostos passaram a ser revolucionários também. A monarquia não conseguira resolver o problema da ordem; a república instituiu a desordem múltipla.
É alguém capaz de indicar um benefício, por leve que seja, que nos tenha advindo da proclamação da República? Não melhorámos em admninistração financeira, não melhorámos em administração geral, não temos mais paz, não temos sequer mais liberdade. Na monarquia era possível insultar por escrito impresso o rei; na república não era possível, porque era perigoso, insultar até verbalmente o sr. Afonso Costa.
O sociólogo pode reconhecer que a vinda da república teve a vantagem de anarquizar o país, de o encher de intranquilidade permanente, e estas cousas podem designar-se como vantagens porque, quebrando a estagnação, podem preparar qualquer reacção que produza uma cousa mais alta e melhor. Mas nem os republicanos pretendiam este resultado nem ele pode surgir senão como reacção contra eles.
E o regimen está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados mentais, nos serve de bandeira nacional - trapo contrário à heráldica e à estética, porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicanismo português - o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito natural, devem alimentar-se.
Este regimen é uma conspurcação espiritual. A monarquia, ainda que má, tem ao menos de seu o ser decorativa. Será pouco socialmente, será nada, nacionalmente. Mas é alguma coisa em comparação com o nada absoluto que a república veio a ser.»
- Fernando Pessoa, "Da República"
The inmates are running the asylum.
Em Fevereiro de 2007, num referendo, despenaliza-se o assassinato de seres humanos indefesos dentro das barrigas das mães, mas em Outubro de 2009, por via legislativa e em debate público a posteriori, defende-se que os animais (nos circos e em casa) não podem ser sujeitos, e estou a citar verbatim, "ao tédio, aborrecimento, remoção do seu habitat e alteração de rotinas naturais".
Quando o Estado, as comunidades e as leis são injustas, Thoreau diria, o lugar de um homem justo é na prisão. Thoreau era uma boa alma, quanto a mim o lugar de um homem justo é fora deste delírio atávico, e quanto mais cedo melhor.
28.9.09
A noite das facas-longas*
Obteve-se o melhor resultado permitido pela condição de bovinidade e apatia vigente entre a populaça.
Portas, o primeiro candidato que alguma vez apoiei em 20 anos de maioridade, venceu. A esquerda agitadora e aleivosa foi bloqueada na justa medida.
Quem votou PS vai aperceber-se do erro que cometeu. Quem votou à direita, só tem de esperar para ver o que verá um pouco por toda a parte daqui por 12, 15 meses.
Não acredito em abstenções de 40%.
* a frase foi dita por yours truly 15 minutos antes do ricardo costa a ter usado na sic-n...
24.9.09
8.7.09
Esta fica aqui para memória futura:
"Já a Direcção-Geral de Saúde garante que não faz sentido os pais das crianças ficarem isolados. "Não há riscos se não tiverem sintomas", justifica a subdirectora-geral da Saúde, Graça Freitas, explicando que não se pode obrigar ninguém a ficar em quarentena."
Graça Freitas não lê, é desinformada, ignorante, irresponsável e uma criminosa em potencial, porque há confirmadamente centenas de portadores assintomáticos da gripe H1N1 que nao exibem sintomas e continuam a disseminar o virus.
7.6.09
5.6.09
2.6.09
...bater no fundo.
