1.8.10

do you ever feel the need to be with someone, a partner, a man, who soaks life faster than life can throw itself at him?
i do (for a woman, of course)
and it's a good puzzle.

(from the Nyarlathotep Chronicles)
These Words
(Sullivan)

Through the years of decay we walk like tigers in cages
With each passing turn the smaller and smaller the circles
Every weapon and word legitimate now as protection

But these things should never be spoken
These things should never be spoken

I stand undefeated alone in the ring just pacing
The sweat and the blood dried on my hands all wasted
I'm shouting "come back and fight for I am the king"
But the lights are all out and the people are gone

We always burned brightest when no one was watching
Now I kiss the lines on your beautiful face

But these things should never be spoken

And sometimes your hunger for life seems like desperation
And when I read about the world these days all I can feel is hatred
The fortune teller is closing her doors
She looked into the crystal and saw nothing at all

They're waiting round here for something to happen
They won't really want it when it rolls out to greet them

But these things should never be spoken
These things should never be spoken

1.7.10

Interrompo este interlúdio a propósito de dois eventos com proporções bíblicas que vieram à rua esta semana:

- Portugal foi eliminado pela Espanha, não por demérito dos jogadores mas sim por culpa explícita e inegável de uma mentalidade curta, medrosa, feudal, do tipo "vamos jogar contra os nossos superiores, baixemos pois as orelhas, tentemos confundi-los e façamos figas para que não nos tratem mal", ou seja, as cachorrices intemporais que duram desde o Estado Novo e que são hoje a maior sombra desse negrume, a par com os sucessivos governos compostos por grunhos encartados no 25 de Abril, que alimentam os amigos a poder e putas por penhor dos contribuintes que lhes servem de alimento

- O actual governo de grunhos encartados, herança de uma tribo juvenil agarrada ao LSD rapidamente convertida às gravatas do situacionismo, usou-se de um poder fabricado e ilegal para roubar aos accionistas de uma empresa privada o produto do seu investimento causando ainda a Portugal um dano irreparável; e eis que isto passa impune pelas mesmas razões, sendo expectável ouvir em qualquer café "eles é que sabem, eles são todos iguais, o que é que se há-de fazer" et caetera.

O que, vociferemos a bem da saúde, constitui dose dupla de nojo e induz a um vómito que há já muito não sentia.

2.3.10

“Men who have no courage, pride, or self-esteem, men who have no moral sense of their right to their money, and are not willing to defend it as they would defend their life, men who apologize for being rich – will not remain rich for long. They are the natural bait for swarms of looters that stay under the rocks for centuries, but come crawling out at the first smell of a man who begs to be forgiven for the guilt of owning wealth. They will hasten to relieve him of his guilt, and of his life – just as he deserves.”

Francisco D’Anconia

26.2.10

Encontre as diferenças...

...nestas experiências. É certo que algo se passa com o clima, fora da tranquilidade estatística dentro da qual nós, os que hoje estamos vivos, temos existido ao longo da maior parte das nossas vidas. Mas daí à histeria colectiva e a certas eco-tretas, vão léguas abissais.


1.Mandam as boas práticas que separemos o lixo de acordo com as quatro cores.

Sucede que pelo menos uma vez nos últimos tempos já eu vi os senhores que esvaziam os ecopontos deitarem tudo para dentro do mesmo TIR. Deve ser para separar depois. Aqui a semelhança é com aqueles Governos que passam leis dignas de um séquito marciano, como a das permutas. Não tem nada a ver, pois não? A ideia é mesmo essa.

2.Se apagares os ledzinhos e prescindires de fazer a barba com água corrente, estás a ajudar a salvar o que é de todos.

Ai estou? A mim parece-me ser outro caso alegórico, como quando um Governo invoca a necessidade de apertar o cinto da população, e depois, só em almoços e carros, gasta mais do que o equivalente a 1% ou 2% de aumento para toda a gente, durante um ano inteiro.

E um gajo tem que levar com isto todos os dias, ad aeternum, sob pena de ser apodado de troglodita.

To be continued.


25.2.10

Fazer coisas, fazer coisas

Aos activos falta, habitualmente, a actividade superior: refiro-me à individual. Eles são activos enquanto funcionários, comerciantes, eruditos, isto é, como seres genéricos, mas não enquanto pessoas perfeitamente individualizadas e únicas; neste aspecto, são indolentes. A infelicidade das pessoas activas é a sua actividade ser quase sempre um tanto absurda. Não se pode, por exemplo, perguntar ao banqueiro, que junta dinheiro, qual o objectivo da sua incansável actividade: ela é irracional. Os homens activos rebolam como rebola a pedra, em conformidade com a estupidez da mecânica. Todos os homens se dividem, como em todos os tempos também ainda actualmente, em escravos e livres; pois quem não tiver para si dois terços do seu dia é um escravo, seja ele, de resto, o que quiser: político, comerciante, funcionário, erudito.

