When I hear music, I fear no danger. I am invulnerable. I see no foe. I am related to the earliest times, and to the latest.
- Henry David Thoreau -
Condensing fact from the vapor of nuance since 2003
3.2.10
Mário Crespo: "O primeiro-ministro a falar alto é intimidante"
1.2.10
Leitura recomendada
O Fim da Linha
Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.
Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicacado hoje (1/2/2010) na imprensa.
29.1.10
Atrás da cortina de ferro (I)
Publicado por JoaoMiranda em 29 Janeiro, 2010 no Blasfémias
No mundo ideal de Sócrates, o problema do rating resolvia-se assim:
1. Um telefonema de Sócrates para a RTP e seria marcado um Prós&Contras sobre o assunto. De um lado um representante do Bloco e outro do PCP que defenderiam a posição “é necessário criar vias alternativas ao capitalismo”. Do outro Pedro Adão e Silva, Ana Gomes e Perez Metelo defenderiam a tese “É necessário criar uma agência de rating pública”. Na terceira parte, um representante das agências de rating seria chamado a responder à pergunta: “As agências de rating falharam em 2008. Como se atrevem agora a criticar os governos?”. As agências de rating seriam arrasadas.
2. O ministro das finanças apareceria a atacar as agências de rating. As agências de rating seriam arrasadas. (espera, isso foi o que ele fez …)
3. Constâncio apareceria a prever um crescimento de 4% para 2011 e a dizer que os cenários das agências de rating não têm ponta por onde se lhe pegue. Constâncio aproveitaria para prever o défice de 2012 com precisão até à centésima. As agências de rating seriam arrasadas.
4. Depois de um telefonema para o amigo Joaquim, o DN publicaria um relatório da inspecção do trabalho lançando suspeitas sobre as práticas laborais das agências de rating. As agências de rating seriam arrasadas.
5. Vital Moreira escreveria um artigo a demonstrar a inconstitucionalidade das agências de rating. As agências de rating seriam arrasadas.
6. Após um Eixo do Mal inteiramente dedicado às agências de rating, a respectiva reputação fica de rastos. As agências de rating seriam arrasadas.
7. Um telefone a Armando Vara e o BCP apareceria a comprar dívida portuguesa e a recomendá-la aos seus clientes. Em alternativa, Vara arranjaria forma de comprar as agências de rating e de lhes substituir a direcção. As agências de rating seriam arrasadas.
Clever Sillies II - um exemplo prático
27.1.10
Criaturas infelizmente extintas - I

24.1.10
La haine
22.1.10
21.1.10
Momento alto...
6.1.10
10.12.09
Stultum est timere quod vitare non potes

9.12.09
Citação do dia
“…Listen, what’s the most horrible experience you can imagine? To me-it’s being left, unarmed, in a sealed cell with a drooling beast of prey or a maniac who’s had some disease that’s eaten his brain out. You’d have nothing then but your voice-your voice and your thought. You’d scream to that creature why it should not touch you, you’d have the most eloquent words, the unanswearable words, you’d become the vessel of the absolute truth. And you’d see living eyes watching you and you’d know that the thing can’t hear you, that it can’t be reached, not reached, not in any way, yet it’s breathing and moving there before you with a purpose of it’s own. That’s horror. Well, that’s what’s hanging over the world, prowling somewhere through mankind, that same thing, something closed, mindless, utterly wanton, but something with an aim and a cunning of it’s own. I don’t think I’m a coward, but I’m afraid of it. And that’s all I know-only that it exists. I don’t know its purpose, I don’t know its nature.”
Steven Mallory em Atlas Shrugged de Ayn Rand
3.12.09
And turn your eyes around,
Where waving woods and waters wild
Do hymn an autumn sound.
The summer sun is faint on them --
The summer flowers depart --
Sit still -- as all transform'd to stone,
Except your musing heart.
How there you sat in summer-time,
May yet be in your mind;
And how you heard the green woods sing
Beneath the freshening wind.
