28.12.05

The Chances

I mind as 'ow the night afore that show
Us five got talking, -- we was in the know,
"Over the top to-morrer; boys, we're for it,
First wave we are, first ruddy wave; that's tore it."
"Ah well," says Jimmy, -- an' 'e's seen some scrappin' --
"There ain't more nor five things as can 'appen;
Ye get knocked out; else wounded -- bad or cushy;
Scuppered; or nowt except yer feeling mushy."

One of us got the knock-out, blown to chops.
T'other was hurt, like, losin' both 'is props.
An' one, to use the word of 'ypocrites,
'Ad the misfortoon to be took by Fritz.
Now me, I wasn't scratched, praise God Almighty
(Though next time please I'll thank 'im for a blighty),
But poor young Jim, 'e's livin' an' 'e's not;
'E reckoned 'e'd five chances, an' 'e's 'ad;
'E's wounded, killed, and pris'ner, all the lot --
The ruddy lot all rolled in one. Jim's mad

-Wilfred Owen
The Hand that Signed the Paper Felled a City
by: Dylan Thomas

The hand that signed the paper felled a city;
Five sovereign fingers taxed the breath,
Doubled the globe of dead and halved a country;
These five kings did a king to death.

The mighty hand leads to a sloping shoulder,
The finger joints are cramped with chalk;
A goose's quill has put an end to murder
That put an end to talk.

The hand that signed the treaty bred a fever,
And famine grew, and locusts came;
Great is the hand the holds dominion over
Man by a scribbled name.

The five kings count the dead but do not soften
The crusted wound nor pat the brow;
A hand rules pity as a hand rules heaven;
Hands have no tears to flow.
Image hosted by Photobucket.com

22.12.05

We are like roses that have never bothered to
bloom when we should have bloomed and
it is as if
the sun has become disgusted with
waiting

- Charles Bukowski

16.12.05

Russian squirrel pack 'kills dog'

Local people suggest hunger is driving squirrels to extremes.

Squirrels have bitten to death a stray dog which was barking at them in
a Russian park, local media report.

Passers-by were too late to stop the attack by the black squirrels in a
village in the far east, which reportedly lasted about a minute.

They are said to have scampered off at the sight of humans, some
carrying pieces of flesh.

A pine cone shortage may have led the squirrels to seek other food
sources,although scientists are sceptical.

The attack was reported in parkland in the centre of Lazo, a village in
the Maritime Territory, and was witnessed by three local people.

A "big" stray dog was nosing about the trees and barking at squirrels
hiding in branches overhead when a number of them suddenly descended
and attacked, reports say.

"They literally gutted the dog," local journalist Anastasia Trubitsina
told Komsomolskaya Pravda newspaper.

"When they saw the men, they scattered in different directions, taking
pieces of their kill away with them."

Mikhail Tiyunov, a scientist in the region, said it was the first he
had ever heard of such an attack.

While squirrels without sources of protein might attack birds' nests,
he said, the idea of them chewing a dog to death was "absurd".

"If it really happened, things must be pretty bad in our forests," he
added.

Komsomolskaya Pravda notes that in a previous incident this autumn
chipmunks terrorised cats in a part of the territory.

A Lazo man who called himself only Mikhalich said there had been "no
pine cones at all" in the local forests this year.

"The little beasts are agitated because they have nothing to eat," he
added.

24.11.05

O Natal, para mim, não são as compras, nem nunca poderiam ser, como suponho que aconteça para qualquer pessoa oriunda de famílias sem grandes posses. É o aroma a qualquer coisa que se esconde no ar, como se fosse o dia 1 de Agosto e o início das férias grandes longe de casa, mas nos antípodas da sensação. Tal como tu, repudio completamente, por ser a pior e mais horrível face do imediatismo, os loucos que correm todas as lojas levando famílias inteiras a reboque, tentando se calhar com isso redimir um ano inteiro de alheamento e anestesia.

Quando os meus avós de xxxxx eram ambos vivos, alternávamos ano após ano: ora íamos todos para casa deles, e aí poderiam chegar a estar 40 pessoas à mesa (não me perguntes como) ora para casa de um tio meu, que sendo major da GNR, estava sempre destacado onde a comidinha era mais apetecível... A minha avó xxxxx era muito religiosa, também "sabia coisas" e andava sempre de roda dos Franciscanos e dos Templários. No dia em que foi a enterrar, de uma alvorada quente de Julho saíu uma trovoada enorme, com queda de granizo, que só abateu e se evanesceu na hora em que o caixão desceu à terra; vi nacos de azul entre as nuvens carregadas, a terra encharcada do cemitério coberta por raios de sol, e entre o azul relâmpagos roxos ao longe. Nunca tinha visto nada assim. O meu tio xxxxx, que já viu muita coisa na vida, estava calado de assombro. O meu avô xxxxx era assim um homem grande. Morreu à enésima trombose levava já 86 anos. Depois também, com o divórcio, passei a sofrer um bocado ano sim ano não, porque ligo muito mais à noite de 24 e o xxxxx passa o 24 comigo em anos pares e com a mãe nos ímpares. Ora este ano...

Eu recordo-me do teu pai sem nunca o ter conhecido. As pessoas com quem falo na xxxxx referiam-se a ele com grande respeito e atenção. Acho que não deves sentir hesitação alguma em segurar o passado, uma vez que, tal como o futuro e o presente, ele existe na única medida possível e que é igual para todos os instantes: a tua. É tão teu, e arrisco dizer que é tão real, como qualquer outra percepção contida em ti, o que é no fundo a razão pela qual acredito que somos nós Deus, que tudo em cada instante e em cada ponto "está ali" em simultâneo e que são as nossas mentes que interligam as coisas, conferindo-lhes imortalidade efectiva enquanto desejarmos lembrá-las.

18.11.05

eia como chove
Desencontros
Miguel Sousa Tavares
Público

1. Duas miúdas de 14 ou 15 anos foram chamadas e repreendidas pelo conselho directivo da respectiva escola pelo facto de andarem a exibir a sua mútua atracção, através de beijos e apalpões, perante a plateia da escola. O caso chegou às televisões e aos jornais e, como era fatal que acontecesse, provocou a habitual erecção escandalizada dos mentores do politicamente correcto. Parece que, argumentam eles, a "repressão" exercida sobre aquelas miúdas viola o sagrado direito constitucional à "liberdade de orientação sexual". Não lhes ocorreu que, antes de tudo, o que está em causa não é uma questão de orientação sexual, mas sim um comportamento infelizmente muito típico das comunidades gays e lésbicas, que é o exibicionismo sexual. O problema não é as miúdas amarem-se ou desejarem-se intensamente: é que os restantes colegas da escola não têm nada a ver com isso, nem têm de ser expostos às demonstrações públicas de tais "afectos" (como costumam dizer os politicamente correctos). E é também, obviamente, uma questão de bom gosto, que vale para heteros ou homos.
Esta teoria do primado absoluto do "direito à orientação sexual" está-se a tornar uma espécie de ditadura bem-pensante, que funciona por um método "terrorista" de silenciamento dos discordantes: quem não reconhece este sagrado direito constitucional, com todas as suas consequências, só pode ser uma abecerragem, ao estilo do dr. João César das Neves. É assim que o Tribunal Constitucional está à beira de declarar inconstitucional, com força obrigatória geral, a disposiçâo do Código Penal que, a seu ver, "discrimina ilegitimamente" a pedofilia homossexual. Ou seja, os juízes entendem, por exemplo, que é exactamente igual um miúdo ser abusado ou violado por uma mulher ou por um homem. Sem curar de saber qual das situações poderá causar maior abalo e mais danos permanentes ou futuros à vítima, eles consideram que o essencial é preservar o direito à orientação sexual do abusador. Espanta-me que não ocorra a estes guardiões da Constituição nenhuma consideração relativa ao direito à orientação sexual da vítima: e se o miúdo abusado não tem, nem nunca vier a manifestar ao longo da vida, qualquer propensão homossexual? Mesmo assim deve curvar-se ao intocável direito de orientação sexual do abusador? Desculpem-me que o diga com toda a franqueza, mas a aplicação cega deste princípio parece-me tão repelente que a única conclusão lógica que eu consigo extrair é que as vítimas do caso Casa Pia, por exemplo, vão acabar por ter sido duplamente abusadas: pelos criminosos e pela Constituição.
E lamento desiludir o Daniel Oliveira e demais vestais deste templo: nem sequer sou católico (aliás, constato que a Igreja Católica tem estado na linha da frente da protecção aos pedófilos homossexuais, especialmente se do seu clero); nunca descobri em mim, vários exames de consciência feitos, qualquer orientação sexual homofóbica, e fui seguramente dos primeiros a defender publicamente a total igualdade de direitos, incluindo o casamento, para os homossexuais. Só não defendo o direito à adopção, porque aí, mais uma vez, entendo que o direito deles não se pode impor ao direito das crianças adoptadas, cuja vontade não é lícito presumir. E eu não posso presumir que uma criança não se importe nem venha a sofrer pelo facto de ser criada por duas mães ou dois pais.

Voltando à escola das miúdas "reprimidas", o que eu penso é que os restantes alunos têm a liberdade correspondente à delas, que é a de não quererem saber nem terem de assistir às demonstrações da sua inclinação sexual. E os pais das crianças que frequentam a escola, algumas apenas com seis ou sete anos de idade, têm o direito de educarem sexualmente os seus filhos conforme entendem e no momento que entendem, sem que esse processo, que é complicado e sensível, possa ser afectado pela atitude voluntariamente desafiadora de exibicionistas sexuais, que sempre existiram e existirão em qualquer escola. Além do mais, repito, trata-se de uma questão de boas maneiras e bom gosto - que são coisas que se devem ensinar e se devem aprender.
I lie on the grass and listen
to the river inside me. It
pulses and churns, surges up
against the clenched rock
of my heart
until finally it spurts from my head
in a dark jet. Behind,
the clouds swoop and dive
on paper wings, the palace walls
grow taller, brick by brick, till they rise beyond
the painting's edge. The river

is deep now and still, an opaque lake
filled with blue fish. But look,
the ground tilts, the green touch-me-not plants
angle away from my body. I am falling.
The lake cups its liquid fingers for me,
the fish glint like light on ice. Evening. The river pebbles

are newborn pearls. The water rises.
I am disappearing, my body
rippling into circles. Legs, waist,
armpits. My hair floats upward, a skein
of melting silk. I give
my face to the river, the lines
of my forehead, my palms. When the last cell
has dissolved, the last cry
of the lake-birds, I will, once more,
hear the river inside.