- Nietzsche

Left, Right (4)



Left, Right (3)

No matter how critical you are of a situation, the moment you say anything that could be interpreted by a leftist as the slightest defense of it, you have then achieved "unprecedented heights" of "narrow-mindedness and egoism".

Left, Right (2)

"The name-calling technique links a person, or idea, to a negative symbol. The propagandist who uses this technique hopes that the audience will reject the person or the idea on the basis of the negative symbol, instead of looking at the available evidence."


When there is no audience and yet someone keeps using these techniques on you, what's to be gleaned from that behavior?

Left, Right

"Who is really close minded: the person who raises a point or the person who responds with epithets?"


People on the receiving end of such desultory blasts may notice an increase in the assault's strength that is often directly proportional to their conciliating efforts.

18.2.10



Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? Quam diu etiam furor iste tuus nos eludet? quem ad finem sese effrenata iactabit audacia?

How long, O Catiline, will you abuse our patience? How long is that madness of yours still to mock us? When is there to be an end of that unbridled audacity of yours?


A crónica de Mário Crespo


Voltamos às fotocópias

'Não te posso publicar esta crónica'. 'Tu és Director, saberás o que fazer'. 'Eu sei que sou director. Não preciso que digas que sou Director. Eu sei que sou Director!'. 'Posso dizer-te que se fosse eu Director, publicava'. 'Eu tenho que confirmar isto e a esta hora não consigo ligar ao Primeiro-ministro'. 'Tu és Director saberás o que fazer, não publicas e eu nunca mais escrevo para ti'. 'Eu tenho que investigar isto'. 'Faz o que quiseres, investiga o que quiseres. Não publicas e eu nunca mais escrevo para ti'. 'Sobre isso falamos depois'. 'Não, Zé Leite Pereira, nós não falamos mais'.

Há qualquer coisa fisicamente dolorosa quando se recebe a notícia de que o nosso trabalho foi censurado. O estômago aperta-se. Sentimos que estamos com os olhos demasiado esbugalhados e não conseguimos fixar a vista em nada. Durante muito tempo. O olhar vagueia por tudo, evitando tudo. Tenta-se respirar fundo, mas a respiração sai curta e durante uns minutos é insuficiente. E ficamos ainda mais inquietos. Depois hiperventila-se e fica-se agitado. Um corpo estranho começa a apertar-nos uma zona indefinida do tórax logo abaixo do pescoço. E fica aí a lembrar-nos que há solidões novas que ainda não tínhamos experimentado. Depois cai uma imensa melancolia. Terá sido provavelmente isto que Luís de Sttau Monteiro sentiu em 1960 quando o SNI mandou a sua editora retirar 30 páginas do seu Um Homem Não Chora. As trinta páginas em que ele articula raivas surdas contra o sufoco do Estado Novo, enquanto a sua personagem desce a Avenida da Liberdade mastigando obsessivamente grãos de café.

Terá sido isso que, também, António de Almeida Santos sentiu a 30 de Maio de 1959 quando o Secretariado Nacional de Informação decretou que o seu livro de contos A Rã no Pântano era matéria proibida. Nos poucos dias que esteve nas livrarias o autor deu uma cópia ao meu pai, que é hoje parte do nosso património familiar, com a dedicatória onde se lê numa magnífica caligrafia inclinada de uma caneta de tinta permanente (as Futura de feltro ainda não tinham sido inventadas) 'Ao Eduardo Crespo, com as homenagens e a estima do Almeida Santos'. Mais de meio século depois A Rã no Pântano foi reeditada com um registo na capa onde se lê 'A primeira edição deste livro foi apreendida pela PIDE'. Lá dentro está uma dedicatória na mesma bela escrita inclinada (já com uma Futura de feltro preta) onde se lê: 'Ao Mário Crespo, com admiração e amizade, esta segunda edição de um livro que ofereci a seu pai antes da PIDE o ter apreendido. Almeida Santos'. Quando recebi a reedição da Rã no Pântano lembro-me de ter comentado com o Dr. Almeida Santos que hoje parece impossível o que aconteceu, e o imenso trabalho que tinha sido rectificar todo um sistema orientado para o controlo do pensamento, fosse através de um livro de contos, fosse espartilhando noticiário banal em modelos oficialmente tolerados.