Though the same wind now blows around,
You would its blast recall;
For every breath that stirs the trees,
Doth cause a leaf to fall.
Oh! like that wind, is all the mirth
That flesh and dust impart:
We cannot bear its visitings,
When change is on the heart.
Gay words and jests may make us smile,
When Sorrow is asleep;
But other things must make us smile,
When Sorrow bids us weep!
The dearest hands that clasp our hands, --
Their presence may be o'er;
The dearest voice that meets our ear,
That tone may come no more!
Youth fades; and then, the joys of youth,
Which once refresh'd our mind,
Shall come -- as, on those sighing woods,
The chilling autumn wind.
Hear not the wind -- view not the woods;
Look out o'er vale and hill-
In spring, the sky encircled them --
The sky is round them still.
Come autumn's scathe -- come winter's cold --
Come change -- and human fate!
Whatever prospect Heaven doth bound,
Can ne'er be desolate.
- Elizabeth Barrett Browning
2.12.09
15.11.09
por Alberto Gonçalves
A escola de hoje abdicou daquilo que a escola do meu tempo, mesmo com uma igreja em frente ainda tentava: ensinar
Um azar determinado pela eventual coincidência entre os que fazem e aplicam as leis e os que delas beneficiam. Por regra, cada "caso" murcha graças à soberana, assaz soberana, necessidade de se defender uma coisa chamada "Estado de direito", o qual, curiosamente, vai desaparecendo em proporção directa ao zelo com que é defendido. O "Estado de direito", conceito em teoria louvável, vem sendo adaptado na prática às conveniências dos que mandam nele, ou seja, na prática a impressão é a de que a manha e a trapaça se apossaram de tudo, ou de quase tudo, o que não é o mesmo mas, em matéria de falência do regime, é igual.
Embora o mérito não pertença exclusivamente ao eng. Sócrates ou ao PS, eis a maior e mais autêntica reforma "socrática" e socialista: aqui há anos, achava-se espantoso que tantos portugueses não acreditassem na Justiça; hoje, o que espanta é ainda haver alguém que acredite. E, segundo demorada consulta a analistas televisivos, artigos de opinião, blogues e caixas de comentários dos "sites" informativos, há.
Ou talvez haja. Temos de excluir das contas os que fingem confiar no sistema somente porque estão no poder, vivem das migalhas do poder ou aspiram a uma das opções anteriores. Falo dos cidadãos que, sincera e desinteressadamente, crêem no "bom funcionamento das instituições". Não os censuro, antes curvo-me em admiração e pergunto-lhes: como conseguem? De onde lhes vem o optimismo com que declararam "aguardar que a Justiça faça o seu caminho" quando a experiência sugere que, em certo tipo de processos, esse caminho aponta, invariavelmente, ao arquivo morto? O que os torna indiferentes à impunidade dos que, por dever dos cargos, estariam teoricamente sujeitos a superior escrutínio? Em suma, a que se deve a sua cegueira? Juro que quero saber: dadas as circunstâncias, não ver nada é uma virtude fundamental para se suportar o estado, não o de direito mas aquele a que isto chegou.
A face desnuda
Um homem andava desconfiado que a mulher lhe era infiel. Um dia, não aguentando mais, decidiu contratar um detective. O detective começa a seguir a mulher. Passados vários dias o detective apresenta ao homem várias fotografias. A primeira fotografia mostra a mulher a encontrar-se com outro homem num café. A segunda mostra a mulher com esse outro homem a entrar num carro. A terceira mostra-os num bar. A quarta mostra-os a entrar num quarto de motel. A quinta mostra-os juntos dentro do quarto de Motel. A sexta fotografia está totalmente preta.
- “O que aconteceu a esta foto? Está preta porquê? O que aconteceu a seguir?”, pergunta o homem ao detective.
- “Apagaram a luz”, diz o detective.
- “Merda! Fica sempre aquela dúvida …”, conclui o homem.