- Chitra Banerjee Divakaruni


Thanx, Millita :)

17.11.05

tempestade soa-me bem. gosto de climas extremos, de ouvir as histórias contadas pelas árvores quando cortei lenha no meio da finlândia, em t-shirt, com -25 º, e sem que o frio se fizesse sentir. de andar lá na neve, com a lua quase sobre as nossas cabeças, às duas da manhã entre pinheiros. e do calor tórrido numa caminhada de Tavira até Stª Catarina, com o corpo a pedir sombra.

e o meu grande problema é este switch on / switch off que a médio prazo me causa uma sensação de vida adiada, parada, que não tenho conseguido superar.

agitação guardo para depois dos 50. até lá prefiro a lareira que não tenho e um copo de tinto com uma amiga a conversar e a ver um filme.

16.11.05

não tens que pedir desculpa. já não te recordas do que eu acho mesmo importante
na vida?

eu nunca tive perfil para a estupidez, muito menos cultura de inserido.
pessoas que abusam do colectivo e de clichés ("o nosso Grupo" ou "nós temos que
criar sinergias para explorar oportunidades junto dos parceiros bah bla blargh")
só servem para gastar ar e água.

se presenciaste isso, que não é novidade para mim, eu levo diariamente com a
arrogância e complexos de superioridade dos que não conseguiriam ganhar um décimo
do salário que ganham aqui se fossem para outra empresa. são anacrónicos e prepotentemente básicos, mas isso não quer dizer nada. sabes, o pior é eu ter sequer vontade de comentar isto. é que não faz parte do meu mundo, nunca fez, a minha vida e as pessoas de quem sempre me rodeei não têm nada a ver com estes círculos pseudo-sofisticados em que ter filhos é um projecto, ler e descobrir coisas fora da área de interesses da clique manutencionista é tido como bizarro, e desprezar o dinheiro e os negócios visto como imaturo.

se tu, que ainda assim vives numa onda mais alta (no sentido média-baixa, média, média-alta, alta...) então imagina o que é para mim estar aqui há 10 anos a levar com estes grunhos e a receber metade do salário deles, ainda por cima.

estes gajos (ou aliás, 97% da humanidade ocidentalizada, porque os do 4º mundo têm desculpa) não conhecem nada de nada, não vão a sítio algum onde o rebanho não tenha já ido, aceitam a anestesia de braços abertos, e pergunto-me eu: se eu fosse um preto nascido num subúrbio qualquer de Birmingham estaria a dizer isto? Eh pá se calhar estaria. Se calhar por isso é que há surdos de nascença que escrevem sinfonias, e judeus pobres que acabam por revolucionar a física, e romenas com 20kg que ganham 7 medalhas de ouro nos jogos Olímpicos. Se calhar.

E isto é só a pontinha do que me vai pela carola... de há 2 ou 3 tempos para
cá fez-se um clic, um estalo qualquer que me deixou muito mais zen do que antes, e agora é raro falar assim,materializar estas coisas. Não tenho nada a dizer ao mundo.
depois de ler esta discussão perdi a fé na Humanidade. De um lado, os trenguinhas que acreditam numa coisa porque a leram "em fontes reputadas", do outro os palhaços que vão passar o fim de ano ao Triângulo das Bermudas.

8.11.05

2 little whos
(he and she)
under are this
wonderful tree

smiling stand
(all realms of where
and when beyond)
now and here

(far from a grown
-up i&you-
ful world of known)
who and who

(2 little ams
and over them this
aflame with dreams
incredible is)

- e.e. cummings

4.11.05

when at frail time this changeling heart
the endless pier may stalk no more
righteous gales like chariots rise
an ember holds the weary hand

when at pale dawn your lips forgot
a siren blows no gentle noon
seaspray weathers gentile boots
no henge of silver gilds the quay

when at half knoll ten belfries shout
no more might redness throb the veins
a passing takes that place of wrath
and dwindling hope to earth returns.
esboço Ia

(a partir de um tema de orlando)


passos descalços
comovem
eu, olhos rasos,
tu, branca de água
riso
o teu riso traz-me olhos rasos de água
fecho-os e fico muito quieto
quero sentir-te por dentro de mim
imagem que me alastra no corpo
e sustenho-me no limite do ar
cheio
não me permito nenhum movimento
a não ser o bater do coração por ti
e segues o teu rio de gin, estalas
sôfrego como o táxi que te carrega
entre meia puta e um espelho febril
arrumas as cadeiras para não sentir
os mortos já vão a caminho da manhã.
(00:11:15) Lord of Morning: so what matters?
(00:11:23) Lord of Morning: what people have we had? men and women
(00:11:33) Lord of Morning: half-satisfactory pieces
(00:11:45) Lord of Morning: and all the while we knew life was higher.

3.11.05

(23:46:11) Lord of Morning: and the world goes by like piecesof time that fly away as sails catching air
(23:46:33) Lord of Morning: ships crave for wavelets in the passing figments of a lost life.
(23:46:37) Lord of Morning: ages burn
(23:46:45) Lord of Morning: suns rage
(23:46:50) Lord of Morning: clouds pass over
(23:46:54) Lord of Morning: easter calls
(23:46:59) Lord of Morning: and a cross beckons
(23:47:14) Lord of Morning: by the lake of a hundred passions sent forever away.

2.11.05





The 28th day
She'll be bleeding again
And in lupine ways
We'll alleviate the pain

Unholy water
Sanguine addiction
Those silver bullets
A last blood benediction

It is her moon time
When there's iron in the air
A rusted essence
Woman may I know you there

Hey wolf moon
Come cast your spell on me
Hey wolf moon
Come cast your spell on me

Don't spill a drop dear
Let me kiss the curse away
Yourself in my mouth
Will you leave me with your taste?

Beware
The woods at night
Beware
The lunar night

So in this grey haze
We'll be meating again
And on that great day
I will tease you all the same

- Pete Steele
Oh sunshine
though love and beauty pass me by
Should I waste my time?
In your valley, beneath your skies,

Oh I am home.

You move your own mountain
The trees have grown, trees have grown
Now it's over
Now it's over and I'm coming home

Oh I am home

-Kyuss

1.11.05

Fiat Lux

Hör mich nur atmen
doch das beweist nichts

inmitten meiner Kreise
doch deren Mitte bin ich nicht

regungslos
wartend
wartend

Wenn du kommst, kommst du mit Licht
du kommst strahlend
zehrst meinen Schatten auf
zählst meine Kerben
und schlägst mich auf
öffnest mein Versteck
und liest mich laut
damit auch ich
mich
hören kann

wenn du gehst, fragst du:
wer von uns beiden glaubst du
ist der Geliebte? Wer von uns
ist der Geliebte?



Just listen to me breathe
but that proves nothing

In the middle of my circles
but their centre I am not

motonless
waiting
waiting

When you come, you'll come with light
you'll come radiant
You devour my shadows
count my notches
and open me up
open my hideaway
and read me out loud
so that I, too
can hear
myself

When you leave, you'll ask:
which one of us do you believe
is the beloved? which one of us
is the beloved?
Tired of Love

Love knows the time that is owed it
hours die like aunts on Sunday.

Is it spring? Is it winter?
The trees receive the wind and are bent.

My desire is tired, my breath toothless.
I'm tired of naming parts of the body,
as we did, bubbling-over with discovery.
I'm tired of love.

Everything begins to drift, driven by the wind:
my hands, her hands, my words,
seasons... we take along the pain,
pursuing the quick love and die.
I'll die for sure, drifting,
looking for love where it once was,
toothless and tired.

- Remco Campert
Better that every fiber crack
and fury make head,
blood drenching vivid
couch, carpet, floor
and the snake-figured almanac
vouching you are
a million green counties from here,

than to sit mute, twiching so
under prickling stars,
with stare, with curse
blackening the time
goodbyes were said, trains let go,
and I, great magnanimous fool, thus wrenched from
my own kingdom.

- Sylvia Plath
Shadow

I have loved being in love;
perhaps that's why it has not loved me.
That's how a handsome lover
behaves with a lovestruck child.
I've loved the sun too much
and fed up with begging
to the doors of the days
I've become like the frond of a fern
that prefers to live in the shade
rather than bare the sun.
And so I trouble myself about a house
in which lamp- and sunlight
have been tempered for the eyes
and where the sober lines of a face
and where the serenity of a friendship stand
as the shadow of a tree
arched
above my head.

- Alice Nahon
Five Year Plan

I love you. You love that which cannot be.
Where you love capacities, I love shortcomings.
Where you love pride, I love how the fragile can break
in my arms. You love courage. I, weakness now /
and then.

You love the future. I, that which is past.
Whereas you love the hundred lives you wanted to live,
I love the one which is left over and thus
the way you can be so far away pressed /
close to me.

I love what is. You, what should be.
Do you love me. I love you.

- Herman de Coninck

24.10.05

Warren Ellis

QUEEN OF MY HEART
(Sullivan/Heaton) 1995

To the Queen of my Heart, from the King of Nowhere
I have watched you arming, and how you wave your sword in the air;
always fighting the shadows as they move behind you,
and the beating wings that hover around you . . .
To the queen of my heart, from the king of nowhere
It's a shallow sky that holds us in; you can reach right out
and touch the edge with just one outstretched hand and feel
the dark come closing in.
And there's nowhere far enough away from here;
the ringing ears and the closing air, and the cities and deserts all beat the same;
the radio waves crackle and phase, the satellites spinning slowly round.
The radar towers search and call
to the Queen of my Heart, from the King of Nowhere . . .
This is the great world calling to the last crusader;
In the rush of the lifeblood coming out of the sunrise . . .
And you're the Queen of my Heart . . . and I'm the King of Nowhere.
Descobri o http://coresepixeis.blogspot.com/,



Estou rendido.
aldeias brancas


curvas num copo de terra
na luz tocam sinos a repique
o coração é uma aldeia branca.