Resolução da Assembleia da República n.º 40/2009
Criação e desenvolvimento de uma «Fábrica de Ideias» na Administração Pública
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo a
criação de um sistema designado «Fábrica de Ideias» que:
1) Tenha por base boas práticas assentes em cinco princípios de inovação universalmente aceites:
a) Busca da inovação ao nível do conceito do serviço a prestar ao cidadão, levando em conta, designadamente:
Quem são os grupos de cidadãos a servir;
Que produtos ou serviços serão oferecidos;
Como serão oferecidos esses produtos ou serviços (parcerias;canais de contacto com o cidadão, etc.);
Que valor será entregue ao cidadão (em conveniência,confiança e poupança de tempo);
Que custo vai o Estado incorrer para entregar esses benefícios ao cidadão;
Diário da República, 1.ª série — N.º 104 — 29 de Maio de 2009 3345
b) Importação da inovação para a linha da frente, envolvendo sobretudo os funcionários públicos de primeira
linha e os cidadãos, já que os projectos de reorganização de serviços têm sistematicamente demonstrado recorrer
à intervenção exclusiva de quadros de topo da administração e por vezes de consultores externos, excluindo -se
sistematicamente os funcionários de primeira linha, que têm de facto um contacto diário com os problemas dos
cidadãos;
c) Definição do quadro futuro a que se aspira e trabalhar para o atingir — melhorar de forma incremental o que
existe é uma acção pragmática e defensável mas é também fundamental estimular uma abordagem prospectiva
sobre qual o futuro que cada organização pretende para si própria e com esse ponto de partida, desenvolver um plano
de migração do presente para esse futuro;
d) Adopção de uma abordagem estruturada de geração e de aceleração da implementação no terreno de ideias
inovadoras — o processo de inovação deverá ser estruturado e completo, assentando nas seguintes fases:
i) Pensar o futuro do serviço público em causa;
ii) Estimular a geração de ideias;
iii) Incubar e experimentar as ideias/projectos;
iv) Fazer crescer os projectos, disseminando a sua implementação em múltiplas áreas da Administração Pública;
e) A inovação só se aprende fazendo — o caminho para um indivíduo desenvolver capacidades individuais
de inovação não passa por uma longa formação teórica. A única forma de se aprender a inovar é fazendo inovação,
trabalhando sobre temas concretos e reais;
2) Assente em:
Processos de inovação — definição de um processo sistemático para construir uma visão sobre o futuro, gerar
ideias, acelerar a sua implementação no terreno e disseminar o seu âmbito de actuação;
Modelo de «governança» — definição dos actores do sistema de inovação (internos e externos à Administração
Pública), quais são as suas responsabilidades e poder de decisão. Neste ponto está incluída a definição das competências da central de inovação/Fábrica de Ideias; Recursos e financiamento — clarificação das origens
do financiamento do sistema de inovação, bem como o lançamento e implementação das ideias geradas;
Cultura organizacional e gestão da mudança — é necessário um novo paradigma organizacional na Administração
Pública, assente numa nova atitude de abertura aos cidadãos e à sociedade civil, estimulando a iniciativa e
o empreendedorismo dos funcionários públicos, recompensando o mérito e eliminando a estigmatização do erro;
Métricas de inovação — definição dos indicadores de desempenho do sistema de inovação, bem como do valor
dos contributos dos seus intervenientes, designadamente dos funcionários. Clarificação do mecanismo de reporte
de resultados à tutela;
Ecossistema de parceiros para a inovação — definição dos parceiros a envolver, designadamente instituições
particulares de solidariedade social (IPSS), empresas, universidades, organizações não governamentais (ONG),
co -investidores, etc.);
Ferramentas tecnológicas de suporte — especificação das ferramentas de colaboração necessárias a uma interacção profícua entre funcionários, gestores de topo da Administração Pública, cidadãos e parceiros para a inovação;
3) Atribua prémios, proceda à alocação dos recursos necessários e assegure uma avaliação independente. Para
isso propõe -se: O estabelecimento de um prémio para todas as ideias seleccionadas e implementadas, cuja fórmula de cálculo integre, nomeadamente os seguintes factores:
a) Utilidade da proposta;
b) Factor realização (grau de dificuldade dos problemas
e do desenvolvimento do percurso de resolução);
c) Factor aplicação (grau de melhoramento dos serviços);
O sistema de avaliação das propostas, de forma a ser eficaz e capaz de ganhar a confiança de cada funcionário
público, deve ser independente dos serviços em concreto e prever a possibilidade de cada funcionário público fazer
chegar a sua proposta ao sistema, independentemente do conhecimento do seu superior hierárquico;
A constituição em cada ministério de um núcleo de inovação com a responsabilidade de analisar e fazer a
filtragem de cada proposta apresentada relativamente aos serviços que estão na sua dependência;
A constituição de uma central de inovação com competência para:
a) (Re)analisar e apreciar as propostas (re)encaminhadas por parte de cada núcleo de inovação;
b) Desenvolver projectos piloto para as propostas viáveis;
c) Para avaliar e atribuir os prémios;
d) Alocar recursos financeiros para a incubação de ideias
inovadoras.
Aprovada em 30 de Abril de 2009.
O Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama
24.5.09
Cinco dias perto daqui
- Espanha: tudo cultivado. Portugal: pouco.
- Espanha: todos prestáveis. Portugal: poucos.
- Espanha: obras em toda a parte, raramente intrusivas e sempre objectivas. Portugal: obras onde dá jeito aos amigalhaços dos políticos, com efeitos danosos na rotina dos cidadãos.
- Espanha: natureza protegida, com serviços e apoios onde é preciso. Portugal: a natureza é no Dolce Vita.
- Espanha: civismo nas estradas e nem um chico-esperto a fazer sinais de luzes. Portugal: irritei-me 5 minutos depois de ter reentrado.
Continua.
17.5.09
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