Na parte de trás desta crónica, que vou distribuir de mão em mão em fotocópias, porque em Janeiro de 2010, por razões de conteúdo politicamente incorrecto, censuraram a minha coluna de opinião no Jornal de Notícias, está o que se chamava nas redacções um 'linguado' de prova. Era de A Capital, um diário de que fui o primeiro Director depois do 25 de Abril quando, com a privatização, A Capital se libertou de tutelas estatais e políticas. Trouxe de lá este texto dos anos 70 com o corte da censura. Fascina-me ver o género de notícias que a Censura não tolerava. Interpretações da realidade, perguntas e sobretudo factos insofismáveis. Havia só uma verdade consentida. A oficial. Tudo o mais era desviante, e o desvio tinha que ser rectificado.

Já depois da minha crónica O Fim da Linha ter sido censurada por José Leite Pereira, o sociólogo Paquete de Oliveira, provedor do telespectador na estação de televisão do Estado, sentiu-se no dever de escrever uma crónica no espaço de opinião que eu ocupei durante mais de dois anos, onde, para substanciar a imensa liberdade de expressão que ele diz sentir no Jornal de Notícias, afirma que: 'Nunca me mudaram uma vírgula que fosse sem me consultarem'. É essa a diferença entre mim e Paquete de Oliveira a quem, em consulta, podem mudar as vírgulas. Eu, quando escrevo opinião, faço-o de forma definitiva. Tenho imenso cuidado com as vírgulas. Se calhar a conversa com José Leite Pereira que reproduzi no início teria tido outro desfecho se eu, tal como Paquete de Oliveira faz, tivesse autorizado que me alterassem ocasionalmente umas vírgulas. Mas, por outro lado, isso nem sequer foi contemplado. À meia-noite, quando Leite Pereira me contactou, já o Jornal de Notícias estava a ser impresso. A minha crónica já tinha chegado ao fim.

Mário Crespo 17.02.10

14.2.10

Tudo o que é de ouro reluz

Por aversão à desventura vivida nas horas transactas, fez-se questão de averbar, desta vez, um ponto certo na coluna das vitórias.

Chegados ao Fundão ao virar da décima-terceira hora, demos com o restaurante O Alambique de Ouro, pertença do Hotel Alambique - cuja existência mereceu recente upgrade com a aposição de uma quarta estrela junto ao nome - repleto de convivas compondo a sala por forma a aguçar ainda mais os apetites que rememoravam as visitas anteriormente aqui feitas.

Nesta casa o standard de serviço é tal, e hoje não foi caso para manchar a estatística, que por maior afluência nunca um pedido é esquecido, adulterado, deixado ao correr do azar. Antes que um vampiro pudesse cheirar-nos o sangue quente a afluir ao palato, compareceram sobre a mesa: ovos verdes, três unidades isentas, sequinhas, bem fritas e passíveis de consumo sem peias colesterofóbicas; xerovia (cenoura branca) frita e salada de grão com bacalhau, com séquito de pão estaladiço e oloroso, degustados ao longo da primeira garrafa da tarde, um Esteva da mesma colheita requerida aquando da crónica anterior, mas de todo dali demarcada por ter sido, desta feita, servida à temperatura correcta e nem menos um grau. Marcharam ainda uma pasta de atum pouco oleosa portanto sápida ao milímetro, e pratinho de enchidos regionais de fazer inveja a um fauno dos mais inveterados.

Por provar mas ainda assim aprovados sob a vista e o olfacto ficaram os queijinhos frescos, bonitos e rígidos qb, que viveram para contar outro conto só e apenas por uma crise repentina de pudores dietéticos sobrevinda do nada.

Ao recair da Esteva comeram-se bochechas de porco macias, capazes de adular um faquir centenário, ladeadas por migas, batata frita em rodelas perfeitas, grelos, salada de tomate com orégãos (respire o leitor até sentir-se seguro) e feijão branco inchadinho de tão cuidadamente estufado. Apareceu, para quem estava sob restrições calóricas, o cabrito selvagem no churrasco (o chefe de sala, sempre alerta e vigilante, ainda havia sugerido mandar vir o chibo estufado para não desperdiçar os sucos) com arroz de feijão caldosíssimo.

Por esta altura nem sombra de memória já havia dos desaires da véspera. O staff deste Alambique, enquanto ciranda carreando para as mesas tanta arroba de satisfação, é um carrossel magnífico de vislumbrar, as faces repletas de competência e atenção.