Há pedras marcadas
Linhas num rosto severo
E uma dúvida tão humana.


A rua escorre ainda
A estrada leva ainda
Na cor do vento vens tu.



de VG:

Além, ávida,
voa a ave.
Acaba a tarde.


Talvez também a borboleta,
que vive um só dia,
sinta passarem, lentas, as horas.



de RC:

mesmo se ensaio
erro o gesto
é cedo ainda.
J'aimerais

J'aimerais
J'aimerais
Devenir un grand poète
Et les gens
Me metteraient
Plein de laurrier sur la tête
Mais voilà
Je n'ai pas
Assez de goût pour les livres
Et je songe trop à vivre
Et je pense trop aux gens
Pour être toujours content
De n'écrire que du vent.

- Boris Vian
quando a noite toca os teus pulsos

quando a noite toca os teus pulsos
rebentam em ternura as açucenas
e o mais das flores se inclina
para o peito, o ventre, o calor
desta vida que brilha ao sul.
dá-me a tua mão, dizes,
quero ter contigo o relâmpago
que incendeia na terra os cereais
e no coração desperta as romãs.
procuro árvores, pé ante pé.
na sombra da tua palavra
busco o derradeiro acordar das estrelas
e demoro-me em silêncio
na interrogação dos planetas.
e quando a noite toca os teus pulsos
dá-se em mim uma vida maior
e das janelas apago os olhares
para ficar a sós contigo
no suspiro da terra que nos inventa

- Vasco Gato

22.10.05

A man was leaving a cafe with his morning coffee when he noticed a most unusual funeral procession approaching the nearby cemetery.
A long Black Hearse was followed by a second long black hearse about 50 feet behind the first. Behind the second hearse was a solitary man walking a pitbull on a leash. Behind him was a queue of 200 men walking in single file.
The man couldn't stand the curiosity. He respectfully approached the man walking the dog. "I am so sorry for your loss, and I know now is a bad time to disturb you, but I've never seen a funeral like this with so many of you walking in single file. Whose funeral is it?"
The man replied, "Well, that first hearse is for my wife."
"What happened to her?"
The man replied, "My dog attacked and killed her."
He inquired further, "Well, who is in the second hearse?"
The man answered, "My mother-in-law. She was trying to help my wife when the dog turned on her." A poignant and thoughtful moment of silence passes between the two men.
"Can I borrow the dog?"
"Join the queue."

"Mortality, finity and weirdly enough endlessness have been on my mind like wildfire lately. Lately as in months. I miss craving for someone's presence as if the very air would hide away."

15.10.05

Estou a ouvir cânticos shamânicos da Mongólia. Rico tawny. Heh.
Olá xxxxxxx,

não consegui apanhar-te ao telefone.

Foi um dia de excepção, daqueles em que algo faz clic, em que se passa de nível e o écran seguinte assoma como sabemos que assomaria tarde ou cedo, mas não sabemos porquê ou por que mecanismo.

O meu filho levantou-se depois de mim, deu-me um beijinho grande e serviu-se do pequeno-almoço, pondo a mesa e chamando-me quando tudo estava pronto.

Derivámos pela casa como jangadas pelos restos dos sonhos.

Deixei-o na aula de guitarra e sentei-me numa taberna, a ler o Público, no meio dos velhos que se agarravam a migalhas de vinho tinto como a estórias de antanho. Senti-me bem e não quis mais do que aquela cadeira.

Almoçámos com a mãe dele, cordialmente e a saber a sessões de cinema que serão sempre cosidas a fio de responsabilidade. Fui cortar o cabelo e comprar umas coisas, ela trouxe-mo depois já eu te tinha escrito algumas palavras soltas.

Fez os seus trabalhos, praticou o exercício recomendado, pegou num livro ilustrado sobre método científico e eu estive sempre ali, a esclarecê-lo. Depois fiz galinha com caju e arroz de feijão do dia anterior, rimo-nos e lá fomos deixando a noite pousar.

Agora estou a escrever-te isto porque ainda quero mais filhos e confio muito na minha teimosia.

E porque se há coisa que não hei-de permitir, é que o tempo passe por mim sem levar três ou quatro abanões naqueles colarinhos, esse pulha, o gajo.

A ver se te ligo ainda hoje. É que tenho saudades.

Não escrevia há uma pipa de dias.

Obrigado.

14.10.05

A Caverna foi às compras e encheu-se de comidinha, tabletes purificadoras, e Tamiflu. Lerpar por azar ainda vá, por negação casmurra não. Tá feito.

6.10.05

Prepositions

Some common Gaelic prepositions are:

    aig -- "at" air -- "on"
    le -- "with" à -- "from"


Nouns which follow these prepositions and which have no definite article are unchanged by them:

    port -- a port, a harbour -->
    aig port -- at a port

    beinn -- a mountain -->
    air beinn -- on a mountain

    peann -- a pen -->
    le peann -- with a pen

    muileann -- a mill -->
    à muileann -- from a mill


Another common preposition is "do", which means "to". When followed by a noun with no definite article, it aspirates it. Before a noun beginning with a vowel, it adds "dh'":

    Glaschu -- Glasgow -->
    do Glaschu -- to Glasgow

    taigh -- house -->
    do thaigh -- to a house

    Inbhir Nis -- Inverness -->
    do dh'Inbhir Nis -- to Inverness

3.10.05

You
scored as Hinduism. Your views are most similar to those of...
Hinduism! Do some research on Hinduism and possibly consider becoming
Hindu, if you aren't already.

Hinduism


71%

agnosticism


63%

Satanism


63%

Buddhism


54%

Islam


46%

atheism


33%

Paganism


29%

Judaism


25%

Christianity


8%

Which religion is the
right
one for you? (new version)

created
with
QuizFarm.com

1.10.05

You are acute lightning, and I, the chronic flame. This is the way of our
common earth to bond us.

You shoot upwards, splitting the sky. I care for the scorched rocks, to
make sure that warmth is there when you come crashing down from your
promethean ascent.

Though it is Wednesday, and I bleed through the tree of knowledge, I do not
hang, nor am I debtor to the conflagrated keeper of the spring wells' boon.
Your wisdom springs forth like roman javelins clearing my way from too much
peace.

You speak to me of a land, of oaken groves, and I believe you. No hills of
pale death soften our climb as we joïk ourselves to the droning beat of
drumskins.

I allow the wind to steadily blow my sails. You carry the breeze running to
stand still.

Was this, then, not yet your creed? Will it not be mine? We forget the
essence of this time-tissue, maya, sparks from the blacksmith's forge.
I become the anvil. You become the sound of hammer blows.
I look down at all these words and love you recklessly.



(finais de agosto)
YAY!
oh bleeding heart graffiti...
don't you try now woman
à conta! bem que me estou nas tintas. 'phroaig.
Rot grün gelb schwarz
rostbraun totrot
kohlrabenschwarz ist farbenfroh
funkelnagelneu ist nichts mehr
Ich habe mein Vokabelheft verloren
Wo ist der Schluessel?
Wo ist mein Hut?
Ich gehe jetzt

Betonprosa oder Permafrost
Schmelzvorgaenge oder nicht
Das deja vu ist jetzt historisch
die Gemengelage wie gehabt
Ich blute
Irgendwas ist immer

Ich gehe jetzt

Kann mich an den Schnitt nicht mal erinnern
Ich gehe jetzt
E s wird wie’s war und wahr wird nichts
Fortuna ist in Geiselhaft
Herzsprung Kreuzstich
Luftveraenderung
Schluss mit lustig und der Wegfahrsperre
für die Hoffnung und für mich

Ich gehe jetzt

Das Biest ist noch nicht richtig wach
aber auch noch lange nicht hinueber
Grad hat es sich hin und her gewaelzt
und im Schlaf mit den Zähnen geknirscht

Ich gehe jetzt

Nach mir die Flut
nach mir Tornados
nach mir Tsunamis & Säuberungen
nach mir die Härte
die Kälte die Dürre die Glut
mehr als je zuvor seitdem der Mensch denkt
Es wird Zeit
das die Erde sich endlich verspinnt
sich verwandelt aus der Hülle sprengt
Ich gehe jetzt
Ich gehe jetzt
Ich gehe jetzt

21.9.05

(23:21:37) Lord of Morning: toda a minha vida
(23:21:40) Lord of Morning: ainda hj o disse à formadora
(23:21:42) Lord of Morning: eh assim
(23:21:45) Lord of Morning: exercicios sobre o joelho
(23:21:53) Lord of Morning: para que quero eu ter estrategias de bom valor estatistico
(23:21:59) Lord of Morning: se td o que conta eh o momento
(23:22:05) Lord of Morning: e o momento eh imponderavel
(23:22:13) Lord of Morning: so o rasgo o salva, se a coisa da para o extremo.

(os asteróides só matam uma vez)

19.9.05

Hoje rio-me de tudo, parece que acordei com um penso de ganza na cervical %)

Rio-me do numerozinho que selecciono naquele drop-down que demora doze segundos a abrir, do tom humilde e besuntado do colega que fala ao telefone como se o mundo fosse um aquário onde a Mary Poppins se reflecte enquanto limpa o pó à casa, dos dias que já passaram sem que eu tivesse parado para me rir de tudo.

Adoro-nos a todos, e ao próximo gajo que me disser que não sou dono da verdade, responderei (com uma gargalhada) que é também risível, essa afirmação, dado que ninguém é dono da verdade \=^)

18.9.05

On the whole, I am extremely sorry to have such proofs of human ignobleness and unfeeling. We should not, were we in truth manly, laugh at the woes of others; but we cannot, as it seems, force manliness on ourselves. Yet if misery and grief delight us, and the woes of our enemies amuse, let us be so far noble as to say no thing, and lock within us our joy - let us not, however it may be, burst into laughter, least of all into the unsteady sniggering of those whose fears are dispelled, than which there is nothing more base.

- Charles Robert Anon


(qual Campos pá)

(volta %) )

9.9.05

Hoje foi o primeiro dia de Outono. Como bom auspício, não o atravessei sozinho. Ultimamente tem sido assim. Mais até do que antes. Rodeado de betão humano, trouxeram-me o cheiro a terra molhada e a folhas caídas em florestas impossíveis. Há por aí uma princesa, que é antes de tudo mulher. E brilha no meu destino como um farol enorme.

3.9.05

Extreme values in abstract spaces with order

In the case of a general partial order one should not confuse a least element (smaller than all other) and a minimal element (nothing is smaller). Likewise, a greatest element of a poset is an upper bound of the set which is contained within the set, whereas a maximal element m of a poset A is an element of A such that if mb (for any b in A) then m = b.

Any least element or greatest element of a poset will be unique, but a poset can have several minimal or maximal elements. If a poset has more than one maximal element, then these elements will not be mutually comparable.

In a totally ordered set, or chain, all elements are mutually comparable, so such a set can have at most one minimal element and at most one maximal element. Then, due to mutual comparability, the minimal element will also be the least element and the maximal element will also be the greatest element.

If a chain is finite then it will always have a maximum (maximal element, greatest element) and a minimum (minimal element, least element). If a chain is infinite then it need not have a maximum or a minimum. For example, the set of natural numbers has no maximum, though it has a minimum.

If an infinite chain S is bounded, then the closure Cl(S) of the set will have a minimum and a maximum, which are the greatest lower bound and the least upper bound of the set S, and which either belong to S or are accumulation points of S.

(source: Wikipedia)

( não foi a ti que esqueci %) )
Anuncio que te esqueci. Não desaparecerão os momentos nem os dados, porque nada é nada; e se pontualmente julguei nomear o amor, anuncio que errei na nesciência voluntariosa de fazer melhor. Mas não fica coisa alguma tua, nem nossa, nem pertença do resto do mundo. Só restam os originais que nunca quiseste reconhecer, na cíclica demanda pelo tempo certo. Não há tempo certo ou errado, nem é a partilha essa forma artificial de calcular. Só existe a acção e a troca constante de partículas. É como na Física: a atracção é mediada pela emissão/recepção contínua de informação, é isto a paixão do universo e eu, se existo, anuncio que estou imerso nela até ao âmago.



(out for lunch)


Demeter and Persephone
Possibly means "ready to journey" from Gothic "journey" and "ready".
Was the mother of Romulus and Remus, the founders of Rome.

Era felicidade porque tinha um fluxo harmonioso.
Era felicidade como qualquer movimento de irradiação é feliz.
Havia-me estilhaçado outrora num milhão de seres e objectos.
Hoje estou inteiro; amanhã estilhaço-me de novo.
E assim tudo no mundo se decanta e modula.
Naquele dia estive na crista da onda.
Sabia que tudo quanto me rodeava eram as notas de uma e mesma harmonia, sabia – secretamente – a origem e a inevitável resolução dos sons reunidos por um instante e o novo acorde que seria engendrado por cada nota dispersa.
O ouvido musical da minha alma sabia e compreendia tudo.


- Vladimir Nabokov


(esta seria só para ti, se fosse minha para ter o direito de a resguardar)

Ordens de grandeza

(início)
1 imagem <-> 1000 palavras
1 instante <-> 1000 imagens
1 olhar <-> 1000 instantes
(totalidade)
(merece ser post)


Está sempre calor. Calor das fogueiras que andam na rua sem sabermos delas, calor da lareira no horizonte, calor da eterna incineração dos medos e hesitações (ardem e passam à História), calor do corpo que não consegue conter hermeticamente a alma, calor das mãos distantes, calor num olhar ao vermo-nos através da rocha e do musgo, calor por entre o frio intersticial.

Ainda assim, calores que empalidecem ao lado desta coisa que sinto.
Image hosted by Photobucket.com


Animus/Anima/Outono/Primavera/Yin/Yang/Lightning/Flame
CHANGING OF THE LIGHT
(Sullivan) 1993

The sky is broken in grey and in silver
The wind blows clean
We watch the shadows chase across the hillside
And out to sea
You and I, we're nearly full circle
It's just a touch away
And all the seeds we've sown in a lifetime
They'll come good some day
Pain is what you live with
And try to change the subject
In the dark the hands reach out
But I still feel the wonder
As the sky turns to fire
A catching in the heart
Standing between the worlds
In the changing of the light
Across the desert the wise men travelled
Following a dream
I see the same star shining above us
Endlessly
e por outro lado
October
And the trees are stripped bare
Of all they wear
What do I care
October
And kingdoms rise
And kingdoms fall
But you go on

(U2)

1.9.05

White Soul


In your plentiful void
In the company of dreams
Flaming tongues stir
And on
Shy of life's engine
Naked in utter light
Under timeless nonfinity
We keep the words
The original answers
Our boundless choices,
Only to seed the rippling,
unwritten tundra
Leaving the sacred mountain
in lesser hands.

30.8.05

http://www.inselkampf.co.uk/

Conflaggrare 23:5:17, score 576.
Alliance [Morkin], ranked #89.

Yay.
Sete (está-se tudo a passar)
(Palma)

São sete da tarde e está-se tudo a passar
Uns andam para a frente, outros querem virar
Outros ainda sonham com paragens distantes
Mas logo alguém ameaça com passos galopantes

São sete da tarde e passa tudo a correr
Alguém vai para casa tratar mal a mulher
Ele acha natural, ela esconde as suas rugas
Aquele ali vai p'rós copos tratar das suas fugas

Rei, infante, dama tão delirante
Que até os seus próprios sonhos desfaz
Valete condescendente, nem se digna a fazer frente
À magnitude do ás

O sete de paus nunca encontrou o seu canto
O sete d'ouros carrega cada vez mais encanto
O sete das espadas já ganhou outra cor
E o sete que era de copas... perdeu o seu amor

madrugada a dentro está-se tudo a passar
um homem discursa, sete estão a aturar
há quem evite as pedras que o destino arremessa
e o homem tem uma ideia... morrer durante a peça

rei, infante, dama tão delirante
que até os seus próprios sonhos desfaz
valete condescendente, não se digna a fazer frente
à magnitude do ás
à magnitude do ás.

29.8.05

零貳 叄陸

Image hosted by Photobucket.com
Amo ergo sum, e precisamente nessa proporção.

(Ezra Pound)
Satori is not a morbid state of mind, a fit subject for the study of abnormal psychology. If anything, it is a perfectly normal state of mind. When I speak of mental upheaval, one may be led to consider Zen as something to be shunned by ordinary people. This is a most mistaken view of Zen, but one unfortunately often held by prejudiced critics. As Joshu declared, "Zen is your everyday thought"; it all depends on the adjustment of the hinge whether the door opens in or opens out. Even in the twinkling of an eye the whole affair is changed and you have Zen, and you are as perfect and as normal as ever. More than that, you have acquired in the meantime something altogether new. All your mental activities will now be working to a different key, which will be more satisfying, more peaceful, and fuller of joy than anything you ever experienced before. The tone of life will be altered. There is something rejuvenating in the possession of Zen. The spring flowers look prettier, and the mountain stream runs cooler and more transparent. The subjective revolution that brings about this state of things cannot be called abnormal. When life becomes more enjoyable and its expense broadens to include the universe itself, there must be something in Satori that is quite precious and well worth one's striving after.
Por aqui, tirando os anos de Método?



ou por aqui, tirando os tiques esquisitos?

Image hosted by Photobucket.com



00:02:36 satori
SOLITUDE

C'était après un dîner d'hommes. On avait été fort gai. Un d'eux, un vieil ami, me dit :
- Veux-tu remonter à pied l'avenue des Champs-Élysées ?
Et nous voilà partis, suivant à pas lents la longue promenade, sous les arbres à peine vêtus de feuilles encore. Aucun bruit, que cette rumeur confuse et continue que fait Paris. Un vent frais nous passait sur le visage, et la légion des étoiles semait sur le ciel noir une poudre d'or.
Mon compagnon me dit :
- Je ne sais pourquoi, je respire mieux ici, la nuit, que partout ailleurs. Il me semble que ma pensée s'y élargit. J'ai, par moments, ces espèces de lueurs dans l'esprit qui font croire, pendant une seconde, qu'on va découvrir le divin secret des choses. Puis la fenêtre se referme. C'est fini.
De temps en temps, nous voyions glisser deux ombres le long des massifs ; nous passions devant un banc où deux êtres, assis côte à côte, ne faisaient qu'une tache noire.
Mon voisin murmura :
- Pauvres gens ! Ce n'est pas du dégoût qu'ils m'inspirent, mais une immense pitié. Parmi tous les mystères de la vie humaine, il en est un que j'ai pénétré : notre grand tourment dans l'existence vient de ce que nous sommes éternellement seuls, et tous nos efforts, tous nos actes ne tendent qu'à fuir cette solitude. Ceux-là, ces amoureux des bancs en plein air, cherchent, comme nous, comme toutes les créatures, à faire cesser leur isolement, rien que pendant une minute au moins ; mais ils demeurent, ils demeureront toujours seuls ; et nous aussi.
On s'en aperçoit plus ou moins, voilà tout.
Depuis quelque temps j'endure cet abominable supplice d'avoir compris, d'avoir découvert l'affreuse solitude où je vis, et je sais que rien ne peut la faire cesser, rien, entends-tu ! Quoi que nous tentions, quoi que nous fassions, quels que soient l'élan de nos coeurs, l'appel de nos lèvres et l'étreinte de nos bras, nous sommes toujours seuls.
Je t'ai entraîné ce soir, à cette promenade, pour ne pas rentrer chez moi, parce que je souffre horriblement, maintenant, de la solitude de mon logement. A quoi cela me servira-t-il ? Je te parle, tu m'écoutes, et nous sommes seuls tous deux, côte à côte, mais seuls. Me comprends-tu ?
Bienheureux les simples d'esprit, dit l'Écriture. Ils ont l'illusion du bonheur. Ils ne sentent pas, ceux-là, notre misère solitaire, ils n'errent pas, comme moi, dans la vie, sans autre contact que celui des coudes, sans autre joie que l'égoïste satisfaction de comprendre, de voir, de deviner et de souffrir sans fin de la connaissance de notre éternel isolement.
Tu me trouves un peu fou, n'est-ce pas ?
Écoute-moi. Depuis que j'ai senti la solitude de mon être, il me semble que je m'enfonce, chaque jour davantage, dans un souterrain sombre, dont je ne trouve pas les bords, dont je ne connais pas la fin, et qui n'a point de bout, peut-être ! J'y vais sans personne avec moi, sans personne autour de moi, sans personne de vivant faisant cette même route ténébreuse. Ce souterrain, c'est la vie. Parfois j'entends des bruits, des voix, des cris... je m'avance à tâtons vers ces rumeurs confuses. Mais je ne sais jamais au juste d'où elles partent ; je ne rencontre jamais personne, je ne trouve jamais une autre main dans ce noir qui m'entoure. Me comprends-tu ?
Quelques hommes ont parfois deviné cette souffrance atroce.
Musset s'est écrié :