A carta dos doces ainda veio mas faltou-nos a coragem para ir além do dito da casa. Sofre-se de alguma parcimónia, como de resto sucede em 98% da restauração em Portugal, é por não haver maltes condignos para o remate de tão avassaladora incursão pelo sonho de Epicuro. Ainda assim, o que havia bastou.

Relação qualidade/preço a tender para o infinito, sem vazios assimptóticos - quisera eu rapidamente obter o brevet de helicóptero para aqui poder pulular vezes sem conta.

13.2.10

Dêem-lhes formação...


Até 2007, ao chegarmos a Castelo Branco após travessia da A23 - que hoje pode ser feita, salvo aluimentos ou outro epifenómeno que mereça um alerta colorido por parte do SNPC - podia saborear-se uma bela refeição tradicional, a custo convivial, no restaurante Frei Papinhas. Podia, mas desde então que se deixou de poder. A aventura começa quando os nossos heróis acabam de sentar-se.

Ao início da tarde, a sala encontra-se vazia; apenas se apresentam o gerente e duas senhoras, uma bandeira do Brasil e outra de Portugal, além do mobiliário essencial.

A carta é sintética: picanha, bacalhau, e mais dois ou três pratos sem raridade nem interesse científico. Carta de vinhos exígua, composta por elementos, sem excepção, medianos.

Primeira pergunta: estes 7,50 escritos à mão junto à descrição do bacalhau são meia-dose? Resposta que devia ter logo feito acender todas as luzes de aviso: não não, só há doses completas.
Bom, então que sejam dois bacalhaus assados, uma costeleta de novilho, uma garrafa de Esteva tinto, e legumes cozidos...

Enquanto esperávamos pelo vinho, o gerente, um senhor brasileiro aparentando cerca de 50 anos, sugere que provemos a morcela. Mal anuímos, torna-se evidente que as oito rodelas do enchido vieram para a mesa geladas, num estado de entropia próprio do fim dos tempos.Mandamos para trás e eis que regressa aquecida a golpes de microondas.

Aterram ainda umas rodelas de salsicha brasileira com bacon frito, que hoje recordamos como o único ponto simpático em toda a nossa história.

Chega o Esteva, que é provado (na ausência do serviçal, que tinha ido tratar de outros assuntos) a cerca de 14º. Fazendo uso da palavra, informamos que o vinho está pouco cálido, demasiado frio. Retorque o nosso interlocutor, para grande assombro da mesa, que se o quisermos fresco, gelado, também se arranja. Dizemos que não, que o problema é exactamente o oposto. A perplexidade da pessoa é patente na forma como balbucia "mas ninguém nunca se queixou disso antes"...

Imaginamos logo de seguida que, sem dúvida, teremos vindo parar a um antro da mais vulgar mediocridade, já que, feitos os reparos ao bacalhau semi-esturricado e ao naco de gordura organizada na vertical e que nem no Uganda passaria por uma costeleta, a resposta foi a mesma: nunca ninguém se queixou antes, "os senhores não são de cá...?"

Next. As batatas fritas estão cruas por dentro. Informamos que aquele tipo de fritura deve ser feita sem que o óleo esteja demasiado quente nem as batatas semi-congeladas, por forma a evitar aquele efeito. É como informar um ónagro sobre as leis de Kepler. Idem para a quantidade das batatas a murro: quatro batatinhas do tamanho de um dedal, para duas doses de bacalhau. Mas isto enfim, poderia passar por maneirismo, nos dias em que há gente a comer uma lasca de pescada com meio bróculo, quiçá em espuma ou em suspensão coloidal, e a tornar ao seio de suas casas cheia de gáudio por lhes ter sido dada tão opípara chance.

Os cafés foram para trás duas vezes, por virem queimados. Explicámos os rudimentos que são do nosso conhecimento, sobre máquinas de café, moagem, pressão, e demais engenharia retro-balconiana. A senhora que tirava os cafés, que era oriunda de uma eslavónia qualquer, apressou-se logo a reportar que não era dali, só tinha ido fazer umas horas. Nós percebemos.

Da conversa final ficou-nos a dúvida entre o maior de dois medos: se ninguém se queixa, que espécie de povo é que anda, ciclicamente, a sufragar os destinos dos nossos filhos, elegendo os seus representantes com o mesmo apuro com que almoça farelo da pior espécie, a preço de vitela macia? Por outro lado, se havendo quem se queixe, estivermos ainda assim entregues, porque o mercado assim o dite ou por desistência dos melhores candidatos, a curandeiros que abrem um restaurante como quem compra um carro, o que dirá isso de "nós" enquanto merecedores de melhor sorte?