Qui vient ? Qui m'appelle ? Personne.
Je suis seul. - C'est l'heure qui sonne.
O solitude ! - O pauvreté !

Mais, chez lui, ce n'était là qu'un doute passager, et non pas une certitude définitive, comme chez moi. Il était poète ; il peuplait la vie de fantômes, de rêves. Il n'était jamais vraiment seul. - Moi, je suis seul !
Gustave Flaubert, un des grands malheureux de ce monde, parce qu'il était un des grands lucides, n'écrivait-il pas à une amie cette phrase désespérante : "Nous sommes tous dans un désert. Personne ne comprend personne."
Non, personne ne comprend personne, quoi qu'on pense, quoi qu'on dise, quoi qu'on tente. La terre sait-elle ce qui se passe dans ces étoiles que voilà, jetées comme une graine de feu à travers l'espace, si loin que nous apercevons seulement la clarté de quelques-unes, alors que l'innombrable armée des autres est perdue dans l'infini, si proches qu'elles forment peut-être un tout, comme les molécules d'un corps ?
Eh bien, l'homme ne sait pas davantage ce qui se passe dans un autre homme. Nous sommes plus loin l'un de l'autre que ces astres, plus isolés surtout, parce que la pensée est insondable.
Sais-tu quelque chose de plus affreux que ce constant frôlement des êtres que nous ne pouvons pénétrer ! Nous nous aimons les uns les autres comme si nous étions enchaînés, tout près, les bras tendus, sans parvenir à nous joindre. Un torturant besoin d'union nous travaille, mais tous nos efforts restent stériles, nos abandons inutiles, nos confidences infructueuses, nos étreintes impuissantes, nos caresses vaines. Quand nous voulons nous mêler, nos élans de l'un vers l'autre ne font que nous heurter l'un à l'autre.
Je ne me sens jamais plus seul que lorsque je livre mon coeur à quelque ami, parce que je comprends mieux alors l'infranchissable obstacle. Il est là, cet homme ; je vois ses yeux clairs sur moi ; mais son âme, derrière eux, je ne la connais point. Il m'écoute. Que pense-t-il ? Oui, que pense-t-il ? Tu ne comprends pas ce tourment ? Il me hait peut-être ? ou me méprise ? ou se moque de moi ? Il réfléchit à ce que je dis, il me juge, il me raille, il me condamne, m'estime médiocre ou sot. Comment savoir ce qu'il pense ? Comment savoir s'il m'aime comme je l'aime ? et ce qui s'agite dans cette petite tête ronde ? Quel mystère que la pensée inconnue d'un être, la pensée cachée et libre, que nous ne pouvons ni connaître, ni conduire, ni dominer, ni vaincre !
Et moi, j'ai beau vouloir me donner tout entier, ouvrir toutes les portes de mon âme, je ne parviens point à me livrer. Je garde au fond, tout au fond, ce lieu secret du Moi où personne ne pénètre. Personne ne peut le découvrir, y entrer, parce que personne ne me ressemble, parce que personne ne comprend personne.
Me comprends-tu, au moins, en ce moment, toi ? Non, tu me juges fou ! tu m'examines, tu te gardes de moi ! Tu te demandes : "Qu'est-ce qu'il a, ce soir ?" Mais si tu parviens à saisir un jour, à bien deviner mon horrible et subtile souffrance, viens-t'en me dire seulement : Je t'ai compris ! et tu me rendras heureux, une seconde, peut-être.
Ce sont les femmes qui me font encore le mieux apercevoir ma solitude.
Misère ! Misère ! Comme j'ai souffert par elles, parce qu'elles m'ont donné souvent, plus que les hommes, l'illusion de n'être pas seul !
Quand on entre dans l'Amour, il semble qu'on s'élargit. Une félicité surhumaine vous envahit. Sais-tu pourquoi ? Sais-tu d'où vient cette sensation d'immense bonheur ? C'est uniquement parce qu'on s'imagine n'être plus seul. L'isolement, l'abandon de l'être humain paraît cesser. Quelle erreur !
Plus tourmentée encore que nous par cet éternel besoin d'amour qui ronge notre coeur solitaire, la femme est le grand mensonge du Rêve.
Tu connais ces heures délicieuses passées face à face avec cet être à longs cheveux, aux traits charmeurs et dont le regard nous affole. Quel délire égare notre esprit ! Quelle illusion nous emporte !
Elle et moi, nous n'allons plus faire qu'un, tout à l'heure, semble-t-il ? Mais ce tout à l'heure n'arrive jamais, et, après des semaines d'attente, d'espérance et de joie trompeuse, je me retrouve tout à coup, un jour, plus seul que je ne l'avais encore été.
Après chaque baiser, après chaque étreinte, l'isolement s'agrandit. Et comme il est navrant, épouvantable.
Un poète, M. Sully Prudhomme, n'a-t-il pas écrit :

Les caresses ne sont que d'inquiets transports,
Infructueux essais du pauvre amour qui tente
L'impossible union des âmes par les corps...

Et puis, adieu. C'est fini. C'est à peine si on reconnaît cette femme qui a été tout pour nous pendant un moment de la vie, et dont nous n'avons jamais connu la pensée intime et banale sans doute !
Aux heures mêmes où il semblait que, dans un accord mystérieux des êtres, dans un complet emmêlement des désirs et de toutes les aspirations, on était descendu jusqu'au profond de son âme, un mot, un seul mot, parfois, nous révélait notre erreur, nous montrait, comme un éclair dans la nuit, le trou noir entre nous.
Et pourtant, ce qu'il y a encore de meilleur au monde, c'est de passer un soir auprès d'une femme qu'on aime, sans parler, heureux presque complètement par la seule sensation de sa présence. Ne demandons pas plus, car jamais deux êtres ne se mêlent.
Quant à moi, maintenant, j'ai fermé mon âme. Je ne dis plus à personne ce que je crois, ce que je pense et ce que j'aime. Me sachant condamné à l'horrible solitude, je regarde les choses, sans jamais émettre mon avis. Que m'importent les opinions, les querelles, les plaisirs, les croyances ! Ne pouvant rien partager avec personne, je me suis désintéressé de tout. Ma pensée, invisible, demeure inexplorée. J'ai des phrases banales pour répondre aux interrogations de chaque jour, et un sourire qui dit : "Oui", quand je ne veux même pas prendre la peine de parler.
Me comprends-tu ?

Nous avions remonté la longue avenue jusqu'à l'Arc de triomphe de l'Étoile, puis nous étions redescendus jusqu'à la place de la Concorde, car il avait énoncé tout cela lentement, en ajoutant encore beaucoup d'autres choses dont je ne me souviens plus.
Il s'arrêta et, brusquement, tendant le bras vers le haut obélisque de granit, debout sur le pavé de Paris et qui perdait, au milieu des étoiles, son long profil égyptien, monument exilé, portant au flanc l'histoire de son pays écrite en signes étranges, mon ami s'écria :
- Tiens, nous sommes tous comme cette pierre.
Puis il me quitta sans ajouter un mot.
Était-il gris ? Était-il fou ? Était-il sage ? Je ne le sais encore. Parfois il me semble qu'il avait raison ; parfois il me semble qu'il avait perdu l'esprit.

- Guy de Maupassant

28.8.05

i have found what you are like
the rain,

(Who feathers frightened fields
with the superior dust-of-sleep. wields

easily the pale club of the wind
and swirled justly souls of flower strike

the air in utterable coolness

deeds of green thrilling light
with thinned

newfragile yellows

lurch and.press

-in the woods
which
stutter
and

sing

And the coolness of your smile is
stirringofbirds between my arms;but
i should rather than anything
have(almost when hugeness will shut
quietly)almost,
your kiss


- e.e. cummings



(:*)
If Hands Could Free You, Heart

If hands could free you, heart,
Where would you fly?
Far, beyond every part
Of earth this running sky
Makes desolate? Would you cross
City and hill and sea,
If hands could set you free?

I would not lift the latch;
For I could run
Through fields, pit-valleys, catch
All beauty under the sun--
Still end in loss:
I should find no bent arm, no bed
To rest my head.


- Philip Larkin
The Angel

I dreamt a dream! What can it mean?
And that I was a maiden Queen
Guarded by an Angel mild:
Witless woe was ne'er beguiled!

And I wept both night and day,
And he wiped my tears away;
And I wept both day and night,
And hid from him my heart's delight.

So he took his wings, and fled;
Then the morn blushed rosy red.
I dried my tears, and armed my fears
With ten-thousand shields and spears.

Soon my Angel came again;
I was armed, he came in vain;
For the time of youth was fled,
And grey hairs were on my head.

- William Blake
Olha o petróleo a bater nos 80.



U.S. energy companies said U.S. Gulf of Mexico crude oil output was cut by more than one-third on Saturday as Hurricane Katrina appeared poised to charge through central production areas, much like Hurricane Ivan did last September.

The Gulf of Mexico is home to roughly a quarter of U.S. domestic oil and gas output, and the storm's impact could well be felt at gas station pumps by U.S. car drivers already struggling with soaring gasoline prices.

© Reuters 2005. All Rights Reserved.


Roughly, Covenant hugged her so that she could not see the savagery which white-knuckled his countenance. "Of course." He forced up the words as if they were too thick for his aching throat. "No one else is worthy."

He held her, half fearing she would collapse if he let her go, but after a long moment, she withdrew from his embrace. With a look that reminded him of her sprightly girlhood, she said, "Let us tell the Giant," as if she wished to announce something better than a betrothal.

Together, they turned and climbed arm in arm up the ravine toward Saltheart Foamfollower.

When they reached him, they found that his buttressed visage was still wet with weeping. Gray ice sheened his face, hung like beads from his stiff beard. His hands were gripped and straining across his knees. "Foamfollower," Lena said in surprise, "this is a moment of happiness. Why do you weep?"

His hands jerked up to scrub away the ice, and when it was gone, he smiled at her with wonderful fondness. "You are too beautiful, my Queen," he told her gently. "You surpass me."
Passagem das Horas


Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

A entrada de Singapura, manhã subindo, cor verde,
O coral das Maldivas em passagem cálida,
Macau à uma hora da noite... Acordo de repente
Yat-ió--ó-ó-ó-ó-ó-ó-ó-ó ... Ghi-...
E aquilo soa-me do fundo de uma outra realidade
A estatura norte-africana quase de Zanzibar ao sol
Dar-es-Salaam (a saída é difícil)...
Majunga, Nossi-Bé, verduras de Madagascar...
Tempestades em torno ao Guardaful...
E o Cabo da Boa Esperança nítido ao sol da madrugada...
E a Cidade do Cabo com a Montanha da Mesa ao fundo...

Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei...
Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...
Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,
Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir
E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.

A certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro-me,
Penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge,
Desta estrada às curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso,
Desta turbuléncia tranquila de sensações desencontradas,
Desta transfusão, desta insubsisténcia, desta convergéncia iriada,
Deste desassossego no fundo de todos os cálices,
Desta angústia no fundo de todos os prazeres,
Desta saciedade antecipada na asa de todas as chávenas,
Deste jogo de cartas fastiento entre o Cabo da Boa Esperança e as Canárias.

Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consanguinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cómoda e feliz.

Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as varandas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e auséncia de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.

Cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços,
É preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas...
Por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro,
Tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca...
Que há de ser de mim? Que há de ser de mim?

Correram o bobo a chicote do palácio, sem razão,
Fizeram o mendigo levantar-se do degrau onde caíra.
Bateram na criança abandonada e tiraram-lhe o pão das mãos.
Oh mágoa imensa do mundo, o que falta é agir...
Tão decadente, tão decadente, tão decadente...
Só estou bem quando ouço música, e nem então.
Jardins do século dezoito antes de 89,
Onde estais vós, que eu quero chorar de qualquer maneira?

Como um bálsamo que não consola senão pela idéia de que é um bálsamo,
A tarde de hoje e de todos os dias pouco a pouco, monótona, cai.

Acenderam as luzes, cai a noite, a vida substitui-se.
Seja de que maneira for, é preciso continuar a viver.
Arde-me a alma como se fosse uma mão, fisicamente.
Estou no caminho de todos e esbarram comigo.
Minha quinta na província,
Haver menos que um comboio, uma diligência e a decisão de partir entre mim e ti.
Assim fico, fico... Eu sou o que sempre quer partir,
E fica sempre, fica sempre, fica sempre,
Até à morte fica, mesmo que parta, fica, fica, fica...

Torna-me humano, ó noite, torna-me fraterno e solícito.
Só humanitariamente é que se pode viver.
Só amando os homens, as ações, a banalidade dos trabalhos,
Só assim - ai de mim! -, só assim se pode viver.
Só assim, o noite, e eu nunca poderei ser assim!

Vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo,
Mas tudo ou sobrou ou foi pouco - não sei qual - e eu sofri.
Vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos,
E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.
Amei e odiei como toda gente,
Mas para toda a gente isso foi normal e instintivo,
E para mim foi sempre a excepção, o choque, a válvula, o espasmo.

Vem, ó noite, e apaga-me, vem e afoga-me em ti.
Ó carinhosa do Além, senhora do luto infinito,
Mágoa externa na Terra, choro silencioso do Mundo.
Mãe suave e antiga das emoções sem gesto,
Irmã mais velha, virgem e triste, das idéias sem nexo,
Noiva esperando sempre os nossos propósitos incompletos,
A direcção constantemente abandonada do nosso destino,
A nossa incerteza pagã sem alegria,
A nossa fraqueza cristã sem fé,
O nosso budismo inerte, sem amor pelas coisas nem êxtases,
A nossa febre, a nossa palidez, a nossa impaciência de fracos,
A nossa vida, ó mãe, a nossa perdida vida...

Não sei sentir, não sei ser humano, conviver
De dentro da alma triste com os homens meus irmãos na terra.
Não sei ser útil mesmo sentindo, ser prático, ser quotidiano, nítido,
Ter um lugar na vida, ter um destino entre os homens,
Ter uma obra, uma força, uma vontade, uma horta,
Uma razão para descansar, uma necessidade de me distrair,
Uma cousa vinda directamente da natureza para mim.

Por isso sê para mim materna, ó noite tranquila...
Tu, que tiras o mundo ao mundo, tu que és a paz,
Tu que não existes, que és só a ausência da luz,
Tu que não és uma coisa, rim lugar, uma essência, uma vida,
Penélope da teia, amanhã desfeita, da tua escuridão,
Circe irreal dos febris, dos angustiados sem causa,
Vem para mim, ó noite, estende para mim as mãos,
E sê frescor e alívio, o noite, sobre a minha fronte...
'Tu, cuja vinda é tão suave que parece um afastamento,
Cujo fluxo e refluxo de treva, quando a lua bafeja,
Tem ondas de carinho morto, frio de mares de sonho,
Brisas de paisagens supostas para a nossa angústia excessiva...
Tu, palidamente, tu, flébil, tu, liquidamente,
Aroma de morte entre flores, hálito de febre sobre margens,
Tu, rainha, tu, castelã, tu, dona pálida, vem...

Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.

Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo,
Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,
Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia,
Seja uma flor ou uma idéia abstracta,
Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus.
E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo.
São-me simpáticos os homens superiores porque são superiores,
E são-me simpáticos os homens inferiores porque são superiores também,
Porque ser inferior é diferente de ser superior,
E por isso é uma superioridade a certos momentos de visão.
Simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de caráter,
E simpatizo com outros pela sua falta dessas qualidades,
E com outros ainda simpatizo por simpatizar com eles,
E há momentos absolutamente orgânicos em que esses são todos os homens.
Sim, como sou rei absoluto na minha simpatia,
Basta que ela exista para que tenha razão de ser.
Estreito ao meu peito arfante, num abraço comovido,
(No mesmo abraço comovido)
O homem que dá a camisa ao pobre que desconhece,
O soldado que morre pela pátria sem saber o que é pátria,
E o matricida, o fratricida, o incestuoso, o violador de crianças,
O ladrão de estradas, o salteador dos mares,
O gatuno de carteiras, a sombra que espera nas vielas —
Todos são a minha amante predilecta pelo menos um momento na vida.

Beijo na boca todas as prostitutas,
Beijo sobre os olhos todos os souteneurs,
A minha passividade jaz aos pés de todos os assassinos
E a minha capa à espanhola esconde a retirada a todos os ladrões.
Tudo é a razão de ser da minha vida.

Cometi todos os crimes,
Vivi dentro de todos os crimes
(Eu próprio fui, não um nem o outro no vicio,
Mas o próprio vício-pessoa praticado entre eles,
E dessas são as horas mais arco-de-triunfo da minha vida).

Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-me,
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.

Os braços de todos os atletas apertaram-me subitamente feminino,
E eu só de pensar nisso desmaiei entre músculos supostos.

Foram dados na minha boca os beijos de todos os encontros,
Acenaram no meu coração os lenços de todas as despedidas,
Todos os chamamentos obscenos de gesto e olhares
Batem-me em cheio em todo o corpo com sede nos centros sexuais.
Fui todos os ascetas, todos os postos-de-parte, todos os como que esquecidos,
E todos os pederastas - absolutamente todos (não faltou nenhum).
Rendez-vous a vermelho e negro no fundo-inferno da minha alma!

(Freddie, eu chamava-te Baby, porque tu eras louro, branco e eu amava-te,
Quantas imperatrizes por reinar e princesas destronadas tu foste para mim!)
Mary, com quem eu lia Burns em dias tristes como sentir-se viver,
Mary, mal tu sabes quantos casais honestos, quantas famílias felizes,
Viveram em ti os meus olhos e o meu braço cingido e a minha consciéncia incerta,
A sua vida pacata, as suas casas suburbanas com jardim,
Os seus half-holidays inesperados...
Mary, eu sou infeliz...
Freddie, eu sou infeliz...
Oh, vós todos, todos vós, casuais, demorados,
Quantas vezes tereis pensado em pensar em mim, sem que o fósseis,
Ah, quão pouco eu fui no que sois, quão pouco, quão pouco —
Sim, e o que tenho eu sido, o meu subjectivo universo,
Ó meu sol, meu luar, minhas estrelas, meu momento,
Ó parte externa de mim perdida em labirintos de Deus!

Passa tudo, todas as coisas num desfile por mim dentro,
E todas as cidades do mundo, rumorejam-se dentro de mim ...
Meu coração tribunal, meu coração mercado,
Meu coração sala da Bolsa, meu coração balcão de Banco,
Meu coração rendez-vous de toda a humanidade,
Meu coração banco de jardim público, hospedaria,
Estalagem, calabouço número qualquer cousa
(Aqui estuvo el Manolo en vísperas de ir al patíbulo)
Meu coração clube, sala, platéia, capacho, guichet, portaló,
Ponte, cancela, excursão, marcha, viagem, leilão, feira, arraial,
Meu coração postigo,
Meu coração encomenda,
Meu coração carta, bagagem, satisfação, entrega,
Meu coração a margem, o lirrite, a súmula, o índice,
Eh-lá, eh-lá, eh-lá, bazar o meu coração.

Todos os amantes beijaram-se na minh'alma,
Todos os vadios dormiram um momento em cima de mim,
Todos os desprezados encostaram-se um momento ao meu ombro,
Atravessaram a rua, ao meu braço, todos os velhos e os doentes,
E houve um segredo que me disseram todos os assassinos.

(Aquela cujo sorriso sugere a paz que eu não tenho,
Em cujo baixar-de-olhos há uma paisagem da Holanda,
Com as cabeças femininas coiffées de lin
E todo o esforço quotidiano de um povo pacífico e limpo...
Aquela que é o anel deixado em cima da cómoda,
E a fita entalada com o fechar da gaveta,
Fita cor-de-rosa, não gosto da cor mas da fita entalada,
Assim como não gosto da vida, mas gosto de senti-la ...

Dormir como um cão corrido no caminho, ao sol,
Definitivamente para todo o resto do Universo,
E que os carros me passem por cima.)

Fui para a cama com todos os sentimentos,
Fui souteneur de todas ás emoções,
Pagaram-me bebidas todos os acasos das sensações,
Troquei olhares com todos os motivos de agir,
Estive mão em mão com todos os impulsos para partir,
Febre imensa das horas!
Angústia da forja das emoções!
Raiva, espuma, a imensidão que não cabe no meu lenço,
A cadela a uivar de noite,
O tanque da quinta a passear à roda da minha insónia,
O bosque como foi à tarde, quando lá passeamos, a rosa,
A madeixa indiferente, o musgo, os pinheiros,
Toda a raiva de não conter isto tudo, de não deter isto tudo,
Ó fome abstrata das coisas, cio impotente dos momentos,
Orgia intelectual de sentir a vida!

Obter tudo por sufici
ência divina —
As vésperas, os consentimentos, os avisos,
As cousas belas da vida —
O talento, a virtude, a impunidade,
A tendéncia para acompanhar os outros a casa,
A situação de passageiro,
A conveniéncia em embarcar já para ter lugar,
E falta sempre uma coisa, um copo, uma brisa, urna frase,
E a vida dói quanto mais se goza e quanto mais se inventa.

Poder rir, rir, rir despejadamente,
Rir como um copo entornado,
Absolutamente doido só por sentir,
Absolutamente roto por me roçar contra as coisas,
Ferido na boca por morder coisas,
Com as unhas em sangue por me agarrar a coisas,
E depois déem-me a cela que quiserem que eu me lembrarei da vida.

Sentir tudo de todas as maneiras,
Ter todas as opiniões,
Ser sincero contradizendo-se a cada minuto,
Desagradar a si próprio pela plena liberalidade de espírito,
E amar as coisas como Deus.

Eu, que sou mais irmão de uma árvore que de um operário,
Eu, que sinto mais a dor suposta do mar ao bater na praia
Que a dor real das crianças em quem batem
(Ah, como isto deve ser falso, pobres crianças em quem batem —
E por que é que as minhas sensações se revezam tão depressa?)
Eu, enfim, que sou um diálogo continuo,
Um falar-alto incompreensível, alta-noite na torre,
Quando os sinos oscilam vagamente sem que mão lhes toque
E faz pena saber que há vida que viver amanhã.
Eu, enfim, literalmente eu,
E eu metaforicamente também,
Eu, o poeta sensacionista, enviado do Acaso
As leis irrepreensíveis da Vida,
Eu, o fumador de cigarros por profissão adequada,
O indivíduo que fuma ópio, que toma absinto, mas que, enfim,
Prefere pensar em fumar ópio a fumá-lo
E acha mais seu olhar para o absinto a beber que bebé-lo...
Eu, este degenerado superior sem arquivos na alma,
Sem personalidade com valor declarado,
Eu, o investigador solene das coisas fúteis,
Que era capaz de ir viver na Sibéria só por embirrar com isso,
E que acho que não faz mal não ligar importância à pátria
Porqtie não tenho raiz, como uma árvore, e portanto não tenho raiz
Eu, que tantas vezes me sinto tão real como uma metáfora,

Como uma frase escrita por um doente no livro da rapariga que encontrou no terraço,
Ou uma partida de xadrez no convés dum transatlântico,
Eu, a ama que empurra os perambulators em todos os jardins públicos,
Eu, o policia que a olha, parado para trás na álea,
Eu, a criança no carro, que acena à sua inconsci
ência lúcida com um coral com guizos.
Eu, a paisagem por detrás disto tudo, a paz citadina
Coada através das árvores do jardim público,
Eu, o que os espera a todos em casa,
Eu, o que eles encontram na rua,
Eu, o que eles não sabem de si próprios,
Eu, aquela coisa em que estás pensando e te marca esse sorriso,
Eu, o contraditório, o fictício, o aranzel, a espuma,
O cartaz posto agora, as ancas da francesa, o olhar do padre,
O largo onde se encontram as suas ruas e os chauffeurs dormem contra os carros,
A cicatriz do sargento mal encarado,
O sebo na gola do explicador doente que volta para casa,
A chávena que era por onde o pequenito que morreu bebia sempre,
E tem uma falha na asa (e tudo isto cabe num coração de mãe e enche-o)...
Eu, o ditado de francés da pequenita que mexe nas ligas,
Eu, os pés que se tocam por baixo do bridge sob o lustre,
Eu, a carta escondida, o calor do lenço, a varanda com a janela entreaberta,
O portão de serviço onde a criada fala com os desejos do primo,
O sacana do José que prometeu vir e não veio
E a gente tinha uma partida para lhe fazer...
Eu, tudo isto, e além disto o resto do mundo...
Tanta coisa, as portas que se abrem, e a razão por que elas se abrem,
E as coisas que já fizeram as mãos que abrem as portas...
Eu, a infelicidade-nata de todas as expressões,
A impossibilidade de exprimir todos os sentimentos,
Sem que haja uma lápida no cemitério para o irmão de ttido isto,
E o que parece não querer dizer nada sempre quer dizer qualquer cousa...
Sim, eu, o engenheiro naval que sou supersticioso como uma camponesa madrinha,
E uso monóculo para não parecer igual à idéia real que faço de mim,
Que levo às vezes trés horas a vestir-me e nem por isso acho isso natural,
Mas acho-o metafísico e se me batem à porta zango-me,
Não tanto por me interromperem a gravata como por ficar sabendo que há a vida...
Sim, enfim, eu o destinatário das cartas lacradas,
O baú das iniciais gastas,
A entonação das vozes que nunca ouviremos mais -
Deus guarda isso tudo no Mistério, e às vezes sentimo-lo
E a vida pesa de repente e faz muito frio mais perto que o corpo.
A Brígida prima da minha tia,
O general em que elas falavam - general quando elas eram pequenas,
E a vida era guerra civil a todas as esquinas...
Vive le mélodrame oú Margot a pleuré!
Caem as folhas secas no chão irregularmente,
Mas o fato é que sempre é outono no outono,
E o inverno vem depois fatalmente,
há só um caminho para a vida, que é a vida...

Esse velho insignificante, mas que ainda conheceu os românticos,
Esse opúsculo político do tempo das revoluções constitucionais,
E a dor que tudo isso deixa, sem que se saiba a razão
Nem haja para chorar tudo mais razão que senti-lo.

Viro todos os dias todas as esquinas de todas as ruas,
E sempre que estou pensando numa coisa, estou pensando noutra.
Não me subordino senão por atavisnio,
E há sempre razões para emigrar para quem não está de cama.

Das serrasses de todos os cafés de todas as cidades
Acessíveis à imaginação
Reparo para a vida que passa, sigo-a sem me mexer,
Pertenço-lhe sem tirar um gesto da algibeira,
Nem tomar nota do que vi para depois fingir que o vi.

No automóvel amarelo a mulher definitiva de alguém passa,
Vou ao lado dela sem ela saber.
No trottoir imediato eles encontram-se por um acaso combinado,
Mas antes de o encontro deles lá estar já eu estava com eles lá.
Não há maneira de se esquivarem a encontrar-me,
Não há modo de eu não estar em toda a parte.
O meu privilégio é tudo
(Brevetée, Sans Garantie de Dieu, a minh'Alma).

Assisto a tudo e definitivamente.
Não há jóia para mulher que não seja comprada por mim e para mim,
Não há intenção de estar esperando que não seja minha de qualquer maneira,
Não há resultado de conversa que não seja meu por acaso,
Não há toque de sino em Lisboa há trinta anos, noite de S. Carlos há cinquenta
Que não seja para mim por uma galantaria deposta.

Fui educado pela Imaginação,
Viajei pela mão dela sempre,
Amei, odiei, falei, pensei sempre por isso,
E todos os dias t
êm essa janela por diante,
E todas as horas parecem minhas dessa maneira.

Cavalgada explosiva, explodida, como uma bomba que rebenta,
Cavalgada rebentando para todos os lados ao mesmo tempo,
Cavalgada por cima do espaço, salto por cima do tempo,
Galga, cavalo electrão-ião, sistema solar resumido
Por dentro da ação dos êmbolos, por fora da volta dos volantes.
Dentro dos êmbolos, tornado velocidade abstracta e louca,
Ajo a ferro e velocidade, vaivém, loucura, raiva contida,
Atado ao rasto de todos os volantes giro assombrosas horas,
E todo o universo range, estaleja e estropia-se em mim.

Ho-ho-ho-ho-ho!...
Cada vez mais depressa, cada vez mais com o espírito adiante do corpo
Adiante da própria idéia veloz do corpo projectado,
Com o espírito atrás adiante do corpo, sombra, chispa,
He-la-ho-ho ... Helahoho ...

Toda a energia é a mesma e toda a natureza é o mesmo...
A seiva da seiva das árvores é a mesma energia que mexe
As rodas da locomotiva, as rodas do eléctrico, os volantes dos Diesel,
E um carro puxado a mulas ou a gasolina é puxado pela mesma coisa.

Raiva panteísta de sentir em mim formidandamente,
Com todos os meus sentidos em ebulição, com todos os meus poros em fumo,
Que tudo é uma só velocidade, uma só energia, uma só divina linha
De si para si, parada a ciciar violéncias de velocidade louca...
Ho ----

Ave, salve, viva a unidade veloz de tudo!
Ave, salve, viva a igualdade de tudo em seta!
Ave, salve, viva a grande máquina universo!
Ave, que sois o mesmo, árvores, máquinas, leis!
Ave, que sois o mesmo, vermes, êmbolos, idéias abstractas,
A mesma seiva vos enche, a mesma seiva vos torna,
A mesma coisa sois, e o resto é por fora e falso,
O resto, o estático resto que fica nos olhos que param,
Mas não nos meus nervos motor de explosão a óleos pesados ou leves,
Não nos meus nervos todas as máquinas, todos os sistemas de engrenagem,
Nos meus nervos locomotiva, carro eléctrico, automóvel, debulhadora a vapor

Nos meus nervos máquina marítima, Diesel, semi-Diesel,
Campbell, Nos meus nervos instalação absoluta a vapor, a gás, a óleo e a eletricidade,
Máquina universal movida por correias de todos os momentos!

Todas as madrugadas são a madrugada e a vida.
Todas as auroras raiam no mesmo lugar:
Infinito...
Todas as alegrias de ave vêm da mesma garganta,
Todos os estremecimentos de folhas são da mesma árvore,
E todos os que se levantam cedo para ir trabalhar
Vão da mesma casa para a mesma fábrica pelo mesmo caminho...

Rola, bola grande, formigueiro de consciências, terra,
Rola, auroreada, entardecida, a prumo sob sóis, noturna,
Rola no espaço abstrato, na noite mal iluminada realmente
Rola ...

Sinto na minha cabeça a velocidade de rotação da terra,
E todos os países e todas as pessoas giram dentro de mim,
Centrífuga ânsia, raiva de ir pelos ares até aos astros
Bate pancadas de encontro ao interior do meu crânio,
Põe-me alfinetes vendados por toda a consciéncia do meu corpo,
Faz-me levantar-me mil vezes e dirigir-me para Abstrato,
Para inencontrável, Ali sem restrições nenhumas,
A Meta invisível — todos os pontos onde eu não estou — e ao mesmo tempo ...

Ah, não estar parado nem a andar,
Não estar deitado nem de pé,
Nem acordado nem a dormir,
Nem aqui nem noutro ponto qualquer,
Resolver a equação desta inquietação prolixa,
Saber onde estar para poder estar em toda a parte,
Saber onde deitar-me para estar passeando por todas as ruas ...

Ho-ho-ho-ho-ho-ho-ho

Cavalgada alada de mim por cima de todas as coisas,
Cavalgada estalada de mim por baixo de todas as coisas,
Cavalgada alada e estalada de mim por causa de todas as coisas ...

Hup-la por cima das árvores, hup-la por baixo dos tanques,
Hup-la contra as paredes, hup-la raspando nos troncos,
Hup-la no ar, hup-la no vento, hup-la, hup-la nas praias,
Numa velocidade crescente, insistente, violenta,
Hup-la hup-la hup-la hup-la ...

Cavalgada panteísta de mim por dentro de todas as coisas,
Cavalgada energética por dentro de todas as energias,
Cavalgada de mim por dentro do carvão que se queima, da lâmpada que arde,
Clarim claro da manhã ao fundo
Do semicírculo frio do horizonte,
Ténue clarim longínquo como bandeiras incertas
Desfraldadas para além de onde as cores são visíveis ...

Clarim trémulo, poeira parada, onde a noite cessa,
Poeira de ouro parada no fundo da visibilidade ...

Carro que chia limpidamente, vapor que apita,
Guindaste que começa a girar no meu ouvido,
Tosse seca, nova do que sai de casa,
Leve arrepio matutino na alegria de viver,
Gargalhada súbita velada pela bruma exterior não sei como,
Costureira fadada para pior que a manhã que sente,
Operário tísico desfeito para feliz nesta hora
Inevitavelmente vital,
Em que o relevo das coisas é suave, certo e simpático,
Em que os muros são frescos ao contacto da mão, e as casas
Abrem aqu; e ali os olhos cortinados a branco...

Toda a madrugada é uma colina que oscila,
...................................................................... e caminha tudo

Para a hora cheia de luz em que as lojas baixam as pálpebras
E rumor tráfego carroça comboio eu sinto sol estruge

Vertigem do meio-dia emoldurada a vertigens —
Sol dos vértices e nos... da minha visão estriada,
Do rodopio parado da minha retentiva seca,
Do abrumado clarão fixo da minha consciéncia de viver.

Rumor tráfego carroça comboio carros eu sinto sol rua,
Aros caixotes trolley loja rua montras saia olhos
Rapidamente calhas carroças caixotes rua atravessar rua
Passeio comerciantes "perdão" rua
Rua a passear por mim a passear pela rua por mim
Tudo espelhos as lojas de cá dentro das lojas de lá
A velocidade dos carros ao contrário nos espelhos oblíquos das montras,
O chão no ar o sol por baixo dos pés rua regas flores no cesto rua
O meu passado rua estremece camião rua não me recordo rua

Eu de cabeça pra baixo no centro da minha consciéncia de mim
Rua sem poder encontrar uma sensação só de cada vez rua
Rua pra trás e pra diante debaixo dos meus pés
Rua em X em Y em Z por dentro dos meus braços
Rua pelo meu monóculo em círculos de cinematógrafo pequeno,
Caleidoscópio em curvas iriadas nítidas rua.
Bebedeira da rua e de sentir ver ouvir tudo ao mesmo tempo.
Bater das fontes de estar vindo para cá ao mesmo tempo que vou para lá.
Comboio parte-te de encontro ao resguardo da linha de desvio!
Vapor navega direito ao cais e racha-te contra ele!
Automóvel guiado pela loucura de todo o universo precipita-te
Por todos os precipícios abaixo
E choca-te, trz!, esfrangalha-te no fundo do meu coração!

À moi, todos os objectos projécteis!
À moi, todos os objectos direcções!
À moi, todos os objectos invisíveis de velozes!
Batam-me, trespassem-me, ultrapassem-me!
Sou eu que me bato, que me trespasso, que me ultrapasso!
A raiva de todos os ímpetos fecha em círculo-mim!

Hela-hoho comboio, automóvel, aeroplano minhas ânsias,
Velocidade entra por todas as idéias dentro,
Choca de encontro a todos os sonhos e parte-os,
Chamusca todos os ideais humanitários e úteis,
Atropela todos os sentimentos normais, decentes, concordantes,
Colhe no giro do teu volante vertiginoso e pesado
Os corpos de todas as filosofias, os tropos de todos os poemas,
Esfrangalha-os e fica só tu, volante abstracto nos ares,
Senhor supremo da hora europeia, metálico a cio.
Vamos, que a cavalgada não tenha fim nem em Deus!
...............................................................
...............................................................

Dói-me a imaginação não sei como, mas é ela que dói,
Declina dentro de mim o sol no alto do céu.
Começa a tender a entardecer no azul e nos meus nervos.
Vamos ó cavalgada, quem mais me consegues tornar?
Eu que, veloz, voraz, comilão da energia abstracta,
Queria comer, beber, esfolar e arranhar o mundo,
Eu, que só me contentaria com calcar o universo aos pés,
Calcar, calcar, calcar até não sentir.
Eu, sinto que ficou fora do que imaginei tudo o que quis,
Que embora eu quisesse tudo, tudo me faltou.

Cavalgada desmantelada por cima de todos os cimos,
Cavalgada desarticulada por baixo de todos os poços,
Cavalgada vóo, cavalgada seta, cavalgada pensamento-relâmpago,
Cavalgada eu, cavalgada eu, cavalgada o universo — eu.
Helahoho-o-o-o-o-o-o-o ...

Meu ser elástico, mola, agulha, trepidação ...


- Álvaro de Campos







(estava em brasileirês, não prometo a esta hora a perfeição...)

Eventos acausais, sincronicidade, Full Metal Jacket.

http://www.amazon.com/exec/obidos/ASIN/0710073976/102-7637936-2966507

Comprado.
(from Wikipedia)

A recent study within the Princeton Engineering Anomalies Research Lab has suggested that there is a small though statistically measurable link between human thought and patterns that occur in random data sets. There is no evidence as to if this is caused by individuals unintentionally recognizing complex patterns and then moulding their thoughts towards an unconsciously known result or if the thoughts of the individual are themselves affecting the random patterns in a manner of individuation. This study's results have not been replicated, and its methodologies are disputed. [1]

Criticism

Since the theory of synchronicity is not testable according to the classical scientific method, it is not widely regarded as scientific at all, but rather as pseudoscientific or an example of magical thinking.

Probability theory can attempt to explain events such as the plum pudding incident in our normal world, without any interference by any universal alignment forces. However, the correct variables required for actually computing the probability cannot be found. This is not to say that synchronicity is not a good model for describing a certain kind of human experience - but it is a reason for refusal of the idea that synchronicity should be considered a "hard fact", i.e. an actually existing principle of our universe.

Supporters of the theory claim that since the scientific method is applicable only to those phenomena that are reproducible, independent of observer and quantifiable, the argument that synchronicity is not scientifically 'provable' should be considered a red herring, as, by definition, synchronistic events are not independent of the observer, since the observer's unique history is precisely what gives the synchronistic event meaning for the observer.

A synchronistic event appears like just another meaningless 'random' event to anyone else without the unique prior history which correlates to the event. This reasoning claims that the principle of synchronicity raises the question of the subjectivity of significance and meaning in the sequence of natural events.